Em 70 anos, Mossoró teve 15 prefeitos. Só um eleito sem apoio dos Rosados

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Jerônimo Rosado

A força política dos Rosados se tornou quase imbatível desde que Dix-sept Rosado se elegeu prefeito em 1948. Descendentes de Jerônimo Rosado sempre ocuparam espaços na política mossoroense desde o início do Século XX, mas foi a partir deste marco que a dominação começou.

Embora tenha ocupado o cargo equivalente ao de prefeito (até 1928 a função era de intendente) entre 1917 e 1919 e sido vereador em outras oportunidades, Jerônimo Rosado nunca se estabeleceu com liderança, diferente de seu filhos. Falecido em 1930, ele não os viu ascender ao topo da política local no fim dos anos 1940.

São nada menos que 15 prefeitos neste período sendo 10 eleitos pelo voto direto e quatro que encerram os mandatos em substituição ao titular (Jorge Pinto, Joaquim da Silveira Borges, Alcides Belo e Sandra Rosado). Ainda tem o caso de Francisco Mota que foi eleito indiretamente pela Câmara Municipal para encerrar o mandato de Dix-sept Rosado.

O que chama a atenção é que todos chegaram ao poder com apoio dos Rosados direta ou indiretamente. Veja o quadro abaixo:

Prefeito (a) Ano que chegou ao poder Relação com os Rosados
Dix-sept Rosado 1948 Rosado
Jorge Pinto 1950 Aliado
Francisco Mota 1951 Aliado
Vingt Rosado 1953 Rosado
Antônio Rodrigues de Carvalho 1958 e 1969 Na primeira eleição teve apoio dos Rosados. Na segunda foi opositor
Raimundo Soares 1963 Aliado
Joaquim da Silveira Borges 1968 Aliado
Dix-huit Rosado 1973, 83 e 93 Rosado
João Newton da Escóssia 1977 Cunhado de Vingt Rosado
Alcides Belo 1982 Aliado
Rosalba Ciarlini Rosado 1989, 97, 2001 e 2017 Rosado
Sandra Rosado 1996 Rosado
Fafá Rosado 2005 e 2009 Rosado
Claudia Regina 2013 Apoiada por parte dos Rosados
Francisco José Junior 2013 (interino) e 2014 (permanente) Apoiado por Fafá Rosado

Repare que somente Antônio Rodrigues de Carvalho derrotou a família mais tradicional da política mossoroense. No entanto, ele contava com a fama de bom prefeito dos anos 1950 quando ascendeu ao poder com a força dos Rosados. Isso ajudou a vencê-los em 1968 quando bateu Vingt-um Rosado por apenas 98 votos.

2020

Em 2020, como a maior liderança dos Rosados, Rosalba Ciarlini (PP), tentará a reeleição em parceria politica com a prima Sandra Rosado (cujo parentesco sanguíneo é pela família Escóssia).

A ex-prefeita Fafá Rosado (PSB) tenta se movimentar, mas seu peso eleitoral atualmente é quase nulo a ponto de sequer viabilizar uma candidatura a deputada estadual em 2018.

A oposição encontra-se fragmentada e sem nenhum nome que faça um papel de anti-Rosado.

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Entrincheirados, Rosados veem adversários em todos os lados

Por Carlos Santos*

A campanha municipal do próximo ano é decisiva para os Rosados como grupo político-familiar. Seu apogeu já passou, está bem distante, fora mesmo do retrovisor empoeirado. Recorrendo-se a uma analogia, é como o ciclo do petróleo na região mossoroense: já foi, mesmo que continue existindo o ‘ouro negro’ em seu subsolo, por mais e mais tempo – décadas ou séculos.

O pleito 2020 será de subsistência, bem longe do paroxismo de sucessos de alguns tempos atrás. É vencer ou vencer.

Chegaram a ter o governo estadual, dois mandatos (e até três) simultâneos de deputado federal, Prefeitura e controle de Câmara Municipal, tudo ao mesmo tempo. Obtiveram assentos no Senado (direta e indiretamente) e sempre foram próceres do Palácio do Planalto.

Em 2018, Sandra e Rosalba enfurnaram-se na periferia e zona rural, mas não evitaram derrots humilhantes (Foto: arquivo/BCS)

A última vez que elegeram alguém para a Assembleia Legislativa foi há nove anos, em 2010 (Larissa Rosado-PSDB). Ela própria, certamente o melhor quadro político Rosado-raiz em atividade, coleciona quatro derrotas à municipalidade e duas a estadual.

Na Câmara dos Deputados, Beto Rosado (PP) reelegeu-se a duras penas, tendo que duelar nos escaninhos da Justiça Eleitoral.

Em termos de Governo do RN, o clã aboletou Kadu Ciarlini (PP) como vice de Carlos Eduardo Alves (PDT) em 2018, mas perdeu nos dois turnos. Em Mossoró, a derrota foi ainda mais dolorosa, mesmo com a prefeita e mãe de Kadu, Rosalba Ciarlini (PP), enfurnando-se na periferia e zona rural com toda estrutura municipal à mão.

Estão entrincheirados no Palácio da Resistência (nome bem adequado à sede da municipalidade) com o mandato da “Rosa” e um assento no Legislativo (vereadora Sandra Rosado-PSDB). É muito pouco. E para tentar voltar a ter tamanho além dos limites de Mossoró, precisa desesperadamente vencer o embate de 2020.

Para os seus eventuais adversários, a chamada oposição não-rosado, essa não será uma eleição de vida ou morte.

Será diferente.

É a segunda campanha paroquial que vão ter, nessa nova configuração, após décadas de Rosado x Rosado polarizando no mesmo campo político.

O rosadismo/rosalbismo não tem adversário até o momento, mesmo com profundo desgaste em imagem, números e votos recentes, mas vê fantasmas com rostos disformes em todos os lados. O comportamento é obsessivo.

Compreensível essa inquietação. Pela forma como o grupo começa a ‘perseguir’ esses inimigos, da mídia à política, percebe-se que a patologia está se acentuando perigosamente.

Tática espontânea ou planificada, o fato de na oposição ninguém – à exceção do PCdoB de Gutemberg Dias – se apresentar como pré-candidato, deixa o governismo ainda mais indócil, impaciente e sem saber para onde atirar.

Na dúvida, ataca tudo que se mexa ou possa representar uma ameaça.

Com pesquisas regulares em mãos, o governismo sabe que a qualquer momento pode surgir uma chapa competitiva, capaz de catalizar uma multidão “do contra”: contra os Rosados, contra o rosalbismo, contra o establishment, contra Potiguar e contra o Baraúnas. Do contra.

Em 2016, essa insatisfação já tinha aflorado no pleito municipal, quando do nada surgiu uma multifacetada ala oposicionista. Em 2018 houve visíveis decepções nas urnas. Então, compreensível, que 2020 cause tantos calafrios.

Lá, no próximo ano, os Rosados estarão outra vez misturados porque ficaram fracos, desnutridos. A “união” é paradoxalmente um sinal de debilidade, não de força.

Os fatos, números eleitorais recentes e pesquisas (atuais) que possuem mostram isso. Eles sabem que eu sei que eles sabem. O webleitor menos atento agora também sabe.

*É jornalista e editor do Blog Carlos Santos

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Eleição 2018 pode concluir “desoligarquização” do RN

Wilma iniciou o processo de “desoligarquização” de dentro para fora

O processo de “desoligarquização” do Rio Grande do Norte começou em 2002 com a vitória de Wilma de Faria (PSB) para o Governo do Estado. Não que ela não tivesse uma origem oligárquica, mas ela iniciou de dentro para fora a derrocada da dominação familiar na política potiguar.

Wilma foi reeleita em 2006, mas não conseguiu reeleger Fernando Bezerra (PTB) senador. Alves, Maias e Rosados estavam com as três vagas no Senado. Mesmo assim a política do Rio Grande do Norte nunca mais seria a mesma. As oligarquias que antes se enfrentava precisavam se manter unidas para sobreviver.

Em 2010 foi a eleição que deu fôlego aos oligarcas potiguares com o “voto casado” elegendo Rosalba Ciarlini (DEM) governadora e reelegendo os senadores Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM).

Mas em 2014 viria o recado do eleitorado com as vitórias de Fátima Bezerra (PT) para o Senado e Robinson Faria (PSD) para o Governo numa aliança pequena, mas que se mostrou capaz de fazer frente ao poderio oligárquico que mesmo unido acabou derrotado.

Em 2018, até aqui, o cenário é preocupante para o trio de sobrenomes que sempre dominou a política do Rio Grande do Norte. Para o Governo do Estado Fátima lidera com alguma gordura a ponto de ter chances de vitória no primeiro turno. Para o Senado o capitão da PM Styvenson Valentim (REDE) lidera. Garibaldi Alves Filho resiste, mas está em empate técnico com Zenaide Maia (PHS), que a despeito do sobrenome não é uma integrante da oligarquia Maia de Agripino.

Há um risco de pela primeira vez desde a redemocratização nenhuma oligarquia ocupar as três vagas no Senado nem o comando do Governo do Estado. Seria a conclusão do processo iniciado há 16 anos com Wilma de Faria de dentro para fora das oligarquias, mas agora no sentido inverso, de fora para dentro.

Mas por enquanto não tem nada definido, repito.

Oligarquia é o regime político em que o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas, pertencentes ao mesmo partido, classe ou família.

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