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Escritor lança quatro livros com renda revertida para instituições beneficentes

Depois de rodar o mundo para falar sobre livrarias e bibliotecas, o escritor, Procurador Regional da República e Acadêmico da Academia Norte-Rio-Grandense de Letra (ANRL), Marcelo Alves Dias de Souza, se volta aos livros que leu.

O autor reúne em quatro livros, divididos em duas coleções, seu pensamento e crítica na área de literatura e filosofia. O primeiro conjunto reúne as obras “Literaturas” e “Entre Livros” e será lançado no dia 7 de julho, às 18hs, na Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Já o pacote “Filosofia” (com os livros “Novos ensaios” e “Pequena filosofia”) será lançado em setembro.

Toda a renda será revertida para instituições beneficentes. Além do momento ativo na escrita, o procurador Marcelo Alves também foi um dos eleitos para compor a lista sêxtupla para o cargo de desembargador no Tribunal Regional Federal da 5ª região. A lista, agora, está no TRF, a quem competirá a elaboração da lista tríplice em sessão ordinária no dia 13 de julho.

Serviço:

Literaturas e Entre livros

de Marcelo Alves Dias de Souza

Data: 7 de julho de 2022

Horário: 18 horas

Local: Academia Norte-Riograndense de Letras – Rua Mipibu, 443 – Petrópolis, Natal/RN

Novos ensaios e Pequena filosofia de Marcelo Alves Dias de Souza

Data: 15 de setembro de 2022

Horário: 18 horas

Local: Academia Norte-Riograndense de Letras – Rua Mipibu, 443 – Petrópolis, Natal/RN

Nota do Blog: Marcelo é um craque das letras e colaborador do blog aos domingos. Parabéns pela iniciativa.

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Escritor do interior do RN participa da 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

O Jundiaense, Antenor Mário participará da 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o escritor irá através da  Lura Editorial.

“Irei na expectativa de abraçar meus colegas e amigos de trabalho, visitar e conhecer histórias de vidas de pessoas que através da arte transforma o mundo cada vez em um lugar melhor. Eu já estou contando os dias, para estes dias de experiências incríveis”, escreveu o escritor

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo é o palco para o encontro das principais editoras, livrarias e distribuidoras do país. Esse reencontro está marcado para os dias 02 a 10 de Julho no Expo Center Norte com uma programação multicultural abrangente mesclando literatura, gastronomia, cultura, negócios e muita diversão!

O evento é palco para celebrar a transformação que os livros fazem na vida das pessoas, e mais uma vez supera todas as expectativas comercializando 100% do espaço disponível com diversos expositores trazendo novidades para o todos os públicos.

Sobre o autor

É ator e escritor. Estreou na literatura com o livro de poemas “A imagem da arte: Poemas da minha vida”, que conta com mais de 70 escritos poéticos de sua autoria, feitos desde seus 8 (oito) anos de idade. Também é autor dos livros, “As Confissões de Alexander: Escrevendo o diário”, “O senhor e a confusão dos bichos”, “Olha a cidade!” e “Pequenas gotas de poesias”. Antenor é apaixonado pelas palavras, usando-as para transmitir maravilhas que a vida lhe entrega. Atualmente, sendo Sócio Efetivo da Academia de Letras e Artes do Agreste Potiguar – ALAAP/ RN, titular da Cadeira nº 23, tendo como Patrona, Brasilina Augusta de Freitas, primeira professora de Jundiá /RN. Sua estreia no teatro foi através da “Encenação da Paixão de Cristo” realizado em sua comunidade residente, Santa Fé, também participou da peça, “Um zé qualquer”, realizada para Mostra Cultural da Escola Estadual João Bernardo.

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Crônica

O acesso, literariamente

Por Marcelo Alves Dias de Souza*

O mais badalado dos romances de Franz Kafka (1883-1924), pelo menos para nós do direito, é “O processo”, que restou sendo publicado, já postumamente, em 1925. A obra narra a estória do bancário Jofeph K., que, por um “crime” ou por razões nunca reveladas, nem a ele nem ao leitor, é preso, processado e condenado por um misterioso e inacessível tribunal. Algo “kafkiano”, digo, sendo hiperbolicamente tautológico.

E é desse romance que destaco uma passagem para tentar ilustrar, literária e literalmente, a temática do “acesso à justiça”: a parábola “Diante da Lei”, que consta do capítulo 9 de “O processo” (embora tenha sido também publicada, separadamente, no livro de contos “Um médico rural”, de 1919). Trata-se de um texto central em toda a obra de Kafka, e não só em “O processo”, sendo um dos escritos preferidos do próprio autor.

Em “O processo”, a narrativa/parábola é contada a Josef K. pelo capelão da prisão, tendo como cenário a igreja gótica que faz as vezes da sede do tribunal que processa, julga e condena o protagonista (lembrando ainda que este, o nosso Josef K., será executado no capítulo seguinte). E, aqui, rogo a ajuda de Modesto Carone, com o seu “Lição de Kafka” (Companhia das Letras, 2009), para explicar o conteúdo de “Diante da Lei”: “Um homem do campo chega ao porteiro que vigia a entrada para a lei e pede admissão. O porteiro recusa o pedido e responde evasivamente sobre se o homem do campo poderá entrar mais tarde. Quando o homem do campo olha para o interior da lei pelo portão, o porteiro adverte-o de que é inútil tentar entrar sem permissão. Ele diz que, apesar de ser o último dos porteiros, é poderoso. A partir daí o homem do campo passa a observar atentamente o porteiro. O porteiro dá-lhe um banquinho, no qual ele pode ficar sentado enquanto espera. Os anos passam, durante os quais o homem do campo envelhece. Primeiro ele tenta subornar o porteiro, depois pede até às pulgas da gola do seu casaco que o ajudem. Esquece cada vez mais que existem outros porteiros porque, no seu esforço para entrar na lei, ele se concentra totalmente no primeiro. Quando está morrendo, pergunta por que, em todos aqueles anos, nenhuma outra pessoa solicitou entrada na lei. O porteiro responde-lhe que aquela porta havia estado aberta só para ele e que, agora que ele está morrendo, vai fechá-la”.

Bom, em sendo a narrativa de “Diante da Lei” uma parábola (mesmo que Kafka também a denomine “legende” ou lenda), ela tem de ter um objetivo. Um fim moral, melhor dizendo. Afinal, como ensina o citado Modesto Carone, a parábola “é uma narrativa que contém algum tipo de argumentação que termina numa moral da história. (Em Kafka, essa moral é suprimida ou encapsulada.) Em outros termos, a parábola é uma história consistente em si mesma, mas aponta para uma outra coisa – geralmente um ensinamento de vida – que só pode ser desentranhada daquilo que é efetivamente narrado”.

Mas qual seria essa “moral da história” na parábola “Diante da Lei”? Aí é que está o problema. Ou a beleza da coisa – se você é daqueles, como o grande Robert Frost (1874-1963), para quem fazer poesia é “dizer uma coisa significando outra”. Como registra Modesto Carone, em “O processo, depois que a ‘lenda’ é contada a Josef K. pelo capelão, ambos discutem o sentido da parábola e suas implicações. Por meio dessa discussão, Kafka deixa a critério do leitor a interpretação da narrativa e, em vez de oferecer a K. alguma clareza sobre sua situação (K., o réu, não sabe por quem, nem de que é acusado), o relato o deixa mais perplexo a respeito do processo de que é vítima”.

Na verdade, como muito ou quase tudo em Kafka, a coisa aqui está sujeita a mil interpretações. O absurdo existencial é a tônica da narrativa kafkiana, sendo “O processo” até um livro inacabado, talvez propositalmente. Mas podemos dar nossos pitacos, é claro.

Todavia, aproveitando essa deixa – um tanto kafkiana, confesso – de deixar as coisas em suspenso, apenas vamos tratar dessas interpretações/pitacos em uma próxima conversa. Na semana que vem, asseguro. Ou não?

*É Procurador Regional da República e Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

 

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Livro premiado de escritor mossoroense está à venda na Amazon

A Hora Azul do Silêncio” do escritor mossoroense Marcos Ferreira está à venda em formato de ebook no site da Amazon por R$ 5,99.

A obra foi vencedora da primeira edição do prêmio literário “Cidade de Manaus”.

Sinopse*

A Hora Azul do Silêncio, do escritor Marcos Ferreira, é um título instigante, harmônico e reminiscente, assim como a sua poesia, a sua literatura. Acredito que a linguagem nos norteia e dela advém a palavra. Então, os vocábulos azul e silêncio, além de atrativos, apaziguam, produzem cor, graça, e nos colocam à margem do cotidiano para percebermos quão gratificante e construtivo será usufruirmos deste livro, ou seja, tê-lo em mãos, lê-lo e entendê-lo na sua essência.

Ler o escritor Marcos Ferreira é sempre desafiador. Afirmo isso não pela riqueza e força poética do seu vocabulário, pois conseguimos entendê-lo muito bem, obrigada. Quando brinco (conforme já fiz) dizendo que precisamos usar um dicionário ao ler os seus textos, faço-o por não ser ele um escritor comum. É claro que seu léxico é altamente compreensivo, principalmente para quem o conhece. Então, ao usar o termo ‘desafiador’, refiro-me à questão de sermos impelidos a refletir melhor sobre a sua escrita, sobre a sua história e como ele a concebe, a desenvolve, a expõe.

Quando nos deparamos com a logicidade da sua verve e da sua sintaxe, indiscutivelmente aprendemos. É só observarmos o teor dos seus textos, tanto a parte da escrita propriamente dita (coesão, coerência, vocabulário, etc.) como também a sua capacidade argumentativa. Ambas têm uma grande e fundamental importância e aprendemos com isso. Eu pelo menos, sim.

Porque Marcos Ferreira, acima de tudo, vive e respira a palavra, e ele a enaltece e a engrandece em cada fato narrado (oral ou escrito), em cada vivência, em toda a sua plenitude e literariedade.

*Rozilene Costa – Professora de língua portuguesa.

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Crônica

Mistério? Onde?

Por Marcelo Alves Dias de Souza*

Hoje vou misturar alguns assuntos da minha predileção: os romances policiais/detetivescos e os seus subtipos e a tendência (quase mania) que temos hoje de elaborar listas sobre as mais diversas coisas (os dez mais ricos, as vinte mais bonitas, os cinquenta melhores e por aí vai).

Os especialistas classificam os romances policiais em dois tipos: policiais de enigma e policiais noir, também chamados, respectivamente, de policiais ingleses e policiais americanos, levando em consideração os países de onde esses dois subgêneros teriam se originado. Nos policiais de enigma – de gente como Arthur Conan Doyle (1859-1930), C.K. Chesterton (1874-1936) e Agatha Christie (1890-1976), o leitor é “convidado” a desvendar o crime. Ele segue os passos e o raciocínio do detetive através de um jogo de pistas e charadas até o final, em regra, surpreendente. O mistério é, de fato, o mais importante da estória, muito mais que o ambiente em que ela se passa. Já nos policiais noir – de craques como Raymond Chandler (1888-1959), Dashiell Hammett (1894-1961), James M. Cain (1892-1977) e Ross MacDonald (1915-1983) – temos um mundo estranho e corrompido, e essa atmosfera na qual estão as personagens, “carregada” até visualmente (daí o termo “noir”), é tão ou mais importante do que a trama em si.

A elaboração de listas também é um caso antigo, mas que, até para podermos lidar com a enormidade de informações de hoje, tem virado uma “febre”. Eu mesmo possuo um livrão, “10.000 Things You Need to Know: the Big Book of Lists” (edição de Elspeth Beidas e publicado pela Universe Publishing em 2016), que acho o máximo. Adoro folheá-lo.

O fato é que estes dias topei com uma classificação de romances policiais, com as respectivas listas de títulos indicados, que achei inusitada. Foi no site literário Goodreads, que aponta “100 Mystery and Thriller Recommendations by Setting” – “100 mistérios e suspenses recomendados/classificados pelo ambiente onde se passa a estória”. Tipo: uma biblioteca, um quarto de hotel, no teatro, no escritório, um apartamento decrépito, à mesa, uma casa de campo, um quarto trancado por dentro, em um campus universitário, na igreja, um lugar extremamente frio, aviões e trens, um barco, na praia, uma ilha, através do tempo ou no espaço sideral.

Eu vou escolher três desses locais para tratar. Os de minha preferência para frequentar ou para fins de um bom mistério/suspense/crime (ficcional, deixo isso muito claro). Vou de biblioteca, campus universitário e igreja.

Para a biblioteca, vou com a amiga Agatha Christie em “Um corpo na biblioteca” (“The Body in the Library”, 1942). Em Gossington Hall, na mansão do coronel Arthur e Dolly Bantry, o corpo de uma bela jovem é encontrado na biblioteca. “Quem era a jovem? O que ela estava fazendo na biblioteca? E há uma conexão com outra garota morta, cujos restos carbonizados são achados em uma pedreira abandonada?”, indaga o Goodreads. É um caso para Miss Marple.

Para o campus universitário, vou viajar com Guillermo Martínez (1962-), da Argentina para o Reino Unido. O título é “The Oxford Murders” (“Crímenes imperceptibles”, 2003), pois foi a versão em inglês que li, maravilhado, numa temporada de estudos na cidade universitária. Em um dia de verão, um estudante argentino encontra sua senhoria – uma idosa que ajudou a decifrar o Código Enigma na 2ª Guerra Mundial – friamente assassinada. Um célebre lógico da universidade recebe uma correspondência anônima com um símbolo estranho. Os símbolos e os assassinatos vão se sucedendo. Cabe aos dois matemáticos deter um serial killer. Já não me lembro mais do final. Vou ler novamente. Embora desta vez em casa, infelizmente.

E, na Igreja, mais precisamente numa abadia da Itália Medieval com uma labiríntica biblioteca, investigo na companhia de Umberto Eco (1932-2016) e seus Guilherme de Baskerville e Adso de Melk, em “O nome da rosa” (“Il nome della rosa”, de 1980). É o cenário de sete dias de “crimes e castigos” imaginados por Eco, misturados nas vidas religiosa e ideológica do século XIV, com suas ortodoxias e heresias, que passaram a compor meu conhecimento (e imaginário).

Por fim, afirmo: não tenho qualquer intenção de me mover para um lugar extremamente frio, para o espaço sideral ou muito menos através do tempo. Nem mesmo tenciono devanear estar por lá resolvendo mistérios. Mas fiquem à vontade. Consultem o Goodreads e o texto “100 Mystery and Thriller Recommendations by Setting”. Cada qual com seu gosto.

*É Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

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O teatro da verdade

Por Marcelo Alves Dias de Souza*

No “teatro” do direito, costumamos lidar – manipulando-a em altíssimo grau, reconheço – com a verdade. Fala-se de verdade real e formal, de fatos, de verossimilhança etc., numa mistura infinita – e quase sempre imprecisa – de termos e conceitos.

Mas o que é essa tal “verdade”?

Em João 14:6, Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. Mas muitos não creem nisso, até porque muitos, na nossa aldeia e mundo afora, não são cristãos. Na ciência, os neopositivistas lógicos e o Círculo de Viena, sob acoordenação de Moritz Schlick (1882-1936), até defenderam o princípio da verificação

experimental, mas sua insustentabilidade prática foi reconhecida, em prol de versões mais “suaves”, como o critério da falseabilidade de Karl Popper (1902-1994). E, claro, em tempos de pandemia, temos falado muito do consenso científico, que, embora não seja um critério ou

método em si, nos dá quase sempre os paradigmas de estilo. Mas mesmo estes, de vez em quando, são quebrados, já nos lembrava Thomas Kuhn (1902-1996) em sua “A estrutura das revoluções científicas” (1962). E por aí vai a nossa Epoché.

Mas não só o direito, a teologia, a filosofia e a ciência andam às voltas com o problema da verdade. A literatura também. A vida nossa de cada dia idem. E um dos literatos que mais fustigou a verdade, questionando as “aparências” da vida, foi o italiano Luigi Pirandello (1867-

1936).

Pirandello nasceu em Agrigento, Sicília. Adolescente, foi morar com a família na capital regional Palermo. Ali iniciou seus estudos universitários. Irrequieto, abandonou a terra para estudar em Roma e, depois, em Berlim (onde se diplomou). Retornou a Roma e aí começou de vero a sua história nas letras. Foi professor de literatura, jornalista/articulista (no badalado Corriere della sera), crítico literário, poeta, romancista e, sobretudo, embora uma atividade já tardia na sua carreira, dramaturgo. O maior dramaturgo italiano de todos os tempos. Um dos

maiores da Terra Redonda. Seus principais romances são “O falecido Matias Pascal” (“Il fu Mattia Pascal”, 1904) e “Um, nenhum e cem mil” (“Uno, nessuno e centomila”, 1926). Entre as suas dezenas de obras teatrais, emprenhadas de muito humor, podemos citar “Assim é, se lhe parece” (“Così è – se vi pare”, 1917), a jurídica “A patente” (“La patente”, 1918), a trilogia “Seis personagens à procura de um autor” (“Sei personaggi in cerca d’autore”, 1921), “Cada um a seu modo” (“Ciascuno a suo modo”, 1924) e “Esta noite se representa de improviso” (“Questa sera si recita a soggetto”, 1930), “Henrique IV” (“Enrico IV”, 1922) e por aí vai. Dizem que ele simpatizou com o fascismo no fim da vida (ninguém é perfeito). Terminou ganhando o Nobel de Literatura em 1934. Portanto, faleceu mais do que em glória.

Uma questão que sempre se pôs em debate é se Pirandello era de fato um filósofo ou um artista. Aliás, são famosas as suas polêmicas com Benedetto Croce (1866-1952), o maior filósofo italiano de seu tempo. Gosto da ideia de que Pirandello era um filósofo com a mão/pena de um artista. Bendito seja! E, como consta da minha versão de “Così è (se vi pare)” (uma edição “classici italiani per stranieri” da Bonanni Editore, 1995): “uma ideia de fundo atravessa toda a vasta produção de Pirandello: o homem veste uma máscara, com a qual acaba se identificando, de modo que ninguém sabe quem ele realmente é, e somente em momentos de particular sofrimento pode-se ter vislumbres sobre sua verdadeira e profunda identidade”.

Recordo haver assistido à “Seis personagens à procura de um autor” em uma pequena casa de espetáculos de Cambridge, Inglaterra. E aquele teatro dentro do teatro,  aquela ilusão dentro da ilusão quase ao infinito, me deixou deveras confuso, mas também encantado.

Mas é a ideia central de “Così è (se vi pare)” que desejo deixar aqui como arremate desta crônica sobre teatro, direito e realidade: a da inutilidade de se buscar a verdade na farsa da vida.

Não seria essa inutilidade ainda mais patente no “teatro” do direito? Onde topamos com “farsas” filosóficas e jurídicas, de mil e uma personagens e seus palavreados bonitos, quase às escâncaras…

*É Procurador Regional da República e Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL.

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Pinóquios

Marcelo Alves Dias de Souza*

É sabido que a construção de uma “consciência moral” se dá com quase todos nós desde muito cedo, a partir, entre outras coisas, de histórias/estórias que nos são narradas ainda quando somos crianças, quase todas elas enaltecendo valores como a verdade, a justiça, o amor, a amizade, a solidariedade e por aí vai. Os clássicos da literatura infantil, da ficção infantil em geral, com suas belas estórias, enfrentando temas universais, às vezes até controversos, em linguagem lúdica, direta e acessível, são frequentemente as melhores aulas de moral e ética.

É nesse contexto, de literatura infantil “educativa”, que entram “As aventuras de Pinóquio” (“Le avventure di Pinocchio”), de 1883, do italiano Carlo Collodi (1826-1890).

Collodi, na verdade Carlo Lorenzini, nasceu e viveu em Florença. Foi escritor e jornalista. Lutou no exército de Giuseppe Garibaldi (1807-1882). Foi ser funcionário público. Mas a grande reviravolta na sua vida veio em 1875, quando, para o nosso deleite, ele se volta para a literatura infantil. Publica bastante nesse gênero de literatura. Em periódicos e em livros. Vem a ser diretor da revista Il Giornale dei bambini. Morre, dizem de um aneurisma, na sua cidade natal, em 1890.

Já quanto às mui afamadas estórias do burratino Pinóquio, consta do guia “Tutto Letteratura Italiana” (De Agostine Editore, 2005): “Romance deveras excepcional é obra do florentino Carlo Collodi (pseudônimo de Carlo Lorenzini, 1826-1890). Autor da afortunada série de estórias de Giannettino (1876) e Minuzzolo (1878), em 1881 Collodi começou a escrever para a recém-nascida revista ‘Il Giornale dei bambini’ um romance em capítulos, a história de um boneco, que, a pedido dos jovens leitores entusiasmados, foi sendo construído até o fim de 1883. Para concluir a estória, o autor foi obrigado a transformar o boneco Pinóquio em uma criança de carne e osso. Nesse mesmo ano, a estória completa sai em volume único com o título As aventuras de Pinóquio. Considerado indiscutivelmente uma obra-prima da literatura infantil, traduzido para uma centena de línguas, formalmente o livro repropõe, em uma linguagem simples e direta, o tema da iniciação à vida de uma criança, da sua gradual descoberta da realidade, nos aspectos positivos e negativos, e também o motivo da queda e do caminho de expiações até a ‘redenção’ final”.

O legado do boneco/fantoche Pinóquio – incluindo aí sua turma, Gepeto, o Grilo Falante, o Gato, a Raposa etc. – é indiscutível. Como dito no manual “Gli spilli fissano le idee – Letteratura Italiana 3” (Edizione Alpha Test, 2016), essa “obra de intenção pedagógica, pela vivacidade narrativa e pela clareza linguística, tornou-se um clássico da literatura universal”. De fato, como consta de uma versão (parcial) em “italiano lingua straniera” que possuo (“Pinocchio, il gato e la volpe”, Editore Hoepli, 2013), “Le avventure di Pinocchio. Storia di un burattino tornou-se a única obra-prima da literatura italiana dos anos 1800 a ter-se estabelecido a nível mundial, como testemunham as muitíssimas traduções, as numerosas imitações e sobretudo as afortunadas adaptações cinematográficas, entre as quais se destaca aquela de Walt Disney”. Pinóquio foi e é muito – aliás, muito mais do que muito – interpretado, ilustrado, representado, adaptado, reescrito, imitado e tantas coisas mais. São tantos Pinóquios…

Com o tempo, Pinóquio virou um ícone da nossa cultura. Se originalmente um boneco de madeira que, após várias aventuras, vira uma criança normal; se, na fábula, alguém que, após altos e baixos, vence a preguiça e a superficialidade; ele hoje virou, entre nós, o seu nome pelo menos, sinônimo de mentiroso. Aquele cidadão, cujo “nariz só cresce”, ele é um “Pinóquio”, diz-se.

Nestes dias em que as mentiras, as “fake news”, são talvez o maior desafio à nossa democracia, seria muito bom a releitura da obra-prima de Collodi – ou leitura, já que duvido muito que esses mentirosos já tenham lido alguma coisa na vida. O original ou alguma das suas versões. Nunca é tarde para aprender uma verdadeira “educação moral e cívica”.

Pois, para quem não sabe, se na fábula educativa do burratino, ao final, o bem ludicamente vence o mal, originalmente o seu autor pretendia que a estória do mentiroso fosse uma tragédia. A coisa não terminaria bem para o boneco boquirroto. Acredito que essa tragédia prevalecerá, após os baixos de hoje e os altos de amanhã, inexoravelmente, para os nossos Pinóquios desumanos.

*É Procurador Regional da República  Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL.

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Mil Ecos

Por Marcelo Alves Dias de Souza*

Nunca neguei o meu imenso apreço pelo escritor Umberto Eco (1932-2016). Já escrevi, mais de uma vez, sobre o seu romance “O nome da rosa” (de 1980 e, no original, “Il nome della rosa”); misturando a coisa com o filme homônimo, de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud e estrelado por Sean Connery, Christian Slater e F. Murray Abraham; e até sugerindo uma espiadela na série “O nome da rosa”, de 2019, uma nova produção italiana, alemã e francesa, que tem John Turturro como o protagonista Guilherme de Baskerville. Acho “O Pêndulo de Foucault” (1988) uma obra-prima da ficção, assim como recomendo os romances posteriores, “A ilha do dia anterior” (1994), “Baudolino” (2000), “A misteriosa chama da rainha Loana” (2004), “O cemitério de Praga” (2011), até o seu derradeiro “O número zero” (2015).

Mas a verdade é que há muitos Ecos. Além de romancista – esta, por sinal, com “O nome da rosa”, uma atividade já tardia do grande italiano e, em princípio, até diletante –, ele foi cronista/ensaísta, professor, bibliófilo, pesquisador incansável, filósofo, crítico de arte, linguista, semiólogo/semioticista e teórico da comunicação, entre outras coisas, tudo junto e misturado.

Eu mesmo topei com esses muitos Ecos em diversas fases da minha vida.

No mestrado, na PUC/SP, o semiólogo/semioticista era personagem frequente nas aulas do professor Paulo de Barros Carvalho, na cadeira de filosofia do direito/lógica jurídica. Não entendíamos muita coisa daqueles conceitos e fórmulas matemáticas, mas hoje, passado o sufoco e olhando para trás, vejo como divertido haver padecido naquele “inferno filosófico”. De toda sorte, tenho aqui comigo o seu “Tratado geral da semiótica” (de 2005, como parte da conhecida “Coleção Estudos” da Editora Perspectiva), que pretende ser uma “verdadeira suma das principais abordagens do tema”, delineando “uma teoria global de todos os sistemas de significação e processos de comunicação”. Eu empresto o dito cujo para quem quiser sofrer também.

Ainda no mestrado e já no doutorado, fiz muito uso de outro livro de Eco, “Como se faz uma tese” (aqui numa edição de 2005, também pertencente à “Coleção Estudos” da Editora Perspectiva). É um livro “antigo”, reconheço. Com as novas ferramentas tecnológicas, pode até ter ficado datado. Mas, nele misturando duas das duas principais ocupações, a de pesquisador e a de professor, Eco nos ensina como ninguém: “(1) o que se entende por tese; (2) como escolher o tema e organizar o tempo de trabalho; (3) como levar a cabo uma pesquisa bibliográfica; (4) como dispor o material selecionado; (5) como dispor a redação do trabalho”. E isso é muito.

Também topei muitas vezes com o Eco cronista e ensaísta. Uma obra, frise-se, vastíssima. “Quase a mesma coisa” (2003), “História da beleza” (2004), “História da feiura” (2007), “A vertigem das listas” (2009) e “História das terras e lugares lendários” (2013), todos livros mais recentes, fizeram e ainda fazem bastante sucesso. E me lembro de haver lido, faz muitos anos, o seu “Diário mínimo” (1963), com crônicas e pequenos textos antes publicados na revista Verri, cheios de ironia e pastiches, para o deleite do então jovem leitor. Escrevo também crônicas e pequenos textos. Não tão bem quanto ele. Mas procuro mimetizar os bons.

Mas acho que – e sobretudo – me identifiquei com as ideias de Umberto Eco. Ou, pelo menos, elas me fizeram pensar. E falo das ideias que dele conheço, pois, de uma obra vastíssima, posso tratar apenas de uma ínfima parte.

São coisas como a advertência de Eco às pessoas para não acreditarem nas teorias conspiratórias e outras baboseiras místicas de estilo. Estas, mesmo intrigantes e sedutoras, são ficções. “Gororobas” culturais e ideológicas que não podem ser levadas de vero. Mas muitos as levam, porque, ao deixarem de acreditar na política, nas instituições, na ciência ou mesmo no Deus da tolerância, passam a acreditar em tudo que os outros, mal-intencionados ou apenas amalucados, lhes dizem. Ou a célebre observação de Eco sobre o “idiota da aldeia”, aquele que ganhou voz com a Internet para espalhar suas platitudes e mentiras, que, desapercebidamente, nós acabamos aceitando. Lembrando que esse não foi um comentário de um “tio do zap”, irascível e reacionário. Mas, sim, a assertiva de um dos maiores teóricos da comunicação da Terra Redonda. Por isso talvez tenha assustado tanta gente. E certamente por isso devemos meditar muito sobre ela.

*É Procurador Regional da República e Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL.

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Tou nem aí

Por Marcelo Alves Dias de Souza*

Na pandemia, afastado de certas atividades por razões sanitárias, tenho aproveitado o tempo para estudar línguas. Refiz o francês na Aliança de Natal. Comecei o alemão no SENAC e, nesta escola, agora reestudo o italiano. Esse tempo dedicado a línguas é um dos poucos efeitos colaterais positivos da peste. Ou, sendo realista, é uma forma de fazer do limão uma limonada.

O fato é que, estes dias, estudante, saí em busca de livros de italiano. Não precisei ir longe. Num dos sebos da Cidade Alta, já topei com coisas que me satisfizeram. Entre elas, uma edição do romance de aventuras “Le tigre di Mompracem” (Editrice Bosqui, 1967), de Emilio Salgari (1862-1912). Capa dura, seminovo e por 1 real. Acreditem.

Emilio Salgari, italiano de Verona, falecido em Torino, foi um autor bastante prolífico. Para lá de 200 títulos se contarmos os seus contos. Romance de aventuras era o seu forte. Coisas em terras distantes e exóticas. Os ciclos dos romances dos “Piratas da Malásia” e dos “Corsários das Antilhas” são os mais badalados. Fez sucesso em vida. Foi imitado postumamente. Inspirou aventureiros. Foi bater no cinema e na TV um sem-número de vezes. Salgari foi e é pop.

“Le tigre di Mompracem”, entre nós “O tigre da Malásia”, é um de seus romances mais cotados. O ano é 1849, está-se na Malásia, e a estória gira em torno do nobre Sandokan (o líder dos Tigres de Mompracem, piratas que lutam contra o terrível poder colonial), seu fiel amigo português Yanez de Gomera e a desejada Lady Marianna Guillonk, a pérola de Labuan. Poder, lutas e uma bela mulher se misturam. O que não faltam são aventuras.

Dito isso, aproveito para fazer algumas observações.

O primeiro livro de fôlego que li em inglês foi um romance de aventuras misturado com ficção científica (um “roman d’anticipation”, diriam os franceses): “Journey to the Center of the Earth”, tradução de “Voyage au centre de la Terre” (1864), de Jules Verne (1828-1905). Tenho certeza de que a sua linguagem simples e divertida, para jovens ou leitores casuais, ainda mais facilitada porque já traduzida para outra língua, produziu enormes ganhos para o meu inglês. Foi fundamental. E também por isso estou lendo agora “Le tigre”.

É verdade que Emilio Salgari, sucesso de público, traduzido para não sei quantas línguas, é muitas vezes esnobado pela “crítica”. No guia “Tutto Letteratura Italiana” (De Agostine Editore, 2005), não encontrei palavra sobre ele. Só fui achar no manual “Gli spilli fissano le idee – Letteratura Italiana 3” (Edizione Alpha Test, 2016), no tópico sobre a literatura para jovens logo após a Unificação italiana, com as seguintes observações – “autor de numerosos contos e romances de aventura: é célebre o ciclo dos corsários (Il corsaro nero, La regina dei Caraibi) e aquele dos piratas da Malásia (Le tigre di Mompracem, I pirati della Malesia, Sandokan alla riscossa). As narrativas, com um estilo fantasioso mas convincente, celebram os valores imortais da honra, da amizade e da defesa dos mais fracos”.

Há nesse esquecimento um bocado de inveja, por não ser ele, Salgari, um “escritor para escritores”, mas, sim, um escritor para o grande público. Ele escrevia aventuras. Romances para jovens. Vendia muito, claro. E tem preconceito, à maneira como se dá com a literatura detetivesca, do tipo Agatha Christie & Cia., por supostamente não se tratar de “alta” literatura.

“Bullshit”, diria, em inglês. Parafraseando uma ideia do nosso Geir Campos (1924-1999), em “O que é tradução” (Brasiliense, 1986), lembro, por exemplo, que uma versão do Hamlet, de Shakespeare, em versos, como era de estilo no teatro do seu tempo, com as palavras e expressões de então, mesmo com notas de pé de página, apenas será útil para “um estudo universitário do teatro ou da linguagem ou dos costumes da Inglaterra seiscentista”. De resto, ela é hoje quase ininteligível. Uma versão em prosa, com as mesmas informações adicionais, melhoraria um tiquinho a coisa. Mas só uma versão “em linguagem bastante fluente, com as indispensáveis informações adicionais inseridas nas falas dos personagens, a fim de facilitar o entendimento” de quem for ver, ouvir ou ler o Hamlet, seria a ideal, tanto para os fins teatrais de hoje como para o aprendizado da língua ora falada na Ilha Britânia. Partindo daí, afirmo que cada texto – ou literatura – tem o seu objetivo. E alguns visam apenas entreter, divertir e o fazem com grande qualidade.

Em assim sendo, tou nem aí para a crítica. Salgari e o seu Tigre cumprem muito bem as suas funções. Italiano bom e divertido de ler e aprender. E me custaram apenas 1 real.

*É Procurador Regional da República e Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL.

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Senado lança livro que resgata autora potiguar

O Senado Federal lança nesta sexta-feira (18), às 10h, o oitavo volume da Coleção Escritoras do Brasil. O livro Dálias decorre de em um manuscrito de Auta de Souza e representa um valioso resgaste histórico. O lançamento ocorrerá no programa Leituras, pelo canal no YouTube da TV Senado e faz parte da série de eventos do Mês da Mulher na instituição. Com esta edição, a série contempla pela primeira vez uma escritora negra, a potiguar considerada a maior poeta da história do Rio Grande do Norte.

Com a coleção Escritoras do Brasil o Senado busca divulgar o trabalho intelectual das escritoras brasileiras que, com o passar do tempo, têm escassa ou nenhuma presença no cenário literário e, assim, valorizar as atividades, a produção e o pensamento da mulher na construção da história do Brasil. “É com muita felicidade que lançamos o livro da Auta de Souza. Por ela ser uma das primeiras poetas negras do Brasil e por sua obra mostrar que as diferenças do tempo em que ela viveu e os atuais são inúmeras, mas os sentimentos, questões como a maternidade, saudades e amores continuam os mesmos”, afirma a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka. A versão digital dos livros da coleção pode ser baixada gratuitamente no site da Livraria do Senado pelo link https://livraria.senado.leg.br/. Na versão em papel, os livros são comercializados a preço de custo.

O livro – Dálias (na grafia original Dhalias) é um manuscrito que contém poemas escritos entre os anos de 1893 e 1897. O manuscrito completo é inédito, mas parte dos poemas foi publicada na imprensa do Império e dos primeiros anos da República e também inserida no único livro publicado em vida pela autora. Horto, de 1900, tem prefácio do poeta parnasiano Olavo Bilac. Especialistas apontam o simbolismo e o parnasianismo como as principais influências da escritora.

Participarão do programa para o lançamento do livro a professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRN e que doutorou-se no ano 2000 com uma tese sobre Auta de Souza, Ana Laudelina Ferreira Gomes, o consultor em História do Rio Grande do Norte e do Brasil, presidente da Academia Macaibense de Letras e responsável pela digitalização do manuscrito que originou o livro, Anderson Tavares de Lyra e a bibliotecária do Senado que trabalhou a transcrição e edição do manuscrito para a publicação, Stella Maria Vaz Santos Valadares.

Sobre a autora

Auta Henriqueta de Souza nasceu em 12 de setembro de 1876 na pequena cidade de Macaíba (RN). Perdeu os pais aos 4 anos de idade e foi criada pela avó materna em Pernambuco. Entrou na escola aos 11 anos de idade mas teve que abandonar os estudos aos 14, em razão da tuberculose, doença que acabou matando Auta antes de completar 25 anos, em fevereiro de 1901.

Esta primeira edição de Dálias, que a Biblioteca do Senado Federal apresenta, é acompanhada do fac-símile de algumas páginas do manuscrito. A digitalização do manuscrito original pode ser consultada na integra na Biblioteca digital do Senado Federal no link: https://www2.senado.gov.br/bdsf/handle/id/593416.

Para mais informações sobre o livro e agendamento de entrevistas, entrar em contato com André Luiz Rêgo (61) 98172-9060 e Patrícia Fernandes (61) 98485-4881.