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RN tem maior taxa de recuo no desemprego no Brasil no último trimestre de 2023, aponta IBGE

O Rio Grande do Norte foi estado da federação que apresentou a maior queda do desemprego no último trimestre de 2023. A taxa recuou de 10,1% para 8,3%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostra que houve recuo em apenas dois estados. Além do Rio Grande do Norte, a taxa caiu também no Rio de Janeiro, de 10,9% para o 10,0%.

No cenário nacional, o Brasil encerrou o trimestre com taxa de desemprego de 7,4%, menor patamar para o período desde 2014 e com recorde histórico de trabalhadores ocupados. No trimestre anterior, a taxa de desocupação era de 7,7%

De acordo com o IBGE, no último trimestre do ano passado, 65,4% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada no Rio Grande do Norte. É o maior porcentual entre os estados do Nordeste. O RN ainda tinha a menor taxa de informalidade da região, 42,2% ante a média regional de 50,9% e nacional de 39,1%.

No ano passado, a economia do Rio Grande do Norte abriu 22.630 novos postos de trabalho com carteira assinada, elevando para 481.267 o estoque de emprego celetista, segundo o Caged.

 

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Reportagem

Maioria dos potiguares se declaram pardos

Os dados do Censo Demográfico 2022 evidenciam que a população residente no Rio Grande do Norte é formada por 1.680.960 pessoas pardas (50,9%), 1.304.317 brancas (39,5%), 302.749 pretas (9,2%), 9.385 indígenas (0,3%) e 5.237 amarelas (0,16%). No Brasil, a população parda equivale a 45,3% do total geral, a branca 43,5%, a preta 10,2%, a indígena é 0,8% e a amarela 0,4%.

A população residente mostrou mudanças na sua composição por cor ou raça entre os Censos Demográficos de 2010 e 2022. O percentual de pessoas pretas do estado saiu de 5,2% para 9,2%, um aumento de 3,9 pontos percentuais (p.p.), enquanto o percentual de brancos, pardos e amarelos caíu 1,7 p.p., 1, 6 p.p.  e 0,9 p.p., respectivamente. Já o percentual de pessoas indígenas cresceu 0,2%. De uma maneira geral, há 127 municípios do Rio Grande do Norte onde a maioria da população é parda e 40 municípios onde a maioria da população é branca. Os dados são de mais um módulo do Censo 2022 publicado hoje (22).

Em comparação com 2010, o número total da população indígena do estado foi a que mais cresceu (351,4%) saindo de cerca de 2,6 mil pessoas para pouco mais que 11 mil, seguido da população preta (82,3%) que era de 166 mil em 2010 e foi para pouco mais que 302 mil em 2022. A população amarela foi a única que apresentou decréscimo (-84%).

Analisando a distribuição relativa das categorias de cor ou raça segundo os municípios do estado, em 2022, os municípios de Ouro Branco, São Fernando, Santana do Seridó e Jardim de Seridó eram os que concentravam o maior percentual de população branca, representando mais de 60% da sua população. Os demais municípios apresentavam um peso relativo da população branca abaixo de 60%, sendo 106 deles abaixo do peso estadual de 39,5%.

O município com maior concentração de população preta era Portalegre com 19,50%, bem acima do percentual estadual (9,2%), assim como outros 54 municípios do estado. Monte das Gameleiras e Frutuoso Gomes apresentavam o menor peso relativo da população preta em sua população residente, com 2,9% e 3,3% respectivamente, seguido de Riacho de Santana (3,7%) e Ouro Branco (4%).

A população amarela mostrou a maior proporção na população residente no município de Pedro Avelino com 0,8%, seguido por Pedra Grande e Ipueira, ambas com 0,6%. A população parda era o grupo com maior peso relativo na população residente em Ruy Barbosa (69,8%), Lajes Pintada (68%) e Bento Fernandes (67,5%). Outros 109 municípios apresentaram percentual de população parda acima do peso relativo do estado, que era de 50,9%.

A análise da estrutura etária por cor ou raça mostra que entre 2010 e 2022 houve maiores decréscimos nas faixas de idade até 29 anos para as populações parda, branca e amarela, nessa ordem, enquanto houve maiores acréscimos nas faixas a partir de 45 anos para as populações parda, branca e preta, também na ordem. Indígenas (pela pergunta de cor ou raça) mostraram acréscimo em todas as faixas de idade.

O índice de envelhecimento mostra a relação de idosos de 60 anos ou mais de idade em relação à população que tem entre 0 e 14 anos. Quanto maior o valor do indicador, mais envelhecida é a população. Quando analisado por cor ou raça, esse índice mostra um envelhecimento da população entre 2010 e 2022 para todas as classes de cor ou raça, exceto para a população indígena (pela pergunta cor ou raça). Em 2022, a população preta apresentou o maior índice de envelhecimento (158,5), seguida da amarela (122,6).

Quando a análise é feita por cor ou raça e sexo, temos decréscimos tanto entre mulheres e homens de cor ou raça branca, amarela e parda, sendo os maiores para homens pardos (-1,3%) e mulheres brancas (-0.8%). Já os maiores acréscimos foram vistos no percentual de homens e mulheres pretas, que subiram de 2010 a 2022, ambos, cerca de 2%.

Quanto à razão de sexo por cor ou raça, o Censo Demográfico 2022 mostrou, para o Rio Grande do Norte, uma razão de sexo maior para pessoas pretas, indicado indicando haver 112,3 homens pretos para cada 100 mulheres pretas.

Conceitos importantes:

Princípio da autoidentificação

  • O pertencimento étnico-racial é investigado respeitando o critério de autoidentificação.
  • Cada informante responde ao IBGE a sua percepção sobre a sua cor ou raça e sua percepção sobre como os outros moradores se autoidentificam numa das cinco categorias.
  • O mesmo ocorre nos quesitos de pertencimento étnico indígena e quilombola do bloco de identificação étnico-racial do Censo Demográfico.

Cor ou Raça

  • A pergunta sobre cor ou raça não retrata apenas a “cor” ou apenas a “raça” da população, pois, além de existirem vários critérios que podem ser usados pelo informante para a classificação (origem familiar, cor da pele, traços físicos, etnia, pertencimento comunitário, entre outros), as cinco categorias estabelecidas na investigação (branca, preta, amarela, parda e indígena) podem ser entendidas pelo informante de forma variável.
  • Vale lembrar ainda que o IBGE utiliza o conceito de “raça” como uma categoria socialmente construída na interação social e não como um conceito biológico.
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Índice de pobreza no RN cai de 50,9% em 2021 para 44,2% da população em 2022

O percentual de pessoas em extrema pobreza, ou seja, que viviam com menos de R$ 200,00 por mês, no Rio Grande do Norte, caiu para 9,4% em 2022, após alcançar 14,9% em 2021. Já a proporção de pessoas em situação de pobreza, que viviam com até R$ 637,00 por mês, caiu de 50,9% em 2021 para 44,2% em 2022. Em termos de contingente, em 2022, havia 33,7 mil pessoas na extrema pobreza e 1,6 milhões na pobreza.

Os números são da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo IBGE.

O Instituto considerou, nessa análise, os parâmetros do Banco Mundial de US$2,15/dia para extrema pobreza e de US$ 6,85/dia para a pobreza, em termos de Poder de Paridade de Compra (PPC) a preços internacionais de 2017. Essas são as linhas utilizadas para o monitoramento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 (ODS1: Erradicação da Pobreza), e foram atualizadas pelo Banco Mundial em 2022, sendo, até então, utilizados os valores de US$1,90 PPC 2011/dia para extrema pobreza e US$ 5,50 PPC 2011/dia para pobreza.

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RN tem o melhor rendimento per capta do Nordeste

A Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo IBGE, apontou que o rendimento médio domiciliar per capita de 2022 no Rio Grande do Norte foi de R$ 1.235 para o total da população potiguar, valor que é um pouco acima da região Nordeste (R$ 1.011,00) e abaixo da média nacional (R$ 1.586,00).

No estado, o rendimento domiciliar per capita mediano (ao que até metade da população tem acesso) equivalia a cerca de 60% do rendimento médio e foi de R$ 734,00 em 2022, valor inferior ao salário-mínimo nacional vigente nesse ano (R$ 1.212,00). Nacionalmente, o rendimento mediano é de R$ 997,00, ao passo em que no Nordeste é de R$ 624,00. De todo o Nordeste, o Rio Grande do Norte é o estado que tinha os maiores rendimentos (médio e mediano). Os menores eram do Maranhão que eram R$ 833,00 e R$ 573,00, respetivamente.

Em 2022, em comparação com 2021, o rendimento médio domiciliar per capita aumentou pouco menos de 1%, com crescimento de 35% nos rendimentos médio e mediano das pessoas pretas.

Entre as mulheres pretas ou pardas, o rendimento médio saiu de R$ 907,00 em 2021 para R$ 1.017,00 em 2022 e o mediano de R$ 547,00 para R$ 673,00. Já entre os homens pretos, o aumento do rendimento mediano foi de 19% (de R$ 584,00 para R$ 695,00). Em contrapartida, o rendimento médio dos homens pretos caiu 10%, saindo de R$ 1.207,00 em 2021 para R$ 1.091,00 em 2022.

O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita no Rio Grande do Norte foi de 0,526 em 2022, recuando em relação a 2021 (0,587). Esse número indica redução na desigualdade nos rendimentos, uma vez que neste indicador, quanto mais próximo do número 1, maior é a desigualdade. Quando o indicador é recalculado, retirando-se as fontes de rendas oriundas de benefícios de programas sociais governamentais, ele sobe para 0,576.

Rendimento domiciliar

A Síntese de Indicadores Sociais mostra que 72,5% da população potiguar em 2022 vivia com até o valor de 1 salário-mínimo per capita mensal, sendo 15,2% com até ¼ salário-mínimo per capita e 25,1% com mais de ¼ até ½.

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RN tem a menor taxa de desocupação em sete anos

Em 2022 o nível de ocupação do Rio Grande do Norte, que corresponde ao percentual de pessoas em idade para trabalhar que estavam ocupadas, atingiu 47,0%. O valor indica contínua recuperação desde a pandemia de Covid 19 e é o melhor resultado desde então, embora não tenha atingido o índice registrado no ano pré-pandêmico (48,1%). As taxas de desocupação e de subutilização registraram significativas quedas em 2022, apresentando valores mais baixos que os níveis pré-pandemia e atingiram, respectivamente, 11,9% e 30%. Esses são os valores mais baixos registrados desde 2015, quando as taxas foram de 11,6% e 27,7%, respectivamente. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo IBGE.

A participação dos ocupados no Rio Grande do Norte, segundo o agrupamento em duas categorias de posição na ocupação, com vínculo formal de trabalho e empregados sem carteira somados aos trabalhadores por conta própria, mostra, em 2022, tendência de aumento dos ocupados com vínculo (47,4%) e queda dos sem vínculo (46,6%), comparativamente a todos os anos anteriores, desde 2012. Esse resultado é o oposto do registrado nacionalmente, onde a diferença entre os agrupamentos atingiu o mínimo da série e revelou o crescimento da participação das ocupações socialmente menos protegidas na estrutura do mercado de trabalho brasileiro.

Em números absolutos, o crescimento total das pessoas ocupadas em 2022, comparativamente a 2021, foi de 75 mil pessoas a mais. O rendimento médio real habitual da população ocupada no trabalho principal variou de R$ 2.237 mensais, em 2021, para R$ 2.122, em 2022, o que equivale a uma média de R$ 14,08 por hora.  Em 2019, no pré-pandemia, o mesmo tipo de rendimento era de R$ 2052,00 e em 2020 foi de R$ 2.196, 00. No Brasil, essa média é de R$ 2.582,00 e no Nordeste de R$ 1.737,00.

Ao desmembrar esses rendimentos por tipo de posição na ocupação, temos que empregados com carteira assinada no RN ganharam, em 2022, uma média de R$ 1.691,00 enquanto os que não tinham carteira assinada receberam R$ 1.304,00. Já trabalhadores domésticos receberam em média R$ 1.635,00 (carteira assinada) e R$ 635,00 (sem carteira assinada). Militares ou funcionários públicos estatutários tinham rendimento médio mensal habitual no trabalho principal de R$ 4.516,00, trabalhadores por conta própria R$ 1519,00 e empregadores, R$ 6.883,00.

Em relação aos grupos etários, aquelas pessoas acima de 50 anos (pessoas (considerando os recortes de 50 a 59 anos e 60 anos ou mais) apresentaram níveis de ocupação mais baixos comparativamente aos demais grupos. Houve melhora significativa no nível de ocupação em apenas uma faixa de idade, a que compreende pessoas de 30 a 49 anos.

O nível de ocupação das mulheres no estado é substancialmente inferior ao dos homens. Em 2022, o nível de ocupação dos homens alcançou 59%, contra 41% para as mulheres, diferença que diminuiu de 2021 para 2022. Em 2021, os homens eram 62,1% dos ocupados e as mulheres 36,9%. A diferença também existiu no rendimento médio recebido habitualmente pelo trabalho principal por sexo. Em 2022, as trabalhadoras potiguares receberam o equivalente à 79,1% (R$ 1.834,00) do que os homens ganharam (R$ 2.317,00). Essa diferença é ainda maior se compararmos os rendimentos de mulheres pardas ou pretas (R$ 1.491,00) com o de homens brancos (R$ 2.922,00), ou seja, elas recebem a metade dos homens.

A proporção de trabalhadores pretos ou pardos (61,3%) ocupados foi maior que a de brancos (38,3%). Contudo, pretos ou pardos ocupavam postos com rendimentos inferiores à média (R$ 1.789,00).

Em relação a 2021 (52,5%), houve um aumento da proporção de pessoas ocupadas em trabalhos formais em 2022 (56,9%). O mesmo aumento foi observado no recorte de sexo (homens e mulheres) quanto no recorte de raça ou cor (brancos, pretos e pardos).

As diferenças de rendimento também existiram de acordo com a condição de formalidade ou não do trabalhador. Em 2022, no Rio Grande do Norte, um trabalhador formal ganhou R$ 1.422,00 a mais que um informal. Essa diferença subia para R$ 2,141,00 se comparados um trabalhador formal de cor ou raça branca em relação a um de cor ou raça preta ou parda.

Entre aqueles que estão desocupados, mas querem trabalhar, 44,3% estão procurando trabalho há mais de um mês a menos de um ano, 26,3% estão a pelo menos um mês procurando, enquanto 18,5% há dois anos ou mais e 10,9% de um ano a menos de dois anos.

A taxa composta de subutilização, que considera a desocupação, a subocupação por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, passou de 38,4%, em 2021, para 30% em 2022, sendo esta mais elevada para as mulheres (36,5%) e para os jovens de 14 a 29 anos (44,7%).

Perfil dos jovens

Em 2022, os percentuais de jovens ocupados e dos que estudavam e estavam ocupados cresceram atingindo 31,8% (270 mil) e 7,7% (65 mil), respectivamente, ambos situando-se em patamares abaixo de 2019 (nível pré-pandemia). Já os percentuais de jovens que somente estudavam, que chegou a 31,5% (267 mil) em 2022, está acima do encontrado em 2019 (28,5%). Os jovens que não estudavam e não estavam ocupados foram 29%, 0,7 pontos percentuais acima do registrado em 2019 e 0,1 ponto percentual acima de 2021. Em números absolutos, em 2022, o total de jovens que não estudavam e não estavam ocupados atingiu 245 mil pessoas.

Os jovens que não estudam nem estão ocupados podem estar fora da força de trabalho ou desocupados. Em 2022, 73% deles estavam fora da força de trabalho e 27% desocupados. Em relação a faixa etária, dos jovens de 15 a 17 anos (13 mil) que não estudam e não estão ocupados, 98,8% estavam fora da força de trabalho. Entre os jovens de 18 a 24 anos (137 mil) na mesma condição, 68,1% estão fora da força de trabalho, enquanto entre os que têm de 25 a 29 anos (95 mil), 76,5% estão fora da força de trabalho.

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Setor cultural do RN ocupou 64 mil pessoas em 2022

O setor cultural ocupava, em 2022, 64 mil pessoas no Rio Grande do Norte, representando 4,6% do total de ocupados no estado (1,4 milhão). A maioria delas eram homens (69,2%), pessoas de cor ou raça branca (54,6%), que tinham entre 30 e 39 anos de idade (51,1%) e nível de instrução com ensino médio completo e superior incompleto ou equivalentes (49,6%). Se comparado ao total das ocupações do estado no mesmo ano, dois indicadores chamam atenção por diferirem do padrão geral: para o mesmo ano, nos números totais de pessoas ocupadas, o percentual de homens era 59% e pessoas de cor ou raça branca era de 38,3%, ou seja, 10,2 e 16,3 pontos percentuais abaixo do verificado para o setor cultural. Os dados são do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) levantados pelo IBGE em pesquisas diversas e compilados para o período de 2011 a 2021.

Mulheres

Em 2022, nas atividades culturais no Rio Grande do Norte, os homens (R$ 2.047,00) receberam um salário mensal médio superior ao das mulheres (R$ 1.410 ou 68,9% do salário dos homens). Quando o recorte foi feito por cor ou raça, os pretos ou pardos (R$ 1630,00) receberam cerca de 80 % do salário médio mensal dos brancos (R$ 2036,00).  No geral, o salário médio mensal pago no Rio Grande do Norte no setor cultural em 2022 foi de R$ 1852,00. No Nordeste esse valor foi de R$ 1783,00 e nacionalmente foi de R$ 2815,00.

Cerca de 50% das pessoas ocupadas no setor da cultura no Rio Grande do Norte em 2022 pertencem ao grupo dos que trabalharam entre 40 e 44h semanais, seguido dos que trabalharam entre 15 e 39h (39%). Aqueles que trabalharam até 14h foram 6,4% e os que trabalharam acima das 45h foram 4,1%. Na capital, o percentual de quem trabalhou acima das 45h é maior que a média estadual, ficando em 9,1%, enquanto metade (50,3%) trabalhava entre 15 e 39h e outros 37% entre 40 e 44h.

Empresas

Segundo o Cadastro Central de Empresas, em 2021 havia 3,4 mil unidades locais empresariais atuando nas atividades culturais do estado, as quais ocupavam 12,5 mil pessoas, com salário médio mensal de R$ 1.999,00. Só a capital, Natal, foi responsável por mais de 50% dessas unidades e por mais de 60% do pessoal ocupado no setor. Na comparação com 2011, houve um acréscimo de 9,4% no número de unidades locais culturais no RN, mas, apesar da variação positiva, a dinâmica de entrada e saídas de empresas mudou pouco o percentual de participação das atividades culturais no total das atividades econômicas do estado.

Em 2011, as unidades locais do setor cultural correspondiam a 5,2% do total do Cadastro de Empresas do RN, enquanto em 2021 esse número foi 5%. Em termos de pessoal ocupado, a cultura permaneceu na casa dos 2% da população ocupada no estado, se comparados 2011 e 2021. Já quanto à média de salários pagos, em 10 anos houve uma variação relativa de -8,7%, já que em 2011 esse valor era de R$ 2.189,00. Em 2021, na capital do estado, o salário médio mensal pago é de R$ 2.424,00, cerca de 21% a mais que a média estadual. Nacionalmente, esta média é de R$ 4,121,00 e regionalmente é de R$ 2.250,00, para o Nordeste.

Já o total dos gastos públicos (estadual e municipal) alocados no setor cultural aumentou de aproximadamente R$ 85,2 milhões, em 2011, para R$ 183,3 milhões, em 2022. Nesse período as esferas de governo (estadual e municipal) apresentaram variações da participação da cultura no total de gastos no país: em 2021, 0,7% e 1,4% respectivamente e, em 2022, 0,8% e 1,9%. Em nível de despesas totais do estado, o RN saiu de 0,32% de despesas com o setor cultural em 2012 para 0,19% em 2022.  depois de três anos em queda, os governos municipais foram a esfera de governo que mais utilizou seu orçamento com o setor cultural, ampliando sua participação em 2022.

Os valores captados por produtores culturais no Rio Grande do Norte via incentivo fiscal subiram cerca de R$ 380 mil, saindo de R$ 1,2 milhão em 2021 para R$ 1,6 milhão em 2022. Dos 167 municípios do estado, 137 tiveram distribuição de recursos da Lei Aldir Blanc em 2021. Desses, 12 utilizaram menos de 50% dos recursos, 37 utilizaram entre 50 e 90%, e 82, entre 90 e 100%. Quanto aos tipos de grupos para onde os recursos da lei foram distribuídos pelos municípios, as categorias de Musical, Artesanato e Dança foram as mais contempladas em 2021.

Desigualdades

Em 2021, 16,8% dos municípios potiguares tinham teatro ou sala de espetáculo no próprio município, 2,4% tinham cinema e 26,9% tinham museus. Apesar disso, a maioria dos municípios que não tinham os equipamentos culturais estavam a menos de uma hora de deslocamento de um outro que possuía.

Isso resulta em que 49,4% da população potiguar morava em municípios sem museu, 42% sem teatro ou sala de espetáculo e 63,8% sem cinema. Quanto ao tempo médio de deslocamento que essa população precisa despender para chegar ao museu, teatro e cinema mais próximos, observou-se que o equipamento cultural que leva o maior tempo de deslocamento para acesso é o cinema (53 minutos), enquanto para o museu leva-se cerca de 17 minutos, e, para o teatro, 24 minutos.

Proporcionalmente, a população preta ou parda do Rio Grande do Norte mostrou-se a que tem menos acesso potencial a esses equipamentos culturais: em 2021, 66% dela vivia em municípios sem salas de cinema, ao passo que, entre os brancos, o percentual era de 60,6%. A diferença ocorreu, ainda, em relação ao acesso a museus (52,1% ante 45%) e em menor grau a teatros ou salas de espetáculos (42,2% ante 41,9%).

Quanto ao sexo, 52,2% das mulheres e 49% dos homens do Rio Grande do Norte tiveram acesso potencial a museus em 2021. Esse número aumentou quando o equipamento cultural considerado foram teatros ou salas de espetáculo (58,3% de homens e 57,6% de mulheres) e caiu substancialmente quando se referiu à cinemas (34,9% dos homens e 37,4% das mulheres). Pessoas sem instrução ou fundamental incompleto mostraram maior privação nesse último quesito (70,7%).

 

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Desafios da cajucultura é debatido em Mossoró

A audiência pública sobre os novos desafios da Cajucultura no Rio Grande do Norte (RN), realizada nesta sexta-feira (24), na Câmara Municipal de Mossoró, debateu a cadeia produtiva: o beneficiamento da fruta e políticas de valorização e apoio aos produtores do RN. O encontro foi resultado de proposição da deputada estadual Isolda Dantas do PT e reuniu os principais envolvidos na cadeia produtiva, com o objetivo de obter êxito nas reivindicações referentes à pauta da castanha no estado. O RN é o terceiro maior produtor de castanha de caju do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, o estado produziu 18 mil toneladas do produto.

Durante a audiência, produtores da região Oeste compartilharam suas necessidades; o produtor de Severiano Melo e membro da Câmara Técnica da Cajucultura do RN, Elano Gomes, destacou que o município gera, somente no segmento da cajucultura, pelo menos dois mil postos de emprego no segundo semestre, anualmente, sinalizando que a estrutura hoje, no local, não é só produtiva, mas também turística, ressaltando a importância não só econômica, mas também social. A produtora Toinha, da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do RN (FETARN), também compartilhou as preocupações atuais dos trabalhadores e trabalhadoras da cajucultura, quanto à produção de energia eólica.

A deputada Isolda destacou a importância do setor para as famílias locais e ressaltou a necessidade de fortalecer as políticas e assistência técnica relacionadas à cadeia produtiva da Cajucultura: “não só faz parte da nossa identidade, mas movimenta a nossa economia; por isso é muito importante, de forma coletiva, elencamos quais os desafios e quem e quais esferas podem resolver esses problemas para vencer os desafios”. Durante os debates, foram discutidas estratégias para impulsionar o desenvolvimento do setor, incluindo a integração regional, o programa de renovação dos pomares, o aproveitamento do pedúnculo, assistência técnica e pesquisa para desenvolvimento de equipamentos específicos, bem como a definição de políticas de Estado e um preço mínimo que remunere adequadamente os produtores.

Fátima Torres, representando a Central de Comercialização da Agricultura Familiar (CECAFES), foi enfática ao cobrar das autoridades soluções reais para a cadeia produtiva: “faltaram políticas públicas que beneficiassem essa cadeia produtiva. Faltou apoio financeiro, assistência técnica, estudos, valorização, capital de giro e uma política estadual de preço mínimo. Há anos estamos sozinhos. Só com a solução para esses pontos, essa cadeia produtiva será do tamanho que ela merece ser”, enfatizou.

O especialista em cajucultura, Vitor Hugo fez uma explanação sobre a viabilidade econômica da castanha, destacando os gargalos da cadeia. “São pontos como o baixo nível tecnológico, desarticulação da cadeia, falta de acesso ao crédito, promoção da cadeia no mercado interno, importação da castanha e da amêndoa e atração de pequenas e médias empresas processadoras”. O especialista ressaltou a importância do debate para os que fazem a cadeia produtiva. “É muito interessante ver uma parlamentar apoiando uma cadeia, que muitas vezes parece invisível, como é a cajucultura do nosso Estado. Daí a importância desse debate”, disse.

Também participaram da audiência, o Prof. Vinicius Galdino, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN); Eriflávio Maia, Gestor de Negócios do Banco do Nordeste; Raimundo Canuto da FETRAF; Marcirio Lemos, representando a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (SEDRAF) e o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), Rodrigo Maranhão.

O evento proporcionou um espaço colaborativo para reunir forças e encontrar soluções conjuntas visando o crescimento sustentável da produção de caju no estado. A deputada Isolda reafirmou o compromisso de continuar trabalhando em prol do fortalecimento do setor da Cajucultura e agradeceu a participação ativa de todas as entidades, prefeitos, vereadores e secretários de agricultura da região, cajucultores, produtores técnicos e instituições envolvidas na audiência.

Ao final da audiência, os principais encaminhamentos da discussão consistiram na proposição de um significativo evento voltado para a cajucultura na região Oeste; na realização de uma reunião com a bancada federal para apresentar as demandas do setor; na iniciativa de estabelecer a Frente Parlamentar da Cajucultura na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN); na inclusão do tema da cajucultura no programa de aquisição de máquinas; e no diálogo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a consideração da planta do caju como crédito de carbono.

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PIB do RN registra alta de 5,1% em 2021 e fica acima das médias do Nordeste e do Brasil

O PIB do Rio Grande do Norte foi estimado em 80,2 bilhões em 2021 e apresentou aumento em volume de 5,1% na comparação com o ano anterior. Esse valor está acima da variação média registrada para o Nordeste (4,3%) e para o Brasil (4,8%), o que o coloca entre as 14 Unidades da Federação (UFs) que apresentaram valores acima da média nacional. Já o PIB per capita do estado fechou 2021 em R$ 22, 5 mil, enquanto o do Brasil foi de R$ 42,2 mil.

Todas as Unidades da Federação apresentaram crescimento em volume do PIB e, de uma maneira geral, o resultado representou a recuperação da economia brasileira após a queda observada em 2020 pelos efeitos da pandemia de COVID-19. Em relação aos componentes do PIB pela ótica da produção, o valor adicionado bruto para o Rio Grande do Norte também foi de 5,1%. A economia potiguar continua representando 0,9% do PIB nacional em 2021 e manteve a 5ª posição relativa ao valor do PIB na Região Nordeste e a 18ª no Brasil. Desde 2002 até 2021, a variação em volume acumulada foi de 39,6%, uma média de 1,8% ao ano, colocando o estado na 3ª posição relativa entre os que têm a menor variação em volume acumulado em 20 anos.

Entre os três grupos de atividades, a Indústria apresentou o maior crescimento em volume (8%), seguida de Serviços (4,8%), enquanto Agropecuária registrou queda em 2021 fechando com -2,2%. Em 2020 esses valores foram de -1,9%, -5,9% e 2,6%, respectivamente.

A atividade econômica de Administração, defesa, educação e saúde pública e seguridade social (13,5%) do Rio Grande do Norte foi a responsável pelo maior percentual de participação no valor adicionado bruto do PIB do estado, seguido da Indústria de Transformação (11,9%) e do Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (10,7%).

Empregados

Em 2021, a remuneração dos empregados foi equivalente a 45,1% do PIB do Rio Grande do Norte, sendo 35,4% em salários e 9,7% de contribuição social. Esse é o menor valor já registrado para o indicador desde o início da série histórica, em 2010. Desde 2020, o excedente operacional bruto e o rendimento misto bruto, somados, são o principal componente do PIB pela ótica da renda, ultrapassando a remuneração dos empregados em proporção. Esse excedente é a remuneração do capital das empresas, enquanto o rendimento misto tem misturado o rendimento do trabalho e do capital dos autônomos. Em 2021, essa soma representou 42,6% do PIB do estado pela ótica da renda. Já os impostos, líquidos de subsídios, sobre a produção e importação, que também compõem o PIB sob essa ótica, atingiu 12,3% em 2021 frente a 11,7% registrado em 2020. Este também é o maior percentual já registrado para o indicador desde o início da série em 2010.

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RN tem o maior percentual de usuários de Internet do Nordeste

Em 2022, 92,9% dos domicílios particulares permanentes do Rio Grande do Norte tinham televisão, 90,1% dos domicílios utilizavam internet, 95,1% tinham telefone (94,9% do tipo móvel celular), 40% tinham rádio e em 32,8% havia um computador ou tablet. Dos domicílios com TV, 36,6% tinham acesso a serviço pago de streaming de vídeo, ou seja, cerca de 391 mil domicílios. Dos que usavam internet, 9,6% ou 105 mil deles usavam também algum tipo de dispositivo inteligente (câmeras, caixas de som, lâmpadas, ar-condicionado, geladeiras etc.)

 Das 2,6 milhões de pessoas no estado que usaram a internet, a maioria tinha como finalidade conversar por chamadas de voz ou vídeo (96,1%), assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes (92%) ou enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail (91,9%). Usar redes sociais (87,8%), ouvir músicas, rádio ou podcast (85,2%); ler jornais, notícias, livros ou revistas pela Internet (62,8%); acessar banco(s) ou outras instituições financeiras (55,5%); e enviar ou receber e-mails (50,9%) foram as outras finalidades mais citadas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2022, módulo de acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal.

Tipo de televisão e acesso à serviços pagos variam com rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos domicílios com TV no estado

 Dos domicílios particulares permanentes com televisão no estado em 2022, a maioria (84,2%) tinha apenas televisão de tela fina (Led, LCD ou plasma), sendo o restante dos domicílios com televisão de tubo (14%) ou com os dois tipos (1,9%). Em 2016, no início da série, esses números eram de 41,8% (436 mil), 45% (469 mil) e 13,2% (137 mil), respectivamente.

Considerando ainda os domicílios com televisão no Rio Grande do Norte em 2022, 279 mil ou 24,7% tinham acesso a serviço de televisão por assinatura. Dos 851 mil domicílios sem esse acesso (75,3%), mais de 50% (430 mil) disseram ter falta de interesse no serviço, enquanto 41,2% (350 mil) disseram não ter o serviço por ser caro. Quanto ao serviço pago de streaming de vídeo, 391 mil ou 34,6% possuíam acesso ao serviço. O rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos 1,1 milhão de domicílios potiguares em 2022 onde havia televisão foi de R$ 1275, sendo R$ 1374 naqueles com televisão de tela fina e de R$ 662 naqueles em que havia as de tubo. No Brasil, a média do rendimento dos domicílios foi de R$ 1740 para domicílios com televisão, sendo R$ 1836 nos que tinham as de tela fina e R$ 948 onde havia as de tubo.

Quase 70% dos domicílios do RN não têm microcomputador ou tablet

No total de domicílios do estado em 2022, aqueles em que havia microcomputador representavam 31,1%. Em 2016, esse percentual era de 38,4%. A existência de tablet é menos comum nos domicílios que a de computador. Nos domicílios do RN, em 2022, o percentual daqueles em que havia tablet era de 7,4%.  O rendimento médio mensal real per capita domiciliar em função da existência desses equipamentos nos domicílios no estado foi de R$ 769, para os domicílios que não tinham microcomputador nem tablet e de R$ 2227 para os que tinham pelo menos o computador.

Quanto a existência de telefone, 4,9% dos domicílios particulares permanentes (59 mil) do estado não possuíam o equipamento. Considerando o tipo de telefone, em 2022, havia telefone fixo convencional em 6% dos domicílios potiguares e esse percentual tem apresentado declínio desde 2016 (45,9%). A parcela dos domicílios que tinham telefone móvel celular, por outro lado, aumentou de 94,1% para 94,9% entre 2016 e 2022, saindo de cerca de 1 milhão para 1,1 milhão em média.  Nos domicílios em que havia telefone fixo convencional o rendimento médio foi de R$ 2554, enquanto naqueles com telefone móvel celular esse rendimento foi de R$ 1258, a o passo que nos que tinham ambos os equipamentos, o rendimento médio era de R$ 2584.

De 2016 a 2022, no total de domicílios do Rio Grande do Norte, o percentual daqueles em que o serviço de rede móvel celular funcionava, para Internet ou para telefonia, passou de 87,6% para 90,3%, saindo de 937 mil para quase 1,1 milhão de domicílios.

Mais de 1 milhão de domicílios utilizam Internet no estado: maioria que não usa alega não saber utilizar ou que o serviço é caro demais

A Internet era utilizada em 90,1% dos domicílios particulares permanentes (1,1 milhão) do estado e 105 mil deles possuíam algum tipo de dispositivo inteligente (câmeras, caixas de som, lâmpadas, ar-condicionado, geladeiras etc.). O percentual dos que usavam banda larga móvel passou de 62,9% para 71,2% entre 2021 e 2022. Ao passo que o percentual dos domicílios que utilizavam a banda larga fixa aumentou de 91,2% para 91,8% nesse mesmo período. O rendimento médio mensal real per capita nos domicílios potiguares em que havia utilização da Internet (R$ 1275) foi quase 70% acima do rendimento nos que não utilizavam essa rede (R$ 864).

Até 2021, entre os domicílios que não utilizavam a internet (121 mil ou 9,9%), a maioria alegou que nenhum morador sabia usar a Internet (35,2%) ou que o serviço de internet era caro demais (32,9%). Alguns disseram não ter interesse em acessar a Internet (17,6%) e outros, que o equipamento para acessar a internet era muito caro (9,5%).  O restante informou ter outros motivos (4,1%) ou ainda não ter o serviço de internet disponível na área do domicílio (0,8%).

Rio Grande do Norte tem o maior percentual de população usuária de Internet de toda a região Nordeste

Quanto ao uso pessoal, na população estimada para o estado em 2022 de aproximadamente 3,1 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade, 85% (2,6 milhões) utilizaram a Internet nos últimos três meses do período de referência. Esse é o maior percentual entre os estados do Nordeste. O percentual de usuários da Internet vem crescendo desde 2016, quando 61,2% da população de 10 anos ou mais de idade tinha utilizado a Internet, passando de 74,3%, em 2019, para 81,8%, em 2021.  Vale destacar que, em 2022, o percentual de pessoas que utilizaram a Internet foi de 92,8% no grupo dos estudantes, ao passo que entre não estudantes esse percentual foi de 82,9%.

Em relação ao sexo, 87,3% das mulheres utilizaram a Internet no estado em 2022, 4,8 pontos percentuais (p.p.) acima do percentual apresentado pelos homens (82,5%). Analisando por nível de instrução, o grupo de pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto (68,9%) apresentava um percentual de uso da Internet inferior ao dos demais grupos de escolaridade de toda a população estimada. Os maiores percentuais foram estimados para as pessoas com ensino superior incompleto (99,4%) e com superior completo (99%).

Cresce o uso de internet na população de mais de 50 anos do estado

Por grupos de idade, o percentual mais baixo de pessoas que utilizaram a Internet, no período de referência dos últimos três meses, foi grupo etário acima de 60 anos (55%), seguido do grupo de 50 a 59 anos (83,3%). Já os maiores percentuais foram no grupo etário de 25 a 29 anos (96,8%) e no de 20 a 24 anos (95,6%).  O aumento do percentual de pessoas que utilizaram a Internet, entre 2016 e 2022, foi maior nos grupos etários de 50 a 59 anos e de 60 anos ou mais de idade (aumento de 43,8 p.p. e 38,9 p.p., respectivamente). Em relação a 2021, esses grupos também apresentaram as maiores expansões no percentual de usuários da Internet (4,3 p.p. e 5,1 p.p., respectivamente).

Maioria dos usuários no RN utilizam a internet todos os dias: conversar por chamadas de voz ou vídeo é a finalidade de acesso mais informada

Entre as pessoas de 10 anos ou mais de idade que utilizaram Internet no período de referência, 93,2% usavam de forma habitual todos os dias; 3,3% utilizavam quase todos os dias (cinco ou seis dias por semana); 2,8% de uma a quatro vezes por semana; e apenas 0,6% utilizavam com uma frequência inferior a uma vez por semana.  O meio de acesso indicado pelo maior número de pessoas foi o telefone móvel celular (98,8%), seguido, em menor medida, pela televisão (40,7%), pelo microcomputador (27%) e pelo tablet (5,5%). De 2016 a 2022, houve um aumento do uso do celular e da televisão para acessar a Internet e uma redução do uso do microcomputador e do tablet.

A finalidade mais informada pelas pessoas que acessam à internet foi aquela usada para conversar por chamadas de voz ou vídeo, alcançando 96,1% dos usuários do estado em 2022. A segunda finalidade mais relatada foi assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes (92%). Outras finalidades de uso apontadas por mais da metade dos usuários da Internet foram:  enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail (91,9%); usar redes sociais (87,8%); ouvir músicas, rádio ou podcast (85,2%); ler jornais, notícias, livros ou revistas pela Internet (62,8%); acessar banco(s) ou outras instituições financeiras (55,5%); e enviar ou receber e-mails (50,9%). As demais atividades realizadas através da Internet, investigadas na pesquisa, foram citadas em menor proporção, abrangendo menos da metade dos usuários: comprar ou encomendar bens ou serviços (31,8%); usar algum serviço público (30,6%); jogar (28,8%); e vender ou anunciar bens ou serviços (9,8%).

Dentre os locais investigados, 12,8% (337 mil) das pessoas que utilizaram a Internet no período de referência dos últimos três meses afirmaram ter acessado o serviço gratuitamente em escolas, universidades ou bibliotecas públicas; 6,7% (176 mil), em estabelecimentos públicos de saúde, como postos de saúde e hospitais públicos; e mais cerca de 6,7% (175 mil), em praças ou parques públicos.

Entre as pessoas de 10 anos ou mais de idade que não utilizaram a Internet no período de referência dos últimos três meses (15% ou 465 mil pessoas), investigou-se o principal motivo de não terem acessado a Internet nesse período. Os dois motivos mais apontados por essas pessoas foram não saber usar a Internet (63,8%) ou por razão econômica, ou seja, serviço de acesso à Internet era caro (18,1%). Falta de necessidade representou 14,5%. A indisponibilidade do serviço de acesso à Internet nos locais em que costumava frequentar, falta de tempo, preocupação com privacidade ou segurança e outros motivos, juntos, representaram 3,6%. Esses resultados reforçam a investigação feita por domicílios.

Indicador ampliado de uso da Internet

 Algumas pessoas são usuárias da Internet, mesmo sem ter ciência deste fato (non-aware Internet users). É o caso de indivíduos responderam negativamente sobre esse acesso, porém responderam positivamente quando perguntados especificamente sobre a realização, no período pesquisado, de determinadas atividades que demandam Internet. Essa informação permitiu gerar o indicador ampliado de uso da Internet. Considerando esse indicador, encontrou-se que 85,9% das pessoas de 10 anos ou mais de idade utilizaram a Internet, constatando-se, portanto, uma diferença de 0,9 p.p. entre o indicador ampliado de uso da Internet e o indicador padrão (85%).

2,5 milhões de pessoas têm celular no Rio Grande do Norte: maioria são adultos jovens de 25 a 39 anos

Em 2022, 2,5 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham telefone móvel celular para uso pessoal no Rio Grande do Norte, o que correspondia a 81,9% da população dessa faixa etária. Desse percentual, a maioria era de não estudantes (83,5%) frente aos estudantes (75,8%). Em relação ao sexo, 84,8% das mulheres e 78,7% dos homens tinham telefone móvel celular para uso pessoal no estado.

Estima-se uma contínua expansão da posse de telefone celular no período abrangido pela pesquisa, variando de 76% da população de 10 anos ou mais de idade, em 2016, para 80%, em 2021, até atingir 81,9%, em 2022. A parcela que tinha acesso à Internet por meio desse aparelho aumentou de 75,3% em 2016 para 96,2%, em 2022. Já entre os estudantes que tinham telefone móvel celular para uso pessoal no Rio Grande do Norte (481 mil pessoas), a parcela que tinha acesso à Internet nesse aparelho era de 98,9%

Quanto aos grupos etários, em 2022, o percentual de pessoas que tinham telefone móvel celular para uso pessoal no estado teve o seu mínimo registrado no grupo de 10 a 13 anos (47,2%), elevando-se abruptamente entre as pessoas de 14 a 19 anos (82,4%). As maiores participações ocorreram nos grupos dos adultos jovens de 25 a 29 anos (93,7%) e de 30 a 39 anos (92,8%). Nos grupos etários seguintes, o percentual declinou gradualmente até o dos adultos de meia- -idade de 50 a 59 anos (83,9%), terminando com queda acentuada entre os idosos de 60 anos ou mais (64,1%).

Entre 2021 e 2022, houve crescimento do percentual de pessoas que tinham telefone móvel celular para uso pessoal em todos os grupos etários, exceto para o dos jovens de 10 a 13 anos, ambos com declínio de 4,3 p.p.

Motivos de não ter telefone móvel celular para uso pessoal

Em 2022, no RN, estima-se que 561 mil pessoas não tinham telefone móvel celular para uso pessoal, representando 18,1% da população de 10 anos ou mais de idade do estado. Esse percentual era 23,3%, em 2019, e 20%, em 2021. Dentre os motivos alegados para não se ter o aparelho, os três que mais se destacaram agregaram, em conjunto, quase 80% das pessoas de 10 anos ou mais de idade que não tinham esse aparelho, no estado. No contingente dos que não tinham telefone móvel celular para uso pessoal, 33% alegaram que não sabiam usar telefone móvel celular; 29,5%, que o aparelho telefônico era caro; e 16,7%, costumava usar o telefone móvel celular de outra pessoa.

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População do RN tem mais mulheres que homens chegando a velhice

De acordo com os dados da segunda revisão do Censo Demográfico do IBGE, a população do Estado do Rio Grande do Norte era de 3.302.729 pessoas em 2022, sendo 1.703.967 (51,6%) mulheres e 1.598.762 (48,4%) homens, o que representa um crescimento total de 4,3% entre 2010 e 2022.

Enquanto o grupo de crianças de 0 a 14 anos representava 41,5% da população em 1980 e 24,8% em 2010 [Tabela 1], este percentual foi de 19,8% em 2022, como demonstrado pelo estreitamento da base da pirâmide etária do estado (Gráfico 1). Simultaneamente, o topo da pirâmide se alargou, com aumento da participação relativa da população com 65 anos ou mais, que era de 5,1% em 1980 e 7,6% em 2010, contando homens e mulheres, e passou a 10,5% em 2022.

Entre 1980 e 2022, observa-se o alargamento do topo e o estreitamento da base da estrutura etária da população residente no Rio Grande do Norte, demonstrando uma tendência de envelhecimento da população, sobretudo da feminina.

Índice de Envelhecimento

O índice de envelhecimento mostra a relação de idosos de 65 anos ou mais de idade em relação à população que tem entre 0 e 14 anos. Quanto maior o valor do indicador, mais envelhecida é a população. Esse índice chegou a 53,0 em 2022 para o Rio Grande do Norte, indicando haver 53 idosos para cada 100 crianças. Em 2010 esse índice era de 30,4, indicando um processo de envelhecimento da população. O Município com o maior índice de envelhecimento no estado é Jardim do Seridó (121,6), enquanto Extremoz teve o menor índice de envelhecimento (24,7) [Tabela 2].

Razão de sexo

O Censo Demográfico 2022 mostrou, para o Rio Grande do Norte, uma razão de sexo igual a 93,8, indicando haver 93,8 homens para cada 100 mulheres [Tabela 3]. Devido ao envelhecimento demográfico, é esperado que o número de homens seja gradualmente menor que o número total de mulheres, já que essas apresentam, na média, menor mortalidade durante todas as etapas da vida.

Em relação à razão de sexo, o Município Nísia Floresta (116,4), se destaca com a maior razão de sexo do Estado, ou seja, aquele que tem proporcionalmente mais homens que mulheres. Em contrapartida, Natal (86,9) é o Município com o menor valor para esse indicador, evidenciando a sobreposição da população feminina em relação à população masculina [Tabela 4].