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Governadora elogia “Chuva de Bala”: “cada dia mais bonito”

“A cada ano o espetáculo está mais bonito. ‘Chuva de bala’ é cultura, é arte e é também o fortalecimento da interiorização do turismo no nosso estado”. A afirmativa foi dada pela governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, durante a última exibição do espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró”, nesta sexta-feira (23), durante a 26ª edição do Mossoró Cidade Junina 2023. O evento é uma das festas juninas mais tradicionais do Nordeste e a peça teatral é uma das atrações mais importantes da festividade.

O espetáculo, apresentado a céu aberto, retrata a resistência do povo de Mossoró à invasão do bando de Lampião em 13 de junho de 1927. Com 21 anos de exibição, a peça  é adaptada do texto original do escritor potiguar Tarcísio Gurgel. Com a participação de mais de 150 profissionais mossoroenses e é considerada um patrimônio cultural do Rio Grande do Norte.

Encerrando 11 dias de apresentações, o evento começou pontualmente às 21h e teve entrada gratuita para o público.

Ao falar da importância dos eventos dos festejos juninos no Rio Grande do Norte, que movimentam a economia local e fortalecem a interiorização do turismo, Fátima destacou o investimento feito pelo Governo do Estado para garantir a segurança do evento. “O resultado está aqui, a população aproveitando os festejos juninos em Mossoró com tranquilidade e segurança”, avaliou a governadora.

Em termos de segurança, o investimento do Governo do RN na 26ª edição do Mossoró Cidade Junina foi de aproximadamente R$ 1,6 milhão em diárias operacionais. Foram disponibilizados mais de 500 agentes de segurança, incluindo 350 policiais militares, 100 bombeiros e 50 policiais civis, além do efetivo do município.

Uma novidade deste ano foi a instalação de uma delegacia para atender especialmente casos de violência contra a mulher durante o evento. A atuação do Itep (Instituto Técnico-Científico de Perícia) foi realizada com o efetivo ordinário da região.

Acompanharam a governadora Fátima Bezerra, a secretária Lyane Ramalho (Sesap), o secretário Gustavo Coelho (SIN), o diretor-presidente da FJA, Gilson Matias, e o secretário adjunto do GAC, Ivanilson Maia

Também participaram a deputada estadual Isolda Dantas, e os vereadores de Mossoró Marleide Cunha e Pablo Aires.

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“Chuva de Bala” estreia hoje

A história de resistência e coragem do povo de Mossoró à invasão do bando de Lampião em 1927 é recontada em detalhes no adro da Capela de São Vicente, através do espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró”. A peça teatral resgata a história com elenco composto por mais de 150 profissionais. O espetáculo estreia nesta quarta-feira (7), no adro da Capela de São Vicente, às 21h.

Neste ano, a  direção-geral do espetáculo será liderada pelo mossoroense Leonardo Wagner. O cineasta Plínio Sá na assistência de produção, Roberta Schumara à frente da coreografia e Romero Oliveira na composição e direção musical . Com essa configuração, o espetáculo traz novos elementos e moderno sistema de iluminação, deixando o musical mais realista.

Lampião era o cangaceiro mais temido do Nordeste. O bando de Virgulino Ferreira (Lampião) resolveu invadir à cidade de Mossoró há quase um século. A cidade soube da possível invasão e o prefeito na época, Rodolfo Fernandes, montou trincheiras para defender a população.

Durante o “Mossoró Cidade Junina”, a Capela de São Vicente se transforma e resgata a data do confronto, que ocorreu em 13 de junho de 1927. Atores, atrizes, bailarinos e bailarinas mossoroenses enaltecem a história de resistência, heroísmo e coragem do povo de Mossoró.

Este ano completa 21 anos de exibição, a Prefeitura de Mossoró fez questão de estruturar a equipe com profissionais genuinamente mossoroenses. Ao todo, mais de 150 profissionais estão envolvidos no espetáculo, incluindo atores, atrizes, técnicos, bailarinos e bailarinas. Além disso, o musical terá inserção de 20 novos jovens talentos ao musical.

O espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró” é uma das maiores exibições teatrais a céu aberto do Brasil. Patrimônio cultural dos mossoroenses, a peça teatral terá exibições nos dias 7, 8, 9, 10, 11, 13, 15, 16, 17, 18, 22 e 23 de junho, continuamente às 21h, no adro da Capela de São Vicente, bairro Centro.

Fonte: Secom/PMM

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Resenha

Sobre o Chuva de Bala e sobre saudade

Chuva de Bala virou filme (Foto: reprodução/Youtube)

Por Iuska Freire*

“Não há dor que doa, como a dor da saudade”, essa frase é de Maria da Luz, uma das viúvas interpretada lindamente por Luciana Duarte, na adaptação do espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró, obra escrita originalmente por Tarcísio Gurgel e que narra a saga da resistência de Mossoró ao bando de Lampião. A versão audiovisual estreou na noite desta quarta-feira, 23 de junho, pelo Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=YAOsxeTW2Bc).

Escolhi iniciar o texto com essa frase porque ela faz muito sentido em nosso contexto atual. A saudade realmente dói muito e para milhares de pessoas essa é uma dor que não cessa.

Mas voltando ao espetáculo, fiquei lembrando das vezes que vi essa versão contada e recontada no adro da Capela de São Vicente, sempre com o “molhinho da mentira” para dar um gostinho especial. Pra ser sincera, senti saudade daquele encontro de pessoas, de chegar cedo para pegar um lugar bacana, depois emendar com o Cidadela… Saudade até de reclamar dos garçons que ficavam passando na frente das mesas, atrapalhando nossa visão, e de encrencar com as pessoas que guardavam pilhas de cadeiras para quem ia chegar depois, bem depois de mim.
Engraçado que tanto no teatro como em sua versão cinematográfica, a turma do cangaço consegue ter mais carisma em cena do que a turma do prefeito. Na pele de Lampião, Jeyzon Leonardo tem uma cena muito bonita antes de anunciar que “ia chover bala em Mossoró” (eu quase pude ouvir os versos “Alguém pra bater em mim/ Não nasceu nem nascerá/ Se nasceu não se criou/ Se se criou levou fim/ Alguém pra bater em mim/ Neste terreiro não há/ Com a bênção de meu padim/ Eu já fiz bala chover, estrela correr, o tempo parar, matei por matar, ver pra ver morrer/ E fazer sol quente esfriar!). Senti falta das músicas de Danilo Guanais.

O roteiro repete a fórmula do que já foi visto no teatro – narração, dança e cantoria. Acho que havia muitas possibilidades de trazer o novo, pois o cinema permite isso, porém precisamos compreender que o período de pandemia atrapalha muito e todo o esforço da equipe, tendo à frente o diretor Marcos Leonardo, merece ser reconhecido. As cenas externas foram as que mais gostei, os tons de sépia também ficaram bem bonitos.

Convergir diferentes formas de artes nem sempre é uma tarefa fácil. Do Teatro ao Cinema um dos principais desafios é justamente a atuação dos atores, a imposição da voz e os gestos exagerados destoam um pouco.

Percebi alguns detalhes técnicos que podem ser aprimorados, como um certo delay entre imagem e áudio. Mas o que me incomodou mesmo foram as legendas automáticas do YouTube com muitos erros de tradução, fiquei imaginando a dificuldade de compreensão de pessoas surdas, sobretudo as que moram em outros estados e não conhecem a história.

Como iniciei falando sobre saudade, não tem como terminar de outra forma. Assistir a versão cinematográfica do Chuva de Bala faz carinho na memória, mas provoca a vontade de ver essa história no palco que é seu verdadeiro lugar. Que no próximo ano a gente possa se encontrar.

*É jornalista

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.