Gestão de Allyson deixa 1.288 crianças e adolescentes na fila de atendimento psicológico

Diagnóstico foi apresentado pelo MPRN (Foto: cedida/MPRN)

Um diagnóstico detalhado da rede municipal de saúde apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) revela um cenário alarmante para as famílias que buscam assistência psicológica para seus filhos através da Prefeitura de Mossoró.

Dados extraídos do Relatório Técnico nº 002/2026 e da Secretaria Municipal de Saúde apontam que 1.288 crianças e adolescentes aguardam por atendimento em psicologia no município.

O relatório, elaborado pela equipe técnica do MP, expõe não apenas o volume da demanda, mas a gravidade dos casos que permanecem sem resposta.

O dado mais crítico do levantamento diz respeito à classificação de risco. Atualmente, 321 solicitações são classificadas como Prioridade 0 (Emergência), o que significa que há centenas de jovens que necessitam de atendimento imediato, mas seguem retidos no sistema. Outras 346 solicitações são consideradas Prioridade 1 (Urgência).

No total, a regulação municipal apresenta um gargalo quase absoluto: 99,1% das solicitações registradas estão pendentes.

A análise mostra que a crise atinge majoritariamente as crianças em idade escolar e na primeira infância.

  • Crianças: Representam 76,7% do total da fila (988 solicitações).
  • Primeira Infância: 337 crianças de 0 a 6 anos aguardam atendimento.
  • Gênero: O público masculino é o mais afetado, compondo 61,7% das solicitações (795 meninos) contra 38,3% do público feminino (493 meninas).

A retenção no sistema de saúde não é temporária, mas crônica. O relatório identifica que cerca de 388 pessoas já aguardam entre um e dois anos pelo primeiro atendimento.

“Representam a demanda crônica e mais negligenciada pelo tempo,” destaca o documento sobre os pacientes que esperam há quase dois anos.

A equipe técnica do MP desconfia que exista um “engavetamento” das solicitações e que o tempo de espera para o atendimento pode ser ainda maior do que o identificado no estudo.

Outro ponto alarmante é que crianças com demanda psicologia e psicopedagogia também estão nas listas de espera da educação nos anos de 2024 e 2025, demonstrando uma “tripla” vulnerabilidade.

Fragilidade nos Diagnósticos

Outro ponto de alerta é a imprecisão técnica das solicitações. Cerca de 96,1% dos pedidos chegam à regulação com CIDs genéricos, como o código “Z00” (exame geral), o que dificulta uma triagem eficaz e a compreensão real da patologia de cada criança.

Isso não é por acaso. A fiscalização do MP realizada em  6 de março no Ambulatório Materno Infantil Dr. Raimundo Medeiros Fernandes (AMI – Mossoró) apontou que o serviço conta com apenas quatro profissionais de psicologia com jornada de 20h semanais para atender, cada um, uma média de 60 pacientes por mês. Além disso, os contratos desses profissionais de psicologia se encerram próxima semana.

Há uma clara sobrecarga que deixa um número significativo de crianças na primeira infância, importante fase do desenvolvimento humano e, que assim como as outras, está sendo negligenciada.

O AMI tem como característica principal no serviço de psicologia, diagnosticar as crianças. Esse processo de diagnóstico não é rápido e se torna ainda mais demorado quando você está há meses/anos aguardando pelo serviço público.

Zona Rural e Educação

A zona rural de Mossoró também sofre com a desassistência, somando 188 solicitações. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Marina Ferreira, na Barrinha, lidera essa lista com 52 casos em espera.

Além disso, há uma sobreposição de necessidades: 82 crianças que aguardam psicologia também estão na fila para psicopedagogia, indicando que problemas de aprendizagem e sofrimento mental estão caminhando juntos sem o devido suporte do poder público.

Confira o relatório AQUI