O que se sabe sobre as investigações do caso do menino vítima de humilhação em Mossoró?

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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente (DEA), confirmou a identificação de três adolescentes envolvidos em um caso de injúria racial contra um vendedor de paçocas de apenas 10 anos. O crime, que gerou forte revolta após ser filmado e divulgado pelos próprios autores, ocorreu no último sábado (11), no bairro Nova Betânia.

De acordo com o delegado Rafael Arraes, o episódio foi motivado por um “pequeno desentendimento” na lanchonete onde a criança trabalhava. Como represália, os jovens — que estavam em um carro — decidiram humilhar o menino, registrando o ato em vídeo.

A investigação revelou que, além da injúria racial, houve graves infrações de trânsito. O adolescente que conduzia o veículo não possui CNH e responderá nos termos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Também vai ser encaminhada a digital para ver a responsabilidade do pai, que pode ter autorizado ele a dirigir o veículo sem a CNH”, afirmou o delegado Arraes.

Confusão sobre Sequestro: Dois Casos Distintos

O delegado fez questão de separar os fatos para evitar a propagação de informações falsas. Segundo Arraes, o menino da paçoca não foi sequestrado. Ele e sua mãe prestaram depoimento e confirmaram que o menor estava em segurança em casa na noite de segunda-feira.

O relato de sequestro, na verdade, partiu de uma segunda criança, de 11 anos, e teria ocorrido na noite de segunda-feira (13):

  • O relato: A vítima afirma ter sido forçada a entrar em um carro preto por quatro adolescentes, levada a um condomínio desconhecido e abandonada posteriormente no bairro Santo Antônio.
  • A investigação: Os adolescentes do caso de sábado negam qualquer envolvimento neste segundo episódio. A polícia nota contradições na versão desta segunda criança e segue apurando o caso com o auxílio de imagens de câmeras de segurança.

Próximos Passos

O caso de injúria racial já está com a autoria definida e o procedimento será encaminhado ao Poder Judiciário. A criança de 10 anos foi encaminhada para ser ouvida por uma equipe especializada (depoimento sem dano), garantindo o acolhimento necessário devido à sua idade.