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Quem mais ganha com candidatura de Rafael Motta ao Senado não é Rogério. Entenda a história

Quando o deputado federal Rafael Motta (PSB) se lançou candidato ao Senado logo surgiu a tese de que ele candidato atrapalharia o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) beneficiando o ex-ministro Rogério Marinho (PL).

Pode ser que sim, pode ser que não.

Nas outras pesquisas em que Motta foi incluído o pessebista sempre ficou na faixa dos cinco pontos percentuais e Carlos liderou a maior parte delas.

No curto prazo não prejudica. Talvez no longo prazo sim, mas sem necessariamente beneficiar Rogério. Tanto que o ex-ministro “comemorou” a entrada de Motta sonhando com um veto no governismo.

Motta está de olho nos mais de 40% de indecisos que nem Rogério nem Carlos Eduardo agradam.

Logo o maior beneficiado com a saída do pessebista está longe das manchetes: Henrique Alves. O ex-presidente da Câmara dos Deputados ficaria livre para ser o mais votado do PSB e conquistar o 12º mandato no Congresso Nacional.

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Azevedo: um deputado monarquista

Quem diria que o deputado estadual que falou ter sido Pedro Álvares Cabral o autor da independência do Brasil seria monarquista.

Pois é!

Coronel Azevedo (PL) é monarquista e está organizando amanhã uma audiência pública para discutir o legado da Princesa Isabel e o movimento pró-monarquia.

Será amanhã, às 14h.

Azevedo deve sonhar com uma monarquia, de preferência sem um Orleans e Bragança, mas com um Bolsonaro e seus filhos como príncipes.

Quem sabe role um título de nobreza para Azevedo.

Tenho uma sugestão: Barão de Touros.

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Carlos Eduardo é um político em crise de identidade

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) é um político a meu ver vivendo uma crise de identidade. Veja só: ele não é cirista o suficiente para agradar os ciristas nem um aliado de corpo e alma do PT o suficiente para agradar os petistas.

Resultado: ele está isolado, sem militância nas redes sociais e se tornou um “bode na sala” do governismo estadual.

A chave do problema é o apoio declarado ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na corrida presidencial mesmo sendo o candidato de Lula ao Senado no RN.

A conta pode fechar para Carlos Eduardo, mas não fecha na base do PT que preferia votar no senador Jean Paul Prates (PT), mas aceita votar no deputado federal Rafael Motta (PSB) como “plano B”.

Motta por sinal esteve no lançamento da pré-candidatura de Lula com direito a fotos com petistas do RN fazendo o “L” e tietagem sob o ex-presidente. Já Carlos ficou no RN lambendo as feridas da treta que arranjou com os prefeitos. Uma semana antes ele esteve em um evento do PDT com a presença de Ciro, mas sem foto oficial com o presidenciável.

O líder nas pesquisas ao Senado está fragilizado na base. A saída é sair desse chove não molha que o deixa indefeso e a porta se abre com uma declaração de voto em Lula.

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A culpa pelos salários atrasados será sempre dos adversários de ocasião de Robinson

Todo mundo é culpado por Robinson Faria ter atrasado quatro folhas de pagamento em sua passagem pelo Governo do Rio Grande do Norte.

Menos ele!

Esta semana ele culpou o PT e a governadora Fátima Bezerra (PT) por terem boicotado a gestão dele. A história é inverossímil porque a então presidente Dilma Rousseff caiu em abril de 2016 e foi justamente neste mês que ele começou a atrasar salários.

Este sim era um governo em que Fátima tinha alguma influência.

Durante todo o período correspondente ao mandato tampão de Michel Temer o então governador Robinson Faria atrasou salários. Nesse período Fátima já estava distante do poder federal.

Ele ainda recebeu algumas ajudas do Governo Temer. Uma delas foi um aporte para a saúde que ele desviou de finalidade para pagar os servidores dessa área respondendo na justiça até hoje por isso.

Essa história de culpar o PT pelos atrasos salariais pega de surpresa quem conhece a história recente do Rio Grande do Norte e contradiz declarações passadas de Robinson que na época culpava outros atores políticos.

Em agosto de 2018 ele deu uma entrevista a 96 FM em que culpou as oligarquias Alves, Maia e Rosado por terem brecado um aporte de R$ 600 milhões naquele ano que ajudaria a botar a folha em dia. “Os ex-governadores que quebraram o Rio Grande do Norte, e que agora estão unidos em torno de mais um Alves, estão com saudade de quebrar mais o Estado. Quando fui a Brasília tentar regularizar a folha, fiquei só. Consegui até uma medida provisória de R$ 600 milhões, mas era eu saindo de uma porta e eles entrando na outra para falar com os ministros do TCU para não liberar o dinheiro. Eu posso provar e vou mostrar quem foram eles. Eu tenho testemunha. Os próprios ministros disseram que ficaram indignados com os políticos que foram lá para não liberar o dinheiro para pagar o servidor. Era para a folha estar em dia há muito tempo, se eu não tivesse sido boicotado pelo acordão Alves, Maia e Rosado”, disparou.

Na entrevista ele não atribuiu qualquer culpa a Fátima.

A verdade é que Robinson não é capaz de fazer uma autocrítica pelo desastre administrativo que protagonizou e agora tenta jogar a culpa contra qualquer adversário que se poste a sua frente. Em 2018 eram os oligarcas, em 2022 é Fátima Bezerra.

A culpa pelos atrasos é quem for ser maior oponente na ocasião.

Fonte consultada:

Robinson acusa Alves, Maia e Rosado de “boicotar” folha de pagamento

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A estratégia de Rafael Motta

O deputado federal Rafael Motta (PSB) entrou de cabeça na disputa ao Senado com direito a endosso do comando nacional do PSB. Para isso ele montou uma estratégia que, se der certo, pode leva-lo à condição de competitividade.

Rafael Motta está focando primeiramente no eleitorado progressista, que reluta em votar no ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT). Para isso ele adota um discurso de que será candidato com ou sem apoio do PT, mas preservando o apoio a governadora Fátima Bezerra (PT) e ao ex-presidente Lula (PT) mesmo sem ter reciprocidade.

Nessa hora ele crava uma estaca no coração de Carlos Eduardo que mantém um apoio (sem entusiasmo) a Ciro Gomes mesmo sendo o candidato oficial do partido de Lula.

Motta postou foto com Lula e com a deputada federal Natália Bonavides (PT), uma favorita para ser campeã de votos na disputa proporcional em 2 de outubro.

Motta consegue dosar uma postura que agrada o eleitorado progressista seguindo o exemplo vitorioso de Zenaide Maia (PROS) em 2018 (abordamos isso AQUI) reposicionando a imagem de quem no passado apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Outro ponto é a relação com os prefeitos. Carlos Eduardo atirou no orçamento secreto e no tratoraço do ex-ministro Rogério Marinho (PL) e acertou nos prefeitos. O pedetista tem tido dificuldade para atrair apoios no interior por conta de sua postura distante dos alcaides.

Motta logo saiu em defesa dos prefeitos sem endossar práticas antirrepublicanas (ver AQUI).

O deputado entra na disputa ciente que tem uma semifinal com Carlos Eduardo em que teria vantagem no engajamento pelo voto progressista. Tanto que hoje se fez presente no lançamento da pré-candidatura de Lula à Presidência da República enquanto o ex-prefeito participou de evento do PDT nacional com presença de Ciro Gomes na semana passada.

Em tese essa disputa poderia favorecer Rogério Marinho, mas o resultado na prática pode ser a eliminação de Carlos Eduardo com Rafael assumindo a dianteira.

Por enquanto estamos no campo das hipóteses, mas a estratégia do deputado é bem clara.

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RN com mais dependentes do Auxílio Brasil do que empregados com carteiras assinadas deveria ser tema no debate público

No Rio Grande do Norte temos 437.500 trabalhadores com carteira assinada num Estado com 3,5 milhões de habitantes. Nesta mesma unidade federativa são 443.398 pessoas recebendo Auxílio Brasil.

É um dado assustador que se repete em outros 11 Estados brasileiros.

O assunto passou batido entre os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Foi um tema pouco explorado no debate público esta semana.

O que temos são políticos incoerentes apontado o dedo para a incoerência alheia. Sujos que falam dos mal lavados e a discussão que importa passa batido.

Os nossos políticos mostraram mais uma vez que formam exércitos num deserto de ideias.

Os potiguares precisam de emprego e desenvolvimento.

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Rogério e Carlos Eduardo “tacam fogo no parquinho” para brecar chegada de Motta na disputa ao Senado

Numa fala à TV Ponta Negra o ex-ministro Rogério Marinho (PL) classificou o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) como “oportunista”.

“Carlos Eduardo não é bolsonarista, nem petista, nem cirista. Ele é oportunista”*, disparou.

Em seguida ele completou: “Carlos Eduardo tem os genes da conveniência, o que é melhor e mais confortável naquele momento. Há três anos, ele estava em um palanque que defendia Bolsonaro e criticava Lula. Agora, ele está em um palanque que defende Lula e critica Bolsonaro. Mas, o mais grave e que quero que as pessoas reflitam é que ele faz parte de um partido que tem pré-candidato próprio à Presidência da República (Ciro Gomes). E é absolutamente incoerente a defesa que ele faz de Lula e não de Ciro Gomes. Não sei qual a credibilidade que esse cidadão passa, ele é capaz de fazer qualquer coisa”.

Carlos Eduardo por sua vez recorreu ao orçamento secreto e tratoraço, escândalos do governo Bolsonaro cujo um dos protagonistas é Rogério Marinho. “Você não sabe, os prefeitos estão com os bolsos estufados de dinheiro, o povo tá liso, o povo tá desempregado e com fome, mas os prefeitos estão com os bolsos estufados, só que esse dinheiro é nosso[…] e a gente não sabe quanto foi, nem pra onde vai”**, disparou em entrevista Rádio Rural de Caicó.

Contextualizando: Rogério tem o apoio de um grande número de prefeitos e essa relação foi construída através do envio de emendas que o próprio Carlos Eduardo classificou como eleitoreiras. “Enquanto a saúde vai de mal a pior, a educação vai de mal a pior, as emendas eleitoreiras estão ai, soltas nas mãos dos prefeitos para fazerem o que quiser”, finalizou.

A fala de Carlos resultou em uma nota de repúdio da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), cujo presidente Babá é ligado a Rogério. “Ao contrário do que disse erroneamente Carlos Eduardo, a destinação de recursos não é para ´os bolsos dos prefeitos`, mas para as Prefeituras de todo o país, que são devidamente fiscalizadas pelos órgãos competentes. E os municípios brasileiros estão, neste sentido, contando com a atual sensibilidade do governo federal que, respeitando o pacto federativo, está contribuindo com obras e investimentos importantes para os cidadãos a partir de parcerias institucionais com as cidades de todas as Regiões brasileiras”, diz a nota.

A elevação do tom das críticas coincide com a chegada do deputado federal Rafael Motta (PSB) à disputa ao Senado. Carlos e Rogério tentam ocupar espaços com declarações mais duras para brecar o pessebista.

É fogo no parquinho para espantar o visitante indesejado.

*Aspas extraídas do Portal Agora RN.

** Aspas extraídas do Portal Grande Ponto.

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A conta não fecha! Fábio Dantas e o desafio de ser antiFátima num partido que apoia Lula

“O Bolsonaro destruiu o Brasil. Nós precisamos juntar forças pra gente fazer um novo Brasil. Por isso, Lula, a nossa confiança que você vai reconstruir o Brasil […]. A direita no mundo se organizou melhor aqui. Nós vamos enfrentar uma guerra não da direita do Brasil, vamos enfrentar uma guerra com a direita do mundo. Por isso, o Solidariedade aqui hoje declara apoio a você”, a declaração é do deputado federal Paulinuo da Força, mandachuva do Solidariedade nacional ao anunciar apoio ao ex-presidente Lula nesta terça-feira.

A manifestação de apoio ao ex-presidente causa constrangimentos ao Solidariedade no Rio Grande do Norte onde possui um viés bolsonarista.

O líder da agremiação no RN é o deputado estadual Kelps Lima que radicalizou o discurso contra a governadora Fátima Bezerra (PT). O candidato ao governo do Estado ungindo do partido é o ex-vice-governador Fábio Dantas que será respaldado por um palanque bolsonarista.

No Rio Grande do Norte todos sabem que Lula é Fátima e Fátima é Lula.

Um partido que deu um entusiasmado apoio ao ex-presidente e tem um radical antiFátima candidato ao Governo gera um nó na cabeça do eleitor.

Não é por acaso que o bolsonarismo raiz rejeita Fábio e vai se aninhando no palanque do empresário Haroldo Azevedo (Patriotas).

Fábio terá que manter o discurso radicalizado para atrair o engajamento do eleitor bolsonarista que o vê com desconfiança por estar em uma sigla lulista em nível nacional. Isso ao mesmo tempo espanta o eleitor mais ao centro.

A conta não fecha.

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Disputado há quatro anos, rosalbismo está escanteado em 2022

Há quatro anos a então senadora Fátima Bezerra (PT), o já ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) e o então governador Robinson Faria (na época no PSD) se engalfinhavam numa disputa pelo apoio da ainda prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

Acreditavam na velha avaliação de quem estivesse com Rosalba venceria em Mossoró sem perceber a mudança de ares na política mossoroense. Esta página chegou a alertar que o maior cabo eleitoral era estar no palanque oposto ao da “Rosa” (leia a AQUI).

No final das contas o espírito oligárquico prevaleceu e Rosalba indicou o filho Cadu para vice de Carlos Eduardo. Apesar do empenho da então prefeita, Fátima venceu na capital do Oeste nos dois turnos e dois anos depois a pepista seria a derrotada na tentativa de conquistar o quinto mandato.

Hoje Fátima lidera em Mossoró com praticamente apenas o apoio dos petistas enquanto o pré-candidato bolsonarista Fábio Dantas (SD) busca garantias de empenho do prefeito Allyson Bezerra (SD).

Ninguém fala na outrora tida como maior eleitora de Mossoró.

Fato simbólico que expressa a derrocada do rosalbismo.

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Escândalos envolvendo Rogério Marinho expõem hipocrisia do bolsonarismo potiguar

Nem só de reforma trabalhista e reforma da previdência vive a propaganda negativa contra o ex-ministro Rogério Marinho (PL). Ele tem o nome envolvido em vários escândalos de corrupção e não se tratam de fatos recentes como orçamento secreto e o tratoraço.

Recentemente um deles voltou à tona. É o caso em que Marinho é réu numa ação em que é acusado de montar um esquema de servidores fantasmas quando presidiu a Câmara Municipal de Natal.

O caso foi classificado como “conluio criminoso” esta semana pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Laurita Vaz, relatora do pedido de habeas corpus para retirar Marinho do processo.

O caso pendura num cipó de brocha o discurso da oposição bolsonarista no Rio Grande do Norte que tem como mote principal contra a governadora Fátima Bezerra (PT) a compra malsucedida dos respiradores cujo calote foi denunciado pelo próprio governo e o Ministério Público de Contas descartou corrupção da gestão estadual.

O moralismo é uma péssima estratégia para o bolsonarismo abordar aqui no Rio Grande do Norte. O telhado de vidro do seu principal expoente sempre será um bom argumento para o governismo no debate público.

Será que vem aí o “e o Marinho?”.