‘Sempre optei em governar para os mais fracos’, diz Robinson Faria

Robinson-Faria-2

Nosso entrevistado desse domingo é o governador Robinson Faria (PSD). Na conversa ele faz um balanço da administração e fala da tentativa de reeleição. O chefe do executivo estadual afirma que faz uma gestão que quebra paradigmas, que governa para os mais pobres e garante deixar nas mãos do povo a decisão sobre a reeleição.

Blog do Barreto Vamos começar falando de administração. Nas entrevistas o senhor sempre costuma dizer que faz um governo que está quebrando paradigmas. Quais são?

Robinson Faria: São vários, mas eu vou listar alguns que considero bem ilustrativos. O primeiro foi ter montado uma equipe de secretários eminentemente técnica, em detrimento de escolhas políticas que são as mais comuns. Um outro paradigma foi que sempre optei em governar para os mais fracos, os que mais precisam. Criar programas e ações de Governo que atendam aos mais necessitados, como o Transporte Cidadão, o Microcrédito Empreendedor e os Restaurantes Populares. Só sabe o valor destes programas quem realmente precisa. Posso citar também a ousadia das escolas de tempo integral, que hoje já são 49 escolas. Antes, não existia nenhuma. Ousadia no sentido de que é complexo montar e manter este tipo de escola, mas enfrentamos o desafio e conseguimos. E a retomada de grandes obras como a barragem de Oiticica, no Seridó, o Saneamento e a avenida Moema Tinoco em Natal, por si só uma ousadia pelo alto valor destas obras. Como falei, são vários exemplos.

Blog do Barreto: O senhor tem perspectiva de pôr o salário em dia neste semestre?

Robinson Faria: A gente trabalha dia e noite com esta perspectiva. Temos feito um trabalho contínuo de ajustes na despesa primária e estamos também na expectativa de que a economia volte a crescer, como inclusive já está ocorrendo. Temos buscado fontes extras de recursos, como empréstimos e antecipação de receitas. O que está mais próximo de se concretizar é a antecipação de royalties. Com isso iremos ao Banco do Brasil buscar receitas extraordinárias provenientes dessa natureza. Vale ressaltar que estes recursos serão consignados integralmente para a previdência pública, para o IPERN ter destinações de cobertura de déficits dos servidores inativos e pensionistas. Estamos focados de forma absoluta, toda nossa equipe econômica está concentrada num esforço para que o estado volte a ter equilíbrio fiscal. De 2015 pra cá, todos sabemos, o país ingressou numa crise macroeconômica brutal e histórica, o que impactou fortemente nas receitas. Hoje já conseguimos pagar 87% da folha praticamente em dia, ou seja, de 111 mil servidores, 98 mil são pagos praticamente sem atraso. Os 23 mil servidores da Educação, Detran, Ipern, Idema e DEI já recebem o salário dentro do mês trabalhado. E os servidores da área de segurança da Sesed, Sejuc, PC, PM, CBM, Itep, GAC e Vice-Gov (ativos, inativos e pensionistas PM e CBM) já têm recebido em média por volta do quinto dia útil do mês seguinte. Posso afirmar que esta situação já foi grave, e hoje está quase sendo sanada. E quero dizer ainda que, tudo isso, é fruto de uma decisão que tomei ainda em 2015, quando me foi sugerido demitir 20 mil servidores (e a Lei me permitia fazer isso). Eu optei por não tirar o emprego de milhares de pais de família e enfrentar o desgaste de correr pra colocar a folha em dia. Prefiro o pai de família recebendo atrasado, do que sem emprego. Não me arrependo. E vamos vencer esta crise. Já estamos vencendo.

Blog do Barreto: A Segurança é considerado o maior problema do Rio Grande do Norte. O que tem sido feito?

Robinson Faria: A questão da Segurança não é problema apenas do Rio Grande do Norte, é um problema nacional, e crônico. É fruto de anos e anos de fronteiras mal vigiadas e de falta de prioridade do Governo Federal em priorizar esta área, o que transformou as facções em entidades poderosas, que se espalham pelo país. As facções hoje têm mais dinheiro que os grandes bancos, são verdadeiras empresas do crime. E isso chega na ponta, nos Estados, que estão às voltas com a crise financeira que abalou a economia do país e não conseguem acompanhar o ritmo das facções. Mesmo assim, com toda dificuldade, nós temos enfrentado a crise da insegurança e não paramos um só dia de combater o crime organizado. Criamos a Ronda Integrada, compramos armamentos e mais de 500 viaturas, promovemos policiais. É uma guerra sem trégua, diária, e determinei tolerância zero. Tudo o que podemos fazer estamos fazendo, investindo em inteligência e em estratégias. É uma guerra longa. Mas vamos vencer.

Blog do Barreto: Qual o maior desafio para o senhor nesses pouco mais de seis meses de mandato que ainda restam?

Robinson Faria: Estabilizar os índices de violência que, como falei, são fruto de um problema crônico nacional. Quando explode um banco aqui, não é gente daqui, é crime organizado, querendo fazer dinheiro para o tráfico de drogas. O crack, onde chega, destrói famílias. É uma guerra. Mas, assim como fizemos com Alcaçuz, que de uma rebelião que foi manchete na CNN virou um case nacional em gestão prisional, vamos conseguir sim em algum momento estabilizar os índices da área de segurança. Todos os dias isso ocupa parte do meu trabalho como gestor do estado. Investimos hoje 15% do orçamento em segurança, é o maior já feito no estado.193264

Blog do Barreto: Para Mossoró, qual avanço o senhor destaca em sua gestão?

Robinson Faria: Eu sempre tive uma relação muito especial com Mossoró e com sua gente. Mossoró pra mim é a segunda capital do estado, eu sempre afirmei isso. Nosso governo já realizou bastante por Mossoró. Fizemos um investimento de R$ 1,4 milhão num tomógrafo para o Tarcísio Maia. Antes não existia tomógrafo em funcionamento da rede pública. O Estado era obrigado a contratar o serviço na rede privada. Hoje temos plantão permanente de neurocirurgia. Estamos aumentando de 9 pra 30 leitos de UTI e mais 36 leitos de internação. Antes não existia ortopedia plena na rede pública, e uma pessoa que quebrasse a perna em Mossoró precisava ser transferida pra Natal. Hoje trata em Mossoró, não precisa mais ir pra Natal. As neurocirurgias eletivas estão habilitadas desde setembro de 2017 no Wilson Rosado, que por sinal está recebendo 10 leitos de UTI clínica e 5 leitos de clínica médica. São leitos contratados e que funcionam como extensão do Tarcísio Maia até que as obras de ampliação da UTI sejam concluídas. Fizemos investimento em ortopedia de R$ 10 milhões, e hoje fazemos uma média de 98 cirurgias por mês. E o que dizer do trabalho do Governo pelo Aeroporto? Mossoró finalmente vai ter uma linha aérea regular, com a Azul, que só está vindo por causa da reforma e das adequações. Nós transformamos o aeroporto de voos privados em aeroporto de voos comerciais. E nós só garantimos o incentivo depois que eles se comprometeram com o voo fixo. Foram 6 meses de trabalho e investimento de R$ 2 milhões para reestruturar o aeroporto. Posso falar das 3 escolas de tempo integral, do centro de educação profissional, da adutora Jerônimo Rosado, que garantiu água pra 30% da cidade, dos novos poços perfurados, do esgotamento sanitário do Abolição III, em parceria com a prefeita Rosalba. Bombas novas que adquirimos, pra substituir as velhas e isso fazia faltar água em muitos bairros de Mossoró. É muita coisa. Quando eu disse que priorizaria Mossoró, eu não falei por falar, e estamos cumprindo. Inauguramos mais dois restaurantes populares e um café cidadão. Só sabe o valor de uma refeição a 1 real quem precisa. Pode acreditar nisso. Trouxemos a Ronda Integrada, 4 polícias juntas, no difícil combate à criminalidade, e os números já melhoraram. Já iniciamos a grande reforma do Teatro Lauro Monte, abrimos o Escritório do Empreendedor e estamos fazendo a maior obra de saúde da história de Mossoró, o Hospital da Mulher, que vai beneficiar pacientes de 62 municípios e 20 mil mulheres por ano. Sim, respondendo a sua pergunta, tivemos avanços para Mossoró. E olha que eu fiz um resumo.

 Robinson Faria: O senhor se sentiu sem apoio da bancada federal nesses quase quatro anos de mandato?

Robinson Faria: Boa parte da bancada sempre me acompanhou nas audiências, inclusive sempre presente o deputado Beto Rosado nas audiências. Sempre tive apoio, na medida do possível.

Blog do Barreto: Sua candidatura a reeleição vem sendo colocada em dúvida, mas o senhor vem formando um grupo com partidos médios e pequenos além do cortejo ao PSDB. O senhor depende de alguma aliança para ser candidato?

Robinson Faria: Se a minha história política dependesse somente de apoios pra ser candidato, você agora não estaria me entrevistando como governador. Mas os apoios políticos são sim importantes e é claro que quem quer ser candidato deve buscá-los, num entendimento amplo e que some forças. Mas isso será feito no momento devido. Agora meu foco é vencer a crise, uma crise nacional e que só agora, no meu último ano de mandato começou a arrefecer. Governei 4 anos com a crise batendo na porta. Trabalho todos os dias focado em gestão. E nunca faltei a um dia sequer de trabalho.

Blog do Barreto: Se uma eventual candidatura a reeleição estiver inviabilizada o senhor se entenderia com adversários para salvar o mandato de Fábio Faria?

Robinson Faria: Quem inviabiliza eleição é o povo, só ele pode decidir se uma candidatura é ou não viável. E o que eu ouço nas ruas é bem diferente do que muitos publicam ou falam. Costumo dizer sempre o seguinte: nunca subestimem a minha capacidade de enfrentar desafios.

Blog do Barreto: Em Mossoró, o senhor tem plano B caso não firme aliança com a prefeita Rosalba?

Robinson Faria: A pessoa que disser que não quer o apoio do grupo da prefeita Rosalba em Mossoró, sinceramente, não estará sendo 100% sincera. Mas tudo na vida precisa ser construído com paciência e com humildade, com diálogo, com bases bem construídas. No momento certo acredito que tudo se encaixa. Em Mossoró tem de ter Plano M (M de Mossoró) e não Plano B. Tem que ser bom para Mossoró, e eu acredito nisso. É justo.

Blog do Barreto: Voltando à administração qual o legado que o senhor pretende deixar para o RN?

Robinson Faria: O governo que enfrentou e venceu a crise. Antigamente governar era escolher onde investir, onde gastar. Desde o primeiro dia que eu assumi, a crise nacional nos obrigou a escolher o que podia pagar. Isso faz toda a diferença. Deixarei o legado de grandes obras estruturantes (Anel Viário, Moema Tinoco, Saneamento da capital, 49 escolas de tempo integral, o novo Aeroporto de Mossoró todo reformado, adutoras como a nova Jerônimo Rosado), da estrada do Melão de Baraúna e a da Castanha de Serra do Mel, um sonho de muitas décadas. Da descentralização da saúde e as dezenas de leitos de UTI por todo o estado, dos restaurantes populares, da volta da força do Turismo, do resgate do sistema prisional, enfim, um governo que enfrentou e venceu a crise.

Compartilhe:

Para 50,14% dos leitores do Blog porte de arma deveria ser permitido para pessoas devidamente habilitadas

Na votação mais apertada entre as enquetes do Blog do Barreto (contagem encerrada às 10h55) 50,14% dos leitores opinaram ser a favor do porte de armas para pessoas devidamente habilitadas (ver mais sobre o assunto AQUI).

Ao longo da semana vários leitores debateram o assunto polêmico. O critério da necessidade de legítima defesa terminou prevalecendo. “Com certeza na forma da lei Um cidadão de bem deve sim portar arma sem nenhum problema. Estabilizados os critérios necessários para não cair nas mãos de bandidos”, disse Aldo Arrais.

Entre os contrários ao porte de arma o argumento recorrente é a possibilidade de discussões banais terminarem em morte. “O brasileiro não tem maturidade psicológica pra porte de arma meu povo. Em vez de desculpa, ele dá um tiro. Basta observar!”, justificou a leitora Chiara Gandra.

Nota do Blog: enquetes diferentes resultados diferentes. A natureza da pergunta com base nos argumentos comuns nas redes sociais apresentou um resultado inverso ao questionamento mais objetivo e com estabelecimento de critérios. Não existe enquete tendenciosa, mas resultados que desagradam.

Compartilhe:

“Sem investir em educação ficaremos condenados à miséria”, afirma pré-candidato ao Governo

WhatsApp Image 2018-05-05 at 20.23.35

Empresário e professor universitário, Carlos Alberto Medeiros é o candidato do PSOL ao Governo do Estado. Ele vem com a missão de superar a surpreendente votação de Robério Paulino nas eleições de 2014. Conheça um pouco das propostas de mais um pré-candidato ao Governo do Estado.

 

Blog do Barreto: O senhor foi vice de Fernando Mineiro em 2012. O que te levou a deixar o PT?

Carlos Alberto: Venho sendo convidado para ingressar no PSOL há algum tempo. Desde então, procurei estudar profundamente sobre o partido. Analisei o programa de fundação do PSOL, um programa com visão de futuro e coerência. Impressionante a capacidade do PSOL em antever que a política de alianças com partidos de centro e até de direita ia dar errado. A aliança dos partidos de esquerda tem que ser com os anseios da população e com a busca da justiça social, isso é inegociável.

Blog do Barreto: O PSOL teve um desempenho surpreendente em 2014 na eleição de governador do RN, inclusive forçou o segundo turno. Como o senhor pretende ir além disso?

Carlos Alberto: O PSOL teve um bom desempenho na eleição para o governo do estado em 2014. O professor Robério Paulino, meu colega de UFRN, obteve 130.000 votos, chegando a quase 9% dos votos no Rio Grande do Norte e a 22,5% em Natal. Nesta eleição, acredito que a possibilidade de mudança é grande, as pessoas querem um candidato novo que busque fazer uma política diferente da que vem sendo feita no Rio Grande do Norte. Se o eleitor se identificar com a possibilidade de mudança a chance de vitória é real.

Blog do Barreto: O senhor é empresário. Como ser candidato ao Governo em um partido de orientação socialista?

Carlos Alberto: Como sempre fui um militante de esquerda, não me vejo em um partido com orientação diferente do PSOL, que busca o fim da miséria e da exploração. Deixei a condição de empresário há 20 anos quando ingressei como professor da UFRN no Departamento de Ciências Administrativas, desde então fiquei apenas como sócio da pequena empresa que fundei. Nesses 20 anos coordenei o Programa de Pós-Graduação em Administração de 2005 a 2007 e o Curso de Graduação em Administração de 2014 a 2017. Sou professor nos cursos de graduação em Administração e em Turismo, e também na pós-graduação desses dois cursos.  Além disso, me considero um pesquisador bem-sucedido na academia pois já fui citado por mais de 1.300 trabalhos científicos. Essa experiência no estudo da gestão é que desejo levar para o governo do Rio Grande do Norte.

Blog do Barreto: Como o senhor pretende se apresentar ao eleitorado potiguar?

Carlos Alberto: Pretendo me apresentar como um professor e administrador que quer fazer uma gestão diferente no Governo do Rio Grande do Norte. Um governador que perseguirá a meta de colocar todas as crianças e jovens na escola. Como disse Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa para mudar o Mundo”. Não existe outra saída para o Rio Grande do Norte que não seja a educação, só ela liberta as pessoas. Nos últimos 10 anos as matrículas das crianças e adolescentes vem caindo no Rio Grande do Norte, o IBGE aponta uma redução de aproximadamente 91.000 matrículas a menos do que em 2009. Temos o segundo pior ensino médio do Brasil, o terceiro pior ensino fundamental, uma enorme falta de vagas nas creches, como vamos crescer com uma educação tão desprezada?

Blog do Barreto: O PSOL tem chances de finalmente eleger um deputado estadual no Rio Grande do Norte. Esse projeto atrapalha ou ajuda sua candidatura?

Carlos Alberto: A ampla nominata de pré-candidatos do PSOL vai fortalecer bastante a campanha, serão mais de 50 candidatos nessas eleições. Mossoró terá a ex-vereadora professora Telma Gurgel como candidata ao Senado e o sindicalista Audiclésio Maia como candidato a deputado federal.  Acredito que o PSOL pode eleger dois ou até três deputados estaduais, já temos mais de 30 pré-candidaturas apresentadas. O professor Zacarias Marinho da UERN é um deles. A nominata para estadual vem com muita força, o vereador de Natal Sandro Pimentel, que está fazendo um grande mandato, os ex-vereadores Maurício Gurgel, com raízes no Seridó, e o Prof. Luis Carlos, que possui bases na região do Apodi. Temos o ex-prefeito de Janduís Dr. Salomão Gurgel; o professor Robério Paulino, que foi o candidato do PSOL a govenador em 2014; um importante líder comunitário do maior bairro de Natal que é o Milklei Leite; o professor Walker Francis, que tem um excelente trabalho como educador em Felipe Camarão. Além desses, candidaturas importantes em Currais Novos, com Solange Medeiros, Tibau do Sul e agreste com Suzane de Paula. Será uma campanha em que o PSOL apresentará uma nominata muito qualificada.

O senhor sendo governador qual seria prioridade principal?

Carlos Alberto: Os países que conseguiram vencer a luta contra a miséria foram os que investiram fortemente na educação. A prioridade do governo será a educação, por ela se atinge e se soluciona outros problemas graves como a segurança pública e o desenvolvimento. Não há mais como ficar se tapando o sol com a peneira, sem investir em educação ficaremos condenados à miséria. Quase 10% da população do Rio Grande do Norte vive na extrema pobreza, são quase 350.000 pessoas. 17% da população é analfabeta, em alguns municípios o número beira os 40%. Nosso governo executará as políticas públicas que estarão em nosso Programa de Governo e que serão extraídas dos anseios da sociedade.

Blog do Barreto: O senhor é do ramo empresarial deve compreender bem o quanto o modelo econômico do Estado carece de inovações. O senhor pensa em alterar os rumos da economia potiguar?

Carlos Alberto: Fui aluno do ex-governador Cortez Pereira, uma pessoa brilhante, o melhor governador que o Rio Grande do Norte já teve. Cortez Pereira foi o único governador com perfil socialista, isso em plena ditadura militar. Cortez trouxe a CEPAL para ajudar a planejar o Rio Grande do Norte. Concebeu e implantou o projeto Serra do Mel, um exemplo de sucesso de colonização e reforma agrária; apoiou o início da carcinicultura em nosso estado, hoje colhemos esses frutos; o plantio do coco; a fruticultura; o turismo. Cortez sabia identificar as atividades econômicas que tínhamos vantagem competitiva. Gostaria muito de fazer um governo nos mesmos moldes que ele fez, sem dúvida ele alterou para melhor os rumos da economia potiguar.

Blog do Barreto: O PSOL passou por algumas turbulências como a filiação rejeitada do advogado Fábio Holanda. Esses problemas atrapalham a disputa majoritária?

Carlos Alberto: Acredito que não.

Blog do Barreto: Como o senhor analisa a UERN?

Carlos Alberto: O desenvolvimento social e econômico do Rio Grande do Norte passa pela UERN, pois ela está presente em quase todas as regiões do estado, atuando fortemente na Graduação e na Pós-graduação. Vejo a UERN como a executora de uma política governamental abrangente no ensino e na pesquisa aplicada. A UERN deve assumir um papel preponderante em nossa gestão, pois tendo a educação como prioridade a UERN será um braço de atuação do governo para a elevação de nossos indicadores educacionais.

Blog do Barreto: Quais as propostas para Mossoró?

Carlos Alberto: Mossoró é a capital industrial do estado. Sou impressionado com a pujança econômica da região mossoroense e acredito que Mossoró será a líder do desenvolvimento do estado no médio prazo. O desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte tem que crescer do campo para as cidades. Só reverteremos o atual cenário de empobrecimento que o estado atravessa apoiando a agricultura familiar, as cooperativas, agregando valor aos produtos em nosso território com a industrialização. Quero estimular fortemente a produção de alimentos e a industrialização no território potiguar. Mossoró e região lideram a produção agrícola e a extração mineral em nosso estado e contará com o apoio do governo para instalar a infraestrutura necessária para continuar com seu forte crescimento.

 

Compartilhe:

“Nós vamos enfrentar este desafio com humildade”, diz Fátima ao admitir candidatura ao governo

Fátima admite candidatura ao Governo (Foto: Tribuna do Norte)
Fátima admite candidatura ao Governo (Foto: Tribuna do Norte)

Dando sequência à série de entrevistas com os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte hoje trazemos uma conversa com a senadora Fátima Bezerra (PT). Líder nas pesquisas ela pela primeira vez admite de forma clara que aceita a candidatura. Não era para menos: ela foi lançada pelo ex-presidente Lula, seu líder político. Fátima também responde aos questionamentos a respeito das acusações de que ela deixa o Estado em segundo plano se preocupando mais com temas nacionais.

Blog do Barreto: O ex-presidente Lula lançou seu nome para o Governo do Estado. A senhora vai mesmo colocar o nome na disputa?

Fátima Bezerra: O PT decidiu que terá candidatura própria e me convoca para esta luta. Nós vamos enfrentar este desafio com humildade, gratos e motivados pela confiança do povo do Rio Grande do Norte, mas também com muita responsabilidade. O Brasil e o nosso estado atravessam momentos difíceis e é preciso muito espírito público e seriedade neste processo porque vamos lidar com a vida das pessoas, com as angústias, a esperança de que as coisas melhorem. Num momento de descrença com a política é motivador receber o carinho das pessoas, as palavras de incentivo, a preferência dos potiguares em cada pesquisa divulgada. Recebemos tudo isso acima de tudo com os pés no chão. Sabemos do tamanho do desafio que temos pela frente. As palavras do presidente Lula endereçadas a nós, naquele momento de uma injustiça profunda, nos incentiva ainda mais e nos encoraja a defender o legado que ele plantou: de justiça social, de um país mais igual, para todos e para todas.

Blog do Barreto: Como a senhora analisa tudo isso que vem acontecendo com o ex-presidente?

Fátima Bezerra: Um absurdo. Uma injustiça sem tamanho, sem precedentes. Como é que se prende um ex-presidente, o melhor da história do país, sem provas, puramente por convicção? Não se trata aqui de defender por defender ou de achar que o presidente Lula está acima da lei. É exatamente o contrário: a lei deve ser igual para todos. A Justiça, tão criticada pela morosidade, resolveu ser célere para condenar, prender – sem considerar a presunção de inocência até o trânsito em julgado em última instância, conforme prevê a Constituição – após negar vários recursos da defesa. A campanha de solidariedade ao presidente Lula se intensifica tanto pelo Brasil como pelo mundo afora e esperamos que essa mobilização social crescente chegue ao STF e que essa injustiça seja reparada. Lula é um preso político. 33 anos após o fim da ditadura vivemos esta triste realidade. Lula está preso porque os que golpearam de morte nossa democracia querem impedi-lo de disputar e vencer as eleições. Não podemos aceitar esse absurdo. Nossa luta não cessará enquanto a Justiça não for feita e ele libertado.

Fátima Bezerra e Lula

Blog do Barreto: Alguns analistas políticos entendem que a senhora tem uma candidatura ao Governo muito dependente de uma “dobradinha” com o ex-presidente Lula, mas ele hoje está preso e praticamente fora da disputa presidencial. Como a senhora atuaria numa campanha sem Lula?

Fátima Bezerra: Primeiro que Lula é o nosso candidato e, segundo, que em qualquer circunstância nós teremos candidatura própria ao Governo do Estado do RN. Depois, como eu já mencionei, este homem tão admirado pelo que fez ao Brasil, é vítima de uma espécie de impeachment preventivo. O grande acordo nacional não está simplesmente encarcerando Lula, mas está indo de encontro à vontade popular. Essa é a razão central de tudo isso. Em contrapartida, o sentimento de indignação da maioria do povo brasileiro contra essa arbitrariedade tem sido muito forte e isso vai refletir nas urnas, em solidariedade e em apoio eleitoral aos candidatos do PT e dos aliados que defendem o imenso legado dos governos do presidente Lula. Em qualquer cenário, o presidente Lula estará no centro do processo eleitoral deste ano, na medida em que é impossível a construção de uma alternativa à crise brasileira sem ter o seu legado como referência.

Blog do Barreto: A senhora tem sido criticada por se preocupar demais com temas nacionais e esquecer as questões locais. Como a senhora avalia esse tipo de opinião?

Fátima Bezerra: Outro dia um grupo de jovens me parou em um evento e alguns deles me falaram: “senadora, a senhora nos representa porque a senhora é por nós”. Eu poderia responder sua pergunta com essa frase cheia de ternura daqueles meninos e meninas. Mas é evidente que, como sempre, continuo minha luta incansável em defesa da educação, de uma saúde de qualidade, de uma segurança pública eficiente, de água para nossa população que sofre com a seca, de tantas e tantas outras causas. A Comissão de Desenvolvimento Regional, que presido, tem sido palco de iniciativas fundamentais e de impacto para o meu estado. Dou aqui como exemplo a crise hídrica. Fizemos a caravana das águas, audiências públicas, por três vezes recebemos o ministro da Integração, a quem cobramos a retomada e celeridade da conclusão das obras da Transposição do Rio São Francisco. Continuamos vigilantes. Mas acrescentaria aqui também a agenda municipalista na defesa da implementação do auxílio financeiro aos municípios; a agenda da educação, com destaque para o Fundeb e a cobrança de recursos destinados aos institutos e universidades federais; a manutenção dos bancos postais; a luta em defesa da Chesf, contra a privatização da Eletrobrás; a defesa dos investimentos da Petrobras e a Refinaria Clara Camarão no RN; a cobrança de investimento e conclusão de obras na infraestrutura rodoviária, como a conclusão do viaduto Maria Lacerda, Reta Tabajara, entre outros. Nós também estivemos na linha de frente contra a política regressiva e cruel de Michel Temer, sempre coerente com a minha trajetória em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo brasileiro. Estranho seria se eu fosse conivente com o pacote de maldades do governo ilegítimo, que penaliza o trabalhador com uma Reforma Trabalhista perversa, que tenta impor uma Reforma da Previdência excludente que pune a população, de uma PEC que congelou por 20 anos os investimentos em políticas públicas e sucateia o país. Esses temas nacionais não dizem respeito ao nosso RN? Neste aspecto, quem tem que se explicar ao povo do RN é quem tem respaldado essa agenda brutal de retirada de direitos.

Blog do Barreto: Uma das críticas ao seu nome é que seu desempenho parlamentar caiu no Senado em comparação aos tempos como deputada. A senhora concorda?

Fátima Bezerra: Quem acompanha com seriedade o meu mandato sabe que isso não é verdade. Eu discuto, critico o descaso do governo ilegítimo com o RN, defendo o meu estado com todo o meu empenho, com o mesmo vigor. A grande diferença deste mandato para os anteriores é que o governo de Michel Temer não é republicano, discrimina o Nordeste e não atende as reivindicações de sua própria base de apoio, avalie de quem é oposição. Nós vínhamos de governos republicanos que visavam a melhoria da população, mas agora a realidade é outra. Quem mudou não fui eu, o que está acontecendo é resquício do golpe, que infelizmente ainda segue seu curso. O povo não é mais prioridade. Nosso mandato tem recebido o reconhecimento pelo papel que desempenha no parlamento: pela terceira vez consecutiva aparecemos entre os mais influentes do Congresso nos levantamentos anuais realizados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Ano passado, aparecemos entre os 10 melhores senadores em votação realizada pelo site Congresso em Foco. No mais, cumpro minha obrigação e continuo fazendo política de cabeça erguida, com honradez, seriedade e espírito público.

Blog do Barreto: Qual o principal problema do Rio Grande do Norte na sua opinião?

Fátima Bezerra: Para além da recessão econômica que trouxe impactos para estados e municípios, como queda de receita e corte de investimentos, cabe aqui uma pergunta: o que levou o RN a ter um destino tão diferente de estados de porte semelhante, como a Paraíba, e de outros estados como o Maranhão, a Bahia, o Piauí e o Ceará, onde não há atraso no pagamento dos servidores e se consegue investir? O que levou o nosso estado a essa situação de caos? O PT está debruçado junto a técnicos e especialistas de diversas áreas que realizam um levantamento minucioso da situação do Estado. Precisamos saber, por exemplo, os gargalos da arrecadação, o diagnóstico da folha de pessoal, capacidade de investimento, políticas públicas em andamento, em especial nas áreas de Segurança, Saúde, Educação, etc.

De posse dessas informações, vamos dialogar com os nossos aliados e os diversos segmentos da sociedade e, aí sim, formataremos uma proposta de Governo ao povo do Rio Grande do Norte.

Blog do Barreto: O antipetismo já esteve mais em voga, mas ainda faz muito barulho nas redes sociais. Como a senhora vai lidar com a rejeição dessas pessoas?

Fátima Bezerra: A narrativa de que foi golpe o que fizeram com Dilma se sobrepôs desde que as máscaras dos personagens centrais daquele lamentável momento para o país começaram a cair uma a uma. Os dois chefões do golpe não nos deixam mentir: Eduardo Cunha, que dispensa comentários, e o presidente ilegítimo, que hoje vive mergulhado em acusações seríssimas de corrupção, agarrado a um mandato para desespero da grande maioria do povo brasileiro. Aliás, Temer e seus amigos, com direito a apreensão de dinheiro em mala, milhões escondidos em um apartamento na Bahia, entre tantas outras coisas. O que estava realmente acontecendo no Brasil foi ficando cada dia mais claro para as pessoas. E naturalmente vimos crescer a descrença das pessoas pela política. Graças a Deus, por onde passo, tenho recebido o carinho e o incentivo das pessoas do meu estado. Uma relação de respeito e isso é muito gratificante, ainda mais nos tempos em que estamos vivendo. As manifestações de intolerância nós vamos tratar como sempre fizemos: com esclarecimento e debate político.

Blog do Barreto: Como a senhora analisa os constantes ataques a UERN?

Um grande equívoco, um desserviço à sociedade e ao estado. A Uern cumpre um papel importante e estratégico do ponto de vista econômico e social. É como eu sempre falo: A educação deve ser tratada como investimento e não como gasto.

Compartilhe:

“Os que estão no poder há décadas criam mecanismos para inibir que propostas novas prosperem”, diz Clorisa Linhares

XP9A7567

Em um partido pequeno e excluída das pesquisas, a vereadora de Grossos Clorisa Linhares (PSDC) rema contra a maré da política apostando no sentimento de rejeição aos políticos tradicionais que impera no eleitorado potiguar. Se a maré se reverter a seu favor ela pode surfar rumo a um resultado que nenhum analista político do Estado acredita. Mas Clorisa sonha alto.

 

Blog do Barreto: A senhora está em um partido pequeno. Como ter um bom resultado sem apoios importantes?

Clorisa Linhares: O sistema eleitoral nos impõe barreiras. Os que estão no poder há décadas criam mecanismos para inibir que propostas novas prosperem. Contudo, estamos firmes. O PSDC é um partido pequeno pretendo oferecer uma alternativa para o Estado. Se apoios importantes são os que estão no poder, os que possuem estruturas partidárias e financeiras, oligarquias, não queremos ter. Buscamos apoios que representem o combate a esse sistema. O eleitor é o principal deles. Estamos diariamente no contato com as pessoas, ouvindo, sugerindo, mostrando nossas ideias. É com o povo que conto.

 

Blog do Barreto: Seu nome vem sendo capciosamente excluído das pesquisas. Como a senhora se sente?

Clorisa Linhares: Sinto que estou incomodando. Se eles, donos da estrutura partidária e financeira, nos excluem das pesquisas, há um sinal de que a nossa pré-candidatura tem apelo popular. Vejam as últimas pesquisas: o entrevistado nos cita espontaneamente, temos a menor rejeição entre todos, mas não nos coloca na questão estimulada. Ou se incluem, não divulgam. Tudo isso se faz para desestabilizar novas candidaturas, criar cenários fictícios, e assim fazer com que somente eles possam disputar o voto majoritário da população. Sou uma mulher de desafios, vencedora, que diariamente tenho desafios e enfrento todos com ânimo de vencê-los. Sempre foi assim. Sempre será.

Blog do Barreto: Vereadora de cidade pequena e sem mídia, a senhora cogita atrair os eleitores via voto de protesto?

Clorisa Linhares: O eleitor está indignado com os políticos atuais. Os escândalos de corrupção, os desgovernos como esse de Robinson Faria, tem feito a população refletir. Isso é bom. Temos uma proposta: fazer um Rio Grande do Norte diferente e assim esperamos conquistar o eleitor. Há uma pauta a ser discutida na campanha que inclui a reforma do estado, a segurança pública, o sistema de abastecimento de água, a retomada do desenvolvimento econômico com empregos e o melhor funcionamento da saúde. Há um grupo de profissionais elaborando um plano e nós estamos ouvindo a população sobre essas questões.

Blog do Barreto: A senhora conseguiu avançar em alguma parceria política para as eleições de outubro?

Clorisa Linhares: Os partidos tradicionais estão discutindo entre eles como continuarem no poder. Assim eles vão promover acordões para que eles se salvem, governador, senadores, deputados federais e estaduais. Tem sido assim. Com eles, não conversamos. Com o s partidos que estão interessados em mudar tudo isso temos realizado bons diálogos. Há uma articulação que envolve o Solidariedade, o PSC e o PV. Conversamos também com representantes do chamado G8, e mais recentemente com o Partido Novo e a Rede. Até 7 de abril os entendimentos ficarão mais centrados em filiações, e posteriormente, penso que haverá avanços na formalização de alianças.

 

Blog do Barreto: Há quem desconfie que a senhora está mesmo de olho nas eleições de 2020 para a Prefeitura de Grossos. Faz sentido essa especulação?

Clorisa Linhares: Em primeiro lugar a nossa pré-candidatura foi lançada pelo PSDC. Outra coisa diz respeito ao desempenho com que tenho desempenhado a missão. Andei o estado inteiro nos últimos meses. E isso, como segundo argumentação, demonstra que esse esforço diz respeito a um projeto estadual, pois fosse essa intenção bastaria que eu centrasse minhas ações no município. Não seria mais lógico? Haveria mais tempo, mais disponibilidade, logística mais simples.

 

Blog do Barreto: Essa é uma eleição que pode aposentar políticos tradicionais. Não lhe angustia não conseguir aglutinar forças para isso?

Clorisa Linhares: As pessoas querem mudar e isso me anima. Sei que há um controle partidário, financeiro, midiático, do próprio sistema eleitoral, nas mãos das oligarquias Maia, Rosado, Alves e associados. Eles não vão largar fácil essa vida de privilégios de 50 anos. Eles já passaram mandatos para os filhos, e já pensam nos netos. Sei de tudo isso. Mas, essa vontade popular precisa ser expressada nas urnas, e isso só acontecerá se houver alternativas eleitorais. Não há angústia quando sabemos a que porto queremos chegar. Sacrifícios e barreiras são muitas, maior entretanto é a nossa vontade, a fé e a força que vem de Deus e do povo para cumprir essa missão.

Blog do Barreto: Em Mossoró, a senhora já tem um grupo de apoio?

Clorisa Linhares: Temos contatos com o apoio de muitos apoiadores, a partir do meu partido, com o combatente professor Josué Moreira, o presidente José Marley, e filiados. Fizemos reuniões com presenças de pequenos e médios empresários, profissionais liberais, ex-vereador, vereador, líderes evangélicos e católicos, muitos amigos. Na campanha, certamente teremos uma boa base de apoio com candidaturas proporcionais.

Blog do Barreto: O tempo de TV e rádio será seu maior inimigo na campanha?

Clorisa Linhares: Certamente. Temos pouco tempo, daí a articulação para a formação de um bloco majoritário que nos dê maior tempo de expor nossas ideias na propaganda eleitoral. Contudo, estamos preparadas para fazer um programa objetivo, sem falácias ou promessas impossíveis de realizar, e com conteúdo que possa levar ao eleitor a possibilidade de reflexão sobre o RN que queremos, diferente desse que o governador e os políticos tradicionais comandam há décadas e que tem nos levado a uma quebradeira geral.

Blog do Barreto: Em que bases a senhora acredita que pode se apresentar como novidade este ano?

Clorisa Linhares: Simples: analisem os currículos dos candidatos. Vou me apresentar como candidata formada em Direito e Ciências Contábeis, professora, empreendedora, seis pós-graduações inclusive uma delas em segurança pública; ex-agente penitenciária; funcionário do Tribunal de Justiça. Como vereadora temos honrado a representação popular e mantido um projeto social que atende a 600 crianças e adultos em Grossos, com recursos integrais do salário de vereadora. Vou pedir que pesquisem sobre minha vida. Não há processo, intimação, denúncia, nada que me desabone. Não sei se os outros pré-candidatos ou possíveis pré-candidatos podem dizer isso. Vida limpa. Mãos limpas. Essa é a minha base. Uma grande novidade entre os que há 50 anos estão ai, muitos deles presos, ou aguardando prisão, querendo mandato para ter foro privilegiado. Sou mãe de criança especial que superou a excepcionalidade do filho.

Blog do Barreto: O seu partido já dispõe de nominatas para as eleições proporcionais? 

Clorisa Linhares: O PSDC além das pré-candidaturas a governo e a senado, que é a de Joanilson de Paula Rêgo, tem se articulado nesse sentido, e é uma das prioridades eleitorais desse ano, observando as barreiras eleitorais impostas para esta eleição. Temos bons nomes como o do vereador caicoense Odair Diniz, nosso atual presidente, e a do professor Josué Moreira, pré-candidatos a federal, e uma nominata de cerca de duas dezenas de nomes para estadual, como o do jornalista Jaécio Carlos e do líder comunitário Paulo Renato, ambos na Grande Natal. Estamos conversando com outros partidos para a formação de uma chapa proporcional forte, que possa eleger pelo menos um federal e quatro deputados estaduais, e entre eles estão o Solidariedade, o PSC, o PV e as agremiações do G8.

 

Compartilhe:

“Não sou o “novo’”, declara Kelps Lima

221afde6-fec3-4a03-aa4c-403a0c561d2c

Na segunda entrevista com os pré-candidatos ao Governo do Estado realizada pelo Blog do Barreto, o deputado estadual Kelps Lima (SD) falou do projeto político de disputar o Governo do Estado. Ele se coloca como alternativa ao PT e grupos tradicionais da política estadual.

 

Blog do Barreto: O senhor está se colocando como pré-candidato ao Governo, mas condiciona o desempenho nas pesquisas para seguir com o projeto. Não é um mau começo para uma disputa majoritária?

Kelps Lima: Claro que não, muito pelo contrário, é pegar o melhor caminho, dizendo a verdade. Nenhum dos pré-candidatos confirmou sua candidatura oficialmente. Todos estão tentando se viabilizar. Carlos Eduardo também está aguardando o resultado de pesquisas. Isso é mais do que normal. A diferença é que eu sou sincero.

Blog do Barreto: O senhor não é ligado à esquerda, nem a direita e muito menos aos grupos tradicionais. A falta de uma identidade política não pode atrapalhar num cenário tão polarizado como o atual?

Kelps Lima: Quem faz política polarizada faz muito barulho, mas não é maioria. A grande maioria das pessoas não está preocupada com esquerda ou direita. A maioria quer soluções, quer um projeto. Entendo identidade política como outra coisa, com ter um projeto com começo, meio e fim. Ter qualificação na área pública. Até agora só nós do Solidariedade termos investido em qualificação na área pública, em um projeto com começo, meio e fim.

Blog do Barreto: O senhor tem repetido que o problema do Rio Grande do Norte é falta de gestão. Mas o atual governador também falava isso. Não há um risco de se passar para o eleitorado como mais um falastrão?

Kelps Lima: Tenho especialização e mestrado na UFRN em gestão pública. Já recebi alguns prêmios nacionais e internacionais na área. Não sou produto de marketing eleitoral, como Robinson foi. Meu mandato na Assembleia e minha experiência como Secretário de Trânsito de Natal mostram que nossos projetos possuem absoluta viabilidade e todos saem do papel.

Blog do Barreto: O senhor está em um partido de médio para pequeno porte. Como encarar uma candidata do PT e os representantes dos grupos tradicionais?

Kelps Lima: Nasci em uma família pobre, numa casa de uma vila no bairro do Alecrim. Fui o primeiro em todas as gerações de minha família a ter uma carreira acadêmica. Sei o que é posto de saúde, desemprego e ônibus lotado na prática. Você acha que depois de tudo que passei na vida eu tenho direito a ter medo de grupos oligárquicos em nosso Estado. Disputei 3 eleições até hoje, em todas tive mais votos que o candidato do PT.

Blog do Barreto: Falando em PT o senhor tem sido duro nas críticas ao governador e lideranças tradicionais das famílias Alves e Maia, mas com a senadora Fátima Bezerra o senhor tem pego mais leve. É a porta aberta para um entendimento futuro?

Kelps Lima: Não seria justo comparar Fátima com José Agripino e Garibaldi. Contudo, não posso dizer que até agora o projeto de Fátima seja consistente. Ela ainda não colocou o RN em sua pauta, vem falando apenas do Golpe, de Temer e de Lula. Precisa falar mais do Hospital Tarcísio Maia, do recorde de assassinatos no RN, de sermos a 2ª pior educação do Brasil, e propor soluções. O que me parece, até agora, é que Fátima está mais preocupada com os problemas nacionais do PT do que os problemas do Rio Grande do Norte.

Blog do Barreto: O Solidariedade tem construído um grupo de nomes novos, mas sem muita estrutura. Dá para acreditar que é possível conquistar mandatos apenas com o “discurso do novo”?

Kelps Lima: Primeiro não sou o “novo”. Tenho 46 anos, já fui secretario mais de uma vez e estou no segundo mandato de deputado. Fazemos política moderna. Vou lhe dizer por qual motivo acreditamos que é possível. A lógica da Assembleia é os deputados aderirem ao Governo, em troca de “estrutura”, mesmo sem ter votado no Governador de plantão. Eu nunca fiz isso, nunca indiquei um cargo sequer em prefeitura, governo estadual ou federal. Mesmo assim fui o 4º deputado mais votado do Estado e fiquei em 2º lugar para Prefeito de Natal e ainda elegemos a segunda maior bancada da Câmara Municipal. Este ano vamos eleger 3 deputados estaduais, 1 federal e vamos estar competitivos para o Senado e o Governo. Os grupos tradicionais não podem transitar pelo que há de mais novo na política, as redes sociais. Na internet nós ganhamos de goleada.

Sabemos fazer muito, com pouca estrutura, exatamente o que o Estado está precisando.

Blog do Barreto: A UERN é constantemente atacada por setores da mídia de Natal e até mesmo de parte da elite potiguar. O senhor sendo governador faria o que para reverter esse quadro?

Kelps Lima: Precisamos modernizar a UERN, não tem outro caminho. A UERN está sendo vítima dos velhos políticos que não querem que nossos jovens tenham acesso a boa educação. Mas também vem sendo vítima da falta de modernização, é preciso rever muita coisa dentro da UERN para podermos salvá-la.

WhatsApp Image 2018-03-22 at 09.39.35Blog do Barreto: Certa vez em um artigo escrevi que o senhor precisa mais do que um “pau de selfie” para ser eleito governador. Creio que o senhor é consciente disso. Qual é a estratégia para formar uma base para lograr êxito no projeto?

Kelps Lima: A melhor estratégia é ter uma postura coerente, uma boa estratégia, qualificação e boa comunicação. Qual a estrutura de Zenaide? Qual o partido dela? O que faz ela estar tão bem para o Senado? Pensar em estrutura é olhar para o passado. Nosso partido é disparado o que mais cresce no Estado sem uso da máquina pública. Estamos criando uma nova identidade política no Estado, poucos falam disso para não valorizar nosso trabalho. Todo mundo quer se esconder embaixo de rótulos: esquerda x direita, verde x vermelho. Não precisamos dessas embalagens, nosso conteúdo é consistente.

Blog do Barreto: O senhor se posicionou favorável aos servidores no “pacote de maldades” enviado pelo governador, mas reconhece que medidas impopulares são necessárias. Quais seriam as mais urgentes na sua opinião?

Kelps Lima: É preciso resolver a questão da previdência, é inadiável. Mas começar essa solução colocando a conta exclusivamente nas costas do servidor que está com 2 anos sem receber em dia não é justo. Além disso é preciso mudar o perfil da máquina pública, modernizá-la. Temos de ter um projeto econômico estadual para aumentar a arrecadação, conectado com uma boa política para educação, e aí a UERN terá um papel fundamental. Em tempos difíceis a sociedade precisa de líderes qualificados e corajosos. Me preparei a vida inteira para este momento.

Blog do Barreto: Ser candidato ao Senado é uma alternativa?

Kelps Lima: Temos a melhor pré-candidatura ao Senado das eleições deste ano, Magnólia Figueiredo. Uma figura internacional, que só nos deu orgulho. Uma servidora pública qualificada com mais de 30 anos de experiência. Dos nomes colocados até agora para o Senado é a única que não pertence às oligarquias políticas do Estado. Minha alternativa para o Senado já tem nome: Magnólia Figueiredo.

Compartilhe:

“Não sou um político tradicional”, garante Fábio Dantas

IMG-20171019-WA0067 (1)

Ontem Fábio Dantas se filiou ao PSB em uma concorrida solenidade na capital do Estado. Em oito anos ele este é o terceiro partido do atual vice-governador do Rio Grande do Norte. Em 2010 ele fora eleito deputado estadual pelo PHS e até poucos dias estava no PC do B. Ele abre a série de entrevistas do Blog do Barreto com os pré-candidatos ao Governo do Estado que abordarão temas espinhosos.

Blog do Barreto: Por que só agora o senhor decidiu se afastar do governador Robinson Faria? Uma decisão como essa, tomada tão próxima das definições das chapas para as eleições, não passa a sensação de oportunismo?

Fábio Dantas: Inicialmente gostaria de agradecer o convite para poder esclarecer a este veículo de comunicação tão importante e que prima por um jornalismo positivo. Passando a responder a indagação inicial, discorro que estou cumprindo a minha missão como vice-governador, missão que me foi dada pela população. Por diversas vezes lutei para que o Governo fizesse outras escolhas, tomasse outras decisões, mas não fui ouvido. Eu mesmo não participei da administração como secretário, nem indiquei titular de qualquer Secretaria, exatamente por discordar de muitos pontos. A decisão do Governo de querer trabalhar pela continuidade da atual gestão, perdendo ainda mais o foco, foi decisiva para o meu desligamento. É preciso ouvir a população e entender que o Governo hoje não tem a sua aprovação.

Blog do Barreto: O senhor foi eleito deputado estadual pelo PHS, depois foi para o PC do B. Agora está migrando para o PSB. São três eleições e três partidos diferentes. O senhor tem alguma consistência ideológica em suas posições políticas?

As três legendas dialogam muito, principalmente no âmbito nacional, onde são tratadas as grandes questões, sendo que todas são socialistas e fazem oposição ao Governo Federal. Tenho grande respeito pelo PCdoB, um partido que me acolheu muito bem. Minhas posições políticas sempre são coerentes com os anseios de nossa sociedade. A opção de mudar de legenda foi derivada do processo eleitoral de 2018 no qual a maioria das agremiações está se dedicando as eleições proporcionais, porém o Partido Socialista Brasileiro tem demonstrado apoio a eleições majoritárias também.

Blog do Barreto: No ano passado em duas oportunidades o senhor, em plena interinidade, enviou para a Assembleia Legislativa o pacote de ajustes fiscais. Nas duas vezes o governador recuou ao reassumir o cargo. Precipitação sua ou falta de coragem do governador? O envio foi de comum acordo?

Quando assumi na interinidade, tinha a plenitude do cargo e enviei as propostas para que a Assembleia Legislativa iniciasse o debate, com a participação dos deputados e da sociedade. Enviei porque o Governo já deveria ter tido essa atitude, desde o início. O Governo foi agir no último ano da gestão, de forma extemporânea, e o resultado foi a indignação da sociedade e o fracasso das ações legislativas, principalmente pela ausência completa de credibilidade do Governo, que dificultou as discussões dos temas sem a participação da sociedade.

IMG-20171019-WA0068 (1)Blog do Barreto: O senhor entregou ao legislativo em março do ano passado o projeto que aumenta de 11 para 14% a alíquota previdenciária dos servidores estaduais. Como convencer um servidor público a votar na sua candidatura?

Não vejo por este lado até porque também existiu uma resistência por parte dos poderes, que passariam a contribuir com mais 6%, o que reforçaria o Fundo Previdenciário de todos os servidores. Neste caso concreto, acredito ser uma luta inglória tendo em vista que todos os estados, especialmente os governados pelo Partido dos Trabalhadores, como o Ceará, a Bahia, o Acre e o Piauí já fizeram essa ação. Esse projeto foi enviado em março de 2017 junto com outras medidas fundamentais para resgatar nosso tão combalido Rio Grande do Norte. Infelizmente o Governo atual não possui a credibilidade necessária para positivar o debate, mesmo porque acreditamos que qualquer outro pré-candidato não poderá fugir dessa matéria, sob pena de cometer ou um estelionato eleitoral ou no futuro prejudicar mais ainda o conjunto de servidores com decisões muito mais drásticas. Defendo o diálogo para encontrar o melhor caminho e buscar as melhores soluções. Pois isso é o que a sociedade quer: soluções. Não adianta ficarmos no campo da ilusão de que tudo será diferente se não agirmos diferente. A sociedade cansou do discurso, ela quer melhorias e já.

Blog do Barreto: O senhor afirma que representa o novo, uma alternativa política. O senhor tende a ter o apoio de políticos tradicionais como os deputados Rogério Marinho e Ezequiel Ferreira e, segundo o jornalista Diógenes Dantas, andou articulando chapa com o senador Garibaldi Alves Filho e a prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini. Isso é ser novo?

Entendo que uma candidatura nova se dá quando quem está postulando não representa o mesmo de sempre e o mais importante: quando pensa diferente. Um candidato compromissado com a sociedade quer mostrar suas ideias e sua capacidade e, assim, conquistar os apoios para se eleger. O apoio dos jovens, das mulheres, das minorias e dos idosos pode assegurar que o proposto prevaleça e que seja colocado em prática. No tocante aos diversos apoios que foram atribuídos, sinto-me lisonjeado, já que não possuo estrutura financeira nem política que me faça ser um candidato dito poderoso, pois acredito nas argumentos que possuo e construí no pouco tempo que estou na política, dentre os quais destaco: ser transparente, ser parceiro, ter caráter, cumprir a palavra empenhada, trabalhar em prol da coletividade, saber ouvir e principalmente ter coragem para decidir.

Blog do Barreto: Com a sua chegada ao PSB como fica a situação do grupo da vereadora Sandra Rosado?

A vereadora Sandra Rosado e a deputada Larissa Rosado têm anos e anos de PSB. Tive a oportunidade de conviver com a deputada Larissa na Assembleia, quando fomos colegas de Casa legislativa. Por enquanto, ingresso no partido como filiado, querendo dialogar com todos. Acredito ser comum o sentimento de que a legenda deve manter o histórico de protagonismo e realizações no RN.

Blog do Barreto: Qual a sua opinião sobre a UERN? Concorda com a ideia de federalização defendida por setores do Governo Robinson?

Tenho certeza da importância da UERN como uma instituição. É imperativo e extremamente forte como instrumento de fomentar nossas potencialidades. A Universidade Pública estadual hoje está inserida na universalidade do ensino, o que não diferencia das demais existentes. Precisamos modernizar a UERN, sendo fundamental a existência de cursos que exprimam nossas potencialidades. Existe hoje o crescimento do descrédito quanto à sobrevivência da instituição por parte de setores da sociedade, às vezes até motivado pelo desconhecimento ou mesmo pela falta de transparência, acho que precisamos abrir a instituição para todos. A UERN ou qualquer outra instituição de ensino deve servir aos seus usuários e não deve ser instrumento de bandeira política partidária. No tocante à federalização, é um tema pouco válido de se discutir, porquanto que o Governo Federal não aceita essa modalidade.

Blog do Barreto: Falando em Robinson, como o senhor analisou as denúncias contra ele no Fantástico do último domingo? Ele chegou a comentar alguma coisa com o senhor quando eram aliados?

Absolutamente não falei e acho que é muito ruim para o Estado quando a probidade do chefe do Executivo é questionada, mas ele terá a oportunidade de defender-se e esclarecer o que de fato aconteceu.

Blog do Barreto: Sua pré-candidatura ao Governo foi formatada por meio de conversas com líderes políticos. É algo debaixo para cima. Isso não dificulta a aproximação com as camadas populares? Ou senhor acredita que as lideranças que lhe apoiam quebrarão essa distância?

O que está acontecendo é exatamente o contrário. O meu desligamento do Governo e a minha filiação ao PSB foram decisões tomadas a partir da própria leitura das mensagens das ruas. Não sou um político tradicional, não reúno uma estrutura capaz de impor nada e não concordo com acordões. O Rio Grande do Norte já mostrou que pensa como eu em 2014.

Blog do Barreto: Em 5 de dezembro de 2012 o senhor perdeu por apenas um voto a indicação da Assembleia Legislativa para o Tribunal de Contas do Estado. O senhor ainda pretende se torna conselheiro deste órgão?

A próxima vaga para o Tribunal de Contas do Estado só vai surgir daqui a sete anos. Até lá, teremos duas sucessões estaduais. O que queremos agora é buscar soluções para os problemas existentes no RN, que são muitos e exigem ações imediatas.

Compartilhe: