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UERN consolida mudança de geração dirigente

Na próxima terça-feira, dia 28, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) terá uma nova reitora e vice-reitor com as respectivas posses de Cicilia Maia e Francisco Dantas.

O evento não marca apenas a chegada da terceira mulher reitora da UERN ou do primeiro vice-reitor oriundo dos campi avançados (Chico é professor do Campus de Natal).

É a consolidação de uma mudança geracional no comando da UERN por meio de professores aprovados em concurso pós-estadualização.

A UERN vinha sendo comandada por professores nascidos na metade do Século XX que estiveram presentes no processo de estadualização da universidade entre 1986 e 1987.

Com Pedro Fernandes em 2013 houve uma mudança geracional trazendo professores nascidos após a fundação da UERN (1968) e que chegaram ao topo da administração e entraram em concurso realizado após a estadualização. No primeiro mandato ele teve como vice Aldo Fernandes, que era da geração anterior, mas no segundo foi Fátima Raquel que era do mesmo perfil geracional.

Raquel terminou por finalizar o mandato no exercício da reitoria.

Jovens, Pedro e Raquel encerram o mandato na terça-feira e voltam à sala de aula. O que mostra outra característica em mudança: os últimos reitores da UERN deixaram o cargo no rumo da aposentadoria. Não é o caso deles.

A UERN do Século XXI é uma universidade jovem comandada por jovens.

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Depoimento de Carlos Gabas assanha bolsonarismo e vira esperança de um CPI ignorada

No dia 6 de outubro o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, vai depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid na Assembleia Legislativa.

É o evento mais aguardado pelos bolsonaristas do Rio Grande do Norte que cobram na Internet todos os dias pelos R$ 5 milhões dos respiradores.

Gabas vem com a missão de explicar para quem não quer entender que o Consórcio Nordeste levou um calote da empresa Hempcare que ficou com R$ 48,7 milhões e não entregou os respiradores prometidos aos governos nordestinos.

O Ministério Público de Contas já descartou má fé da parte do secretário estadual de saúde Cipriano Maia.

A vinda de Gabas a CPI é importante e necessária, mas até o dia 6 de outubro ela vai ser alvo de muita especulação e assanhamento nas hostes bolsonaristas do Estado.

Tem tudo para ser o ponto alto de uma CPI com pouca atenção da mídia estadual e que está em busca de uma bala de prata para chamar de sua.

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Rogério aparelha máquina política via cargo de ministro para chegar ao Senado intermediado por prefeitos

O ministro do desenvolvimento regional Rogério Marinho aparelhou uma azeitada máquina de “toma lá dá cá” com os prefeitos do Rio Grande do Norte.

Em baixa na disputa para o Senado e ficando atrás do colega ministro das comunicações Fábio Faria, ele tenta se viabilizar a qualquer custo e para isso não mede esforços.

No domingo ele reúne em Caraúbas com uma penca de prefeitos para discutir as eleições do ano que vem. Já na segunda-feira esses mesmos alcaides serão recebidos em Mossoró para uma distribuição de tratores e equipamentos agrícolas que estão sendo guardados desde maio na UFERSA.

Rogério aposta na parceria com os prefeitos para chegar ao Senado via voto de cabresto.

Na outra ponta, Fábio Faria aposta num alinhamento mais ideológico com o presidente Jair Bolsonaro e postura mais discreta no uso da máquina pública.

Rogério aposta tudo no aparelhamento do Estado que tanto denunciou nos tempos do PT.

O abuso da máquina pública está com tudo e se eu fosse promotor eleitoral estaria para denunciar Rogério no dia seguinte ao registro da candidatura dele.

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No Brasil é mais fácil soltar agressor do quilombola do que quem queima estátua de genocida

Durou menos de 24 horas a prisão preventiva de Alberan Feitas, o comerciante de Portalegre (RN) que amarrou o quilombola Luciano Simplício no dia 11 de setembro.

Ele confessou o crime que está documentado em vídeo que chocou o país. Seu comparsa, o servidor público, André Diogo Barbosa, se deu ao luxo de ser “libertado” quando ainda estava na condição de foragido.

Alberan responde desde o ano passado ao crime de injúria racial e praticou no dia 11 de setembro um crime que lembra as torturas que os escravos sofriam.

Em outro ponto, temos a história de Paulo Galo, Thiago Zem e Danilo Biu. O trio foi preso por envolvimento no incêndio da estátua do bandeirante Borba Gato, que entrou para história por escravizar negros e indígenas, praticando com este último um verdadeiro genocídio.

Galo confessou envolvimento na ação contra a estátua.

Alberan teve um comportamento sádico. Galo fez um ato político, ainda que passível de questionamentos.

Galo e seus companheiros ficaram 13 dias presos. Alberan apenas algumas horas e foi solto após o Ministério Público opinar por sua libertação.

A vida humana vale menos do que o monumento em homenagem a um personagem símbolo das injustiças raciais neste país.

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Prefeito enfrenta focos de insatisfação na bancada governista

Allyson tem dificuldades com bancada (Foto: Allan Pablo/PMM)

A maioria sólida do prefeito Allyson Bezerra (SD) na Câmara Municipal de Mossoró pode ser comparada a um gigante de pés de barro.

Explico!

Ele conta com 18 apoiadores no legislativo municipal contra cinco oposicionistas, mas existem focos de insatisfação na bancada sobretudo dos parlamentares com passado rosalbista como Zé Peixeiro e Ricardo de Dodoca, ambos do PP.

Há quem os coloque já como carta fora do baralho governista.

Esta semana o prefeito tentou aprovar mais um projeto em regime de urgência e sem discussão. Trata-se da proposta que desvincula 30% da receita da Contribuição Econômica para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (CIP) para aplicar em outras áreas da administração pública.

A bancada boicotou a votação. Não foi um rasgo de dignidade em defesa da independência do parlamento nem muito menos um gesto de preocupação com a coisa pública.

Foi apenas um recado para que algumas demandas sejam atendidas para garantir a aprovação da proposta.

Allyson contra-atacou com o anuncio da adesão do vereador Lucas das Malhas (MDB), fato que já era esperado por quem acompanha a política local.

Foi um recado no estilo: “se vocês não querem, tem quem queira”.

Vamos esperar para saber quanto tempo dura a tensão.

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Lula x Bolsonaro: quem tem mais potencial de transferência de votos no RN?

Lula tem maior potencial de transferência de votos no RN

É sempre pauta na imprensa nacional a discussão em torno do eleitor “nem nem”, nem Lula nem Bolsonaro, mas na prática os dois líderes políticos do país não só seguem polarizando o debate público como lideram as pesquisas e demonstram capacidade de transferência de votos.

No Rio Grande do Norte ficou evidenciando na pesquisa Realtime Big Data que a vinculação aos dois é capaz de impulsionar candidaturas majoritárias.

Veja o caso da disputa pela cadeira de senador. O petista Jean Paul Prates aparece nos três cenários analisados com variação entre oito e 11 pontos percentuais, mas quando tem o nome associado a Lula ele deixa as últimas colocações e assume a liderança.

O ministro do desenvolvimento regional Rogério Marinho e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) não se beneficiam da vinculação deles a Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, respectivamente. Inclusive, o pedetista até cai numericamente de uma variação de 26 a 31 pontos percentuais para 23%.

Na sondagem para o Governo, Fátima Bezerra (PT) sobe de uma variação de 27 a 32 pontos percentuais para 39% quando tem o nome associado a Lula.

Já o deputado federal Benes Leocádio (Republicanos) salta de uma variação entre 5 e 6 pontos percentuais para 19% quando tem o nome vinculado ao de Bolsonaro, mas ainda assim fica em terceiro lugar.

A conclusão que podemos fazer disso é que Lula e Bolsonaro tem potencial de transferência de votos, mas o petista que é líder em todas as pesquisas presidenciais no Rio Grande do Norte tem maior potencial para isso.

Por que?

Lula melhora o desempenho da governadora que é 100% conhecida no Estado e faz o desconhecido Jean Paul Prates assumir a liderança na corrida ao Senado.

Já Bolsonaro não altera o desempenho de Rogério Marinho que já tem imagem vinculada a ele, mas consegue alavancar o pouco conhecido Benes Leocádio na disputa pelo Governo, mas não a ponto de coloca-lo na liderança. Isso se deve a alta rejeição do presidente no Estado.

Lula ajuda conhecidos e desconhecidos. Bolsonaro é mais forte para impulsionar nomes desconhecidos.

 

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O falso moralismo com sabor de picanha de Girão

Patriota moralista nas manifestações e picanha com verba de gabinete (Foto: redes sociais)

Hoje o Portal Agora RN traz matéria mostrando que o deputado federal General Girão (PSL) andou gastando parte da cota parlamentar com aquisição de picanha e filé mignon.

Somente no último mês de junho foram R$ 1.250,12 com alimentação bancada pela verba de gabinete. Em agosto R$ 1.190,82 em agosto.

O parlamentar, eleito com discurso moralista e defesa da nova política, também curte bife ancho, salmão e limonada suíça paga pelo contribuinte.

Um dos seus locais prediletos é o Picanhas do Sul, localizado na Asa Norte de Brasília.

Vale lembrar que ele é reincidente. No primeiro semestre deste ano ele se hospedou no chiquérrimo Resort Marinas em Tibau do Sul pagando com a verba de gabinete.

Num momento em que carnes são colocadas para vender supermercado com alarmes de segurança e pobres disputam ossos de boi para se alimentar, o falso moralismo de Girão faz salivar a indignação, com sabor de picanha, claro.

Leia a reportagem do Agora RN AQUI.

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Fátima mostra resiliência e melhora popularidade mesmo com Operação da PF e CPI

Fátima mostra resistência em cenário desfavorável (Foto: Elisa Elsie)

A pesquisa do Instituto AgoraSei! traz um dado praticamente ignorado pela a imprensa do Rio Grande do Norte: a governadora Fátima Bezerra (PT) mostra uma resiliência que seus dois últimos antecessores, Robinson Faria (PSD) e Rosalba Ciarlini (na época no DEM) não possuíam e chega a um ano do início do processo eleitoral competitiva, líder nas pesquisas e com saldo positivo de popularidade.

E olhe que ela encara uma CPI, problema que seus antecessores não tiveram, e a pesquisa foi realizada no calor da Operação Lectus que apura superfaturamento em contratação de empresas hospitalares terceirizadas.

Ainda assim ela melhorou os números em relação a maio.

Há quatro meses ela tinha uma aprovação de 42,6%, agora tem 45,5%. A desaprovação caiu de 40% para 37,9%. A diferença de aprovação e desaprovação que era de 2,6% (dentro da margem de erro) agora é de 7,6% (fora da margem de erro).

Nos cenários de primeiro turno da corrida eleitoral também há melhoras nas intenções de voto em relação a maio. Se antes ela transitou entre 28,1% e 29,1% agora ela variou entre 33,3% e 37,6%, a depender do cenário.

E o melhor para ela: os principais adversários ou ficaram estagnados numericamente como Carlos Eduardo Alves (PDT), preso aos 19%, ou oscilaram positivamente como senador Styvenson Valentim (PODE) este com pico de 16%, mas sem tirar a diferença em relação a governadora. Por outro lado, o prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB) embora siga com popularidade em alta em Natal oscilou para baixo nas intenções de voto para o Governo, caindo de 15% para 11,9%.

Nas simulações de segundo turno também temos melhoras em relação a maio em que ela aumenta a vantagem sobre todos os adversários, exceto Carlos Eduardo, que não teve o nome colocado em confronto com o de Fátima na pesquisa de maio. Confira os números:

Cenário simulado Maio Setembro Crescimento da vantagem
Fátima x Carlos Eduardo Dado não divulgado 39,% x 29,9

(+9,4%)

        –
Fátima x Styvenson 42,5% x 28,4% (+14,1%) 43,2% x 24,2% (+19%) + 4,9%
Fátima x Álvaro Dias 37,4% x 36,3% (+1,1%) 41,2% x 26,4% (+14,8) +13,7%
Fátima x Rogério Marinho 42,6% x 26,8% (+15,8) 44,6% x 18,8% (25,8%) + 10%

Os números da pesquisa ainda não indicam um cenário confortável para Fátima. Ela ainda tem um índice de desaprovação preocupante e uma rejeição de 32,7%, mas os meios para crescer na campanha são bem claros: a comparação com as gestões de Rosalba e Robinson e o fator Lula.

 

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Operação “dá gás” a CPI da covid

Operação Lectus vira trunfo para tirar CPI do vexame (Foto: cedida)

A Operação Lectus que investiga eventuais crimes de corrupção na contratação de empresas terceirizadas para gerir os hospitais Pedro Germano e João Machado durante a pandemia é o “gás” que faltava para a CPI da Covid na Assembleia Legislativa sair da beira do abismo.

Se antes as investigações estavam presas a miudezas e picuinhas como saber por que as caixas de cotonetes tinham pesos diferentes, agora a investigação terá uma operação para lhe conferir legitimidade.

Além de derrubar um dos principais argumentos do governismo: o de que não tinha recebido a visita da Polícia Federal.

Politicamente a operação joga o Governo Fátima Bezerra na defensiva. A guerra agora ganha uma frente jurídica em que a petista terá que provar que sua gestão não praticou ilícitos ao mesmo tempo em que terá de fazer a defesa política no debate público.

O Governo traçou a defesa em três argumentos: 1) a Operação Lectus ocorreu justamente no dia da visita do ex-presidente Lula, coincidindo com fato semelhante em Fortaleza, e apenas duas semanas após a troca de comando da PF no RN; 2) a tomada de preços foi acompanhada pela equipe de compras do Ministério Público; 3) a PF e a CGU foram além de suas prerrogativas ao abordar o contrato do hospital João Machado que foi pago com recursos estaduais.

O assunto já está sendo debatido na CPI e tendem a mudar os rumos das investigações. Tanto que a comissão já pediu documentos a PF e CGU.

A CPI da Covid na Assembleia ganhou o sonhado fato novo.

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Lula no RN mostrou-se focado em se redimir com a opinião pública

Lula em Natal ouviu lideranças e tentou aparar arestas (Foto: redes sociais)

Um ex-presidente saudável, bem humorado, disposto a ouvir e acima de tudo com sangue nos olhos para se redimir com a opinião pública nacional.

Assim foi descrito o ex-presidente Lula dos bastidores na agenda de dois dias que ele cumpriu na capital do Estado.

Uma das principais preocupações de Lula era saber se alguns dos legados de sua gestão no Estado estariam funcionando. “Cadê a ZPE (Zona de Processamento de Exportações?”, foi uma das primeiras perguntas que fez quando chegou. “E o aeroporto?”, questionou a respeito do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

Lula lembrou que essas foram demandas da classe política potiguar que ele atendeu quando esteve no poder. “Enchiam o saco”, bricou.

Outro aspecto que chamou atenção foi o bom humor. Fez piadas, brincou com a história da foto que viralizou nas redes sociais que mostrava a sua forma física em dia para um senhor de 75 anos e elogiou a carne de sol potiguar.

Mas Lula queria ouvir. Conversou com o empresariado potiguar, que tem lhe sido hostil nos últimos anos, não por acaso este foi o evento que menos rendeu fotos nas redes sociais. Na conversa Lula elogiou a FIERN e fez um resgate dos tempos de seu governo em que todos ganharam.

Além de conversar com os aliados, ele também reservou tempo para costurar alianças e reforçar parcerias. Assim foi o tom das conversas políticas.

Foi nesse clima que ele esteve com o ex-senador Garibaldi Alves Filho e o deputado federal Walter Alves, ambos do MDB. Ao contrário do especulado, o jantar não tratou de fechamento de chapas. Foi muito mais uma primeira conversa em que o presidente aparou as arestas do passado e se mostrou disponível ao entendimento.

Ele veio ouvir.

O objetivo é ser eleito presidente pela terceira vez em 2022 e se redimir com a opinião pública após ser preso por mais de 500 dias e conseguir provar que foi alvo de um julgamento parcial que resultou nas anulações das condenações, ele quer mostrar que pode fazer diferente caso receba mais uma chance do povo.

As pesquisas indicam que sim. O eleitor potiguar em sua maioria também parece disposto a contribuir para isso. Pelo menos é o que mostram os números.