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Allyson faz marketing com inclusão, mas projeto enviado cria cabide de empregos

Não faltou marketing político nas redes sociais. O prefeito Allyson Bezerra (UB) a la Virgínia Fonseca enfileirou aquela série de stories no trajeto à Câmara Municipal de Mossoró para entregar pessoalmente o Projeto de Lei 115, que nas palavras dele vai revolucionar a inclusão na educação local com a contratação de 800 bolsistas para trabalhar como auxiliares em sala de aula para ajudar crianças atípicas.

O projeto foi apelidado de “Programa Incluir”.

Mas por trás dos vídeos maneiros há uma história decepcionante para quem se deu ao trabalho de ler o projeto. Em vez de contratar estagiários das universidades ou profissionais capacitados surgirá diante de seus olhos uma aberração.

O projeto não é que faz crer nos vídeos maneiros do prefeito. No artigo 3º afirma que para trabalhar como bolsista basta ser maior de 18 anos e ter o ensino médio completo. Quem passar na seleção passará por um curso de formação.

Trocando em miúdos: os estagiários que vivem reclamando dos atrasos dos pagamentos das bolsas serão substituídos por pessoas sem a devida qualificação, o que fere a Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012), que trata dos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no parágrafo único do artigo 2º cuja redação é:

“Parágrafo único. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado”.

Ao abdicar de estagiários em processo de formação ou fazer concurso para contratar profissionais qualificados, a opção por bolsistas voluntários em que basta ter ensino médio é um forte sinal de que por trás do marketing há em formação um cabide de empregos com salários entre R$ 800 e R$ 1.600 para voluntários.

Reação

A proposição foi mal-recebida pelas mães e pais atípicos. “Esse projeto vai na contramão da Lei Berenice Piana que cobra a presença do profissional especializado em sala de aula. Uma pessoa faz um curso e já vai para a sala de aula?”, questionou Dávida Oliveira, diretora do coletivo de mães atípicas de Mossoró.

“Ligar de escola é para o nosso filho ir e aprender. O aluno precisa encontrar o professor e o profissional de apoio especializado”, reforçou.

Dávida disse que os critérios propostos pelo prefeito são temerários e coloca a saúde das crianças em risco. “Não vejo um menino de 18 anos cuidando de uma criança atípica. Se essa criança convulsiona, o que ele vai fazer?”, concluiu.

Leia o projeto AQUI 

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Assistente social é demitida por ler mensagem de Fátima Bezerra durante missa de sétimo dia em Mossoró

A assistente social Davida Oliveira gravou vídeo relatando ter sido demitida da unidade de Mossoró da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) por ter lido uma mensagem da governadora Fátima Bezerra (PT) durante a missa de sétimo dia de uma assistida no último domingo.

Confira o relato:

O Blog do Barreto apurou que a criança que faleceu no final de semana tinha um carinho por Fátima e queria conhecê-la. Quando ela se internou chegou a receber uma chamada de vídeo da governadora que ao tomar conhecimento do falecimento enviou uma mensagem para a família.

Ao Blog do Barreto, Davida contou que a família estava sem condições emocionais de fazer a leitura e pediu para que ela fizesse provocando reação do presidente da APAE/Mossoró Abraão Dutra.

Davida contou que não aceitou o assédio moral e político.  “O domingo é livre e eu faço do meu domingo o que eu quiser. Não vinha falando nada sobre política na APAE”, relatou. “A família não precisa do conhecimento dele”, completou com a voz embargada.

Ela contou que já vinha sofrendo pressões de cunho político por parte de Abraão por ser eleitora de Fátima e do ex-presidente Lula (PT). “Já vinha sofrendo pressão. Já tinha recebido mensagem do tipo ‘Dávida não me provoque senão eu lhe demito’ porque eu nunca escondi em quem eu votava”, declarou. “Vinha isolada dentro da instituição”, lembrou.

A assistente social disse ter documentado os assédios que sofreu e que isso provocou problemas de saúde na família dela. “Tenho todas as mensagens guardadas. Meu marido teve um infarto e eu desenvolvi ansiedade”, declarou.

Um vídeo registra o momento em que Abraão expulsou Davida da sede da Apae/Mossoró.

O Blog do Barreto entrou em contato com a Apae e com Abraão, mas as ligações não foram atendidas nem até o fechamento desta matéria houve retorno para as ligações.