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Ex-funcionários da Gazeta cobram agilidade da Justiça para receber pagamentos que esperam há quase cinco anos

Demolição da Gazeta do Oeste também derrubou sonhos de seus funcionários (Foto: cedida)

Passados quase 5 anos do fechamento do Jornal Gazeta do Oeste, 48 famílias lutam para receber seus direitos trabalhistas até os dias de hoje. Aguardando maior celeridade da Justiça, ex-funcionários têm se mobilizado para chamar atenção ao processo de falência, que tramita na 6ª Vara Cível de Mossoró, sob a labuta da juíza, dra. Daniela Rosado.

O processo está em fase de conclusão, aguardando apenas a liberação de alvarás. Por ter caráter alimentar, as verbas em questão já deveriam ter sido liberadas, de acordo com o advogado Gilvan Cavalcanti. “A verba, de natureza alimentar, tem que ser satisfeita imediatamente. A determinação de liberação está nas mãos do poder judiciário, já que não há nada que impeça que esses pagamentos sejam realizados. Estamos aguardando a sensibilidade para o desfecho, tendo em vista a quantidade de gente necessitando”, afirma.

Além disso, é necessário frisar que os pagamentos dos credores (ex-funcionários) não será feito em sua integralidade. Cada um receberá cerca de 30% dos valores a que teria direito.

Gazeta fechou em 2015 (Fotomontagem cedida)

“Temos procurado todos os meios possíveis para agilizar o procedimento desse processo. Muitos dos ex-empregados não conseguiram se inserir no mercado de trabalho. Esse dinheiro seria um alento a esse momento, principalmente porque vivenciamos um período de pandemia”, alerta a ex-funcionária Luciana Araújo.

Durante a semana, ex-funcionários do jornal se reuniram com a promotora de Justiça da 2ª Vara, dra. Ana Ximenes, que de pronto se colocou à disposição e deu parecer favorável do Ministério Público para que sejam realizados os pagamentos. “Tenho 6 filhos, estou desempregado e esse dinheiro ajudaria a dar um rumo à minha vida”, comenta o impressor Roberto Mardoqueu.

Os ex-funcionários da Gazeta do Oeste reforçam que aguardam a celeridade e sensibilização da Justiça para que o pleito seja atendido e os alvarás judiciais sejam liberados.

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Uma história finalmente contada para Mossoró

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Escrever a dissertação de mestrado que se converteu no livro “Os Rosados Divididos: como os jornais não contaram essa história” foi o maior desafio de minha vida. Conciliar o trabalho com a pesquisa acadêmica não foi fácil. Mas a criança nasceu e foi aprovada pela banca coordenada pelo professor Dr. Lemuel Rodrigues, a quem coube a orientação do trabalho.

Dissertação aprovada, título de mestre garantido, restava ir além. Transformar a pesquisa em livro. Mas para isso eram necessários alguns ajustes. Eliminar os trechos mais teóricos era o mais óbvio. Mas eram necessários alguns ajustes de linguagem e uma nova revisão. Isso foi feito. Agora, 14 meses após a defesa acadêmica, o livro está pronto.

Não posso deixar de destacar uma pessoa fundamental para que o projeto desse certo: minha esposa Ianara Brasil. Foi ela quem planejou o lançamento em cada detalhe, quem revisou o livro quando eu não tinha mais paciência e encontrou os erros que ninguém achou deixando o trabalho mais agradável ao leitor. Não posso deixar de agradecer ao escritor Clauder Arcanjo pela disponibilidade em conceder o Selo Sarau das Letras ao meu trabalho.

O livro foi fruto de um ano pesquisa. Li mais de duas mil edições da Gazeta do Oeste e O Mossoroense. Um trabalho cansativo tanto mentalmente quanto fisicamente. Não é tarefa simples trabalhar com fontes primárias. Requer disciplina, sacrifício e muita paciência para achar nas entrelinhas uma história que ninguém queria contar na época. Mas entre 1980 e 1988 achei muita coisa nos mínimos detalhes.

Quem ler o livro encontrará muitas respostas para histórias que se perderam no tempo, limitadas pelas lembranças, deturpações e traições que a memória sempre nos apronta.

Quando os Rosados se dividiram politicamente? Como foi o processo? Quando tivemos o primeiro embate Rosado x Rosado? Como foi? Na eleição de 1988 Rosalba Ciarlini só venceu quando recebeu o apoio de Dix-huit Rosado?

Essas são perguntas que serão respondidas ao longo da leitura. Também terão passagens sobre episódios tensos da política potiguar nos anos 1980 como o “Pacto da Solidão” e “Voto Camarão”.

Teremos a emergência de vários resultados eleitorais dos anos 1980 esquecidos na memória de nosso público.

Escrevi esse trabalho não só para que ele seja lido e reconhecido, mas também para ser alvo de contestação. A história está aí para ser ponto de partida para novos estudos e aprofundamento de um tema jamais avaliado em nível acadêmico. É preciso uma pesquisa no campo da oralidade ouvindo os personagens ainda vivos que tem muito a contar. Talvez eu faça, talvez seja outro. Mas é uma lacuna que ficou por uma questão de delimitação de tempo e tema.

Que surjam novos trabalhos sobre esse tema e vamos ao debate. Aguardo vocês no Memorial da Resistência na quinta-feira, dia 21, às 19h30.