
Cada eleição tem sua história. A de 2020, em Mossoró, é marcada pela fragmentação da oposição à prefeita Rosalba Ciarlini (PP), candidata a reeleição.
Com pico de 35% de ótimo/bom a prefeita dificilmente seria reeleita em 2020 se em Mossoró tivesse segundo turno. Se assim fosse os candidatos derrotados, em tese, apoiariam o oponente dela, por um questão de lógica.
Mas não temos o “se” porque a realidade impõe a impossibilidade de segundo turno por Mossoró ter menos de 200 mil eleitores. A lógica na política é relativa e existem candidaturas de oposição que lutam para ocupar espaço e se firmarem como lideranças.
Pegando carona na dialética do filósofo Friedrich Hegel Rosalba é a tese. A oposição é antítese e o resultado das urnas será a síntese.
Mas para chegar à síntese é preciso entender que Rosalba tem um terço do eleitorado garantido para si. Outros dois terços, por outro lado, tendem a não votar nela por motivos variados.
A prefeita é 100% conhecida na cidade. Está praticamente com o mesmo percentual de votos há um ano e a parte dos dois terços que não a rejeita só votaria nela caso os candidatos de oposição não se mostrem confiáveis,
Em síntese: dois terços do eleitorado estão em disputa pela oposição. Como não temos segundo turno, não adianta ficar só criticando Rosalba só porque é preciso derrotá-la. É hora de cada um mostrar propostas e dar ao eleitor o direito de saber as fragilidades dos oposicionistas ainda que eles tenham de se acusar entre si.
Propaganda negativa contra adversários é legítima desde que seja sustentada por fatos verdadeiros.
O candidato Allyson Bezerra (SD) estando em segundo lugar tem toda legitimidade de pregar o voto útil contra Rosalba, mas é preciso mostrar que a mudança não pode ser só de sobrenome e origem. Assim como Cláudia Regina (DEM), Isolda Dantas (PT), Ronaldo Garcia (PSOL) e Irmã Ceição (PTB) têm todo o direito de apontar as inconsistências dele por estar a frente na oposição.
A disputa é por um nicho eleitoral que quer mudar os rumos da política local. Não adianta reclamar que atacar Allyson ajuda Rosalba.
Só derrotar Rosalba não pode ser um projeto para Mossoró. Os cinco candidatos de oposição possuem o direito de questionar a prefeita e se questionarem entre si. Se for para ser candidato sem o desejo de furar uma polarização e vencer o pleito que vá pentear macaco.
