Vereador é suspeito de manter servidor fantasma no gabinete

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Por Habyner Lima

Blog Farol Potiguar

Uma nomeação feita pelo vereador Matheus Faustino, do Movimento Brasil Livre (MBL), pode estar no centro de uma grave suspeita de irregularidades na Câmara Municipal de Natal. Documentos oficiais e registros judiciais indicam que um assessor do parlamentar reside em outro estado e mantém intensa atuação profissional fora do Rio Grande do Norte, o que levanta dúvidas sobre o efetivo exercício da função pública.

No dia 7 de outubro de 2025, conforme publicação no Diário Oficial do Município, Faustino nomeou Lucas Xavier para o cargo comissionado de Assessor Parlamentar 2. O servidor passou a receber um salário-base mensal de quase R$ 5.500, pagos com recursos públicos.

Assessor mora em Pernambuco

Uma procuração obtida com exclusividade mostra que Lucas Xavier reside em Garanhuns, no interior de Pernambuco, a aproximadamente 458 quilômetros de Natal. A distância reforça o questionamento sobre como ele poderia cumprir jornada presencial no gabinete do vereador. Além disso, dados do Tribunal de Justiça de Pernambuco apontam que Lucas atua em dezenas de processos no estado como advogado.

Dupla jornada levanta questionamentos

A situação levanta uma pergunta central: como Lucas Xavier consegue advogar para dezenas de clientes em Pernambuco ao mesmo tempo em que estaria trabalhando diariamente na Câmara Municipal de Natal?

Outro ponto sensível é que Lucas Xavier já havia atuado como advogado em processos envolvendo o próprio Matheus Faustino antes mesmo da nomeação. Registros do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte confirmam essa atuação. A suspeita é de que ele possa continuar advogando em causas pessoais do vereador, utilizando a estrutura do mandato e recursos públicos.

Há ainda indícios de que Lucas já recebia dinheiro público antes de assumir oficialmente o cargo. Em janeiro de 2025, o gabinete do vereador realizou pagamentos no valor de R$ 5.500 ao advogado, o mesmo valor que viria a ser seu salário mensal na Câmara.

Assessoria de comunicação também é questionada

Outra pessoa ligada ao gabinete é Rennan Hallais, também com vínculos em Pernambuco. Todos os meses, o gabinete de Faustino realiza pagamentos por serviços de assessoria de comunicação, conforme dados do Portal da Transparência da Câmara. O que chama atenção é que o próprio Rennan afirmou em redes sociais que não trabalha com marketing, função pela qual estaria sendo remunerado com dinheiro público. As formações dele englobam a área de finanças.

Ligação com o MBL

Lucas Xavier e Rennan Hallais têm algo em comum: ambos fazem parte do Movimento Brasil Livre de Pernambuco. A suspeita é de que o vereador estaria sustentando integrantes da mesma organização política com recursos públicos do mandato. Casos semelhantes já foram denunciados anteriormente. O jornal Diário do Centro do Mundo, de Pernambuco, noticiou que parlamentares ligados ao MBL nomeavam assessores que não trabalhavam de fato nos gabinetes. O movimento chegou a acionar a Justiça alegando fake news, mas perdeu a ação.

Se confirmadas as irregularidades, o caso pode configurar improbidade administrativa, crime que envolve o uso indevido de dinheiro público e pode resultar em perda do cargo, suspensão de direitos políticos e devolução dos valores.