O prefeito Allyson Bezerra (UB) tem dito nas entrevistas que orientou a implantação do Sistema Hórus na Prefeitura de Mossoró em maio de 2023, cinco meses antes do início das investigações que resultaram na Operação Mederi no último dia 27 de janeiro.
O Blog do Barreto solicitou a comunicação do município que enviou os comprovantes de que o então secretário de governo Thiago Marques (atualmente vereador) oficiou a secretária de saúde Morgana Dantas para aderir ao Sistema Hórus, do Ministério da Saúde, para monitorar o estoque de medicamentos.

Além do documento de 25 de maio de 2023, há um segundo de 4 de agosto daquele ano em que Thiago em nome do prefeito reforça a necessidade de adesão ao sistema.

Só em 28 de dezembro, já com as investigações em curso, como o Blog do Barreto assinalou (ver AQUI) foi assinado o decreto.
Mas algumas perguntas ficam em aberto. Por que só em 2023, no terceiro ano de gestão, Allyson orientou a equipe a aderir ao Sistema Hórus, que existe desde 2010?
Por que só seis meses após o primeiro pedido, o prefeito editou o decreto?
O bate cabeça entre ordens não cumpridas, demora na tomada de medidas e decisões tomadas apenas após o início das investigações indica desorganização nos fluxos internos da gestão de Allyson.
Ainda assim, a medida usada como super trunfo do prefeito nas entrevistas é insuficiente para frear qualquer esquema de corrupção.
A eficácia do Sistema Hórus depende de quem alimenta o sistema com as entradas e saídas dos medicamentos. O nó da narrativa do prefeito, é que a Controladoria Geral da União (CGU) sempre investiga o comparativo de tudo que foi comprado e entregue, registrado em Nota Fiscal, com o que foi entregue nas farmácias para cada usuário.
Para evitar as investigações, a gestão de Allyson teria que apresentar comprovantes de que todos os medicamentos comprados foram entregues aos usuários mediante receitas médicas. Foi assim, que o Governo Fátima Bezerra descobriu um esquema da servidores de carreira com medicamentos da Unicat que servem como anabolizantes e denunciou para a Polícia Civil no final do ano passado.
A CGU abriu investigação na gestão de Allyson justamente porque não houve iniciativa de denunciar nem há comprovantes de que os medicamentos foram entregues mediante receitas médicas. O Sistema Hórus, sequer passa pela auditoria que é focada nos contratos e atas de registro de preços.
Em síntese: a investigação não tem relação com o que tem no Sistema Hórus, mas com a ausência de comprovações superior a 25% do que consta em nota fiscal. A CGU percebeu uma divergência grande quantitativos e iniciou as investigações que chegaram até a “matemática de Mossoró”.