“Vai quem quer”

O papel fundamental da escola pública para enfrentar a Covid-19 | A Gazeta

Por Fhabyo Hunter*

A frase acima foi dita e replicada por diversos pais após o anúncio da provável retomada das aulas presenciais no Rio Grande do Norte.

Ao ler e ouvir vários áudios tentado justificar a frase “vai quem quer”, fico a imaginar que alguns seres humanos pensam que escola é um barzinho, um shopping, uma praça de alimentação ou um cinema, indo a estes locais apenas “quem quer”, não havendo problema se não for.

Alguns questionamentos são levantados:

A escola pública está preparada para a volta dos alunos?
Há estrutura para que as aulas sejam retomadas?
Aquela escola particular pequena tem condições de se adaptar a todos os protocolos de segurança?
Como será a ida do aluno de escola pública até a unidade de ensino?
E o aluno que mora com idosos? É justo voltar as aulas e colocar a vida dos familiares em risco?
É justo voltarem às aulas os alunos que têm alguma comorbidade?

O “vai quem quer” só demonstra o quanto a sociedade brasileira caminha para um abismo intelectual. Empatia apenas quando o problema chega até minha pessoa, os demais que se “lasquem”, este é o pensamento dos que dizem “vai quem quer”.

Talvez o filho(a) de quem diz a célebre frase não precise ir a pé para a escola, tenha plano de saúde e demais benesses que só o dinheiro pode comprar.

“Vai quem quer”traduzindo para leigos significa: meu filho pode ir, se o seu não pode, fique em casa. O meu terá vantagem competitiva, passará à frente do seu, logo, penso que, é uma oportunidade do meu se sobressair diante do seu. PENSAMENTO de uma grande parcela do “vai quem quer”.

A educação nunca foi a META brasileira, logo, nunca tivemos um PADRÃO FIFA educacional, por conseguinte a escola pública não está preparada para o retorno, concluindo que, se voltar agora, o FOÇO educacional será ampliado em proporções de progressão geométrica.

“Vai quem quer”, PENSO: Todos são seres, nem todos são humanos.

*É professor.

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