Sindipetro revela que produção de petróleo no RN bate novo recorde negativo com pior média em 40 anos

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Em dezembro de 2025, a produção petrolífera potiguar atingiu um novo recorde histórico negativo, rebaixando os números registrados em outubro do mesmo ano. Segundo a última edição do Boletim Mensal da Produção de Óleo e Gás, publicado regularmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e divulgado no início de fevereiro, a média diária de produção no último mês do ano foi de 33.678 barris de óleo equivalente (boe/d). A medida representa a soma dos volumes de petróleo e gás natural extraídos no período e corresponde à menor média diária mensal registrada nos últimos 40 anos.

No recorte anual, aferido pela média das produções mensais diárias em barris de óleo equivalente, o resultado de 2025 supera apenas o desempenho de 2021, um ano após a Petrobrás ter anunciado o início do processo de venda de suas participações em um conjunto de 26 concessões de campos de produção terrestres e de águas rasas no chamado Polo Potiguar. Em 2022, a venda dessas concessões foi anunciada e, em 2023, a transferência de titularidade foi concluída, com a saída total da estatal do Rio Grande do Norte.

Trajetória

A trajetória recente da produção de petróleo e gás no estado revela um processo contínuo de declínio, que se intensifica a partir da segunda metade da década passada, acompanhando mudanças estruturais na política nacional de exploração e produção. Dados da série histórica entre 2011 e 2025 indicam que o Rio Grande do Norte saiu de um patamar médio de cerca de 70 mil barris diários para níveis próximos de 38 mil barris por dia, consolidando uma perda expressiva de capacidade produtiva ao longo do período.

Embora o esgotamento natural de campos maduros seja um fator inerente à atividade petrolífera onshore, a aceleração da curva descendente coincide com a decisão da Petrobrás de concentrar  investimentos estratégicos na exploração do pré-sal, em águas ultraprofundas. A partir dessa inflexão, e sob a orientação de governos interessados em privatizar ativos, a companhia iniciou um amplo programa de desinvestimentos, colocando à venda campos terrestres historicamente responsáveis pela sustentação econômica da indústria petrolífera potiguar e de outros estados produtores.

No Rio Grande do Norte, esse movimento resultou na transferência da totalidade dos campos operados pela Petrobrás para empresas privadas de menor porte, muitas delas com capacidade financeira e tecnológica limitada para realizar investimentos de revitalização em escala compatível com as necessidades dos ativos. Conduzido sob a lógica da maximização de valor de curto prazo, o processo de privatização rompeu a continuidade operacional que caracterizava a atuação da estatal no estado e na região.

Declínio acentuado

Os efeitos dessa mudança tornaram-se mais evidentes entre 2016 e 2021, período em que a produção estadual apresentou as quedas mais acentuadas da série histórica. Mesmo após a conclusão da venda dos ativos, contudo, o cenário observado nos anos seguintes é de estagnação em patamares historicamente baixos, indicando que a simples troca de operadores não foi suficiente para reverter o declínio produtivo.

Para o coordenador-geral do SINDIPETRO-RN, Marcos Brasil, a situação atual confirma o papel estratégico desempenhado por empresas integradas de grande porte em províncias maduras, nas quais a viabilidade econômica depende de investimentos contínuos em recuperação secundária e terciária, além de uma gestão integrada dos campos. “Sem esses aportes – justifica, a produção tende a declinar mais rapidamente, reduzindo a arrecadação, os empregos e os efeitos multiplicadores sobre a economia local”.

Nessa direção, a diretoria do SINDIPETRO-RN tem intensificado esforços de articulação junto a agentes políticos e econômicos de diferentes níveis e esferas, incluindo chefes de Executivos, gestores públicos, parlamentares, empresas privadas e a própria Petrobrás, em busca de alternativas. Nos encontros, o Sindicato tem defendido a necessidade de que a atividade petrolífera potiguar, ainda estratégica para a economia estadual, volte a ser ancorada por uma grande empresa com capacidade de investimento, planejamento de longo prazo e domínio tecnológico.

Alternativas

“No caso potiguar – esclarece Marcos Brasil, não defendemos a saída dos produtores independentes. Entretanto, precisamos de uma empresa com expertise e capacidade financeira, como a Petrobrás, até porque as grandes operadoras privadas internacionais não demonstram qualquer interesse em explorar uma bacia composta majoritariamente por campos maduros. O que defendemos é a presença de uma grande operadora âncora, capaz de atuar em parceria com esses produtores, de forma integrada e complementar”.

A Petrobrás, como se sabe, é detentora de concessões de exploração e produção na porção potiguar da Margem Equatorial e já perfurou poços nessa área com resultados considerados promissores. “Construir uma estratégia coletiva ampla, capaz de reverter a tendência de declínio da produção potiguar, preservar empregos, fortalecer a arrecadação pública e assegurar que a atividade petrolífera continue cumprindo seu papel no desenvolvimento econômico e social do estado é uma tarefa de toda a sociedade”, resume Marcos Brasil.