Mais um delator da Odebrecht conta que Robinson e Fábio Faria pediram dinheiro em caixa dois

robinson e fábio

A partir do blog Ponto ID do jornalista Dinarte Assunção o Blog do Barreto teve acesso a mais um depoimento do ex-diretor da Odebrecht Ariel Parente. No depoimento ele conta ter pago recursos em caixa dois para Robinson Faria e Fábio Faria em 2010. “Eu fui procurado por um representante da família de Robinson e Fábio e fui conversar com ambos. Essa conversa se deu na casa deles. Eles solicitaram uma ajuda de campanha”, relatou.

Segundo Ariel, os dois não possuíam relacionamento com a obra da Odebrecht no Rio Grande do Norte. Mas mesmo assim foram liberadas ajudas de R$ 100 mil para cada um.

Ele explica que não foi acertada nenhuma contrapartida. “Apenas achávamos que Robinson como vice-governador tivesse mais força que a própria governadora que eu achava ela muito fraca. Robinson pelo porte político que ele tinha, tinha sido presidente da Assembleia duas ou três vezes”, explicou.

Segundo Ariel o pagamento foi realizado em uma casa de câmbio São Paulo sob os codinomes “Bonitão” e “Bonitinho”.

Ele disse que não recebeu a ajuda esperada de Robinson. O pagamento feito no governo Rosalba já estava previsto de uma obra anterior. “Quando Rosalba assumiu o Estado estava numa penúria de fazer pena embora eu tenha recebido algum recurso sem a interferência de Robinson”, concluiu.

Ele disse que a maior parte dos recursos das obras da Odebrecht no Rio Grande do Norte eram pagas pela Caixa Econômica com uma pequena contrapartida do Estado.

Abaixo o depoimento completo.

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Planilhas apreendidas contradizem valores citados por delator

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Barradas ficou de apresentar provas de caixa dois

No final do depoimento de 56 minutos do ex-executivo da Odebrecht Alexandre Lopes Barradas, os interrogadores questionam os valores citados por ele e o encontrado nas planilhas recolhidas pela Operação Lava Jato.

Nas palavras de Barradas, ele repassou nas eleições de 2010 R$ 350 mil a Rosalba Ciarlini e R$ 100 para Fábio Faria, inclusos no sistema do “departamento de propinas” da Odebrecht com os codinomes de “Dama” e “Garanhão”.

Os investigadores falam na conversa que só há registros de pagamentos de R$ 50 mil pagos a Fábio. “Quem juntou não fui eu essas provas. Esses documentos eu não tive acesso”, explicou o delator. Barradas disse que vai providenciar a documentação que falta. “Já anotei aqui”, acrescentou.

O delator falou ainda que não tem chance de ele ter errado os números. “Esse é um caso único, num lugar isolado. Não tenho a menor dúvida”, garantiu.

Para ver esse trecho clique AQUI. O diálogo que motivou esta matéria começa aos 54 minutos do depoimento.

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Delator afirma que Rosalba não deu contrapartida por doação, mas garante caixa 2

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Barradas conta como foi conversa com Rosalba

O Blog do Barreto assistiu do começo ao final o depoimento de 56 minutos do ex-executivo da Odebrecht Alexandre Lopes Barradas em que ele relata uma reunião realizada no apartamento de Robinson Faria (que também participou da conversa) em Natal envolvendo Alexandre Barradas, Carlos Augusto Rosado, Rosalba Ciarlini e Fábio Faria.

Ele conta que ao chegar ao local teve uma rápida conversa sobre a campanha e em seguida se reuniu com a então candidata ao governo em uma conversa reservada.

Aos 12 minutos do depoimento ele conta que não percebeu a contradições nas intenções dele e de Rosalba. “Na cabeça dela era uma coisa e na minha era outra. Na cabeça dela era fazer obra pública, buscar dinheiro… e eu mostrava que eu substituía tudo isso desde que eu pudesse fazer a gestão. Eu só percebi isso depois”, disse sinalizando que a intenção da Odebrecht era privatizar a CAERN.

Alexandre conta ter ficado empolgado com a conversa com Rosalba. “A candidata disse que era muito bem-vinda a nossa participação”, frisou.

Aos 17 minutos do depoimento, Alexandre diz entender que os projetos de parceria público privada ou privatização da CAERN não caminharam porque Rosalba temeu enfrentar o espirito de corpo da estatal e os sindicatos. “Pelo entusiasmo que ela demonstrou eu pensei que fosse caminhar. Não sei qual projeto…”, avaliou.

Aos 24 minutos do depoimento, Barradas relata mais uma vez empolgação de Rosalba que dizia que o foco do governo dela será o saneamento. Por diversas vezes ele se refere a ela como “médica sanitarista”, na verdade ela é pediatra.

Durante todo o depoimento ele deixa claro que o acerto foi feito com Fábio Faria. Aos 27 minutos ele reforça que não discutiu valores. “Até porque pela presença de uma senhora… não se tocou nesse assunto (contribuição)”, acrescentou.

Mas Alexandre disse que Rosalba sabia das intenções da Odebrecht por isso a doação foi feita. “Você não pode apoiar um candidato com ideias estatizantes”, argumentou. “O que a gente queria era através da CAERN fazer parcerias. Não saberia qual a parceria o que eu queria era que ela dissesse sim e no futuro fazer um projeto”, complementou.

Segundo o delator, após a conversa privada Rosalba e Carlos Augusto saíram. Alexandre Barradas seguiu reunido com Fábio, ocasião em que foi tratado de valores. Robinson não estava presente.

Aos 32 minutos do depoimento Alexandre Barradas conta o que disse a Fábio sobre Rosalba: “Ela disse tudo que eu queria ouvir”. Na sequência o delator faz uma mea culpa: “Era um trabalho nobre apesar de estar começando de uma forma errada”.

Ele ainda reforça que Rosalba não tratou de recursos nem de dinheiro, mas deixa claro que “ela seria a beneficiária”.

Barradas esclarece que o pagamento só poderia ser feito sob forma de caixa 2. “A Odebrecht Ambiental é uma prestadora de serviços públicos e não pode fazer doações”, justificou.

RECUSA

Aos 46 minutos do depoimento, Barradas conta que foi a Natal após Rosalba tomar posse buscar a contrapartida, mas não encontrou interesse da então governadora. “Após as eleições, provavelmente em março de 2011, ela ganhou… eu procurei o Fábio e foi marcada uma reunião em Natal através do pai dele. Eu estive no gabinete dela juntamente com o vice-governador. Parabenizei e posteriormente, na conversa com ela, eu disse ‘governadora eu lembrei daquela nossa conversa e estou com uma equipe pronta para trabalhar, para a gente buscar os projetos e a gente buscar algum projeto do seu interesse, a senhora quer começar por onde…’”, contou.

Ele critica o desinteresse de Rosalba em realizar as obras com a Odebrecht. “Ela mostrou total inapetência para o assunto. Eu lembro dela dizendo ‘eu acho que esse negócio agora não dá para mexer porque vai mexer muito na empresa, não é o momento’”, realtou.

Alexandre Barradas conta ainda que Rosalba tentou colocar o assunto para o ano seguinte.

Veja o depoimento completo AQUI

Ainda hoje mais uma contradição do depoimento que pode favorecer Rosalba

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Crise política tirou Robinson do comando da área de interesse da Odebrecht no RN durante governo Rosalba

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Lutando para seguir na Secretaria de Recurso Hídricos, Robinson tentou evitar rompimento

Ficou claro no depoimento de Alexandre Barradas que o deputado federal Fábio Faria (PSD) fazia o papel de intermediário entre a Odebrecht e Rosalba Ciarlini na campanha de 2010.

Sem Fábio, não tinha atalho para discutir os projetos. Quando Rosalba tomou posse quem ficou à frente da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Meio Ambiente foi o então vice-governador Robinson Faria. Ele recebeu a pasta de porteira fechada, indicando Walter Gasi para presidência da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN).

Mas uma crise política atrapalhou o andamento dos projetos de Robinson para a pasta. No segundo semestre de 2011 o então vice-governador/secretário conseguiu refundar o PSD no Rio Grande do Norte criando num primeiro momento um desgaste com o senador José Agripino (DEM), depois com a então governadora.

Ele foi mais rápido que o casal Rosalba/Carlos Augusto Rosado deixando uma ferida aberta. Em seguida ele “apareceu” demais na única interinidade a frente do governo causando o distanciamento político.

Nessa interinidade, Robinson precisou deixar a pasta dos recursos hídricos por uma questão legal. Quando Rosalba retornasse da única viagem internacional dela a frente do Rio Grande do Norte o natural seria a nomeação. No retorno, Robinson não reassumiu o cargo e isso resultou no rompimento entre vice-governador e governadora.

Com o quadro de crise, o hoje governador chegou a receber Rosalba com flores no Aeroporto Augusto Severo em Parnamirim quando ela regressava dos Estados Unidos.

Àquela altura a Odebrecht seguia fazendo obras iniciadas nos tempos de Wilma de Faria (ver AQUI) e pagas na gestão de Rosalba em 2011 e 2012.

Somente em 2014, quando o DEM não garantiu a Rosalba o direito de disputar a reeleição, é que os dois se reaproximaram como a governadora dando apoio velado ao atual chefe do executivo estadual.

Atualmente estão novamente estremecidos.

Em instantes análise sobre o depoimento em vídeo de Alexandre Barradas.

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Fábio Faria agiu como intermediário para arrecadar caixa 2 da “Dama” Rosalba, revela delator

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“Garanhão” Fábio Faria era o intermediário, segundo delator

Na negociação entre a campanha de Rosalba Ciarlini e a Odebrecht nas eleições de 2010 coube ao deputado federal Fábio Faria fazer o papel de intermediário nas negociações. Pelo menos é o que garante o delato Alexandre Barradas, ex-executivo da Odebrecht.

Segundo Barradas, após a conversa com Rosalba coube a Fábio Faria fazer o “meio de campo” entre a Odebrecht. “Já previamente decidido e autorizado por FERNANDO CUNHA REIS, voltei a conversar com o Deputado Federal FÁBIO FARIA, indicando a ele o valor que a empresa havia designado (R$ 450 mil) a ser viabilizado através de caixa 2”, disse.

No depoimento de Barradas, o codinome atribuído a Rosalba não é “Carrossel” como aparece em outras citações e sim “Dama”. Ele explica como Fábio Faria orientou a distribuição do dinheiro: “Por orientação do Deputado, o valor total a ser entregue foi dividido da seguinte forma: R$ 350 mil para a candidata ROSALBA, o qual foi registrado sob o codinome de “dama” e R$ 100 para a sua campanha de deputado federal de 2010 sob o cedinome de “garanhão””.

Os pagamentos foram feitos na cidade de São Paulo.

Barradas diz ainda que a contrapartida após a posse de Rosalba nunca aconteceu. “A candidata ROSALBA CIARLINI foi eleita, porém nenhum projeto foi desenvolvido, sequer uma PMI, foi apresentada”, lamentou.

Na terceira reportagem o Blog faz um resgate histórico sobre a crise política que atrapalhou a parceria Governo do RN/Odebrecht

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Delator da Odebrecht relata reunião com Rosalba em Natal

Alexandre Barradas
Delator Alexandre Barradas explica como atuou na campanha de 2010 no RN

O Blog do Barreto divulga com exclusividade o depoimento de Alexandre José Lopes Barradas, ex-executivo da Odebrecht. Ele relata como se deu os repasses as campanhas de Rosalba Ciarlini (que disputou e venceu o Governo do Estado pelo DEM) e Fábio Faria (na época no PMN, atualmente no PSD) nas eleições de 2010. Ele se reuniu com a então senadora em Natal.

O encontro foi intermediado pelo deputado que tentava a reeleição. “Em julho de 2010, fui apresentado por FERNANDO CUNHA REIS, ao empresário carioca FABIANO FARIA, que tinha interesses comuns com a ÜDEBRECHT AlvlBIENTAL em outros negócios. FERNANDO me disse para avaliar com ele a possibilidade de projetos em saneamento no Rio Grande do Norte. Em seguida, FABIANO me convidou para um jantar no Rio de Janeiro. Nesse jantar conheci o Deputado Federal FÁBIO FARIA que me disse querer tratar de apoio à campanha ao governo do estado em 2010, onde seu pai, ROBINSON FARIA era candidato a vice-governador”, relatou.

Segundo Barradas, após o encontro foi agendada uma visita dele a Natal para conversar com a candidata Rosalba Ciarlini e saber quais eram as reais intenções dela na área de saneamento. O limite para a ajuda era de R$ 450 mil. “A candidata ROSALBA, médica sanitarista, me disse ser entusiasmada com o tema

saneamento e que esse seria um ponto focal no seu governo”, frisou.

Para saber mais clique AQUI, AQUI e AQUI

Nota do Blog: Rosalba é pediatra e não médica sanitarista como diz o delator.

Em instantes a segunda parte da reportagem sobre o depoimento de Alexandre Barradas.

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Eleição da mesa diretora marcará formação da maioria rosalbista na Câmara?

Carlos Augusto deu o conselho a Sandra: viabilize-se
Carlos Augusto deu o conselho a Sandra: viabilize-se

O grupo dos 12 está formado e com candidato escolhido. Alex do Frango (PMB) é o ungido. Muitos apostam que antes da posse a candidatura dele passará por um processo de inanição a partir da entrada do líder do rosalbismo Carlos Augusto Rosado.

Hoje a bancada rosalbista na futura Câmara Municipal conta com seis nomes: Sandra Rosado (PSB), Izabel Montenegro (PMDB), Alex Moacir (PMDB), Francisco Carlos (PP), Didi de Arnor (PRB), Maria das Malhas (PSD) e Ricardo de Dodoca (PROS). As duas primeiras estão tentando se viabilizar para a presidência. Do sexteto só Alex Moacir e Ricardo de Dodoca dizem votar no “candidato de Rosalba”.

Do outro lado temos dois vereadores no “limbo” político da Câmara Municipal. João Gentil (PV) se diz indeciso. Isolda Dantas (PT) consultará o petismo. Dificilmente conquistará o apoio de Isolda. João Gentil é um trabalho mais simples.

Para fazer o presidente da Câmara Municipal o rosalbismo precisará desarticular o grupo dos 12. Para quebrar a maioria precisa conquistar cinco ou seis integrantes.

O grupo dos 12 tem em mãos a chance de fazer a diferença quebrando o paradigma de sempre o prefeito (a) eleito(a) fazer o presidente da Câmara.

Num cenário de crise é fundamental para a prefeita eleita ter maioria na casa. Ter o presidente faz toda a diferença.

 

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Câmara de baixarias: vereadores de Mossoró ultrapassam ao fundo do poço

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Que essa é uma das piores legislaturas da Câmara Municipal disso ninguém duvida. Mas a sessão de hoje expôs o fundo poço de uma casa legislativa cuja envergadura moral se esvaiu.

Desde a semana passada que o processo de autodestruição da imagem dos vereadores mossoroenses avançou várias casas chegando a ultrapassar o fundo do poço com a sessão de baixarias da sessão de hoje.

Tudo começou após a leitura da pauta quando o presidente Jório Nogueira (PSD) ensaiou impedir que a representante dos assessores Raissa Gabrielly utilizasse a Tribuna Popular para reclamar da decisão do presidente que demitiu 143 funcionários dos gabinetes na semana passada.

Além do discurso um assessor demitido com um litro de uísque estava nas galerias se manifestando contra Jório por ele ter ido curtir o Carnatal após deixar 143 pais de famílias sem emprego (ver AQUI).

Os ânimos ficaram ainda mais inflamados por causa da carta bombástica escrita pelo procurador da Câmara Municipal Kennedy Salvador acusando os assessores de não trabalharem para repartir dos salários com os parlamentares (AQUI).

Hoje Jório foi acusado de vender votos de assessores jurídicos na eleição de presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em troca do prosseguimento de uma ação contra Genivan Vale (PDT) no Conselho Subseccional da Entidade.

Antes, o vereador Ricardo de Dodoca (PROS) fez uma série de acusações graves a Jório num bate-boca quase interminável. Aos berros ele disse que o presidente estaria selecionando quem estaria recebendo os direitos trabalhistas antes mesmo das demissões.

Mas Jório não deixou por menos. Declarou que Tassyo Mardonny (PSDB) teria apresentado “propostas indecentes”. Ao vereador Genivan Vale, o presidente disse ter a gravação em que o pedetista prometia dinheiro a um blogueiro em troca de ataques ao que atualmente comanda a Câmara Municipal.

Jório ainda fez ironias com a derrotas da ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) para provocar o vereador Lairinho Rosado (PSB).

O clima de descontrole foi tão grande que Jório apelou até mesmo com enquetes que apontaram ele como o pior vereador da Câmara Municipal.

O legislativo mossoroense ultrapassou o fundo do poço, está no subsolo.

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Quem pode assumir caso vereadores condenados sejam realmente afastados

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Desde que o Blog do Barreto noticiou em primeira mão que o juiz Cláudio Mendes Junior decretou o afastamento dos vereadores condenados em decorrência da Operação Sal Grosso (vem AQUI) que uma pergunta não para de ser feita: “quem assume?”.

Primeiro é preciso entender que hoje existem duas realidades: uma até 31 de dezembro e outra a partir de 1º de janeiro.

Vereador condenado  Substituto até 31 de dezembro Substituto a partir de 1º de janeiro
Claudionor dos Santos Laurinho Rosado Claudionor não foi reeleito
Izabel Montenegro Zé Peixeiro Genivan Vale
Manoel Bezerra Arlene Sousa Mimiu

Também é preciso lembrar que por um erro de informação o magistrado não decretou a perda da função pública de Manoel Bezerra (PRTB), que foi reeleito. Mas a solução para isso é simples: o Ministério Público entra com um recurso chamado embargos de declaração (que visa, dentre outras coisas, corrigir contradições de uma sentença) e Manoel terá a mesma pena de Izabel Montenegro (PMDB) e Claudionor dos Santos (PEN).

Os vereadores podem reverter os afastamentos por meio de liminares.

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Áudio expõe prefeito tentando comprar voto

Um áudio gravado no dia 10 de setembro em plena campanha eleitoral flagrou o prefeito reeleito da cidade de Upanema Luiz Jairo (PR) tentando comprar o voto de Antônia Rafaela Bezerra de Oliveira.

O diálogo está motivando uma representação por captação ilícita de sufrágio patrocinada por Onildo Bezerra (PP), candidato derrotado por apenas 161 votos no pleito de 2 de outubro.

A conversa conta com a participação do chefe de gabinete do município Nonato Garcia e envolve oferta de emprego no município e reforma de uma casa. A interlocutora duvida da promessa que também teria sido feita em 2012.

Abaixo a transcrição do diálogo usada na ação movida pelo ex-candidato Onildo:

00min00seg

Luiz Jairo: Tudo bom Dona Arlete, Dona Maria Celeste?

00min20seg

Luiz Jairo: E aí Dona Maria, vamos dar uma ajuda a nós?

00min30seg

Luiz Jairo: E aí Rafaela, bora?

Rafaela: Pra onde? Diga vocês, o que é as propostas de vocês…

04min22seg

Rafaela: Há quatro anos atrás, cadê minha casa e meu emprego que você prometeu?

Luiz Jairo: Não teve casa para ninguém…

Rafaela: Mas o emprego vocês ficaram de arrumar alguma coisa…

Luiz Jairo: Ainda tem tempo, ainda tem tempo, vai ser agora!

05min35seg

Luiz Jairo: Vocês construíram um quartinho para ela foi?

Rafaela: Não, aí é pra fazer a reforma aí.

Luiz Jairo: Vamos olhar, que a gente pode [inaudível]…

06min48seg

Nonato: Olhe, a gente não pôde dar as casas, mas nós vamos ajudar a eles agora, não é verdade? Aí Rafaela fica na dúvida… vai ganhar de novo aí a gente faz um quartinho pra ela. Tem condições?

Nonato: [inaudível]

Rafaela: Mas pra depois, Nonato?

Nonato: Mas Rafaela, a gente não vai ganhar, Rafaela? Tem as pesquisas aí, 17%, agora a gente não pode nesse momento…

Luiz Jairo: Faça um compromisso comigo, agora, aqui, direto…

Rafaela: Eu faço, da outra vez eu fiz com todos os dois, assim, cara a cara.

Nonato: Mas não saiu casa, não saiu!  Aqui eu ajudo, aqui a prefeitura pode dar um quarto, pra complementar sua casa, a gente pode dar, aí pode, pela prefeitura, não pode?

Luiz Jairo: Pode!

Nonato: Se ele não der, eu dou do meu bolso!

Rafaela: Tú dá nada, Nonato!

Nonato: Se ele não der, eu dou do meu bolso! Compromisso aqui com seu Antônio [pai de Rafaela], com Maria Celeste [mãe de Rafaela].

Rafaela: E aí papai?

Nonato: Não precisa eu dar do meu bolso não, porque eu pedindo a ele, ele faz!

Na petição, o advogado de Onildo, Olavo Hamilton classifica o áudio como “estarrecedor”. “O conteúdo da gravação é estarrecedor, constituindo-se em prova inequívoca do cometimento do ilícito eleitoral. O áudio não deixa dúvida quanto a tentativa de aliciamento de eleitor, restando inconteste a violação do art. 41-A da Lei nº 9.504/97”, argumentou.

VERSÃO

Por meio de nota, Luiz Jairo classificou a ação como ato de desespero do candidato derrotado e informa que a assessoria jurídica vai se pronunciar no momento que julgar adequado. Abaixo a manifestação:

Nota do prefeito reeleito de Upanema/RN

Em razão de notícia vinculada na imprensa regional acerca de denúncia protocolada pelo candidato derrotado nas eleições do Município de Upanema no último dia 02 de Outubro, venho a público declarar:

Que recebo a informação com total tranquilidade e que vejo a atitude do candidato derrotado como um ato de desespero e de falta de respeito ao povo de Upanema, que, em sua maioria, escolheu o meu nome e do vice-prefeito Juninho para continuarmos administrando a nossa querida cidade.

Adianto que, na hora adequada, a nossa assessoria jurídica responderá a todo e qualquer questionamento que se fizer necessário, na certeza que sairemos vencedores novamente, assim como já conseguimos nas urnas.

Tenho certeza que a Justiça Eleitoral saberá julgar com sabedoria toda e qualquer acusação infundada e ratificará a vontade do povo de Upanema de continuar vendo a nossa cidade bem administrada, com responsabilidade com os recursos públicos e atendendo aos anseios da população.

Lamento que um candidato não reconheça a vontade do povo e a derrota nas urnas e tenha uma atitude pequena como essa. Será que não podemos aplicar aqui o velho ditado: quem disso usa, disso cuida?

Upanema me conhece. Sabe da minha luta e do meu trabalho para chegar ao posto que cheguei. Sabe que enfrentei todo tipo de estrutura para um dia ser prefeito e realizar o sonho de ajudar ao povo.

Aos que defendem que Upanema continue se desenvolvendo, peço que compartilhem da minha tranquilidade e mantenha a fé inabalável em Deus, pois sem ele não poderíamos chegar a lugar nenhum.

Obrigado a todos!

Upanema, 17 de Novembro de 2016.

Luiz Jairo
Prefeito de Upanema.

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