Por Sueldo Câmara*
A juventude atual parece seduzida pelos discursos vazios e pouco fundamentados do bolsonarismo e alheia aos verdadeiros indicadores da história econômica e social da realidade brasileira.
Reencontrei uma velha amiga dos bons tempos de ETFRN, (ela era estudante) hoje IFRN. Ela me relatou um diálogo com seu jovem filho de 18 anos de idade, que revela de forma sucinta como os argumentos bolsonaristas sobre a evolução das condições de vida da maioria da população brasileira são frágeis e reducionistas.
O referido filho é um entusiasta da família Bolsonaro e fez dois questionamentos à sua genitora: “Mãe, o PT e Lula passaram 20 anos no governo e a pobreza no Brasil não acabou e eu não fui aprovado em um concurso público porque um cotista oriundo da escola pública tomou a minha vaga”.
A resposta da mãe foi contundente: ‘O café da manhã da minha casa quando eu tinha sua idade era café preto com farinha, eu fiz IF, universidade e fui aprovada em um concurso por meio das cotas e políticas sociais do governo Lula e assim pude lhe proporcionar tomar café da manhã com leite, yogurt, pão com queijo e ovo e te pagar um bom colégio particular. Você não passou no concurso porque não estudou suficiente.
O jovem ficou em silêncio sepulcral por dias seguidos… até que balbuciou uma resposta: “Mas Lula roubou…” e a mãe responde com outra pergunta: “a família Bolsonaro que você defende é honesta?… até hoje ela aguarda a resposta.
O Jovem, como a maioria dos seus pares bolsonaristas certamente desconhecem esses números: Segundo o IBGE em 2002 (um ano antes do primeiro mandato lulista a população na pobreza oscilava entre 42 e 46% e a pobreza extrema entre 25% e 26¨%. Hoje, em 2026 esses números caíram para 23,12% da pobreza e 3,5% da extrema pobreza.
O jovem, e seus contemporâneos também esqueceram o que estudaram na disciplina de História na vida escolar: que o Brasil na prática, viveu 450 anos de sociedade escravocrata e que nem Lula da Silva e muito menos a extrema direita vão acabar totalmente com a pobreza de séculos em 20 ou até 40 anos de governo e que o bolsonarismo é simplesmente o movimento que representa a elite do atraso – egoísta e reacionária – que fez a mãe dele antes do governo Lula tomar café preto com farinha no café da manhã.
A mãe, no momento em que me contou essa história… eu percebi um “filete” d’água no canto do seu olho…
*É cronista e professor aposentado da UERN.
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