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Números mostram que Carlos Eduardo cresceu após aliança com PT. Fátima oscila

Oficialmente o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) passou a condição de “senador de Fátima” em 5 de fevereiro quando declarou à Tribuna do Norte ser possível uma aliança com a governadora com ele candidato a Alta Câmara na vaga atualmente ocupada por Jean Paul Prates (PT).

Na oportunidade ele fez autocrítica do apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2018, reforçou o voto em Ciro Gomes para presidente e passou a contar com o endosso público do chefe do gabinete civil do Governo do RN Raimundo Alves.

Dois dias depois foi divulgada uma pesquisa do Instituto Seta com Carlos Eduardo tendo 20% de intenção de votos para o Senado (ver AQUI). Fátima Bezerra tinha 38% (ver AQUI). Frise-se que estes números foram colhidos antes da declaração de Carlos.

No início de abril em pesquisa do mesmo instituto Carlos já tinha 27,7% e 28% a depender do cenário (ver AQUI). Enquanto Fátima reduziu para 32% (ver AQUI).

Já na pesquisa do dia 6 de maio o cenário se consolidou com Carlos Eduardo liderando com variação numérica positiva chegando a 29% (ver AQUI) e Fátima com oscilação positiva dentro da margem de erro chegando a 34% (ver AQUI).

Em novembro foi divulgada uma pesquisa Seta sem incluir Carlos para o Senado. Nela Fátima tinha 33% (ver AQUI) em um cenário em que ainda enfrentava o pedetista. Antes, em agosto, quando não havia muitas informações sobre a aproximação entre PT e PDT no RN, o ex-prefeito de Natal tinha apenas 14% (ver AQUI) de intenção de votos para o Senado e Fátima 32% para o Governo (ver AQUI).

Confira a tabela abaixo (em negrito os números após a aliança PT/PDT).

Fátima Agosto Novembro Fevereiro Abril Maio
Pesquisa Seta* 32% 33% 38% 32% 34%

*Números para o Governo

Pesquisa Seta¨* Agosto Novembro Fevereiro Abril Maio
Pesquisa Seta 14% 20% 28% 29

*Números para o Senado

A síntese com base na série histórica do Instituto Seta é que a aliança fez Carlos Eduardo mudar de patamar na corrida ao Senado enquanto Fátima teve uma queda fora dos limites da margem de arro, interrompendo um indicativo de ascensão apresentado em fevereiro, e agora apresenta uma tímida recuperação, o que indica que a aliança pesou mais negativamente para a petista.

Obs.: para melhor compreensão do leitor trabalhamos com números arredondados.

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Natal é a segunda capital do Nordeste em quantidade de pessoas com depressão

Um levantamento inédito publicado pelo Ministério da Saúde neste mês coloca Natal como a segunda capital do Nordeste com o maior número de pessoas com 18 anos ou mais que relataram um diagnóstico médico por depressão. A capital potiguar contabiliza 11,8% de registros nessa parcela da população, através somente de Recife, com 12,5%, conforme dados tabulados pelo órgão ministerial através da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) – ano base 2021. A depressão, quando não tratada adequadamente, pode levar ao suicídio. Os números foram analisados por psicólogos do Instituto Santos Dumont (ISD), em Macaíba(RN).

Em todo o País, em média 11,3% dos brasileiros relatam um diagnóstico médico de depressão. É um número bem acima da média apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Brasil, de 5,3%. A pesquisa Vigitel é aplicada todos os anos, e tem como objetivo coletar informações que dizem respeito à saúde nas capitais brasileiras. Essa é a primeira vez que a pesquisa traz números relacionados à depressão. Entre os sintomas da condição, estão: tristeza persistente, desânimo, baixa autoestima, sentimento de inutilidade, alterações no apetite, ganho ou perda de peso súbita, insônia, excesso de sono e fadiga acentuada.

“A pandemia em si, as questões econômicas, o aumento elevado de desemprego… Todos esses fatores contribuem de forma significativa para o elevado número de diagnósticos na capital potiguar”, avalia o preceptor psicólogo do ISD, Robson Rates. Ele destaca, ainda, que com o teleatendimento em saúde, um número maior  de pessoas conseguiu ter acesso direto às equipes médicas. “Temos um aumento significativo desses dados. Mas, com certeza, esses números ainda não demonstram a realidade dos consultórios, pois estão subnotificados. O número real é, provavelmente, muito maior”, reforça.

De acordo com o levantamento, a frequência de adultos que referiram diagnóstico médico de depressão variou entre 7,2% em Belém e 17,5% em Porto Alegre. No sexo masculino, as maiores frequências foram observadas em Porto Alegre (15,7%), Florianópolis (12,9%) e no Rio de Janeiro (11,7%), e as menores em Salvador (4,2%), Rio Branco (4,3%) e Palmas (4,4%). Entre mulheres, o diagnóstico de depressão foi mais frequente em Belo Horizonte (23,0%), Campo Grande (21,3%) e Curitiba (20,9%), e menos frequente em Belém (8,0%), São Luís (9,6%) e Macapá (10,9%).

No conjunto das 27 cidades, a frequência do diagnóstico médico de depressão foi de 11,3%, sendo maior entre as mulheres (14,7%) do que entre os homens (7,3%). Entre os homens, a frequência dessa condição tende a crescer com o aumento da escolaridade. Em Natal, a depressão afeta mais mulheres com 18 anos ou mais (14,6%) do que homens na mesma faixa etária (8,4%).

“As mulheres sofrem mais preconceito social, a sociedade é machista, o índice de desemprego é muito maior entre as mulheres, as grávidas são desligadas do ambiente de trabalho na maioria dos casos. Esses fatores fazem com que as mulheres adoeçam mais”, comenta Robson Rates. A alteração do comportamento e o consequente isolamento são sinais primários de que alguém está desenvolvendo um quadro depressivo. “Se alguém é introspectivo, pode demonstrar uma alegria repentina que não tinha, por exemplo. Depois, vem a apatia, o isolamento, a desesperança. Nos casos mais graves, leva ao suicídio. A depressão é uma doença sem cura. Apesar disso, tem tratamento. Ele precisa ser psicológico e psiquiátrico, além de outras intervenções como atividades físicas”, adverte o psicólogo.

Autocuidado

Conforme a preceptora Miliana Galvão Prestes, mestre em Psicologia do ISD, a depressão apresenta características instaladas, com histórico em adolescentes e adultos. Ela se configura como um fator de risco para o suicídio.

“A depressão se tornou algo tão generalizado que se apresenta hoje em pessoas que conseguem manter uma rotina de trabalho, de atividade física. Os sinais são sutis e, às vezes, as pessoas não percebem que estão deprimidas. A depressão é uma doença crônica que precisa de acompanhamento com psicólogo e psiquiatra, além de tratamentos alternativos como mudança de estilo de vida, redução de estresse, formas de autocuidado como atividade física, que é um ótimo “remédio” para a depressão”, lista.

Além do autocuidado, a psicóloga aponta que a pessoa com depressão precisa buscar outros tipos de tratamento, como as práticas de cuidado coletivas. “São terapias integrativas, convivência comunitária, se integrar a alguma associação. Situações que essa pessoa tenha alguma convivência social que traga a sensação de pertencimento, de utilidade, valorização”, destaca.

Vigitel

Conforme a publicação, pelo menos 27 mil brasileiros responderam aos questionários por telefone, configurando o maior inquérito de saúde do país, entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022. Os entrevistados responderam, entre outros, ao seguinte questionamento:  “Algum médico já lhe disse que o(a) Sr.(a) tem depressão?”. A Vigitel tem como objetivo monitorar a frequência e a distribuição dos principais fatores de risco e de proteção das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), um dos principais problemas de saúde pública no Brasil. Estabeleceu-se um tamanho amostral mínimo de 2 mil indivíduos em cada cidade para estimar, com nível de confiança de 95% e erro máximo de dois pontos percentuais, a frequência de qualquer indicador na população adulta. Além dos dados relativos à depressão, a pesquisa Vigitel aborda aspectos da obesidade, realização de atividade física e consumo de tabaco, por exemplo.

“Já tínhamos um indicativo de que o problema estava aumentando e, por isso, decidimos incluir a depressão no Vigitel, que é feito com maior periodicidade”, explicou o professor Rafael Moreira Claro, da Universidade Federal de Minas (UFMG), coordenador do trabalho ao jornal O Estado de São Paulo. “A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 registrou que 10% da população tinha um diagnóstico médico de depressão, ante 7,6% na pesquisa anterior, de 2013; aumento de 5 milhões de pessoas.”

Ranking

Percentual de adultos com 18 anos ou mais que referiram diagnóstico médico de depressão, por sexo, nas capitais do Nordeste.

Recife: 12,5%

Natal: 11,8%

Fortaleza: 11,4%

Maceió: 11,3%

João Pessoa: 11,0%

Aracaju: 10,9%

Teresina: 10,8%

Salvador: 8,0%

São Luís: 8,0%

Fonte: Vigitel 2021

Principais fatos

A depressão é um transtorno mental frequente;

Em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem com esse transtorno;

A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças;

Mulheres são mais afetadas que homens;

No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio;

Existem vários tratamentos medicamentosos e psicológicos eficazes para depressão.

Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)

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Robinson é condenado pela justiça baiana por uso de música sem pagamento de direitos autorais. Dívida é de mais de R$ 9 milhões

Por Mirella Lopes

Agência Saiba Mais

O ex-governador Robinson Faria (PL), pai de Fábio Faria, atual ministro das Comunicações do presidente Jair Bolsonaro (PL), vem sendo cobrado por uma dívida na justiça desde 2018 por uso de uma música sem pagamento de direitos autorais durante a campanha para governador de 2014. O processo já foi transitado em julgado, mas apesar do alto padrão de vida de Robinson, o setor de penhora online da justiça da Bahia não conseguiu encontrar nenhum valor nas contas bancárias do ex-governador para quitar a dívida que já ultrapassa R$ 9 milhões.

O processo contra Robinson Faria foi iniciado em 2015 e em 2018 a justiça determinou que ele pagasse multa por danos morais no valor de R$ 40.000,00 a José Edmundo da Silva Almeida e mais R$ 40.000,00 a Carlos Pita, músicos baianos autores da conhecida música “Cometa Mambembe”. A ação foi movida por José Edmundo, que é mais conhecido artisticamente como “Edmundo Carôso”; por Carlos Pita e pela gravadora Sony Music PUBLISHING (BRAZIL) EDIÇÕES MUSICAIS LTDA.

Robinson se elegeu utilizando irregularmente a música e infringindo a lei de direitos autorais durante a campanha eleitoral de 2014, quando concorreu ao cargo de governador do Rio Grande do Norte. Além de Robinson, também são citados como réus no processo o PSD (Partido Social Democrático) do RN, partido ao qual o ex-governador estava associado na época, e a Ecopropaganda e Marketing ME. Até agora, os advogados dos músicos conseguiram bloquear apenas cerca de R$ 31 mil reais da conta do PSD.

A acusação destaca que além dos réus não terem pago pela utilização da composição, os autores de “Planeta Mambembe” foram prejudicados à medida que a música foi utilizada sem a autorização dos compositores, com modificações na letra para adaptá-la a jingle de campanha política, “sem que os compositores da obra musical ao menos tivessem a oportunidade de se manifestar sobre a conveniência de ter sua criação intelectual vinculada a essas figuras políticas e ideologias partidárias”.

A música original tinha a seguinte letra:

“Quando a estrela brilhar na cabeleira e o galope acordar na beira-mar…”

Para o jingle da campanha, a equipe de Robinson fez uma pequena adaptação:

“Quando a estrela brilhar tenho certeza com a vitória do povo potiguar”.

Música original “Cometa Mambembe”

A sentença já transitou em julgado na Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia e a decisão do juiz Antônio Marcelo Oliveira Libonati foi publicada em 19 de janeiro de 2018, determinando o pagamento da multa a cada um dos autores a título de danos morais, acrescido de juros e correção monetária. O juiz também determinou pagamento de indenização à gravadora Sony Music PUBLISHING (BRAZIL) EDIÇÕES MUSICAIS LTDA pelos danos materiais causados.

Além das multas, os réus também ficaram obrigados a divulgar a verdadeira autoria da obra (de “Edmundo Carôso” e “Carlos Pitta”), com destaque, por três vezes consecutivas, no Jornal A TARDE, periódico de grande circulação do domicílio dos autores da ação.

A dívida inicial de Robinson Faria que era de R$ 40.000,00 com cada um dos músicos, já soma mais de R$ 200.000,00, em valores atualizados. Já a Sony Music Publishing (Brazil), titular dos direitos patrimoniais da obra COMETA MAMBEMBE, informa que o valor pelo uso da obra já chega a mais de R$140.000,00. Além disso, o juiz, que também havia determinado a remoção imediata do vídeo sob pena de R$ 1.000,0 por dia, caso a sentença não fosse cumprida, reajustou o valor da multa que passou a ser de R$ 4.000,00 diários pela reincidência. Os vídeos da campanha com a utilização de “Cometa Mambembe” como jingle continuam no ar. Atualmente, somando todos os valores, a dívida de Robinson Faria já ultrapassa R$ 9 milhões.

Vídeo de campanha de Robinson Faria para eleições de 2014 com a música “Cometa Mambembe” como jingle

Durante o processo, Robinson chegou a negar que fosse o dono da conta no youtube na qual estão veiculados os vídeos de sua campanha com o uso do jingle. Mas, contraditoriamente, convida as pessoas em uma postagem no twitter para que acompanhem suas propostas e coloca, em anexo, o link para o canal do youtube no qual estão as produções com a utilização de “Cometa Mambembe”.

Os autores da ação lembram que o ex-governador Robinson Faria tem patrimônio de mais de dez milhões de reais, apenas em bens declarados à Justiça Eleitoral, sendo o valor mais do que suficiente para quitar a dívida, conforme matéria com declaração de bens do ex-governador publicada pelo jornal Estadão.

Robinson Faria tentou a reeleição durante a campanha de 2018, mas perdeu para a atual governadora do Estado, Fátima Bezerra (PT). A equipe da Agência Saiba Mais entrou em contato com o PSD para saber sobre o pagamento da dívida. Por meio de nota, o partido afirmou que:

“A atual gestão do Partido Social Democrático (PSD) está analisando juridicamente, com seus advogados, a questão sobre a ação de direitos autorais referente a ações da ex-presidência. A questão envolvendo jingle de campanhas passadas não tem conexão nenhuma com a atual gestão, dessa forma tudo foi encaminhado à assessoria jurídica do partido”.

Nós também fizemos contato com a assessoria de Robinson Faria na manhã desta quinta (28), mas também não obtivemos resposta até o momento.

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Estudo mostra RN como Estado nordestino mais hostil aos governadores que tentam a reeleição

Que os governadores potiguares sempre encontram dificuldades para se reeleger isso todo mundo que acompanha política no Rio Grande do Norte já sabe, mas faltava um estudo que comparasse essa situação com outros estados.

A curiosidade foi encerrada com um levantamento feito pelos pesquisadores Renan Pessoa e Daniel Menezes do Observatório da Democracia/UFRN.

O trabalho mostrou que o Rio Grande do Norte é o Estado nordestino mais hostil aos governadores que tentam a reeleição com aproveitamento de apenas 33%.

Desde que a reeleição foi instituída em 1997 somente Garibaldi Alves Filho em 1998 e Wilma de Faria em 2006 conseguiram se reeleger.

Tabela 02 – A reeleição ao Governo Estadual nos Estados do Nordeste – 1998-2018
Estados AL BA CE MA* PB** PE PI RN SE
Governadores

Reeleitos

3 3 3 3 3 3 3 2 4
Governadores

Não-Reeleitos

0 1 1 1 2 2 2 4 1
Taxa de Sucesso de Reeleição dos Governadores 100% 75% 75% 75% 60% 60% 60% 33% 75%

*Levou-se em conta para a presente análise, a recandidatura de Jackson Lago, cassado pelo TSE em 2009, mas não foi levado em conta, a reeleição de Roseana Sarney (PMDB) no pleito de 2010.

** Levou-se em conta nesta tabela, a reeleição de José Maranhão (PMDB) em 1998 e a sua não reeleição em 2010.

Fonte: Elaboração própria com base em dados do TSE.

A diferença se torna ainda mais gritante quando se leva em consideração que o aproveitamento nos demais estados varia entre 60% e 75%.

Mas por que Wilma e Garibaldi conseguiram e Fernando Freire (2002), Iberê Ferreira (2010), Rosalba Ciarlini (2014) e Robinson Faria (2018) não?

A favor de Garibaldi pesaram os recursos extras advindos da privatização da Cosern que permitiu um forte investimento em adutoras que lhe rendeu altos índices de popularidade. “Garibaldi teve como importante impulsionador de sua reeleição, a privatização da COSERN, que garantiu para seu governo, vultosos recursos para investimentos em obras públicas a exemplo da construção das adutoras no interior do Estado”, analisa o estudo.

Tabela 03 – A rotatividade de poder no governo do Rio Grande do Norte – 1998-2018
Pleito Candidato à reeleição 1° Candidato  da oposição 2° Candidato da oposição O Governador em exercício foi reeleito?
1998 Garibaldi Filho José Agripino Mano SIM
Desempenho – 1° Turno 50,17% 41,36% 6,17%
PLEITO DEFINIDO NO PRIMEIRO TURNO
2002 Fernando Freire Wilma de Faria Fernando Bezerra NÃO
Desempenho – 1° Turno 30,89% 37,59% 19,93%
Desempenho – 2° Turno 38,95% 61,05%
2006 Wilma de Faria Garibaldi

Filho

Sandro Pimentel SIM
Desempenho – 1° turno 49,58% 48,60% 0,92%
Desempenho – 2° turno 52,38% 47,62%
2010 Iberê Ferreira Rosalba Ciarlini Carlos Eduardo NÃO
Desempenho – 1° turno 36,25% 52,46% 10,37%
PLEITO DEFINIDO NO PRIMEIRO TURNO
2018 Robinson Faria Fátima Bezerra Carlos Eduardo NÃO
Desempenho 11,85% 46,17% 32,04%
O GOVERNADOR EM EXERCÍCIO NÃO FOI PARA O SEGUNDO TURNO

Fonte: Elaboração própria com base em dados do TSE.

Wilma teve parcerias importantes com o governo do então presidente Lula e conseguiu fazer um efeito bumerangue com a venda da Cosern em 2006 quando enfrentou Garibaldi, apelidado de “Governador de Férias”.

“Já Vilma contou com a importante parceria político-administrativa do Governo Lula, a partir da edição de diversos programas sociais e de infraestrutura e capitalizou fortemente a sua condição de primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte. No ataque a Garibaldi, a então campanha vilmista se utilizou da venda da companhia elétrica, feita no governo do emedebista, cujos questionamentos sobre onde foi parar o dinheiro da privatização, terminaram por desgastar a imagem do então candidato de oposição”, avalia o Estudo.

Fernando Freire e Iberê governaram por pouco tempo e, segundo o trabalho, tiveram dificuldades com a desorganização da base aliada e problemas com escândalos de corrupção.

Rosalba sequer reuniu condições de ser candidata tendo a postulação rejeitada pelo extinto DEM em convenção partidária. “Rosalba enfrentou severas limitações fiscais advindas dos governos anteriores, o que resultou em diversos obstáculos na efetivação de suas promessas de campanha. Da mesma forma, a centralização decisória do governo nas mãos da chefa do Executivo e de seu esposo resultou em constantes tensões do Governo com os partidos da sua base de apoio na Assembleia Legislativa, gerando desgastes, tanto no plano da elite política como no nível do eleitorado”, avaliaram os pesquisadores.

Enquanto Robinson atrasou folhas de pagamento e fracassou na promessa de ser o “governador da segurança”. “Robinson teve problemas em duas áreas que praticamente inviabilizaram seu projeto de continuidade no governo do Estado: a situação da segurança pública e o quadro fiscal do Estado. Os crescentes índices de criminalidade e a rebelião na Penitenciária de Alcaçuz sepultaram o slogan de ‘’o governador da segurança’’, tão propalado na campanha de 2014. Ademais, a deplorável situação das contas estaduais, com o atraso frequente da folha salarial dos servidores e o rombo previdenciário sepultaram qualquer possibilidade de captação de investimentos para obras estruturantes no Rio Grande do Norte”, avalia.

O trabalho traça uma perspectiva positiva para a governadora Fátima Bezerra (PT), que tenta quebrar a escrita dos antecessores que tentaram a reeleição, por ela ter uma média de 45% de aprovação nas pesquisas e recolar o Estado em situação de equilíbrio fiscal além de quitar quatro folhas em atraso deixada pelo antecessor Robinson Faria.

Mas  estudo pondera:

A Governadora, apesar de relativamente bem avaliada, ainda sofre problemas como as dificuldades provenientes da pandemia da COVID-19, a necessidade de ampliar sua base política para além do PT e seus tradicionais aliados e, sobretudo, pela interpretação, para não dizer errônea, de que a quitação das folhas salariais atrasadas de gestões anteriores seria mera obrigação da gestora e não, uma marca estruturante de seu Governo.

Seu desafio para a reeleição será demonstrar que a grande realização de seu governo é a recuperação do quadro fiscal no Rio Grande do Norte, com a consequente estabilidade do pagamento aos servidores estaduais e a retomada de obras importantes para o desenvolvimento do Estado.

O trabalho conclui que no Rio Grande do Norte a baixa taxa de reeleição dos governadores indica ter a máquina pública em mãos não garante êxito eleitoral.

Confira o estudo na íntegra 

 

 

 

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Carlos Eduardo revive pesadelo da inelegibilidade após se aproximar de Fátima

A sombra da inelegibilidade voltou a assombrar o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) após dez anos. Por incrível que pareça a motivação é a mesma no ponto de vista jurídico e passa por gestos políticos do pedetista.

No primeiro caso como em 2012, Carlos Eduardo Alves teve parecer desfavorável do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em relação as contas de 2009 que foram reprovadas. A decisão foi referendada pela Câmara Municipal de Natal, o que lhe deixaria inelegível.

Graças a uma liminar que adormeceu no judiciário potiguar, Carlos pôde disputar as eleições de 2012 e ser reeleito em 2016.

O problema político na época se deu porque mesmo com uma desaprovação histórica, a então prefeita de Natal Micarla de Sousa controlava o parlamento. Para piorar a situação, Carlos atacou os edis em diversas entrevistas e numa delas comparou eles a um palito de fósforo queimado.

Como em 2012, mais uma vez é um parecer desfavorável de suas contas no TCE assombra o pedetista. Agora é relativo ao exercício orçamentário de 2015. Carlos teria excedido o limite de R$ 113 milhões para abertura de crédito suplementar, chegando a abrir mais de R$ 320 milhões. “Por muito menos, Dilma foi cassada. É improbidade administrativa. Então isso é de uma ordem gravíssima, porque ele mesmo já foi reeleito, cometendo crimes de improbidade”, disse na 96 FM o vereador Raniere Barbosa (Avante), presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização da Câmara Municipal de Natal.

O assunto veio à tona justamente após Carlos Eduardo Alves sinalizar entendimento com a governadora Fátima Bezerra (PT) para compor chapa com a petista sendo candidato ao Senado, posto que será disputado com o ministro do desenvolvimento Regional Rogério Marinho (PL), que conta com o apoio do prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB).

Para piorar, Carlos Eduardo chegou a declarar que invocaria a fidelidade partidária para tomar o mandato do presidente da Câmara Municipal Paulinho Freire caso ele deixe o PDT. Em seguida foi plantada a notícia de que os vereadores estavam discutindo a implantação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a gestão do ex-prefeito na Secretaria de Trânsito e Transporte Urbano (STTU).

Não demorou muito para Carlos recuar e admitir a liberação de Paulinho Freire para mudar de partido.

O jogo é bruto e o fantasma da inelegibilidade voltou a rondar Carlos Eduardo Alves.

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Mamata que segue: Fábio Faria usa avião da FAB para se promover no RN, aponta reportagem

O ministro das comunicações Fábio Faria (PSD) que já foi um dos protagonistas do escândalo das passagens aéreas em 2009 está sendo reincidente na prática agora na condição de ministro.

O jornalista Lúcio Vaz, da Gazeta do Povo, revelou que o ministro faz dos jatinhos da Força Aérea  Brasileira (FAB) uma espécie de “UBER” para triangular entre São Paulo (onde mora), Brasília (onde trabalha) e Rio Grande do Norte (onde pede votos para se eleger senador).

Confira a reportagem na íntegra:

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, fez 12 viagens para São Paulo – de ida ou volta – em jatinhos da FAB, em finais de semana, sem agenda oficial na cidade. Em outras três, saiu da capital paulista na segunda-feira direto para o seu reduto eleitoral. Em oito desses deslocamentos, havia apenas 1 ou 2 passageiros a bordo. Como se fosse um “Uber” aéreo. Ministros não poder usar as aeronaves oficiais para se deslocar ao local de residência.

A grande maioria das viagens foi para estado onde se elegeu, Rio Grande do Norte, sempre usando a máquina do seu ministério em cerimônias de anúncio ou entrega de programas do governo federal, visitas ou reuniões com autoridades locais e muitas entrevistas para emissoras de rádio e televisão – eventos com retorno eleitoral. Seria algo natural se tivesse feito o mesmo nos demais estados.

Faria tomou posse como ministro no dia 17 de junho de 2020. No dia 25 daquele mês, fez a primeira viagem para São Paulo, numa quinta-feira, como único passageiro do jato. Não teve agenda na capital paulista de sexta até segunda (29). No dia 5 de outubro, retornou de São Paulo para Brasília sozinho na aeronave, sem ter cumprido agenda no final de semana. No dia 22 daquele mês, uma quinta, teve reunião com o CEO do Grupo Record de Comunicação, na sede da empresa em São Paulo. Retornou a Brasília somente na segunda (26), como único passageiro na aeronave da FAB.

Já em 2021, no retorno de uma viagem aos Estados Unidos, em junho, para tratar do leilão do 5G no Brasil, Fábio Faria chegou em Brasília às 21h50 do dia 11, uma sexta-feira. Em meia hora, pegou outro jatinho da FAB e partiu para o aeroporto Catarina, em São Roque (SP), sem ter agenda oficial em São Paulo sábado e domingo. O aeroporto fica distante 50 quilômetros da sua residência na capital paulista.

 

A tempo de hastear a bandeira

Em 27 de junho, domingo, partiu do aeroporto em São Roque para Brasília, às 17h55, como único passageiro da aeronave da FAB. Ele não teve agenda em São Paulo naquele final de semana. No retorno a uma rápida viagem a Barcelona e Roma, com agenda oficial, o ministro das Comunicações partiu de Brasília para São Paulo numa sexta-feira, dia 2 de julho, às 17h30, com três passageiros no jatinho, sem agenda oficial na capital paulista.

Faria partiu de Brasília para São Paulo no dia 5 de agosto, uma quinta-feira, às 19h10, com dois passageiros na aeronave, sem agenda em São Paulo na sexta, sábado e domingo. No dia 7 de setembro, uma terça-feira, depois de passar os últimos quatro dias sem agenda, o ministro pegou o jatinho da FAB no aeroporto de São Roque, às 5h45, como único passageiro, e rumou para Brasília, onde participou da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional, no Palácio da Alvorada, a partir das 8h.

Em 13 de outubro, uma quarta-feira – após o “feriadão” de Nossa Senhora Aparecida –, pegou o jatinho às 8h25, em São Paulo, com dois passageiros, destino a Brasília, onde cumpriu agenda. Em 28 de outubro, uma quinta-feira, Fábio Faria voou de jatinho para São Paulo às 19h, com mais dois passageiros, após cumprir agenda em Brasília. Não teve agenda oficial da sexta até a terça-feira (2). Na quarta-feira (3), retornou a Brasília novamente com dois passageiros.

No dia 10 de dezembro, sexta-feira, participou do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), pela manhã, em São Paulo, onde passou o final de semana. Retornou a Brasília na segunda (13), no início da tarde, em tempo de participar da cerimônia em comemoração do Dia do Forró e aniversário do Luiz Gonzaga, no Palácio do Planalto.

 

Jatinho pega ministro em casa

O ministro partiu de São Paulo, dia 27 de setembro, numa segunda-feira, às 8h, com dois passageiros a bordo, com destino a Mossoró (RN). Às 12h30, participou de entrevista à Rádio Obelisco, de Pau dos Ferros (RN). Seguiu depois com a agenda de dois dias no estado. Faria acordou cedo no dia 25 de outubro, segunda-feira, e pegou uma aeronave da FAB em São Paulo, às 7h50, com dois passageiros, novamente rumo a Mossoró, para cumprir compromissos no seu estado.

No dia seguinte, à tarde, voou para Boa Vista, como único passageiro, para participar do culto em comemoração aos 106 anos da Assembleia de Deus, na companhia do presidente Jair Bolsonaro. Na quarta-feira, foi para Manaus, mais uma vez sozinho, para a primeira Consagração Pública de Pastores do Amazonas, às 11h, outra vez ao lado do presidente. O ministro é cotado para vice de Bolsonaro nas eleições de 2022.

Em 29 de novembro, segunda-feira, voou de São Paulo para Natal, às 7h40, sozinho na aeronave da FAB, para cumprir compromissos no estado.

 

Visitas a redutos eleitorais

Além de cotado para vice de Bolsonaro, Fábio Faria também disputa com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, a condição de candidato ao governo do Rio Grande do Norte com o apoio do presidente. Faria fez nove viagens em jatinhos para o seu estado para fazer entregas de programas do Ministério das Comunicações e manter encontros com políticos locais. Nesses deslocamentos, as aeronaves tinham em média oito passageiros. Mais oito viagens atenderam todos os demais estados.

Em 18 de janeiro, segunda-feira, o ministro esteve em Natal para um encontro com parlamentares e prefeitos do estado para apresentar políticas públicas do Ministério das Comunicações. Retornou a Natal na sexta para reunião com Erich Matos Rodrigues, conselheiro da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

Farias fez entregas dos ministérios das Comunicações e da Cidadania, com o ministro João Roma, em Mossoró (RN), em 16 de junho. Aproveitou e visitou o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. No dia seguinte, fez visita institucional ao presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, em Natal.

 

Entregas, lançamentos, parcerias

Em 26 de julho, segunda-feira, retornou a Natal, onde teve reunião com presidentes de associações de provedores de internet e esteve no lançamento da segunda fase do programa Digitaliza Brasil e liberação de recursos para a conclusão do projeto Infovia Potiguar. Passou a semana em Brasília, mas retornou ao seu estado na sexta para lançar a parceria do seu ministério com o Banco do Brasil e Sebrae para ampliação do programa Wi-Fi Brasil, em São Gonçalo do Amarante.

As entregas e visitas tiveram continuidade em 27 de setembro. Em Pau dos Ferros (RN), o ministro fez “entregas” do governo federal, do Ministério das Comunicações e da Funasa no estado. Inaugurou a primeira estação de TV digital do Programa Digitaliza Brasil, em Tenente Ananias (RN); e fez entregas do governo federal no Assentamento Maísa, em Mossoró, onde teve outra reunião com o prefeito Allyson Bezerra.

Em 25 de outubro, em Caicó, Faria esteve na cerimônia de entregas do Ministério das Comunicações, da Funasa e Polícia Rodoviária Federal na região do Seridó. Voltou a Natal em 29 de novembro, para o Fórum Permanente de Mobilização contra as Drogas, promovido pela deputada federal Carla Dickson (PROS/RN). Em Ceará Mirim, fez entregas dos programas Wi-Fi Brasil, Computadores para Inclusão e Digitaliza Brasil na região do Mato Grande.

 

O que diz a lei sobre viagens em jatinhos

O Decreto 10.267/2020, assinado pelo presidente Bolsonaro, explicita os casos em que autoridades podem usar os jatinhos da FAB – emergência médica, motivo de segurança e viagem de serviço, com registro na agenda oficial da autoridade.

O artigo 6º do decreto abre a exceção para que os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal possam se deslocar ao local de residência permanente, por motivo de segurança. O mesmo artigo presume “em situação de risco permanente” o vice-presidente da República”. Isso permite que o vice-presidente também viaje para casa de jatinho. Mas não há permissão para que os ministros de estado viagem para suas residências nessas aeronaves.

O blog questionou o ministro Fábio Faria sobre as suas viagens em jatinhos da FAB para São Paulo, nos finais de semana, sem agenda oficial, muitas vezes com 1 ou 2 passageiros a bordo, provavelmente por motivos particulares. Perguntou se, mesmo que fosse a trabalho, não seria mais econômico viajar em avião de carreira?

O ministro também foi questionado sobre as diversas viagens para o Rio Grande do Norte, para cerimônias de anúncio ou de entregas de programas do seu ministério. O blog destacou que, essa prática seria natural se ele tivesse feito o mesmo em vários outros estados. Mas a maioria das viagens ocorreram no estado que representa como deputado. E perguntou se essa prática não caracteriza utilização da máquina do Ministério com proveito eleitoral.

O ministério teve a oportunidade de esclarecer todos as situações que podem caracterizar irregularidades, mas nada respondeu e sugeriu que a solicitação fosse feita por meio da Lei de Acesso à Informação.

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Reportagem

Emendas: quem tem razão Beto ou Allyson? Checamos para você

A semana política foi agitada em Mossoró dentre os muitos assuntos está a guerra versões entre o prefeito  Allyson Bezerra (SD) e o deputado federal Beto Rosado (PP).

O tema? Emendas federais.

No final de semana Beto Rosado gravou vídeo mostrando que existem emendas com recursos já na conta do município que o prefeito não aplica. O parlamentar, inclusive, argumentou que existem recursos para 20 gabinetes odontológicos que estão prestes a ser perdidos.

O prefeito rebateu dizendo que o deputado não alocou nenhum centavo nas contas do município.

A síntese dessa história é que a maior parte das emendas aplicadas por Beto que estão nas contas do município são do período em que a tia do deputado, Rosalba Ciarlini (PP), era prefeita. O que não deixa de ser um erro não aplicar os recursos.

No entanto, o prefeito se equivocou quando disse que Beto não liberou emendas para Mossoró.

O parlamentar enviou ao Blog do Barreto uma planilha com o total de emendas enviadas para Mossoró. Em 2021, elas totalizam R$ 1,2 milhão. Desse montante R$ 600 mil são para UFERSA e UERN e R$ 500 mil para a Prefeitura aplicar no “Projeto Arte que Inclui” através de oficinas realizadas com pessoas com deficiência durante o festival de quadrilhas juninas.

Checamos no Portal da Transparência e a emenda não consta como para Mossoró, mas na “localidade Rio Grande do Norte” e foi pago R$ 494.918,58.

Em junho deste ano, o jornalista William Robson escreveu uma reportagem mostrando (ver AQUI) que com a mudança de gestão as emendas de Beto para a Prefeitura de Mossoró minguaram.

Confira as emendas de Beto em 2021 (AQUI).

Confira a planilha com todas as emendas de Beto para Mossoró

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Reportagem

Flanelinhas do Leblon desmentem Rogério Marinho

Ana Clara Veloso e Glauce Cavalcanti

O Globo

O casal Mônica e Benedito Gomes, de 43 e 56 anos, acordam cedo no Morro Vila Formosa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para seguirem rumo ao Leblon, na Zona Sul do Rio, onde trabalham como guardadores de carros. Ela vai de segunda a sábado. Ele, dia sim, dia não. São regularmente matriculados numa das empresas que têm autorização da prefeitura para repassar talões de estacionamento público aos trabalhadores informais.

Juntos, ganham R$ 700 por mês. Nos dias em que não atua como guardador, Benedito cata materiais para reciclagem, o que rende mais R$ 200.

A renda do casal é apenas uma fração do valor de até R$ 4 mil que o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, disse na terça-feira ser a renda mensal possível de “flanelinhas” no bairro carioca, ao ser questionado sobre a taxa de informalidade no país.

“Chego em casa às 22h todo dia e não ganho um salário mínimo. Se eu ganhasse R$ 4 mil, não precisaria sair de casa para ir na cozinha e no banheiro, que ficam do lado de fora. Já teria terminado minha obra”, desabafa Mônica, frisando que falta dinheiro até para comer.

Ela está há três anos na função, desde que seu marido se afastou por três meses da atividade exercida há 15 anos em pé por um problema na perna. Não demorou para Mônica também pagar um preço na saúde, por não ir ao banheiro nem beber água, para não perder dinheiro. Também precisou se tratar, mas não tinha nem como pagar os remédios, conta:

“O remédio custava R$ 46 e eu não tinha. Minha filha fez uma transferência pra mim. As contas não fecham ainda. Os remédios do meu marido custam quase R$ 200. Então eu não consigo pagar há dois meses o meu cartão de crédito, que tem limite de R$ 300. E o juro está correndo.”

A função de guardador de carros é um dos sintomas brasileiros da alta informalidade no mercado de trabalho. No terceiro trimestre, mais da metade (54%) do crescimento de 4% da ocupação no país foi em posições sem carteira assinada. Dos 93 milhões de ocupados, 40,6% são trabalhadores informais. Em igual período de 2020, essa fatia era de 38%, segundo o IBGE.

“A informalidade sempre foi importante para a ocupação no país. Na crise, se aprofunda. Mas temos cada vez menos emprego formal e menos salário, porque crescem as relações não assalariadas”, diz Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Assim, o que seria um colchão para o desemprego acaba precarizando o trabalho.

“A concorrência feroz entre “flanelinhas” ou vendedores de milho, por exemplo, nas ruas é reflexo do crescimento do número de trabalhadores por conta própria e da informalidade. Na pandemia, houve um movimento em “v” no número desses trabalhadores, que chegou ao maior nível histórico. Mas a renda deles fez o “v” invertido, indo ao nível mais baixo agora”, diz Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

O rendimento médio mensal dos trabalhadores por conta própria — são 25,5 milhões de pessoas — é de apenas R$ 1.879 para aqueles sem CNPJ. O dos com registro formal alcança R$ 3.257.

Leonardo Monasterio, coordenador de Ciência de Dados da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), explica que, no Brasil, há uma série de ocupações que deveriam estar extintas, mas que se mantêm por razões históricas e pela desigualdade:

“Há ocupações que vão demorar para desaparecer no Brasil, onde temos fiscal de prova, ascensorista, guardador de carro, trocador de ônibus. Em geral, os salários vão subindo e o trabalho é substituído por capital”, afirma. “As famílias dispensam a empregada doméstica, compram lava-louça, Roomba (robô aspirador), pedem comida em casa. Mas, aqui, ainda é caro fazer isso. Compensa pagar a mão de obra.”

“Pensando no futuro do trabalho, é preciso pensar como financiar as demandas sociais para um contingente de trabalhadores que sequer contribui para a Previdência. Há também as questões fiscais”, diz Adriana, do IBGE.

A baixa escolaridade deixa essas pessoas à margem do mercado de trabalho formal, observa Monasterio:

“Não conseguem um emprego que permitiria ir gradualmente aprendendo e subindo. Eles ficam travados em algo que não permite adquirir novas qualificações. Entrega de bicicleta foi essencial e de alta demanda na pandemia, mas só ajudou as pessoas a não morrerem de fome. Não entraram numa trajetória de emprego formal.”

Samir Henrique Dias, de 47 anos, tira R$ 80 por dia como guardador no Leblon, vendendo os talões de estacionamento público. No mês, são R$ 1.200, porque só pode trabalhar em dias alternados. A mulher dele não faz mais de R$ 400 por mês como manicure. Com eles, vivem o filho Iago, de 25, que ganha R$ 600 com entregas; a neta Ariela, de quase 2 anos; e a filha Thaiane, de 18, estudante.

“Minha filha estuda, pra se encaminhar. Eu tive que parar na oitava série para trabalhar. Estou há 18 anos trabalhando como guardador, até conseguir algo melhor. A gente conhece muito porteiro, zelador, então vai que tem um convite…”, sonha.

O pai de X. foi flanelinha por 23 anos no Leblon e tinha a confiança da clientela, mesmo sem crachá de guardador. Agora, ele assumiu o lugar do pai, que faleceu, há um mês.

“No fim do mês, tiro R$ 300, trabalhando de segunda a sábado aqui. Quando chego em Vila Isabel, onde moro, trabalho num bar até 23h, para ganhar mais R$ 200 por mês. E no domingo, vou para um lava a jato para tirar mais R$ 150 por mês”, conta. “Não tem como tirar R$ 4 mil por mês. Que isso? Olha, esse dinheiro ia resolver muita coisa na minha vida.”

O manobrista João da Silva, de 63 anos, que trabalha para uma empresa que presta serviço para um restaurante no Leblon, nem com carteira assinada se aproxima da renda alardeada pelo ministro.

“Meu salário não chega nem perto. É metade, e trabalhando de terça a domingo. E ele fala como se ganhar R$ 4 mil fosse atingir um patamar que não deveria. Mas R$ 4 mil não é riqueza. Nós deveríamos ter um salário digno, uma vida melhor, e eles tiram nossos direitos.”

Nota do Blog: a fala de João da Silva resume a fala patética de Marinho, relator da reforma trabalhista e fiador da reforma da previdência.

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Reportagem

Além da falta de apoio popular candidatura de Benes ao Governo não tem respaldo partidário

 

Patinando nas pesquisas com desempenho pífio, apesar da ampla divulgação de sua postulação ao Governo do RN, o deputado federal Benes Leocádio (Republicanos) também não tem respaldo partidário para as eleições de 2022.

É que o Republicanos decidiu em nível nacional que não vai lançar candidatos ao Governo nos Estados, o que tira de Benes Leocádio o respaldo partidário necessário para a postulação.

Reportagem de O Globo publicada neste domingo sobre o assunto cita a situação de Benes e dos ministros Rogério Marinho (desenvolvimento regional) e Fábio Faria (comunicações):

No Rio Grande do Norte, embora o deputado federal Benes Leocádio venha se apresentando como pré-candidato do Republicanos ao governo numa chapa com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para o Senado, a sigla sondou outro ministro de Bolsonaro, também interessado em concorrer à única cadeira de senador: Fábio Faria (Comunicações). Ele está mais perto hoje de se filiar ao PP, e o Planalto não considera a hipótese de que dois ministros disputem o mesmo cargo. Bolsonaro já chegou a se referir a Marinho, sondado pelo PL, como um “bom nome” ao governo, mas o ministro tem dito que não quer concorrer ao Executivo.

O Blog do Barreto conversou com o ex-candidato a deputado federal e presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA), Abraão Linconl, uma das principais lideranças do partido no RN, que a candidatura de Benes pelo Republicanos está descartada. “Nossa prioridade é a eleição proporcional. Ele vai ter que ir para outro partido se for disputar o Governo”, frisou.

De fato, Abraão Linconl, mesmo ser presidente do Republicanos está recrutando nomes para a agremiação focando na disputa proporcional. Entre eles está o vice-prefeito de Mossoró Fernandinho que está com os pés no partido e os ex-deputados estaduais Márcia Maia e Luiz Almir.

Nota do Blog: desde o início alertamos que a candidatura de Benes ao Governo era frágil.

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Reportagem

Prefeito está em rota de colisão com um de seus principais aliados na Câmara Municipal

O prefeito Allyson Bezerra (SD) está em rota de colisão com um de seus principais aliados na Câmara Municipal de Mossoró: o vereador Cabo Tony (SD).

Tony não é relevante apenas pelos 2.530 (1,83%) votos que recebeu nas eleições sendo o quarto mais votado de Mossoró e o campeão de sufrágios no Solidariedade, mas por ter demonstrado capacidade de articulação nos bastidores da Câmara Municipal. Além de possuir uma base eleitoral sólida dentro da Polícia Militar.

Tony articulou o esvaziamento do plenário da Câmara Municipal que quase inviabilizou a votação do crédito suplementar de R$ 64 milhões pedido pelo prefeito ontem.

Ele carregou consigo quatro governistas a conferir: Isaac da Casca (Cidadania), Gideon Ismaias (Cidadania), Paulo Igo (Solidariedade) e Costinha (MDB).

A proposta só passou com a ajuda do oposicionista Didi de Arnor (Republicanos) que ficou no plenário e garantiu os 12 votos necessários para a proposta passar.

A crise passa pela escolha do deputado estadual que terá o apoio do prefeito. Pelo desempenho nas urnas, influência entre os policiais militares e capacidade política ele seria o nome natural para Assembleia Legislativa dentro do governismo.

Mas o prefeito prefere outras apostas. A bola da vez é o ex-vereador Soldado Jadson (SD), que foi um dos coordenadores da vitória Allyson e tem ligações com Tony.

Está aí a raiz da crise.