Começa o carnaval do voto: veja quem são os candidatos ao Governo do Estado

No carnaval do voto os três principais candidatos já estiveram misturados. Agora é cada um para um lado

A partir de hoje os candidatos estão finalmente liberados para dizerem “vote em mim”. Chegou a aguardada eleição de 2018 que na verdade começou no dia seguinte ao segundo turno de 2014. No carnaval do voto, a folia é nossa com os debates, troca de ataques e a propaganda eleitoral apelativa.

O anticlímax dessa folia, será a ausência de projetos e planejamento para o desenvolvimento do Estado.

No Rio Grande do Norte três nomes surgem fortes para a disputa pelo Governo do Estado: Fátima Bezerra (PT), Carlos Eduardo Alves (PDT) e Robinson Faria (PSD).

Neste carnaval do voto os três se dividiram em três blocos. Num passado recente já estiveram misturados.

Fátima Bezerra

A senadora petista lidera as pesquisas e tem atuação marcante na área da educação. Durante a pré-campanha perdeu muito tempo gastando energia na defesa do ex-presidente Lula, deixando para trás assuntos relevantes do Estado. Ela montou uma aliança pequena com PC do B e PHS, que não lhe garante um bom tempo de TV, mas a poupa de problemas a administrar. Fátima aposta em colar a imagem no ex-presidente Lula para vencer. Terá que se explicar sobre uma doação da JBS recheada de suspeitas pelos adversários.

Carlos Eduardo Alves

Segundo colocado nas pesquisas, o ex-prefeito de Natal credita essa situação ao fato de ser pouco conhecido no interior. Conhecido pela boa capacidade administrativa e pavio curto, Carlos Eduardo chega ao pleito carregando uma chapa pesada com velhos nomes das oligarquias potiguares. A estratégia do pedetista é romper as dificuldades no interior usando da velha estrutura oligárquica. Tem como principal questionamento moral a Operação Cidade Luz que apura desvios de recursos da iluminação pública em Natal. Na última terça-feira, ele viu seu coordenador de campanha no Seridó ser preso (ver AQUI).

Robinson Faria

Governador mais impopular da história recente potiguar, Robinson Faria convive com os péssimos índices de violência, atrasos salariais e uma administração extremamente impopular. Ele não consegue chegar a dois dígitos, mas montou um palanque robusto com vários coadjuvantes da política potiguar. A favor de si, Robinson terá o discurso da experiência. No campo moral, a Operação Dama de Espadas assombra o governador que chegou a ter um pedido de afastamento negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

OUTROS

A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte tem mais cinco candidatos. Pelo Solidariedade disputa o ex-prefeito de Olho D’água dos Borges, Brenno Queiroga. Ele não conseguiu se reeleger para administrar a cidade di interior.

Pelo PSOL disputa o professor e empresário Carlos Alberto Medeiros. Pela Rede Sustentabilidade entra o servidor público Freitas Junior.

Pelo PRTB o representante de Mossoró na disputa ao Governo é o eterno “líder” estudantil Heronildes Bezerra, conhecido também como “Bispo Heró”, que já disputou a Prefeitura de Mossoró em 2008 e foi impedido de disputar o pleito para vereador em 2012 após ser enquadrado na lei da ficha limpa.

Por fim, o candidato de sempre do PSTU é o professor Dario Barbosa que vem mais revolucionário do que nunca com o slogan “Um chamado à Rebelião”.

Projetos

Até aqui pouco se sabe a respeito dos projetos dos candidatos. A pré-campanha girou em torno de fofocas dos bastidores da políticas, pesquisas e propaganda negativa.

O Rio Grande do Norte vive uma situação desesperadora na segurança pública e uma série de gargalos de infraestrutura que travam o nosso desenvolvimento.

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Bancada federal do RN não liberou nenhum centavo para segurança em 2018

RN bate recordes de violência e emendas não são liberadas para segurança

O Rio Grande do Norte acumula índices assustadores na área de segurança pública. O Estado atingiu o índice de 68 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, um dado que o coloca como o campeão nacional de homicídios.

Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Ceará-Mirim estão entre as 123 cidades mais violentas do país. O Rio Grande do Norte encerrou 2017 com 2.405 mortes violentas.

Diante desse quadro assustador e da notória incapacidade de o nosso Estado combater essa situação, o que a nossa bancada federal tem feito?

O Blog do Barreto fez um levantamento junto ao Datascópio e ao Siga Brasil para averiguar quanto foi apresentado em emendas. Até o dia 10 de agosto (última atualização dos sistemas) nenhum centavo de recursos federais foi liberado para o Rio Grande do Norte por intermédio das emendas de nossos representantes. Há casos de parlamentares que sequer apresentaram emendas para a área da segurança.

Confira o quadro abaixo:

 

Senadores

 

Senador Valor da emenda Liberado
Fátima Bezerra R$ 100 mil 0
José Agripino Maia R$ 0 0
Garibaldi Alves Filho R$ 100 mil 0
Total R$ 200 mil 0

Deputados federais

Deputado Valor da emenda Liberado
Zenaide Maia R$ 250 mil 0
Felipe Maia R$ 100 mil 0
Rogério Marinho R$ 0 0
Antônio Jácome R$ 300 mil 0
Fábio Faria R$ 200 mil 0
Rafael Motta R$ 365.135 0
Beto Rosado R$ 300 mil 0
Walter Alves R$ 100 mil 0
Total R$ 1.615.135 0

No total, somando as duas bancadas (Senado e Câmara), são R$ 1.815.135 no Ministério da Justiça e Segurança Pública (conforme as rubricas), mas até agora nada liberado para o Estado.

RECURSOS

O deputado federal Felipe Maia (DEM) relatou ontem nas redes sociais que entregou um pedido ao ministro da segurança pública Raul Jungmann para liberar R$ 80 milhões em investimentos em segurança. Mas não se tratam de verba relacionada a emendas parlamentares. A promessa é que esses recursos sejam enviados até o fim do ano.

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Robinson acumula 889 dias sem concluir a folha de pagamento em dia

Rosalba recebeu governo com folha em dia e entregou dependência do fundo previdenciário a Robinson

Hoje é o 1.317º dia do governo Robinson Faria (PSD). Nesse período ele acumula 889 dias sem concluir a folha de pagamento no último dia útil do mês conforme prevê o ART. 28, § 5°, da Constituição Estadual do Rio Grande do Norte.

Isso significa que 67% dos dias de Robinson Faria a frente do Rio Grande do Norte foram descumprindo o compromisso com os servidores estadual.

Robinson já pagou 43 folhas de pessoal ao longo do mandato, 31 uma delas foram em atraso.

Os mais penalizados são os servidores que recebem acima de R$ 4 mil e não estão entre as categorias prioritária como profissionais da Rede Estadual de Ensino, saúde e segurança.

O caso mais dramático de atraso salarial foi na folha de novembro de 2017 que demorou 39 dias para ser quitada.

O único período em que Robinson conseguiu manter a folha em dia foi entre janeiro e dezembro de 2015, justamente o período em que foram feitos saques ao Fundo Previdenciário.

Até aqui, Robinson só manteve os salários em dia para professores da rede estadual de ensino e órgãos com arrecadação própria como Detran e Idema.

Os atrasos salariais começaram em setembro de 2013, ainda na gestão da hoje prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP). No entanto, o perfil dos atrasos era diferente. Apenas de 8 a 10% dos servidores ficavam sem receber e ainda assim por uma dilatação mais curta variando de 8 a 12 dias. Mesmo assim ela acumulou 151 dias (ou 15 meses) sem fechar a folha na data prevista na constituição.

Foi na gestão da atual prefeita que começou a dependência do Fundo Previdenciário. Entre setembro de 2013 e novembro de 2014 foram inúmeras tentativas de mexer no fundo. Só em dezembro de 2014, durante a transição de governo, isso foi possível. Enquanto pôde sacar esses recursos Robinson manteve a folha em dia. Os atrasos voltaram em janeiro de 2016 e permanecem até hoje.

“DÉCIMO”

O estudo do Blog do Barreto desta matéria não leva em conta o atraso salaria do 13º salário de 2017 que não foi pago para quem recebe acima de R$ 3 mil. Já são 231 dias de atraso impedindo o governador de afirmar que os salários estão em dia.

 

Atrasos no Governo Robinson Faria para parte dos servidores

MÊS DATA PAGAMENTO DEVIDO (ART.
28, § 5°, DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL).
DATA PAGAMENTO REALIZADA DIAS DE ATRASO
jan/16 29/jan 04/02/2016 6
fev/16 29/02 04/03/2016 4
mar/16 31/mar 06/04/2016 6
abr/16 29/abr 09/05/2016 9
mai/16 31/mai 08/06/2016 8
jun/16 30/jun 07/07/2016 7
jul/16 29/jul 12/08/2016 14
ago/16 31/ago 19/09/2016 19
set/16 30/set 31/10/2016 31
out/16 31/out 28/11/2016 28
nov/16 30/nov 21/12/2016 21
dez/16 30/dez 27/01/2017 27
jan/17 31/jan 17/02/2017 17
fev/17 28/fev 30/03/2017 30
mar/17 31/mar 02/05/2017 32
abr/17 28/abr 31/05/2017 33
mai/17 31/mai 30/06/2017 30
jun/17 30/jun 31/07/2018 31
jul/17 31/jul 31/08/2017 31
ago/17 31/ago 05/10/2017 35
set/17 29/set 08/11/2017 40
out/17 31/out 08/12/2017 38
nov/17 30/nov 08/01/2018 39
dez/17 29/dez 05/02/2018 36
jan/18 31/jan 27/02/2018 27
fev/18 28/fev 29/03/2018 29
mar/18 30/mar 30/04/2018 30
abr/18 30/abr 30/05/2018 30
mai/18 31/mai 29/06/2018 29
jun/18 29/jun 10/07/2018 11
jul/18 30/jul 10/08/2018 10
TOTAL DE DIAS DE ATRASO 889

 

Atrasos na gestão de Rosalba para parte dos servidores

MÊS DATA PAGAMENTO DEVIDO (ART.
28, § 5°, DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL).
DATA PAGAMENTO REALIZADA DIAS DE ATRASO
set/13 30/set 10/10/2013 10
out/13 31/out 08/11/2013 8
nov/13 29/nov 10/12/2013 11
dez/13 31/dez 10/01/2014 10
jan/14 31/jan 10/02/2014 10
fev/14 28/fev 10/03/2014 10
mar/14 31/mar 10/04/2014 10
abr/14 30/abr 09/05/2014 9
mai/14 30/mai 10/06/2018 11
jun/14 30/jun 10/07/2014 10
jul/14 31/jul 08/08/2014 8
ago/14 29/ago 10/09/2014 12
set/14 30/set 10/10/2014 10
out/14 31/out 10/11/2014 10
nov/14 28/nov 10/12/2014 12
  Total 151
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Rosalba foi premiada por entidade que “considera” jumento um dos 100 melhores prefeitos do Brasil

No dia 16 de maio de 2017 a notícia divulgada pela Assessoria de Comunicação do Município causou espanto: “Rosalba Ciarlini está entre as melhores prefeitas do país nos 100 primeiros dias de gestão”.

A informação não consta mais no site da Prefeitura de Mossoró, mas a premiação da União Brasileira de Divulgação (UBD) foi amplamente divulgada sem qualquer desconfiança por boa parte da mídia parceira do Palácio da Resistência.

Poucos se atentaram para a obscuridade da UBD até ontem quando o Fantástico da Rede Globo desmascarou o órgão ao comprar a premiação para o jumento “Precioso” (ver AQUI).

O prêmio foi usado para levantar a moral de uma gestão que precisava (e ainda precisa) mostrar serviço. A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não se fez de rogada em comemorar. “Ficamos felizes em ver que o nosso esforço está sendo reconhecido. Iniciamos enfrentando dificuldades, mas priorizando a reorganização da cidade, o restabelecimento dos serviços essenciais e o equilíbrio nas contas públicas”, disse a Assessoria de Comunicação do Município.

A premiação caiu no esquecimento e não serviu para argumento no duelo com os fatos que vem marcando a gestão da atual. Mas o assunto veio à tona com a reportagem do Fantástico que mostrou que na verdade a UBD apenas cobra uma inscrição de R$ 1.480 exatamente o mesmo valor pago pela Prefeitura de Mossoró no ano passado a F. VIEIRA DA CUNHA –ME cujo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) vem a ser o mesmo UBD.

Francisco José Junior

Em 2015, Francisco José Junior, com pouco mais de um ano recebeu um “prêmio” internacional da Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-prefeitos (ANPV) que foi entregue na Suíça. A premiação tem como base pesquisa realizada pela UBD.

O Blog do Barreto não conseguiu localizar no Portal da Transparência pagamentos nem a ANPV nem a UBD nos anos de 2015 e 2016.

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A história é sempre diferente, mas as eleições de 2018 e 1989 são parecidas

Por Fernando Rodrigues

O desfecho da corrida presidencial segue indefinido. Prever algo para 7 de outubro é arriscadíssimo e 1 ato de irresponsabilidade. Perto de 30% dos eleitores tendem a não escolher ninguém. Mas seria errado ignorar os pontos de conexão entre a disputa pelo Planalto em 2018 e a 1ª realizada depois do regime militar, em 1989.

A história nunca é a mesma, mas ensina a entender o padrão de comportamento do brasileiro. Vamos lá:

  • economia paralisada – as razões são diferentes, mas hoje a sensação é a de que as coisas não vão bem. Em 1989 havia a hiperinflação. Hoje, a falta de emprego. O brasileiro coloca a culpa nos governantes;
  • rejeição a políticos – as pesquisas diziam que o voto seria a favor de alguma novidade em 1989. Havia rejeição aos políticos tradicionais, como hoje;
  • extremos – em 1989, o sentimento geral era a favor das pontas do espectro político. Fernando Collor (PRN) representava o que se considerava “de direita” nos anos 1980. No outro polo estavam os candidatos do PT, Lula, e do PDT, Leonel Brizola. Hoje, Bolsonaro veste o figurino de Collor. PT e PDT estão no mesmo lugar;
  • os mesmos partidos – a sigla de Collor era minúscula e com pouco tempo de TV (como o PSL de Bolsonaro). O candidato do PT será quem Lula indicar. No PDT, Ciro Gomes é o neo-Brizola, nacionalista. Afirma que vai expropriar alguns dos campos licitados do pré-sal e ataca o PT –só falta chamar Lula de “sapo barbudo“;
  • teorias idênticas – Bolsonaro vai desidratar (Collor não aguentará a campanha e é muito explosivo). Geraldo Alckmin vai crescer porque tem a maior aliança, tempo de TV e boa equipe (Ulysses Guimarães tem o maior partido, muitos aliados, grande equipe, inclusive, entre outros, 1 dos melhores publicitários da história política, Geraldo Walter);
  • a busca de 1 outsider – em 2018 já foi testado Luciano Huck. Em 1989, o apresentador de TV cogitado foi Silvio Santos. Nenhum emplacou;
  • a busca de 1 nome de centro e tucano – agora há esforço para levantar o tucano Geraldo Alckmin. Em 1989, tentou-se energizar Mario “choque de capitalismo” Covas.

SÍNDROME DE ULYSSES GUIMARÃES

O tempo passa e as pessoas são endeusadas. Ulysses Guimarães (1916-1992) tem hoje uma legião de admiradores. Mas era 1 político centrista, sem brilho. Passou a infância em Rio Claro, no interior de São Paulo. Era apreciador de poire (licor de pera), umas das bebidas mais sem graça já inventadas. Fez direito na USP (no Largo São Francisco) e ficou de 2ª época em direito constitucional. Depois, presidiu o Congresso constituinte (isso explica muito do Brasil atual e de sua Constituição esquizofrênica).

Ulysses era sem dúvida 1 moderado e grande negociador. Forçou seu partido, o PMDB, a lançá-lo candidato em 1989 num momento em que outros jovens da legenda teriam mais chance (Alvaro Dias e Orestes Quércia, por exemplo). Teve extenso tempo de TV. Durante a campanha, afastou-se ao máximo do Palácio do Planalto (sob o impopular José Sarney). Deu tudo errado. Terminou a campanha com perto de 4% dos votos.

Agora em 2018 há outro candidato importante que veio do interior paulista. Geraldo Alckmin fez carreira em Pindamonhangaba. Seu apelido, dado pelo humorista José Simão, é picolé de chuchu. Governou São Paulo por muitos anos, mas hoje não lidera as pesquisas no seu Estado (Bolsonaro vence por lá; em 1989, Collor ganhou a maioria do voto paulista).

Apesar de o PSDB ter ajudado a colocar Michel Temer no Planalto, hoje Alckmin não quer proximidade com o presidente da República.

Alckmin tem o PSDB, uma espécie de PMDB do século 21 –no sentido de usar 1 discurso citando glórias do passado. A sigla tucana apregoa que é a fiadora do Plano Real e da estabilidade econômica, mas grande parte dos eleitores nem se lembra do que era a inflação pré-1994. O PMDB e Ulysses em 1989 se apresentavam com o bastiões da democracia e da resistência contra a ditadura, só que os eleitores não se recordavam direito o que havia sido viver sob uma ditadura para valer na década de 1970.

Mas Geraldo Alckmin é Ulysses Guimarães? Claro que não é. Só que a história nos prega várias peças. Algumas histórias às vezes se repetem –como na frase de Hegel citada por Marx no início do “18 Brumário de Luis Bonaparte”.

Para vencer, Alckmin terá de se reapresentar ao eleitorado. Mudar sua estampa. Precisa convencer os brasileiros de que será 1 presidente de renovação. É possível, mas não é fácil.

Post scriputm: muitos leitores notam que em 1989 houve uma “eleição solteira” (só para presidente da República, enquanto 2018 terá disputas para todos os cargos. É verdade. Mas há muito esse tipo de correlação deve ser relativizada, pelo que nos mostraram eleições recentes (voto Lulécio em Minas Gerais, por exemplo).

O eleitor escolhe o presidente muitas vezes de maneira desconectada do voto para governador e vice-versa. Até na ditadura, o “voto vinculado” (só se podia votar em candidatos do mesmo partido para todos os cargos) era burlado, quando apareceu o curiosa “sublegenda”, outra invenção brasileira.

O fato é que o eleitor brasileiro é como o torcedor de futebol. Quem anima o torcedor brasileiro é o time e não o contrário. Brasileiro já entra no estádio reclamando. Só depois de a equipe marcar 1 gol é que a galera começa a aplaudir. Essa é uma idiossincrasia nossa. Na política é quase igual: só há empolgação com 1 candidato depois que ele se mostra viável, e não o contrário.

Tudo considerado, sim, é sempre necessário considerar que há vasos comunicantes entre eleições nos Estados e a corrida presidencial. Mas não é algo tão determinante como possa parecer.

 

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Mossoró poderá ter mais de 20 candidatos a deputado estadual e federal. Confira os nomes

A vereadora Sandra Rosado (PSDB) ainda não oficializou a desistência da candidatura a deputado federal. Mas a saída dela da disputa não deixará Mossoró necessariamente sem opções para o pleito.

O Blog do Barreto fez um levantamento e identificou que existem 24 nomes com origem e base política em Mossoró se colocando como opção no pleito proporcional. São 10 (contando ainda com Sandra) candidatos a deputado federal e 14 candidatos a deputado estadual.

O quadro apresenta um elevando número de nomes novos e nunca avaliados pelo eleitorado mossoroense. Outro dado com ares de novidade é a ausência da polarização entre as duas principais alas da família Rosado que fazia as eleições para escolha de deputados uma disputa com ares de majoritária como se a capital do Oeste fosse um distrito. Desta vez o quantitativo de nomes apresenta pulverização.

Da Câmara Municipal temos, além de Sandra, mais quatro vereadores estão colocando o nome à disposição dos eleitores. Alex do Frango (PMB) já teve o nome aprovado pelo partido em convenção. Tenta vaga de deputado federal.

Para deputado estadual são candidatos: Flávio Tácito (PPL), Isolda Dantas (PT) e Genilson Alves (PMN).

Tentam a reeleição o deputado federal Beto Rosado (PP) e a deputada estadual Larissa Rosado (PSDB).

Há também nomes que voltam a política como Renato Farnandes (PSC) que está sem disputar eleições há dez anos. Ele é candidato a deputado federal.

Mas existem nomes nunca testados nas urnas do meio militar, sindical, da educação, empresários e profissionais liberais.

Confira a lista de candidatos:

Deputado federal

Candidato Ocupação
Renato Fernandes (PSC) Empresário
Sandra Rosado (PSDB) Vereadora
Beto Rosado (PP) Deputado federal
Alex do Frango (PMB) Vereador
Giordano Barreto (Novo) Engenheiro
Marcos da Prest (PROS) Empresário
Luzia Bessa (PC do B) Enfermeira
Audiclésio Maia (PSOL) Enfermeiro
Lawrence Amorim (SD) Empresário
Cel. Gomes (PSC) Policial Militar

 

Deputado estadual

 

 

Deputado estadual

 

Candidato Ocupação
Larissa Rosado (PSDB) Deputada estadual
Genilson Alves (PMN) Vereador
Fred Escóssia (PMB) Assessor Institucional e Ambiental
Isolda Dantas (PT) Vereador
Gutemberg Dias (PC do B) Professor/Empresário
Professor Zacarias (PSOL) Empresário
Cinquentinha (DC) Servidor Público
Allison Bezerra (SD) Servidor Público
Professor Barreto (DC) Professor
Professor Hideraldo (PC do B) Professor
Micael Melo (Avante) Advogado
Daniel Sampaio (PSL) Médico
Flávio Tácito (PPL) Vereador
Jorge do Rosário (PR) Empresário
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Como um nascido no Brasil deu um Prêmio Nobel a Inglaterra

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Peter Medawar nasceu no Brasil, mas ganhou o Prêmio Nobel para a Inglaterra

Bruno Vaiano

Superinteressante

Em 2015, a SUPER entrevistou o evolucionista Richard Dawkins — e ele comentou de passagem que um de seus ídolos, o prêmio Nobel Peter Medawar, nasceu no Brasil. Não só nasceu como viveu e estudou em Petrópolis, no Rio de Janeiro, até os 14 anos.

Eu achei essa história muito estranha. Afinal, já virou clichê dizer que o Brasil não tem Nobel. Isso fere nosso orgulho. A Argentina tem Nobel. O Peru tem Nobel. A Colômbia tem Nobel. O Brasil não tem Nobel do mesmo jeito que a Inglaterra não ganha uma Copa desde 1966: padrão Mick Jagger de zica e pé-frio. É um desses fatos inescapáveis da vida.

Uma pesquisa rápida revela o essencial sobre o prodígio mais desconhecido da nação: Medawar era filho de um libanês e uma inglesa. Sua família veio para cá quando o patriarca, sócio de uma empresa inglesa que fabricava próteses e instrumentos de dentista, visitou a capital fluminense para instalar uma filial na rua do Ouvidor. O casal gostou do que viu e ficou por aqui mesmo: eles tiveram quatro filhos, morreram e foram enterrados no Brasil.

Medawar pai não era bobo: apesar de gostar do país tropical, sabia que ter um passaporte inglês não faz mal a ninguém. Registrou suas quatro crias tanto aqui como na terra da rainha Elizabeth. Com 14 anos, o Peter adolescente aproveitou sua dupla cidadania para fazer o colegial na Europa — e como já era um gênio desde cedo, emendou uma graduação em zoologia em Oxford. Coisa fina.

Foi aí que chegou o momento mais temido por muitos adolescentes: o serviço militar. Quando completou 18 anos, Medawar filho não quis interromper os estudos para vir aqui fazer a visita obrigatória ao quartel. E sem o certificado de reservista, ele perdeu a cidadania brasileira. Em 1960, quando saiu o Nobel de medicina em seu nome, ninguém mais lembrava que o laureado tinha passado a infância na região serrana do Rio.

O que leva a outra pergunta: naquela época, não prestar serviço militar era mesmo suficiente para perder a cidadania? Ou Medawar simplesmente optou por não ser mais brasileiro para evitar a dor de cabeça?

Em uma reportagem do Fantástico de 1998 (que você pode ver no YouTube), um advogado afirma que Medawar morreu tão brasileiro quanto nasceu: ficar sem certificado de reservista não é suficiente para ser jogado na sarjeta pela nação.

A Folha também fez uma matéria sobre o assunto em 1996, em que há uma breve análise de um professor de Direito da USP. A conclusão dele foi um pouco diferente: de fato, nenhuma das constituições brasileiras — inclua aí as de 1934 e 1937, que vigoravam quando Medawar estava na faculdade — afirma explicitamente que quem não presta serviço militar fica sem cidadania. Na época, porém, “havia essa interpretação”.

O texto da Folha não dá mais detalhes, mas não é difícil de imaginar o porquê de uma medida tão radical: 1937 marca o início do Estado Novo, a ditadura comandada por Getúlio Vargas. Nessa época, tentar escapar do exército na malandragem certamente não era o melhor jeito de ficar bem na fita com a justiça.

Gerdal Medawar, um primo do biólogo que passou a vida no Brasil, afirma que ele, na verdade, renunciou voluntariamente à cidadania brasileira. O pesquisador simplesmente não quis ter a dor de cabeça de interromper a graduação em Oxford para fazer uma visita arriscada ao quartel — que poderia lhe render um ano longe dos estudos. Como ele já tinha a cidadania britânica, garantida por seus pais, não foi tão difícil assim tomar a decisão.

Os Medawar eram razoavelmente bem relacionados: o padrinho do futuro Nobel era ninguém menos que Salgado Filho, na época ministro do Trabalho. O político pediu pessoalmente a Gaspar Dutra, então ministro da Guerra, que liberasse o afilhado do serviço militar. E ouviu um “não”. Dureza.

Conclusão? Com ou sem cidadania, é pouco provável que Medawar tivesse entrado para a história como um Nobel brasileiro. Ele abraçou seu lado inglês sem olhar para trás, e foi na Inglaterra que ele fez todo seu trabalho.

Por último, para você não ir embora curioso: Medawar ganhou o prêmio por suas pesquisas sobre o sistema imunológico — que permitiram os primeiros transplantes de órgãos e tecidos sem rejeição. Mas ele também foi extremamente importante para a compreensão da seleção natural: em 1952, deu a primeira resposta evolutiva satisfatória para a pergunta “por que nós morremos?” Ficou curioso para saber a reposta? Vai ter que esperar o próximo post, que sai semana que vem aqui no Supernovas.

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Os fatores nacionais que influenciam na escolha dos governadores

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Lilian Venturini

Nexo Jornal

Há muito em jogo na decisão do eleitor ao votar em seu candidato ao governo estadual, um dos cargos que estarão em disputa nas eleições de outubro de 2018. E muitos dos fatores que influenciam essa escolha vêm do cenário nacional, indo além de questões diretamente ligadas às atribuições do chefe do Executivo estadual.

A relação entre o plano nacional e as eleições regionais foi identificada no estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores? Desvendando as razões do voto para os executivos estaduais no Brasil em 2014”, a partir de dados da mais recente disputa.

A pesquisa foi desenvolvida por Oswaldo do Amaral, professor do programa de pós-graduação em ciência política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e Marcela Tanaka, pesquisadora do Grupo de Estudos de Política Brasileira da Unicamp. O estudo integra um projeto mais amplo, intitulado “Organização e funcionamento da política representativa no estado de São Paulo (1994 e 2014)”, realizado nos últimos cinco anos.

Investigar o comportamento do eleitor e o que o faz optar por esse ou aquele candidato é tema corrente e ao mesmo tempo complexo, seja no campo da ciência política ou da psicologia social. Há estudos que apontam desde questões ideológicas até o passado dos candidatos como critérios de escolha.

Amaral e Tanaka observam que há poucos estudos voltados especificamente para governadores, gestores públicos que têm entre suas atribuições principais a elaboração de políticas nas áreas de segurança pública e transporte metropolitano, além de participação nas áreas de saúde, educação e moradia.

Os governadores em 2014

Para desenvolver a pesquisa, os autores partiram de hipóteses testadas em estudos semelhantes feitos anteriormente no Brasil e em países como Argentina, Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

São pesquisas que procuraram observar se a escolha por um candidato foi influenciada, por exemplo, pela situação econômica do país, pela preferência partidária e pela escolha do nome presidencial, cuja votação ocorre no mesmo momento.

Os autores analisaram informações das eleições de 2014, em que 162 candidatos disputaram uma das 27 cadeiras para o comando de governos estaduais e do Distrito Federal.

Os autores levaram em consideração pontos relevantes tanto sobre as eleições de 2014 quanto sobre os sistemas eleitoral e partidário brasileiros.

Pontos importantes

POLARIZAÇÃO

A campanha daquele ano ficou marcada pela disputa entre PT e PSDB, partidos que protagonizam as eleições desde 1994. Em 2014, a petista Dilma Rousseff foi reeleita no segundo turno, derrotando, por margem pequena de votos, o senador tucano Aécio Neves.

MUITOS PARTIDOS

O alto número de partidos (35 atualmente) e a possibilidade de coligações entre as legendas conferem características peculiares às disputas estaduais, já que nem sempre as alianças locais são as mesmas no plano nacional. Em 2014, por exemplo, o MDB, que ocupava o posto de vice na chapa de Dilma, com Michel Temer, aliou-se a legendas opositoras ao PT em disputas estaduais.

A repartição dos votos

Os candidatos a governadores que mais receberam votos em 2014 eram filiados ao PSDB, MDB, PT e PSB. Somados, esses partidos obtiveram 80% dos votos válidos em todo o país. Foram deles também o maior número de eleitos. PT, PSDB e MDB venceram em estados mais populosos. O PT, por exemplo, saiu vitorioso em Minas e na Bahia. O PSDB em São Paulo e o MDB, no Rio.

O VOTO NOS ESTADOS

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Fatores de influência

Os pesquisadores usaram dados do Eseb (Estudo Eleitoral Brasileiro) de 2014, realizado pelo Cesop (Centro de Estudos de Opinião Pública), da Unicamp, em parceria com o instituto Ibope. A pesquisa considerou informações coletadas por meio de 2.506 entrevistas com eleitores realizadas entre 1º e 19 de novembro de 2014.

A análise se baseou entre eleitores que votaram em candidatos a governadores do PT, PSDB e MDB no primeiro turno. Esse recorte foi proposto por terem sido as legendas com mais candidatos, com mais votos e em razão do papel desempenhado no cenário nacional: PT era o partido que estava no comando da Presidência (com Dilma); PSDB era o principal opositor ao governo federal e o MDB era o principal aliado governista.

Para identificar quais fatores poderiam influenciar mais ou menos a escolha do eleitor, os pesquisadores cruzaram respostas dadas nas entrevistas a perguntas como:

– “A atual situação econômica do Brasil está melhor, igual ou pior do que há 12 meses?”

-“Nos últimos três anos, o(a) sr(a). ou alguém que vive em sua casa foi beneficiário (recebeu) do programa Bolsa Família?”

-“O governo da presidente Dilma Rousseff nos últimos quatro anos foi ótimo, bom, ruim ou péssimo?”

– “Em quem o(a) sr(a). votou para presidente no primeiro turno?”

-“Qual o partido o(a) sr(a). gosta?”

Preferência partidária

Os pesquisadores identificaram que a identificação do eleitor a um partido tem influência semelhante à verificada na disputa presidencial. Quem se identifica com o PT tem chance 66% maior de escolher um petista para governador. Entre os simpatizantes do PSDB a chance de votar em um tucano é ampliada em 98%.

Igual efeito ocorre quando há preferência pelo partido de candidatos à reeleição (ou apoiados pelo atual governante). A escolha passada (no caso do estudo, a feita em 2010) também influenciou o voto em 2014, aumentando as chances do candidato da situação. Esses resultados indicam que há algum grau de coerência por parte do eleitor no momento de fazer suas escolhas.

Os dados também indicaram que o fato de o eleitor escolher Dilma como candidata à Presidência também ampliou as chances de petistas serem escolhidos para governos estaduais.

Da mesma forma, a opção por Aécio aumentou as possibilidades de tucanos. Em sentido contrário, ter votado em Aécio ou na ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (à época no PSB, hoje na Rede) reduziu as chances da escolha a um candidato petista.

“Esses pleitos [votação para governadores] não são regidos exclusivamente por lógicas contextuais das unidades da federação. As preferências partidárias e a estruturação da competição política no nível presidencial (…) também fazem parte do jogo, demonstrando que as escolhas eleitorais no plano subnacional também estão associadas à disputa e ao desempenho dos partidos no plano nacional”

Oswaldo do Amaral e Marcela Tanaka trecho do estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores?”

Nos locais em que houve candidatos à reeleição ou apoiados pelos governadores em exercício, as chances de votos nesses políticos aumenta entre eleitores que se identificam com a gestão em curso ou que votaram naquele governante em 2010.

De acordo com os resultados, quando há identificação com o partido do candidato da situação, as chances de voto nele quase triplicam. “Isso demonstra a existência de uma razoável estabilidade na escolha dos eleitores para os pleitos estaduais”, afirmam os pesquisadores. Desempenho do governo federal

Os dados sobre a avaliação do governo federal indicaram que o plano nacional pode exercer algum tipo de influência no plano estadual, porém de forma menos nítida do que a influência provocada pela disputa presidencial entre PT e PSDB.

Eleitores que avaliaram o governo Dilma como “regular” e “ótimo ou bom” apresentaram menos chances de votar em nomes do PSDB, quando comparados com aqueles que avaliaram como “ruim ou péssimo”.

Já os fatores de influência para escolha por nomes do MDB é menos clara. A avaliação ao governo Dilma teve efeitos tanto positivo quanto negativo para os candidatos filiados à legenda.

“Ter uma avaliação positiva do governo federal nos últimos quatro anos não apresentou resultado estatisticamente significativo nas escolhas por candidatos petistas, mas reduziu as chances de voto em candidatos do PSDB”

Oswaldo do Amaral e Marcela Tanaka trecho do estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores?”

Ainda no aspecto nacional, os pesquisadores observaram que o Bolsa Família (programa de transferência de renda lançado no governo Lula, em 2004) pode ter beneficiado candidatos petistas. “O que poderia indicar que o programa se constituiu em uma marca do Partido dos Trabalhadores e que seus benefícios eleitorais podem ir além da disputa pela Presidência”, diz o estudo.

Economia e serviços públicos

De modo geral, os dados coletados indicaram que a situação econômica nos 12 meses anteriores à eleição influencia pouco a decisão do eleitor na escolha do governador, seja candidato à reeleição ou não, sejam eles filiados ao PT, PSDB ou MDB.

“De uma maneira geral, os resultados sobre a avaliação econômica indicam que os eleitores, ao irem às urnas para escolher os governadores, não recompensam ou punem os incumbentes [candidatos à reeleição ou apoiado pelos governadores em exercício] a partir de avaliações gerais da situação econômica”

Oswaldo do Amaral e Marcela Tanaka trecho do estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores?”

Os pesquisadores também não encontraram relação entre o voto ao governo estadual e as avaliações das políticas públicas nas áreas de segurança, saúde e educação, todas de competência de governadores. Mas os autores ponderam que essa relação carece de análises mais detalhadas e que considerem as diferentes camadas de atribuição, já que há ações de responsabilidade da União, estados e municípios.

 

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Artistas locais encontram no financiamento coletivo e na venda antecipada a alternativa para viabilizarem seus projetos

Por Caio César Muniz

Do Coletivo Caboré – UERN

Especial para o Blog do Barreto

Sem apoios institucionais, artistas mossoroenses estão metendo a cara no mundo, explorando as redes sociais e buscando outras formas para realizarem o sonho de terem os seus projetos culturais enfim, efetivados.

Os financiamentos coletivos e a venda antecipada direta dos produtos têm sido uma saída considerada viável para escritores e bandas musicais, por exemplo, que estão em campanha neste momento para atingir as suas junto a editoras e gravadoras.

Renata Nolasco
Renata lança seu primeiro HQ

A jornalista Renata Nolasco, formada pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), roteirista e ilustradora, está com  sua primeira HQ intitulada “Só Ana” em fase de pré-venda no site Catarse. A meta final para a publicação do projeto é de R$ 8.500.

Até às 10h20 do dia 11 de julho, o valor captado tinha atingido a marca dos 24%, ou seja R$ 2.100, com 6 dias de campanha e 59 apoiadores. O projeto vai até o dia 03 de agosto e os interessados em adquirir a obra antecipadamente também podem escolher com quanto querem apoiar e que recompensas querer obter com o apoio. Os valores vão de R$ 10 a R$ 550.

Renata ressalta a importância do modo de comercialização, mas também diz que optou pelo financiamento coletivo por gostar do formato: “Pessoalmente eu gosto de participar de todos os processos, então é uma experiência interessante lidar com as gráficas, fazer a divulgação, os envios… É bastante gratificante”.

Na página do Catarse (Catarse Só Ana) os interessados têm informações sobre a autora, a obra e de como podem apoiar.

acruviana
Banda Acruviana tenta se financiar com “vaquinha” virtual

Acruviana é uma banda mossoroense de rock/indie-blue/ com aspectos regionais já com 4 anos de estrada. Seu primeiro CD, “Primavera do Sertão”, foi lançado em 2016. Agora, pelo site Vakinha (Vakinha Acruviana) criaram uma campanha para lançamento do segundo trabalho, “Zé e a Paz Inquieta” e já estão com a meta garantida e extrapolada.

Max, conta que o novo trabalho traz um pouco da “ressaca” das convulsões sociais que tomaram o Brasil em meados de 2013 e ainda letras relacionadas aos problemas pessoais de nossa geração.

“Iniciamos o financiamento coletivo sem muita fé com R$ 1.000 de meta, mas logo começamos a receber  várias doações e aumentamos para R$ 2.000. Encerramos no dia 10 de julho, quando batemos a meta. A produção completa do disco irá sair por 4000,00”, comenta Max Medeiros, líder da banda.

Como ocorre geralmente com os financiamentos coletivos a banda ofereceu algumas vantagens para o apoio e tiveram ainda muitas colaborações diretas, sem passar pelo site.

andré BisnetoAndré Bisneto é outro jornalista formado pela UERN. O seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi transformado no livro “Eu Preta”, segundo o autor quase “por acaso”: “Quando comecei o projeto, eu buscava pela minha ancestralidade. Queria saber de onde eu vinha, e quem venho antes de mim. Mas no final, o livro ficou maior que isso”.

“Eu, Preta” retrata a história de seis mulheres negras desde o brasil oitocentista até hoje e revela um pouco (e às vezes nenhuma) das mudanças de uma geração para outra. Busca investigar o processo de formação da identidade racial e como esse processo é atravessado pela abandono afetivo.

O processo para a publicação de “Eu Preta” foi iniciado pela companheira de Bisneto, Edja Lemos, que manteve contato com várias editoras.

O autor optou pelo selo editorial Letramento, que tem no seu catálogo nomes como o de Djamila Ribeiro, pesquisadora de temas como o feminismo negro, tema que se assemelha ao trabalho de Bisneto.

Para viabilizar a publicação, o autor e editora fecharam um acordo de venda antecipada direta de pelo menos 100 exemplares exclusivamente pelo site (Grupo Letramento) até o dia 10 de agosto ao preço de R$ 29,90.

Zenóbio Oliveira, é mais reconhecido como profissional competente da cinegrafia norte-rio-grandense do que como poeta. Mas sua paixão pelos versos, inspirados na arte também cultivada pelo seu pai o fez reunir vários poemas enfeixados no livro “Verbo Sertanejo”.

zenóbio

“É um livro de poesias, que conta histórias de pessoas, lugares e sentimentos, além das próprias sensações do poeta. São sonetos, cordéis e outros estilos poéticos”, assim Zenódio retrata sua cria literária.

Sem recursos, a forma encontrada pelo poeta está sendo a venda antecipada direta, ou seja, por intermédio de amigos e com depósitos feitos em sua própria conta bancária.

A previsão de lançamento da obra é para agosto e o poeta estabeleceu uma meta de venda de 100 exemplares ao custo de R$ 30,00 que devem ser entregues na noite de autógrafos. Até o dia 13 de julho, as vendas ainda não haviam deslanchado.

“As vendas estão poucas ainda para o tanto que vou precisar. Elas seguem até o final de julho”, comentou o poeta Zenóbio.

Os dados para os interessados na aquisição antecipada do livro são os seguintes:

Zenóbio Francisco de Sousa Oliveira
Caixa Econômica Federal

Agência – 0560

Operação – 013

Conta poupança – 00068949-9

 

Banco do Brasil

Agência – 3526-2

Conta Poupança – 36.732-X

Variação – 051

 

Após o depósito, o comprovante deve ser enviado para o número: (84) 9.9148-2846.

 

Marcus ViníciusMarcus Vinícius é professor, poeta e contador de histórias. Assim como Zenóbio, também optou pela venda antecipada para conseguir a publicação de sua primeira obra literária. “Era uma vez uma história bem contada’ é composto de três histórias infantis, mas que não têm idade fixa. Pode ser criança se dois, oito ou oitenta anos. Histórias que falam de saudades, afetos, sonhos, esperanças” descreve Marcus.

Ilustrado pela artista plástica Nôra Aires, o livro tem previsão de lançamento para o mês de outubro e as vendas também podem ser feitas diretamente com o autor pelas suas redes sociais ao custo de R$ 50,00.

Com sua meta de 100 livros quase atingida, Marcus avalia como positiva a experiência que prossegue até meados de agosto, sem uma data definida: “No meu caso, teve uma boa aceitação por parte das pessoas que não conhecem meu trabalho. Posso dizer que foi uma venda confortável”, avalia.

Os dados para a aquisição antecipada de “Era uma vez uma história bem contada” são os seguintes:

Marcus Venicius Filgueira de Medeiros

Caixa econômica

Agência: 0560 – Operação: 013

Conta: 00076343-5

Assim como no caso de Zenóbio, após o depósito, o comprador deve enviar comprovante para o número (84) 9.9967-3341 para controle interno dos autores.

Como se vê, as leis de amparo na cultura não têm cumprido o seu papel em níveis nacional, no caso da Rouanet, estadual, a Lei Câmara Cascudo, e mesmo a lei municipal Vingt-un Rosado, que se pretendem a ser facilitadores do fazer cultural no país.

 

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Vingança da Rosa: José Agripino não disputa reeleição por exigência da prefeita de Mossoró

Convenção do DEM foi último ato de Agripino e Rosalba como colegas de partido. A vingança veio com o tempo
Convenção do DEM foi último ato de Agripino e Rosalba como colegas de partido. A vingança veio com o tempo

Há quatro anos, em plena Copa do Mundo, o senador José Agripino (DEM) costurou o resultado da polêmica convenção do DEM que resultou na rejeição a proposta de candidatura a reeleição da então governadora Rosalba Ciarlini.

Por 121×63 os delegados demistas escolheram salvar o mandato de Felipe Maia (DEM) a arriscar uma reeleição dificílima de Rosalba que estava inelegível àquela altura do campeonato do voto. Além disso, ela era até então a governadora mais impopular da história do RN com quase 80% de desaprovação e tinha apenas um punhado de partidos pequenos lhe dando sustentação política.

Foi uma decisão pragmática de Agripino que preferiu garantir as condições de reeleição do filho Felipe Maia e dos deputados estaduais do partido. Deu certo, mas quatro anos depois a fatura seria cobrada.

Nos bastidores Rosalba jurou vingança. Carlos Augusto Rosado também.

A lei do retorno veio com força e no momento certo para o casal rosalbista. O Blog do Barreto apurou junto a várias fontes em Natal que nas negociações com Carlos Eduardo Alves (PDT) foi oferecido a indicação do vice na chapa do pacto oligárquico. No entanto, Rosalba e Carlos Augusto quiseram mais: exigiram que Agripino fosse excluído da chapa majoritária. Daí iniciou-se uma longa negociação que passou por um jogo de gato e rato em que a prefeita e o marido atuaram com maestria sugerindo em diversas ocasiões que poderia se entender com a senadora Fátima Bezerra (PT) ou com o governador Robinson Faria (PSD). A dupla se deixou iludir atendendo as necessidades do rosalbismo se deixando fotografar com eles durante o Mossoró Cidade Junina.

Nem mesmo uma improvável “neutralidade” (ver AQUI) foi descartada no trabalho para atrair o ex-prefeito de Natal.

foto
Até a “eterna” adversária Fátima Bezerra “chegou perto” de ter o apoio de Rosalba no jogo de cena

Carlos Eduardo mordeu a isca porque colocou na cabeça que Henrique Alves perdeu as eleições em 2014 porque não tinha o apoio de Rosalba em Mossoró. Isso deu a prefeita de Mossoró as condições de impor exigências.

As coisas aconteceram rapidamente na semana passada. Na sexta-feira Agripino anunciou que não disputaria a reeleição. No mesmo dia Rosalba convidou Carlos Eduardo para passar o Boca da Noite em sua companhia indicando o acasalamento político.

Ao leitor menos interessado na política uma questão dessa passa despercebido, mas em política as ações falam mais que as palavras.

Agora as discussões giram em torno da escolha do nome do vice que será indicado por Rosalba. Segundo o Blog apurou o acordo está muito próximo e Carlos Eduardo tem um plano B caso a prefeita não faça a indicação: o nome é Felipe Maia.

Agripino

José Agripino é pragmático.  Sabia que tinha uma reeleição difícil. Excluído da chapa ele tinha um discurso: dizer que se sacrificou para fortalecer a chapa de Carlos Eduardo. Não era bem assim.

Quando surgiram os rumores de que ele desistiria por meio da assessoria ele disse: “O que está em cogitação são apoios de novos partidos à candidatura de Carlos Eduardo. Isso abre negociações em torno da chapa. Essa negociação é que está sendo cogitada”. O plural na frase não deixa dúvidas sobre o que estava acontecendo.

O ato seguinte confundiu a cabeça de quem acompanha o noticiário político: Agripino desistiu da reeleição para acomodar o deputado federal Antônio Jácome (PODE) candidato ao Senado.

Mas repare que Agripino não disse “novo partido”, mas “novos partidos” e isso significa que além do PODEMOS de Jácome estava em jogo o PP de Rosalba. Foi a exigência dela quem abriu o espaço para atrair Jácome que estava se entendendo com Robinson.

O sacrifício político de Agripino não foi necessariamente para atrair o deputado e a força dele no segmento evangélico, mas para garantir o apoio de Rosalba. A consequência foi a ocupação do espaço na majoritária por um outro ator político.

A intepretação de que Agripino desistiu de ir à reeleição por conta dos problemas no Supremo Tribunal Federal (STF) onde ele é réu em dois processos não é de todo errada. Afinal de contas candidato a deputado federal ele tem um caminho mais fácil para manter o foro privilegiado. Essa é a versão, até pelo fundo de verdade, mais consistente serve para esconder o fator determinante para a desistência de Agripino: a condição de Rosalba para apoiar Carlos Eduardo.

Por ironia, se Agripino tirou Rosalba do páreo há quatro anos para salvar o mandato de Felipe Maia desta vez é Felipe que ficará sem mandato de deputado federal por causa da exigência da agora prefeita de Mossoró.

Pensar que há 12 anos Agripino exigiu desalojar Geraldo Melo da chapa de Garibaldi Filho para colocar Rosalba candidata ao Senado, condição que levou ela, após vencer uma eleição apertada em cima de Fernando Bezerra, a se viabilizar para ser eleita governadora em 2010. Só falta agora a “Rosa” votar no “Tamborete”, o que não é de todo descartado, diga-se.

Agripino colhe as consequências do que fez de bom e ruim para Rosalba no passado.

Em 2018 a vingança é dela.

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