Eleições potiguares: calmaria em Natal e o declínio dos Rosado em Mossoró

Álvaro Dias (PSDB), atual prefeito de Natal (RN) e reeleito em 2020 (Imagem: Reprodução/Facebook)

Por Alan Lacerda*

A referência à calmaria no título é irônica, na medida em que denota o desinteresse do eleitorado natalense por novidades na gestão municipal. Pela segunda vez consecutiva, um prefeito é reeleito no primeiro turno sem ter realmente uma marca estruturante de gestão. Também pela segunda vez a vitória ocorre no primeiro turno, com relativa facilidade. Até os percentuais em votos válidos dos três candidatos (incluindo o titular no cargo) que obtiveram mais de 10% dos votos válidos foram parecidos com os da disputa de 2016 (ver tabela abaixo).

Não há anomalia entre o resultado eleitoral e a popularidade do ocupante do cargo. O prefeito Álvaro Dias (PSDB), o vice eleito em 2016 que assumiu o cargo em 2018, após a saída do titular para a disputa de governador, gozava de elevada taxa de aprovação (no indicador binário aprova/desaprova) do eleitorado, chegando a 66% na pesquisa Seta divulgada em 2 de novembro. O mesmo deu-se na competição de 2016 com Carlos Eduardo Alves (PDT), seu antecessor e integrante da família política Alves.

Há dois legados políticos, todavia, cujos efeitos não podem ser mensurados diretamente, que precisam ser mencionados aqui. A desastrosa gestão de Micarla de Sousa (PV), que apareceu como novidade em 2008 com uma campanha eficiente que a levou a vencer a atual governadora Fátima Bezerra (PT), então deputada federal, já no primeiro turno. No comentário político, é comum a constatação de que o eleitorado da capital potiguar tornou-se cauteloso a partir de então – o que pôde se verificar com o retorno de Carlos Eduardo à Prefeitura no pleito de 2012. Ele já havia ocupado o posto entre 2002 e 2008.

O segundo legado é o da fraqueza da oposição municipal, que não consegue estabelecer um contraponto persistente aos prefeitos na Câmara Municipal e no debate público. Os candidatos só aparecem como oposição estritamente municipal no ano da eleição, reforçando a já referida cautela do eleitor, que decide contra eles. Tais fatores são basicamente locais, não podendo ser atribuídos seja ao contexto potiguar seja ao nacional.

1 - Elaboração própria - Elaboração própria
Candidatos a prefeitura de Natal em 2016 e 2020 Imagem: Elaboração própria

É possível detectar duas diferenças importantes entre as duas competições. Primeiro, houve maior dispersão no número de candidatos a prefeito neste ano, com o lançamento de dez aspirantes. Isso em nada dificultou, porém, a tarefa do prefeito em relação ao seu antecessor. Segundo, um candidato da direita radical atingiu o limiar de 10% dos votos, na figura de Sergio Leocadio (PSL), um delegado da Polícia Civil – ele concorreu, inclusive, pelo mesmo partido ao qual já pertenceu o presidente Jair Bolsonaro. O senador Jean-Paul Prates (PT) apenas amealhou alguns pontos a mais do que o seu correligionário, o hoje secretário estadual Fernando Mineiro (PT).

A fisionomia da campanha na capital foi marcadamente diferente dos eventos congêneres no interior. O uso de máscaras pelos políticos e por parte dos seus apoiadores parece ter sido maior em Natal, assim como foram menores o entusiasmo e as aglomerações nas ruas produzidos pela corrida eleitoral. Mesmo disputas pouco acirradas geraram maior interesse no interior potiguar.

Por fim, é bom registrar que a força ampliada do prefeito Álvaro Dias não significa necessariamente que ele está livre para a disputa de governador em 2022. Como parte do acerto entre PDT e PSDB, o ex-prefeito Carlos Alves, que cogita disputar novamente o pleito de governador, indicou como vice-prefeita Aila Cortez, pedetista e parente de sua esposa. Uma eventual saída de Dias implicaria o retorno do PDT à titularidade do cargo.

Disputa eleitoral em Mossoró segue padrão interiorano

Em contraste, a campanha na segunda maior cidade do estado, Mossoró (uma eleição ainda de maioria simples) seguiu o referido padrão interiorano, sendo bastante disputada entre a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), uma integrante da família política Rosado, e o deputado estadual Allyson Bezerra (SD). A “Rosa”, como é conhecida no vocabulário político local, não havia perdido nenhuma eleição para a Prefeitura da cidade desde 1996, tendo apoiado candidaturas vitoriosas em 2004, 2008 e 2012. Nos demais pleitos, 1996, 2000 e 2016, ela própria logrou a vitória. Seu primeiro triunfo foi em 1988.

Em termos táticos, o objetivo central de Rosalba tinha que ser dividir o voto da oposição, em virtude do fato de sua avaliação positiva, a soma de ótimo e bom nas pesquisas, ser medíocre, variando entre 30% e 35% na maioria das sondagens. Bezerra, no entanto, tornou-se rapidamente o único candidato competitivo da oposição durante a campanha, canibalizando votos que poderiam ir para outros nomes oposicionistas.

A rigor, o pleito adquiriu uma polarização similar à observada em disputas de segundo turno, com a baixa avaliação da gestão sendo o limitador central do crescimento da prefeita. No fim, Allyson Bezerra obteve mais de 65 mil votos (47,52%), contra pouco mais de 59 mil (42,96%) da atual gestora. A derrota de Rosalba pode vir a marcar um declínio dos Rosado, que já chegaram a eleger dois governadores do estado, incluindo ela própria.

Finalmente, cumpre falar sobre eventuais efeitos da disputa sobre o âmbito estadual e a eleição de 2022. Espelhando de certa forma o resultado nacional do partido, o PT potiguar também teve desempenho insatisfatório no que toca às eleições de prefeito. A agremiação lançou candidatos em 26 dos 167 municípios do RN, tendo sido vitoriosa em apenas três cidades; um caso ainda está sub judice.

O resultado pode gerar certa perplexidade, dado o fato de que a atual governadora é uma petista. No entanto, Fátima Bezerra tem seu próprio ciclo político, que culminará com a tentativa de reeleição em 2022. Ela enfrentou queda generalizada de popularidade neste ano, em função da reforma previdenciária estadual e das medidas restritivas contra a pandemia. Fátima parece focada na área da segurança pública, com a contratação de mais de mil policiais militares, e na quitação de duas folhas salariais deixadas pelo governo anterior. É fato também que sua popularidade começa a melhorar em vários municípios. Na minha avaliação, não é possível inferir dos resultados das disputas municipais uma fraqueza eleitoral da gestora em 2022.

*É professor associado da UFRN e doutor em Ciência Política pelo (antigo) Iuperj. Texto extraído do UOL.

Esse texto foi elaborado no âmbito do projeto Observatório das Eleições de 2020, que conta com a participação de grupos de pesquisa de várias universidades brasileiras e busca contribuir com o debate público por meio de análises e divulgação de dados. Para mais informações, ver: www.observatoriodaseleicoes.com.br

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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O futuro do sandrismo

Larissa terá recomeço como vereadora (Foto: cedida)

O sandrismo acumula décadas de derrotas políticas. No período de divisão dos Rosados perdeu seis das sete eleições em que se confrontou diretamente com o rosalbismo.

Para ser justo com a história: só venceu em 1992 coadjuvando Dix-huit Rosado, que voltara a se entender com Vingt Rosado, aceitando a sobrinha Sandra Rosado como vice.

Hoje o grupo não ostenta o poderio do passado. Está fora da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa há duas eleições gerais.

O hoje o grupo se segura no mandato de Sandra como vereadora. Logo ela será substituída por Larissa Rosado que tenta um recomeço na vereança.

O grupo perdeu protagonismo. Não lidera oposição nem governo. Sequer teve autonomia política para sustentar uma ruptura política com a ainda prefeita Rosalba Ciarlini (PP) nas eleições deste ano.

O sandrismo terá que se adaptar a uma nova dura realidade. Não tem espaço no Governo do Estado. Não terá na Prefeitura de Mossoró a partir de janeiro.

Viverá um novo pior momento em breve.

O futuro não será fácil muito embora a luz ainda persista em estar acesa por meio do carisma de Larissa.

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Eleição de 2020 dá continuidade à desoligarquização do RN

Agripino e Rosalba encerram uma aliança de três décadas
Oligarcas perdem força no RN (Foto: Web/autor não identificado)

A eleição de 2018 foi emblemática pelo colapso oligárquico. O agripinismo, os Alves e os Rosados saíram absurdamente enfraquecidos.

Hoje a tríade oligárquica não tem as principais vagas políticas. Não tem o Governo do Estado, não empresta seus sobrenomes pomposos ao vice-governador e os três senadores não integram o seu sistema.

Nas eleições de 2020 os Rosados perderam a Prefeitura de Mossoró, sofrendo a primeira derrota em 52 anos. Mas não para por aí.

Em Pau dos Ferros a hegemonia da família de Getúlio Rego foi interrompida com Marianna Almeida (PSD) batendo Leonardo Rego (DEM), algo inimaginável meses antes da eleição.

Em Assú, a tradicional família Soares só manteve o poder municipal por míseros cinco votos.

Na capital, Álvaro Dias (PSDB) venceu no primeiro turno mantendo a capital como o principal bastião oligárquico do Rio Grande do Norte. Mas para isso ele precisou esconder políticos da estirpe de Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM), principais líderes políticos do Estado na virada do Século.

A estrutura de poder de Rosados, Maias e Alves é fortemente arraigada no Rio Grande do Norte, mas aos poucos vai se desmantelar.

O ano de 2022 dirá se o processo continuará ou se teremos uma interrupção.

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Atuação Lairinho foi fundamental para manter “união” dos Rosados

A “união” das principais bandas políticas da família Rosado foi mantida a duras penas e muita conversa nos últimos dias. Neste processo o secretário municipal de desenvolvimento econômico Lairinho Rosado (PSDB) foi fundamental.

Ele atuou em defesa da manutenção da aliança dos dois grupos que disputaram o poder em Mossoró por mais de 30 anos.

Lairinho agiu como o bombeiro que apagou o incêndio dentro da própria casa mantendo politicamente “unidas” as duas alas mais importantes da família Rosado.

O secretário ganhou pontos com o rosalbismo.

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Mais um projeto político é cooptado pelos Rosados

Aluizistas resistiam aos Rosados na edição de 26 de abril de 1980 da Gazeta do Oeste (Foto: arquivo/Blog do Barreto)

Uma tradição política de Mossoró nos últimos 70 anos é a da cooptação política dos adversários pelos Rosados, grupo hegemônico na cidade.

Todos que ousaram alguma vez enfrentar os Rosados em algum momento foram cooptados por eles. Poucos resistiram aos encantos de Vingt e Dix-huit Rosado no passado. Poucos escapam de em algum momento da vida política ter tido alinhamento direto ou indireto com Fafá Rosado, Sandra Rosado ou Carlos Augusto Rosado/Rosalba Ciarlini.

No passado um exemplo clássico é o dos ex-deputados estaduais Manoel Mário, Lauro da Escóssia Filho e Assis Amorim. O primeiro deixou a condição de aluizista da resistência aos Rosados para se converter em um rosalbista de quatro costados. O último chegou a ter “um voto contra Vingt Rosado” como slogan de campanha para deputado estadual, o que lhe rendeu uma vitória em 1970.

No início dos anos 1980 o médico Leodécio Fernandes Néo combateu os Rosados e tentou se colocar como alternativa, mas terminou sendo um grande aliado da família no final daquela década.

O PT que combateu os Rosados por 28 anos terminou indicando o vice de Larissa Rosado por duas eleições consecutivas: 2008 (Tércio Pereira) e 2012 (Josivan Barbosa).

Agora é a vez de Jorge do Rosário, que formatou em 2016 junto com Tião Couto um projeto de empresários para fazer frente à família que domina Mossoró. Rosário se torna em 2020 o que por muito pouco não foi há quatro anos: o vice de Rosalba. Ele que já foi aliado dela no passado, agora retorna ao antigo lar político.

O rosalbismo agiu com régua e compasso a estratégia de atração do empresário. Primeiro poupou ele da máquina de destruir reputações que possui. O foco sempre foi atacar os deputados estaduais Isolda Dantas e Allyson Bezerra (SD). O poupado Jorge era afagado nos bastidores até se tornar vice da prefeita de Mossoró.

A história se repetiu mais uma vez.

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Em 70 anos, Mossoró teve 15 prefeitos. Só um eleito sem apoio dos Rosados

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Jerônimo Rosado

A força política dos Rosados se tornou quase imbatível desde que Dix-sept Rosado se elegeu prefeito em 1948. Descendentes de Jerônimo Rosado sempre ocuparam espaços na política mossoroense desde o início do Século XX, mas foi a partir deste marco que a dominação começou.

Embora tenha ocupado o cargo equivalente ao de prefeito (até 1928 a função era de intendente) entre 1917 e 1919 e sido vereador em outras oportunidades, Jerônimo Rosado nunca se estabeleceu com liderança, diferente de seu filhos. Falecido em 1930, ele não os viu ascender ao topo da política local no fim dos anos 1940.

São nada menos que 15 prefeitos neste período sendo 10 eleitos pelo voto direto e quatro que encerram os mandatos em substituição ao titular (Jorge Pinto, Joaquim da Silveira Borges, Alcides Belo e Sandra Rosado). Ainda tem o caso de Francisco Mota que foi eleito indiretamente pela Câmara Municipal para encerrar o mandato de Dix-sept Rosado.

O que chama a atenção é que todos chegaram ao poder com apoio dos Rosados direta ou indiretamente. Veja o quadro abaixo:

Prefeito (a) Ano que chegou ao poder Relação com os Rosados
Dix-sept Rosado 1948 Rosado
Jorge Pinto 1950 Aliado
Francisco Mota 1951 Aliado
Vingt Rosado 1953 Rosado
Antônio Rodrigues de Carvalho 1958 e 1969 Na primeira eleição teve apoio dos Rosados. Na segunda foi opositor
Raimundo Soares 1963 Aliado
Joaquim da Silveira Borges 1968 Aliado
Dix-huit Rosado 1973, 83 e 93 Rosado
João Newton da Escóssia 1977 Cunhado de Vingt Rosado
Alcides Belo 1982 Aliado
Rosalba Ciarlini Rosado 1989, 97, 2001 e 2017 Rosado
Sandra Rosado 1996 Rosado
Fafá Rosado 2005 e 2009 Rosado
Claudia Regina 2013 Apoiada por parte dos Rosados
Francisco José Junior 2013 (interino) e 2014 (permanente) Apoiado por Fafá Rosado

Repare que somente Antônio Rodrigues de Carvalho derrotou a família mais tradicional da política mossoroense. No entanto, ele contava com a fama de bom prefeito dos anos 1950 quando ascendeu ao poder com a força dos Rosados. Isso ajudou a vencê-los em 1968 quando bateu Vingt-um Rosado por apenas 98 votos.

2020

Em 2020, como a maior liderança dos Rosados, Rosalba Ciarlini (PP), tentará a reeleição em parceria politica com a prima Sandra Rosado (cujo parentesco sanguíneo é pela família Escóssia).

A ex-prefeita Fafá Rosado (PSB) tenta se movimentar, mas seu peso eleitoral atualmente é quase nulo a ponto de sequer viabilizar uma candidatura a deputada estadual em 2018.

A oposição encontra-se fragmentada e sem nenhum nome que faça um papel de anti-Rosado.

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Entrincheirados, Rosados veem adversários em todos os lados

Por Carlos Santos*

A campanha municipal do próximo ano é decisiva para os Rosados como grupo político-familiar. Seu apogeu já passou, está bem distante, fora mesmo do retrovisor empoeirado. Recorrendo-se a uma analogia, é como o ciclo do petróleo na região mossoroense: já foi, mesmo que continue existindo o ‘ouro negro’ em seu subsolo, por mais e mais tempo – décadas ou séculos.

O pleito 2020 será de subsistência, bem longe do paroxismo de sucessos de alguns tempos atrás. É vencer ou vencer.

Chegaram a ter o governo estadual, dois mandatos (e até três) simultâneos de deputado federal, Prefeitura e controle de Câmara Municipal, tudo ao mesmo tempo. Obtiveram assentos no Senado (direta e indiretamente) e sempre foram próceres do Palácio do Planalto.

Em 2018, Sandra e Rosalba enfurnaram-se na periferia e zona rural, mas não evitaram derrots humilhantes (Foto: arquivo/BCS)

A última vez que elegeram alguém para a Assembleia Legislativa foi há nove anos, em 2010 (Larissa Rosado-PSDB). Ela própria, certamente o melhor quadro político Rosado-raiz em atividade, coleciona quatro derrotas à municipalidade e duas a estadual.

Na Câmara dos Deputados, Beto Rosado (PP) reelegeu-se a duras penas, tendo que duelar nos escaninhos da Justiça Eleitoral.

Em termos de Governo do RN, o clã aboletou Kadu Ciarlini (PP) como vice de Carlos Eduardo Alves (PDT) em 2018, mas perdeu nos dois turnos. Em Mossoró, a derrota foi ainda mais dolorosa, mesmo com a prefeita e mãe de Kadu, Rosalba Ciarlini (PP), enfurnando-se na periferia e zona rural com toda estrutura municipal à mão.

Estão entrincheirados no Palácio da Resistência (nome bem adequado à sede da municipalidade) com o mandato da “Rosa” e um assento no Legislativo (vereadora Sandra Rosado-PSDB). É muito pouco. E para tentar voltar a ter tamanho além dos limites de Mossoró, precisa desesperadamente vencer o embate de 2020.

Para os seus eventuais adversários, a chamada oposição não-rosado, essa não será uma eleição de vida ou morte.

Será diferente.

É a segunda campanha paroquial que vão ter, nessa nova configuração, após décadas de Rosado x Rosado polarizando no mesmo campo político.

O rosadismo/rosalbismo não tem adversário até o momento, mesmo com profundo desgaste em imagem, números e votos recentes, mas vê fantasmas com rostos disformes em todos os lados. O comportamento é obsessivo.

Compreensível essa inquietação. Pela forma como o grupo começa a ‘perseguir’ esses inimigos, da mídia à política, percebe-se que a patologia está se acentuando perigosamente.

Tática espontânea ou planificada, o fato de na oposição ninguém – à exceção do PCdoB de Gutemberg Dias – se apresentar como pré-candidato, deixa o governismo ainda mais indócil, impaciente e sem saber para onde atirar.

Na dúvida, ataca tudo que se mexa ou possa representar uma ameaça.

Com pesquisas regulares em mãos, o governismo sabe que a qualquer momento pode surgir uma chapa competitiva, capaz de catalizar uma multidão “do contra”: contra os Rosados, contra o rosalbismo, contra o establishment, contra Potiguar e contra o Baraúnas. Do contra.

Em 2016, essa insatisfação já tinha aflorado no pleito municipal, quando do nada surgiu uma multifacetada ala oposicionista. Em 2018 houve visíveis decepções nas urnas. Então, compreensível, que 2020 cause tantos calafrios.

Lá, no próximo ano, os Rosados estarão outra vez misturados porque ficaram fracos, desnutridos. A “união” é paradoxalmente um sinal de debilidade, não de força.

Os fatos, números eleitorais recentes e pesquisas (atuais) que possuem mostram isso. Eles sabem que eu sei que eles sabem. O webleitor menos atento agora também sabe.

*É jornalista e editor do Blog Carlos Santos

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Eleição 2018 pode concluir “desoligarquização” do RN

Wilma iniciou o processo de “desoligarquização” de dentro para fora

O processo de “desoligarquização” do Rio Grande do Norte começou em 2002 com a vitória de Wilma de Faria (PSB) para o Governo do Estado. Não que ela não tivesse uma origem oligárquica, mas ela iniciou de dentro para fora a derrocada da dominação familiar na política potiguar.

Wilma foi reeleita em 2006, mas não conseguiu reeleger Fernando Bezerra (PTB) senador. Alves, Maias e Rosados estavam com as três vagas no Senado. Mesmo assim a política do Rio Grande do Norte nunca mais seria a mesma. As oligarquias que antes se enfrentava precisavam se manter unidas para sobreviver.

Em 2010 foi a eleição que deu fôlego aos oligarcas potiguares com o “voto casado” elegendo Rosalba Ciarlini (DEM) governadora e reelegendo os senadores Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM).

Mas em 2014 viria o recado do eleitorado com as vitórias de Fátima Bezerra (PT) para o Senado e Robinson Faria (PSD) para o Governo numa aliança pequena, mas que se mostrou capaz de fazer frente ao poderio oligárquico que mesmo unido acabou derrotado.

Em 2018, até aqui, o cenário é preocupante para o trio de sobrenomes que sempre dominou a política do Rio Grande do Norte. Para o Governo do Estado Fátima lidera com alguma gordura a ponto de ter chances de vitória no primeiro turno. Para o Senado o capitão da PM Styvenson Valentim (REDE) lidera. Garibaldi Alves Filho resiste, mas está em empate técnico com Zenaide Maia (PHS), que a despeito do sobrenome não é uma integrante da oligarquia Maia de Agripino.

Há um risco de pela primeira vez desde a redemocratização nenhuma oligarquia ocupar as três vagas no Senado nem o comando do Governo do Estado. Seria a conclusão do processo iniciado há 16 anos com Wilma de Faria de dentro para fora das oligarquias, mas agora no sentido inverso, de fora para dentro.

Mas por enquanto não tem nada definido, repito.

Oligarquia é o regime político em que o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas, pertencentes ao mesmo partido, classe ou família.

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