“Visita da PF” arranha imagem de Allyson e expõe contradições no discurso do favorito ao Governo do RN

Allyson passou a semana se explicando (Foto: reprodução)

O início da manhã da terça-feira, 27 de janeiro, caiu como uma bomba no tabuleiro político do Rio Grande do Norte. Até aquele momento, tudo vinha dando certo para o prefeito Allyson Bezerra (UB).

Líder com folga nas pesquisas para o Governo do Estado, ele vinha tangendo a sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT) conforme suas vontades.

Acumulava apoios e tinha vice definido sem nem precisar admitir que era candidato ao Governo embora todos os gestos e atitudes indicassem que assim seria.

A transição de poder estava tranquila com a escolha de um vice de sua confiança como Marcos Medeiros (PSD).

Bem diferente do grupo da governadora Fátima. A petista tinha acabado de ter uma conversa tensa com o vice-governador Walter Alves (MDB), que largou a aliança com ela para indicar o vice de Allyson, que será o deputado estadual Hermano Morais (que trocou o PV pelo MDB).

Fátima enfrentava, e enfrenta, uma turbulência que a deixa presa na cadeira de governadora. Se renunciar corre o risco altíssimo de entregar o poder a oposição.

Pelas bandas do bolsonarismo, o senador Rogério Marinho (PL) tirou o time de campo. Aproveitou o convite para coordenar a campanha presidencial do senador fluminense Flávio Bolsonaro (PL) e saiu da disputa pelo Governo do RN.

O escolhido foi o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos), que não tem o mesmo apelo que Rogério com o eleitor bolsonarista. Tanto que negou ser bolsonarista embora se diga grato ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso após ser condenado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de estado.

Estava tudo perfeito para Allyson.

Agregando apoios e palanques adversários em crise.

Aí veio a Operação Mederi que trouxe à tona o que o Blog do Barreto já vinha alertando há pelo menos quatro anos: a existência de algo de podre no mundo encantado de Allyson.

Em maio já tínhamos escrito a série “Os Segredos de Allyson” que ficou marcada pela frase atribuída ao prefeito pelo empreiteiro Francisco Erinaldo da Silva: “quem não sabe perder não sabe ganhar”. Agora temos a “Matemática de Mossoró”, expressão marcante proferida pelo empresário Oseas Monthalggan em um diálogo em que tratava de propina de 15% para o prefeito.

Ainda é impossível mensurar o tamanho do estrago que a “visita” da Polícia Federal fez na imagem de Allyson, mas que o arranhão está feito, está!

A operação maculou o discurso de transparência da gestão e, de quebra, expôs contradições entre o que Allyson diz e o que pratica.

Será um grande teste para sua capacidade de vender fantasias nas redes sociais e para o seu aparato de blindagem na mídia.

O prefeito tem dito que aceita todos os convites para entrevista, mas a sua assessoria ignorou um contato do Blog do Barreto num gesto de deselegância que diz muito sobre o que está acontecendo.