Francisco José Junior está de volta

Ele está de volta (Foto: Magnus Nascimento)

Após uma temporada cursando medicina no Paraguai e a continuidade do curso em São Paulo, o ex-prefeito Francisco José Junior afivela as malas para voltar ao Rio Grande do Norte.

Ele e a esposa Amélia Ciarlini conseguiram aprovação no edital de transferência voluntária para o curso de medicina da Universidade Potiguar (UnP).

Francisco José Junior está de volta ao Rio Grande do Norte. Vai morar em Natal, bem pertinho de Mossoró.

Confira o resultado da transferência do ex-prefeito AQUI.

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O pau que bateu em Francisco não bate na Rosa

Francisco José Junior não teve trégua da oposição. Rosalba sofre bem menos pressão (Foto: reprodução)

Entre os anos de 2014 e 2016 Mossoró viveu um surto de cidadania com a sociedade engajada e cobrando intensamente por direitos e denunciando desmandos do então prefeito Francisco José Junior, cuja gestão, de fato, foi desastrosa.

Três anos depois as coisas não vão tão melhores do que antes. O silêncio de hoje é desproporcional nas redes sociais num comparativo com os desempenhos da antiga e atual gestão.

Mas o foco deste texto é buscar refletir sobre o que nos leva a essa inércia em Mossoró.

Em parte, é culpa do próprio ex-prefeito. Ele não teve o time para comprar certas brigas como aquela com os ambulantes do Centro ou quando exagerou na expectativa em torno das mudanças no transporte público.

Por outro lado, tudo de ruim ganhou um peso maior porque a militância rosalbista estava afinada no discurso e ajudava a propagar cada desmando, cada ato de incompetência.

Hoje alguns problemas persistem. Um deles são os atrasados nas terceirizadas. Lembro de receber uma carta desesperada de um cidadão que dizia estar passando fome. Os relatos nas redes sociais seguiam esta linha. As manifestações eram na frente do Palácio da Resistência.

Hoje nada disso acontece.

Quando Francisco José Junior bateu de frente com o Sindserpum a Prefeitura de Mossoró foi ocupada por servidores. Rosalba fez muito pior impondo a medida que sufoca financeiramente a entidade e não houve qualquer mobilização mais dura.

A falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde ocorre como antes sem a mesma ênfase no noticiário de antes. Obras seguem paradas sem que isso seja motivo de revoltas como até 2016.

Rosalba pode ser dar ao luxo de fazer uma gestão pífia sem ser incomodada a altura.

Diz que a folha é paga rigorosamente em dia quando nos últimos meses as gratificações são pagas no dia 10 do mês subsequente tirando o a leitimidade do “rigor”, que se torna mera retórica apologética.

Nas palavras dela a folha não tem qualquer dívida quando estão em aberto os retroativos de maio, junho e julho de 2016 relativos ao reajuste daquele ano. Ela chegou a celebrar um acordo de pagar em novembro de 2017.

Nunca cumpriu.

A operação tapa-buraco é tratada como “recuperação asfáltica” (sic) pela gestão sem ninguém apontar essa distorção, salvo raras vozes na imprensa local.

Francisco José Junior enfrentou uma oposição mobilizada. A de hoje é bem mais desarticulada que a de ontem. Bom para Rosalba. Ruim para a qualidade do debate político.

O rosalbismo tem um aparato organizado de mídia e redes sociais e certamente se o eleitor mandar ela de voltar para a oposição os que hoje se calam estarão aos berros denunciando tudo.

Rosalba possui um patrimônio político que poucos têm: militância orgânica. Daí a oposição não ter a mínima capacidade de fazer frente e o que acontece de reação aos atuais desmandos vem em escala bem menor e desorganizada por parte dos cidadãos revoltados com os problemas da gestão.

Ainda assim, a prefeita goza de desprestígio e impopularidade exposta com a dificuldades e se impor nas eleições de 2018 e corrosão de imagem foi evidenciada pela pesquisa Seta/Blog do Barreto divulgada em maio.

Apesar disso, diferente de Francisco José Junior ela segue competitiva por razões muito mais emocionais que administrativas.

Esseas são alguns apontamentos que ajudam a explicar porque o pau que bateu em Francisco não bate na Rosa.

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Como um desgaste administrativo pode mudar a percepção dos fatos

Em 2017, início da gestão da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) o Blog do Barreto realizou uma enquete perguntando qual a maior enganação da política mossoroense.

O resultado foi de 53,42% para o mico do santuário de Santa Luzia proporcionado por Francisco José Junior.

A reforma do Nogueirão teve 22,46%.

A enquete ainda tinha outras duas alternativas: reativação dos voos no Aeroporto Dix-sept Rosado (19,45%) e a falácia de Mossoró ser a capital da cultura (4,67%).  O primeiro problema foi sanado, o segundo não ecoa mais nos dias de hoje.

Dois anos depois, exatamente em um mês de abril, o quadro é diferente. A falsa promessa de reforma do Nogueirão é mais lembrada que o mico do santuário (59%x41%).

Claro que uma enquete não tem valor científico, mas a reação popular mostra bem o contexto atual. Há dois anos a gestão desastrosa de Francisco José Junior ainda estava viva na memória e Rosalba iniciava a quarta passagem pelo Palácio da Resistência com a mensagem de esperança de que só ela sabia fazer Mossoró dar certo.

Hoje, a gestão do ex-prefeito ainda é lembrada como exemplo ruim, mas Rosalba acumula desgaste. Francisco José Junior exerce o direito de ser esquecido longe da capital da Oeste e o abacaxi está com a sucessora.

Daí o episódio do Nogueirão ocorrido em outubro de 2011 ser mais citado que o da santa, um mico de 2016.

Veja o resultado da enquete de 2017 AQUI

Veja o resultado da enquete de 2019 AQUI

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Rosalba não é Francisco José Junior. Não pode ser subestimada

Francisco José Junior não teve o escudo que Rosalba Ciarlini tem na hora do desgaste (Foto: reprodução)

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) vive o pior momento de suas quatro passagens pela Prefeitura de Mossoró, mas não pode ser subestimada.

Ela não é Francisco José Junior.

Há um grande hiato em termos de musculatura política entre ela e o antecessor.

Rosalba é uma líder consolidada e com o recall de suas três gestões anteriores. Nos últimos dois anos ela foi queimando esse ativo político ao não conseguir dar uma virada na administração municipal.

Ela se limitou a apagar incêndios, quando conseguiu apagar, diga-se.

Mas Rosalba tem um trunfo que poucos políticos possuem no Brasil: militância e base social.

É preciso lembrar que essa militância e base social não tem se renovado com o tempo e isso passa pelo mau desempenho dela como governadora e as dificuldades da atual gestão.

Mas a Rosa ainda provoca paixão e é um trator em campanhas eleitorais. Em 2018 ela fez um esforço hercúleo e mesmo perdendo as disputas majoritárias dentro de Mossoró conseguiu mostrar desenvoltura nas ruas. Não apareceu ninguém, por exemplo, para dizer        que ela era uma “praga do Egito” como aconteceu com Francisco José Junior. Há um respeito maior pela prefeita que passa pela história política dela.

Repito e acrescento: Rosalba tem base social, militância, a caneta na mão, poder de articulação política e liderança. Seu capital político reduzido apenas a própria base social pode lhe garantir a vitória mesmo que o desgaste atual se sustente até outubro de 2020. Sem segundo turno em Mossoró qualquer erro tático da fragmentada e heterogênea oposição pode lhe abrir uma avenida para vitória ainda que seja com baixo percentual de votos.

Não subestimem a Rosa.

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Francisco José Junior é investigado por falsificação de documentos em prestação de contas

Francisco José Junior tentou reeleição e desistiu (Foto: autor não identificado)

O Ministério Público Eleitoral instaurou investigação criminal sobre o ex-prefeito Francisco José Junior (sem partido). A suspeita é de que ele tenha falsificado documentos na prestação de contas no pleito de 2016.

O Procedimento Investigatório Criminal de nº. 06.2018.00001982-6 foi publicado hoje no Diário Oficial do Estado (DOE).

O Ministério Público Eleitoral com atuação na 34ª Zona vai elaborar uma lista com nomes e endereços dos supostos doadores que deverão prestar esclarecimentos.

A investigação ainda envolve o ex-candidato a vice-prefeito Jonatas Micael Melo Félix e mãe do ex-prefeito Maria Lúcia Bessa da Silveira.

LEMBRANDO

Profundamente desgastado, o então prefeito Francisco José Junior tentou a reeleição pelo PSD e com apoio de 16 partidos. Ele acabou desistindo da candidatura na reta final das eleições ainda assim obteve 602 votos que foram computados como nulos.

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Juiz absolve ex-prefeito, ex-vereadores e empresários na Operação Vulcano

Claudionor dos Santos chegou a ser detido para prestar depoimento

O juiz Cláudio Mendes Junior da 3ª Vara Criminal de Mossoró absolveu o ex-prefeito Francisco José Junior, os ex-vereadores Claudionor Santos, Genivan Vale e Jório Nogueira além dos empresários Sérgio Leite de Sousa, Otávio Augusto Ferreira da Silva, Robson Paulo Cavalcante, Pedro Edilson Leite Júnior, Carlos Otávio Bessa e Melo, Edvaldo Fagundes de Albuquerque, Carlos Jerônimo Dix-sept Rosado Maia e Leonardo Veras do Nascimento.

A operação foi realizada em 31 de maio de 2012.

Eles foram acusados de formação de quadrilha e cartel de combustíveis através de ligações interceptadas pelo Ministério Público em que discutiam um projeto que proibia a implantação de postos de combustíveis em supermercados na cidade.

O magistrado entendeu que houve lobby político o que não é ilegal nem proibido no Brasil. “Pela prova dos autos, a materialidade não restou fartamente demonstrada, de forma a existir dúvida acerca da prática pelos acusados da conduta delituosa de associação criminosa narrada na denúncia”, frisou.

O magistrado considerou as provas frágeis. “Com efeito, a prova produzida sob o crivo do contraditório se mostrou frágil em dizer se realmente teriam os réus se associado de maneira estável e permanente para prática de crimes, até porque restaram absolvidos neste feito pelas demais imputações feitas pela acusação em sua inicial”, alegou.

O Ministério Público pode recorrer da decisão.

 

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Robinson repete em 2018 a estratégia de Francisco José Junior em 2016

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Robinson segue tática parecida com a de antigo pupilo

Há dois anos, Francisco José Junior reunia em um hotel de Mossoró uma montanha de gente formada por16 partidos e centenas de líderes comunitários que lhe manifestaram apoio. O prefeito mais impopular da história da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte tinha certeza de que esse apoio lhe daria competitividade.

Mas a montanha de gente pariu um rato de votos e o então prefeito caiu fora da reeleição de forma melancólica.

Era a velha confusão entre viabilidade política e viabilidade eleitoral que os homens e mulheres públicos fazem. O prefeito era eleitoralmente inviável por causa da baixa popularidade, mas tinha alguma sustentação política no projeto de reeleição cuja tendência (confirmada) era de se esvair.

Agora o governador Robinson Faria (PSD) adota a tática do outrora pupilo de Mossoró. Ele se aproximou dos prefeitos das cidades menores como atalho para conquistar o voto de um eleitor teoricamente menos exigente e mais fiel aos líderes políticos locais. Robinson já reúne em torno de si algo em torno de 10 partidos.

Francisco apostou tudo nos apoios políticos, mas faltou combinar com o povo
Francisco apostou tudo nos apoios políticos, mas faltou combinar com o povo

Esse quadro por si só garante ao governador a viabilidade política para entrar na disputa. O problema é que nem sempre a viabilidade política garante o principal: a viabilidade eleitoral. A junção dessas variáveis políticas é fundamental para vitórias nas urnas.

Ter viabilidade eleitoral sem muito apoio político deixa a campanha capenga, mas ter a viabilidade política estando eleitoralmente inviável é certeza de ser abandonado ao longo do pleito num vexame monumental.

O case de Francisco José Junior está aí e o governador conhece bem a história. Vale lembrar que o próprio Robinson aconselhou o outrora pupilo a não tentar a reeleição. Deu no que deu.

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Francisco José Junior inicia nova vida cursando medicina

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O ex-prefeito de Mossoró Francisco José Junior iniciou o curso de medicina no Paraguai. Nova vida. Sinal que a política é coisa do passado para o burgomestre mais impopular da história de Mossoró. Ontem ele postou nos stories do Instagram o início da nova fase.

Nada de política nem de surfe porque o Paraguai não tem saída para o mar.

Vida nova.

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UBS fechada com cadeado reforça o quanto Rosalba e Francisco José Junior são parecidos

UBS fechada com cadeado por atraso em aluguel também é coisa da "Rosa"
UBS fechada com cadeado por atraso em aluguel também é coisa da “Rosa”

Alegando oito meses de atraso de aluguel, Antonieta Gomes, proprietária do imóvel onde funciona a Unidade Básica de Saúde (UBS) Antônio Soares Filho, decidiu fechar com cadeado o prédio em protesto contra a inadimplência da Prefeitura de Mossoró.

Nem parece que temos Rosalba Ciarlini (PP) na cadeira mais confortável do Palácio da Resistência. Isso faz lembrar coisas dos tempos de Francisco José Junior. Não é? Mas não por esse caminho que devemos analisar.

O problema é que Rosalba e Francisco José Junior são mais parecidos do que imaginamos. A diferença está na paciência e tolerância da sociedade com a “Rosa” contrastada com o surto de cidadania na era “canarinha”.

Nos tempos de Francisco José Junior eram recorrentes as denúncias deste tipo. Na era “Rosa” esse caso que registramos não é inédito, mas a diferença está ausência de reação.

Vamos citar três casos: em 19 de abril dono do prédio onde funciona a UBS do Vingt Rosado passou o cadeado assim como fizera dois dias antes o dono do prédio onde funciona a Unidade de Educação Infantil Maria Caldas.

Esse problema dos atrasos de aluguéis é antigo e insiste em não sumir em Mossoró. Rosalba até aqui não conseguiu mostrar diferenças em relação ao impopular antecessor, mas conta com a cidadania adormecida como sua maior aliada.

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