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Apoiar violência contra movimentos sociais é fazer o jogo de quem lucra com a desigualdade

Charge: Carlos Latuff
Charge: Carlos Latuff

A comuna urbana do MST em Mossoró foi atingida a tiros pela terceira vez em dez dias. Famílias pobres estão desesperadas não só por não ter onde morar e produzir o sustento como também pelas próprias vidas.

Segundo a advogada Thariny Teixeira Lira, da Rede Nacional dos Advogados e Advogadas Populares, revelou hoje no programa Meio-Dia Mossoró (95 FM) pelo menos três crianças se encontram em estado de choque por conta da violência.

O que me deixa assustado é saber que existem pessoas comemorando esse tipo de violência política por puro ódio a um movimento social. É inaceitável que assistamos isso em silêncio. Não gostar do MST lhe dá o direito de combate-lo em várias frentes, mas nunca no campo da violência.

Segundo a Oxfam Brasil, com base no censo agropecuário, vivemos no país com a maior concentração de terras do mundo. Acredite: 0,91% das propriedades têm 45% da área rural do país. Lutar por uma distribuição de terras improdutivas para quem não tem onde plantar e colher não pode ser tratada como uma causa injusta.

Segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Brasil possui 6 milhões de pessoas que não tem onde morar e 7 milhões de imóveis desocupado.

Tudo isso é reflexo de uma desigualdade brutal materializada na existência de 6 pessoas que tem fortunas que somadas atingem a renda equivalente a de 100 milhões de brasileiros.

Em vez de estarmos discutindo soluções para esses três problemas a discussão predominante no país gira em torno de criminalizar os movimentos que justamente lutam contra essas situações brutais. O pior: pessoas que se beneficiariam dessas conquistas aplaudem a violência contra as entidades representativas.

Se existem bandidos nos movimentos que se apure e se puna, mas a discussão maior deve ser em torno dos problemas que terminam gerando um outro que atinge o pobre e o rico: a violência produzida por essa desigualdade.

Não refletir sobre isso é fazer o jogo de quem ganha com a desigualdade.

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Violência política vai se tornando rotina

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Acampamento do MST em Mossoró sofre atentado com mais de 20 tiros

Veículos do acampamento foram os alvos
Veículos do acampamento foram os alvos

O acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST) em Mossoró sofreu um novo atentado na madrugada de segunda para terça-feira, por volta de 1h30.

A Comuna Urbana, como é conhecida, fica a margem da BR 304 na altura da Porcellanati. Foram ouvidos mais de 20 tiros segundo os moradores. Foram atingidos alguns veículos. Felizmente ninguém se machucou.

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Este é o segundo atentado à bala ao acampamento. O primeiro foi na semana passada. Segundo um dos coordenadores do MST que estão no local, Aglailton Fernandes durante os últimos dias foram feitas várias ameaças. “Foram várias ameaças de pessoas gritando o nome de Bolsonaro e dizendo que a gente ia sair daqui na bala”, frisou.

Nota do Blog: ataques em Curitiba ao acampamento dos apoiadores de Lula. Ataques em São Paulo contra um defensor da prisão do ex-presidente. Dois atentados ao acampamento do MST em Mossoró em uma semana. A violência política no país está saindo do controle.