“A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”, escreveu o abolicionista Joaquim Nabuco no livro Minha Formação.
A história mostrou que ele tinha razão, e a dificuldade para se aprovar o fim da escala 6×1 é só mais um capítulo dessa vergonha que nos acompanha.
A redução da jornada de trabalho, que deveria ser consenso político, tornou-se uma luta duríssima entre políticos que defendem a proposta e os que são contrários.
No meio disso estão os que agem por conveniência: dizem apoiar, mas não se mobilizam.
Isso lembra os abolicionistas de última hora políticos que defendiam os interesses dos fazendeiros e só aderiram quando o fim da escravidão era inevitável e o sistema escravista já estava economicamente inviabilizado e socialmente insustentável.
O senador Styvenson Valentim (Pode) age como esse grupo agiu na década de 1880.
Desde que a discussão sobre o fim da escala 6×1 começou, ele não se manifestou. Manteve-se em silêncio até que achou uma boa ideia assinar a “PEC do Patrão” do senador Rogério Marinho (PL), que implanta o regime de horas trabalhadas o que, na prática, implanta o regime 7×0, porque acaba com o descanso remunerado.
Só após a polêmica ele se posicionou pelo fim da escala 6×1, e tudo isso dentro de um contexto de queda nas pesquisas.
Foi apenas conveniência. Nada de convicção até porque não faz muito tempo que ele falou que o trabalhador da construção civil quer trabalhar apenas dois dias para passar o resto da semana tomando cachaça.
Styvenson age como um abolicionista de última hora.
