Como um desgaste administrativo pode mudar a percepção dos fatos

Em 2017, início da gestão da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) o Blog do Barreto realizou uma enquete perguntando qual a maior enganação da política mossoroense.

O resultado foi de 53,42% para o mico do santuário de Santa Luzia proporcionado por Francisco José Junior.

A reforma do Nogueirão teve 22,46%.

A enquete ainda tinha outras duas alternativas: reativação dos voos no Aeroporto Dix-sept Rosado (19,45%) e a falácia de Mossoró ser a capital da cultura (4,67%).  O primeiro problema foi sanado, o segundo não ecoa mais nos dias de hoje.

Dois anos depois, exatamente em um mês de abril, o quadro é diferente. A falsa promessa de reforma do Nogueirão é mais lembrada que o mico do santuário (59%x41%).

Claro que uma enquete não tem valor científico, mas a reação popular mostra bem o contexto atual. Há dois anos a gestão desastrosa de Francisco José Junior ainda estava viva na memória e Rosalba iniciava a quarta passagem pelo Palácio da Resistência com a mensagem de esperança de que só ela sabia fazer Mossoró dar certo.

Hoje, a gestão do ex-prefeito ainda é lembrada como exemplo ruim, mas Rosalba acumula desgaste. Francisco José Junior exerce o direito de ser esquecido longe da capital da Oeste e o abacaxi está com a sucessora.

Daí o episódio do Nogueirão ocorrido em outubro de 2011 ser mais citado que o da santa, um mico de 2016.

Veja o resultado da enquete de 2017 AQUI

Veja o resultado da enquete de 2019 AQUI

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Rosalba não é Francisco José Junior. Não pode ser subestimada

Francisco José Junior não teve o escudo que Rosalba Ciarlini tem na hora do desgaste (Foto: reprodução)

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) vive o pior momento de suas quatro passagens pela Prefeitura de Mossoró, mas não pode ser subestimada.

Ela não é Francisco José Junior.

Há um grande hiato em termos de musculatura política entre ela e o antecessor.

Rosalba é uma líder consolidada e com o recall de suas três gestões anteriores. Nos últimos dois anos ela foi queimando esse ativo político ao não conseguir dar uma virada na administração municipal.

Ela se limitou a apagar incêndios, quando conseguiu apagar, diga-se.

Mas Rosalba tem um trunfo que poucos políticos possuem no Brasil: militância e base social.

É preciso lembrar que essa militância e base social não tem se renovado com o tempo e isso passa pelo mau desempenho dela como governadora e as dificuldades da atual gestão.

Mas a Rosa ainda provoca paixão e é um trator em campanhas eleitorais. Em 2018 ela fez um esforço hercúleo e mesmo perdendo as disputas majoritárias dentro de Mossoró conseguiu mostrar desenvoltura nas ruas. Não apareceu ninguém, por exemplo, para dizer        que ela era uma “praga do Egito” como aconteceu com Francisco José Junior. Há um respeito maior pela prefeita que passa pela história política dela.

Repito e acrescento: Rosalba tem base social, militância, a caneta na mão, poder de articulação política e liderança. Seu capital político reduzido apenas a própria base social pode lhe garantir a vitória mesmo que o desgaste atual se sustente até outubro de 2020. Sem segundo turno em Mossoró qualquer erro tático da fragmentada e heterogênea oposição pode lhe abrir uma avenida para vitória ainda que seja com baixo percentual de votos.

Não subestimem a Rosa.

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Francisco José Junior é investigado por falsificação de documentos em prestação de contas

Francisco José Junior tentou reeleição e desistiu (Foto: autor não identificado)

O Ministério Público Eleitoral instaurou investigação criminal sobre o ex-prefeito Francisco José Junior (sem partido). A suspeita é de que ele tenha falsificado documentos na prestação de contas no pleito de 2016.

O Procedimento Investigatório Criminal de nº. 06.2018.00001982-6 foi publicado hoje no Diário Oficial do Estado (DOE).

O Ministério Público Eleitoral com atuação na 34ª Zona vai elaborar uma lista com nomes e endereços dos supostos doadores que deverão prestar esclarecimentos.

A investigação ainda envolve o ex-candidato a vice-prefeito Jonatas Micael Melo Félix e mãe do ex-prefeito Maria Lúcia Bessa da Silveira.

LEMBRANDO

Profundamente desgastado, o então prefeito Francisco José Junior tentou a reeleição pelo PSD e com apoio de 16 partidos. Ele acabou desistindo da candidatura na reta final das eleições ainda assim obteve 602 votos que foram computados como nulos.

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Juiz absolve ex-prefeito, ex-vereadores e empresários na Operação Vulcano

Claudionor dos Santos chegou a ser detido para prestar depoimento

O juiz Cláudio Mendes Junior da 3ª Vara Criminal de Mossoró absolveu o ex-prefeito Francisco José Junior, os ex-vereadores Claudionor Santos, Genivan Vale e Jório Nogueira além dos empresários Sérgio Leite de Sousa, Otávio Augusto Ferreira da Silva, Robson Paulo Cavalcante, Pedro Edilson Leite Júnior, Carlos Otávio Bessa e Melo, Edvaldo Fagundes de Albuquerque, Carlos Jerônimo Dix-sept Rosado Maia e Leonardo Veras do Nascimento.

A operação foi realizada em 31 de maio de 2012.

Eles foram acusados de formação de quadrilha e cartel de combustíveis através de ligações interceptadas pelo Ministério Público em que discutiam um projeto que proibia a implantação de postos de combustíveis em supermercados na cidade.

O magistrado entendeu que houve lobby político o que não é ilegal nem proibido no Brasil. “Pela prova dos autos, a materialidade não restou fartamente demonstrada, de forma a existir dúvida acerca da prática pelos acusados da conduta delituosa de associação criminosa narrada na denúncia”, frisou.

O magistrado considerou as provas frágeis. “Com efeito, a prova produzida sob o crivo do contraditório se mostrou frágil em dizer se realmente teriam os réus se associado de maneira estável e permanente para prática de crimes, até porque restaram absolvidos neste feito pelas demais imputações feitas pela acusação em sua inicial”, alegou.

O Ministério Público pode recorrer da decisão.

 

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Robinson repete em 2018 a estratégia de Francisco José Junior em 2016

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Robinson segue tática parecida com a de antigo pupilo

Há dois anos, Francisco José Junior reunia em um hotel de Mossoró uma montanha de gente formada por16 partidos e centenas de líderes comunitários que lhe manifestaram apoio. O prefeito mais impopular da história da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte tinha certeza de que esse apoio lhe daria competitividade.

Mas a montanha de gente pariu um rato de votos e o então prefeito caiu fora da reeleição de forma melancólica.

Era a velha confusão entre viabilidade política e viabilidade eleitoral que os homens e mulheres públicos fazem. O prefeito era eleitoralmente inviável por causa da baixa popularidade, mas tinha alguma sustentação política no projeto de reeleição cuja tendência (confirmada) era de se esvair.

Agora o governador Robinson Faria (PSD) adota a tática do outrora pupilo de Mossoró. Ele se aproximou dos prefeitos das cidades menores como atalho para conquistar o voto de um eleitor teoricamente menos exigente e mais fiel aos líderes políticos locais. Robinson já reúne em torno de si algo em torno de 10 partidos.

Francisco apostou tudo nos apoios políticos, mas faltou combinar com o povo
Francisco apostou tudo nos apoios políticos, mas faltou combinar com o povo

Esse quadro por si só garante ao governador a viabilidade política para entrar na disputa. O problema é que nem sempre a viabilidade política garante o principal: a viabilidade eleitoral. A junção dessas variáveis políticas é fundamental para vitórias nas urnas.

Ter viabilidade eleitoral sem muito apoio político deixa a campanha capenga, mas ter a viabilidade política estando eleitoralmente inviável é certeza de ser abandonado ao longo do pleito num vexame monumental.

O case de Francisco José Junior está aí e o governador conhece bem a história. Vale lembrar que o próprio Robinson aconselhou o outrora pupilo a não tentar a reeleição. Deu no que deu.

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Francisco José Junior inicia nova vida cursando medicina

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O ex-prefeito de Mossoró Francisco José Junior iniciou o curso de medicina no Paraguai. Nova vida. Sinal que a política é coisa do passado para o burgomestre mais impopular da história de Mossoró. Ontem ele postou nos stories do Instagram o início da nova fase.

Nada de política nem de surfe porque o Paraguai não tem saída para o mar.

Vida nova.

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UBS fechada com cadeado reforça o quanto Rosalba e Francisco José Junior são parecidos

UBS fechada com cadeado por atraso em aluguel também é coisa da "Rosa"
UBS fechada com cadeado por atraso em aluguel também é coisa da “Rosa”

Alegando oito meses de atraso de aluguel, Antonieta Gomes, proprietária do imóvel onde funciona a Unidade Básica de Saúde (UBS) Antônio Soares Filho, decidiu fechar com cadeado o prédio em protesto contra a inadimplência da Prefeitura de Mossoró.

Nem parece que temos Rosalba Ciarlini (PP) na cadeira mais confortável do Palácio da Resistência. Isso faz lembrar coisas dos tempos de Francisco José Junior. Não é? Mas não por esse caminho que devemos analisar.

O problema é que Rosalba e Francisco José Junior são mais parecidos do que imaginamos. A diferença está na paciência e tolerância da sociedade com a “Rosa” contrastada com o surto de cidadania na era “canarinha”.

Nos tempos de Francisco José Junior eram recorrentes as denúncias deste tipo. Na era “Rosa” esse caso que registramos não é inédito, mas a diferença está ausência de reação.

Vamos citar três casos: em 19 de abril dono do prédio onde funciona a UBS do Vingt Rosado passou o cadeado assim como fizera dois dias antes o dono do prédio onde funciona a Unidade de Educação Infantil Maria Caldas.

Esse problema dos atrasos de aluguéis é antigo e insiste em não sumir em Mossoró. Rosalba até aqui não conseguiu mostrar diferenças em relação ao impopular antecessor, mas conta com a cidadania adormecida como sua maior aliada.

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Robinson é rejeitado pela classe política em Mossoró

Robinson apostou tudo em  Rosalba
Robinson apostou tudo em Rosalba

O governador Robinson Faria (PSD) segue com uma situação difícil em Mossoró. A começar com a relação com a elite política da cidade. Ele não consegue juntar em torno de si nem mesmo as forças mais enfraquecidas (e quase esquecidas) da cidade.

O governador deu de ombros ao ocaso do então prefeito Francisco José Junior na aventura da reeleição em 2016. Apostou todas as fichas numa parceria improvável com a hoje prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

Não recebeu a atenção esperada. Pelo contrário, levou até uma “chamada” dela em um evento público no Santo Antônio durante lançamento do Ronda Cidadã (ver vídeo abaixo) em março do ano passado.

O passo seguinte foi uma tentativa de aproximação com o enfraquecido grupo da vereadora Sandra Rosado (PSDB). As tratativas não avançaram mesmo com o histórico de amizade pessoal com a deputada estadual Larissa Rosado (PSDB).

A última trincheira que Robinson tentou montar em Mossoró foi com a ex-prefeita Fafá Rosado, um nome pouco comentado nas rodas políticas da cidade e que está no ostracismo desde 2014 quando tentou sem sucesso se eleger deputada federal. Fafá escolheu o esvaziado PSB que está politicamente alinhado com o PSDB do arqui-inimigo sandrismo.

Hoje o principal apoio de Robinson em Mossoró é o vereador João Gentil que está deixando o PV.

O governador terá muitas dificuldades para andar em Mossoró se realmente quer ser reeleito. Em 2014 ele se aproveitou da popularidade estratosférica de Francisco José Junior e do apoio velado de Rosalba para ter uma vitória fundamental no segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. Foram 52.886 (57,82%) votos no primeiro turno.

Agora tudo pesa contra.

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Galeno é escolhido o político com mandato mais ingrato com o eleitor de Mossoró

Francisco José Junior no auge da popularidade prometendo que Galeno seria o "deputado de Mossoró"
Francisco José Junior no auge da popularidade prometendo que Galeno seria o “deputado de Mossoró”

O deputado estadual Galeno Torquato (PSD) foi escolhido com 56,48% dos votos pelos leitores do Blog do Barreto como o político mais ingrato com o eleitor de Mossoró.

O percentual é expressivo partindo do pressuposto de que a disputa contou com a presença de outros oito políticos. Juntos eles obtiveram 43,52%.

A decepção com Galeno em Mossoró não é por acaso. Nas eleições de 2014, ele obteve 12.306 votos na segunda cidade do Rio Grande do Norte, ficando atrás apenas da deputada estadual Larissa Rosado (PSB). O desempenho teve papel fundamental do então prefeito Francisco José Junior (PSD) e um grupo de vereadores.

A votação de Galeno em Mossoró equivaleu a 19,44% dos 63.286 sufrágios conquistados pelo deputado em todo o Estado nas eleições de 2014. Tanto que mesmo com atuação apagada na cidade ele tenta formar um grupo de apoio aqui e já fechou com três suplentes de vereador que vão cuidar da campanha dele na cidade.

Galeno foi eleito prometendo ser um “deputado de Mossoró”, mas com exceção do Restaurante Popular do Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) não há registro de outras benfeitorias trazidas para a cidade pelas suas mãos. E olhe que o deputado prestigiadíssimo no governo Robinson Faria (PSD), o segundo colocado na enquete realizada pelo Blog no Grupo no Facebook.

O terceiro lugar foi do senador José Agripino (DEM) e o quarto da prefeita Rosalba Ciarlini (PP). Seguida por Sandra Rosado (PSB), Fábio Faria (PSD), Larissa Rosado (PSB) e os senadores Fátima Bezerra e Garibaldi Filho (MDB).

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