Fátima necessita ajustar crítica aos oligarcas do RN

Em um outro contexto o final do primeiro turno em 7 de outubro tornaria o pleito do dia 28 uma mera formalidade no Rio Grande do Norte. Foram mais de 220 mil votos de maioria para a senadora Fátima Bezerra (PT) deixando ela a poucos sufrágios de se tornar governadora.

Ainda mais em um quadro em que o adversário dela, Carlos Eduardo Alves (PDT), estava com a campanha em depressão por estar arrodeado de políticos derrotados. Sem contar que o prometido em Mossoró não foi entregue e ele só foi ao segundo turno graças ao desempenho em Natal, onde foi prefeito por quatro vezes.

Mas como se trata de uma candidata do PT a favorita ao Governo e em um contexto de antipetismo exacerbado o oponente Carlos Eduardo pode nutrir esperanças colando no bolsonaristas.

Enquanto Carlos Eduardo bate forte no PT, Fátima explora de forma cautelosa a questão das oligarquias. Somente nos dois últimos programas eleitorais que estão tocando no assunto. A falha, em minha opinião, reside na carência do discurso de causa e efeito. Tratam Carlos como Alves por ser Alves sem associar o atraso econômico do Rio Grande do Norte ao sistema oligárquico de mais de 40 anos.

O eleitor reage melhor quando enxerga base fática no discurso. Tem que mostrar que as famílias priorizaram o compadrio em vez de investir na modernização da máquina pública, mas isso não é feito. Tem que mostrar cada ex-governador de sobrenome Alves, Maia e Rosado tem responsabilidade na crise de hoje.

Também é preciso mostrar, hoje isso já apareceu, que nos nossos vizinhos o desenvolvimento veio, coincidência ou não, após a aposentadoria das famílias tradicionais.

Até aqui o que se faz vitimiza Carlos e leva o eleitor antipático ao PT a pensar: “não podemos julgar o candidato pelo sobrenome”. Isso tem sentido se não associar o atraso do Rio Grande do Norte ao modelo de gestão das últimas décadas, repito.

Carlos surfa no antipetismo sem que Fátima faça os ataques aos oligarcas pegar na veia.

Nota do Blog: Fátima já foi aliada dos Alves e Rosados em situações pontuais assim como Carlos Eduardo Alves apoiou e recebeu apoio do PT em diversas oportunidades. Mas esse é o tema colocado para as duas candidaturas no segundo turno. Carlos explora sem pudor com o passado. Fátima se contém.

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Carlos Eduardo não fere a honra da família Alves ao declarar apoio a Bolsonaro. Entenda a história

Aluízio Alves com os articuladores do golpe de 1964 Magalhães Pinto e Milton Campos

Li algumas críticas ao candidato ao Governo do Estado Carlos Eduardo Alves (PDT) por declarar apoio a Jair Bolsonaro (PSL). A grita gira em torno sempre do passado de perseguição sofrido pelos ícones políticos de sua família pela ditadura militar exaltada pelo presidenciável.

De fato, o pai de Carlos Eduardo, o jornalista Agnelo Alves, foi perseguido pelo regime. Chegou a ser preso por duas notas publicadas na Tribuna do Norte e teve os direitos políticos cassados assim como o tio do pedetista, Aluízio Alves.

Mas também é preciso lembrar que os Alves não foram uma resistência raiz da ditadura dos fardados. Foram entusiastas de primeira hora do golpe de 1964 e compuseram a “Arena Verde” nos primórdios da ditadura.

Aluízio participava das escolhas dos governadores no ciclo biônico como foi no caso de Lavoisier Maia

Só depois, após perder uma disputa interna contra Dinarte Mariz, que Aluízio foi cassado por dez anos pela ditadura em 1969. Mesmo assim ele se manteve influente nas escolhas dos governadores biônicos e formalizou uma aliança com a família Maia (aliada do regime) em 1978 no que ficou conhecida como paz pública.

Sempre que foi conveniente, a família Alves não teve dificuldades em deixar de lado as mágoas pela repressão do passado.

O fato de Bolsonaro ser fã do regime militar é o de menos.

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Cid falou verdades inconvenientes na hora errada e antecipa reflexão pós-eleitoral

Cid fala verdades na hora errada

Ganhou o mundo o vídeo em que o senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT) desafiou a militância petista a fazer um mea culpa e cobrou autocrítica pelos erros do PT no poder.

As verdades inconvenientes proferidas por Cid foram antecipadas, por coincidência, por este operário da informação durante a live do diário das eleições no Facebook de ontem.

O problema é que Cid não escolheu o momento adequado fazendo um discurso de adversário que faz o favorito nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL) vibrar. Dá até para desconfiar que foi proposital.

Mas o que importa é que o petismo tem muito a aprender com a derrota que virá no dia 28. Vai ter que fazer autocrítica sim.

Aqui pondero que não é só o PT que deve se autocriticar, mas os demais partidos. O PSDB afundou numa derrota humilhante no dia 7 de outubro. O MDB diminuiu de tamanho. O PP se esconde no ranço contra o PT, mas é o partido campeão no ranking da corrupção. O DEM deixou de ser partido grande faz tempo.

Poderia ficar o dia inteiro escrevendo sobre quem precisa fazer autocrítica, mas o foco é o PT. O partido é o mais cobrado pelo tamanho e representatividade que tem. Só os fanáticos bolsonaristas e antipetistas não conseguem enxergar avanços civilizatórios na era petista. Pegam 18 meses do governo Dilma cravam como se fosse o conjunto de uma obra de 13 anos.

É injusto.

O PT vai precisar rever a forma como se comunica para não repetir o erro tucano que não soube defender o legado de FHC. A vitória de Bolsonaro terá ele ocupando a mídia dia sim dia sim satanizando o PT como Lula fez com FHC.

Será um grande desafio encarar isso do outro lado balcão.

O PT terá que reorientar sua militância para que respeite quem pensa diferente no processo de reconquista da simpatia popular. A empáfia do esquerdista que se sente intelectualmente superior ao “jumentalizado” terá que ser revista.

É essa mágoa das discussões passadas que faz com que muitos topem arriscar conquistas trabalhistas, sociais e até mesmo pessoais votando em um candidato de perfil autoritário e imprevisível apenas pela satisfação de ver o PT derrotado.

Tem muita coisa a se refletir sobre o comportamento da esquerda nos próximos anos. Agora ela tem diante de si não um tucano sem base social, mas uma versão piorada de tudo que a direita poderia produzir e com algo inédito no outro lado do espectro político: base social.

O batido de Cid Gomes seria didático se não fosse na hora errada por favorecer o adversário.

 

 

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Eleitor antipetista faz migração em massa para Carlos Eduardo, mas só isso não define a eleição

A pesquisa Certus/FIERN trouxe um dado que precisa ser observado com rigor e cuidado: o eleitor antipetista que não votou em Carlos Eduardo Alves migrou de forma automática e incondicional para o candidato do PDT.

Esse fato já está consumado e era esperado antes do final do primeiro turno. Agora o trabalho de Carlos Eduardo é consolidar esse eleitorado e conquistar os indecisos.

Desde o final do primeiro turno ele apresenta viés de crescimento, com curva para cima. Entendo que a pesquisa Certus também trouxe essa situação favorável.

Mas é preciso lembrar que é muito mais antipetismo do que méritos do candidato. Quer um fato? A eleição de 7 de outubro foi desastrosa para os aliados de Carlos Eduardo. Ele tem em torno de si um palanque de derrotados, o que em outra circunstância colocaria o desempenho dele para baixo, mas ele já tinha um crescimento garantido dentro de um nicho eleitoral que estava por dentro do eleitorado de Robinson Faria e Brenno Queiroga (ver AQUI).

A junção da militância bolsonarista que se confunde com o antipetismo será o grande trunfo do ex-prefeito de Natal no segundo. Mas só isso não será suficiente para reverter o quadro.

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Pesquisa Certus acende alerta na campanha de Fátima

Os 46,17% conquistados por Fátima Bezerra (PT) nas urnas se converteu 53,62% de intenções de voto conforme a pesquisa do Instituto Certus encomendada pela FIERN. Já Carlos Eduardo Alves (PDT) que teve 32,45% foi para 46,38%.

Lógico que o resultado do pleito é 100% confiável e a pesquisa nos dá uma noção do cenário sem garantia de precisão total. Em termos metodologia é uma comparação questionável, mas de uma forma ou de outra temos um quadro inegável de crescimento de Carlos Eduardo.

Não chega a ser surpresa que ele receba automaticamente 100% dos votos antipetistas desferidos a outros candidatos na disputa pelo Governo do Estado. O que espanta é ele crescer o dobro de Fátima tornando a eleição em aberto e flertando com o empate técnico.

Para Fátima é um alerta significativo.

A petista recebeu dezenas de apoios e isso foi pouco massificado tendo uma semana amplamente favorável, mas mal explorada em termos de ocupação de espaços.

No horário eleitoral, ela se recusa a adotar de forma contundente o discurso contra as oligarquias enquanto Carlos Eduardo abraça o antipetismo como se fosse antipático ao partido de primeira hora.

O assunto até foi explorado hoje de forma discreta e utilizando o candidato derrotado ao Senado Alexandre Motta (PT).

Tudo bem que no passado Fátima já foi parceira de todas as oligarquias e teve o apoio dos Alves na eleição para Prefeitura de Natal em 2008, mas Carlos Eduardo não se importa com o passado de “parça” do PT e agora é Bolsonaro “desde criança”.

Carlos que está num palanque de derrotados em nível de Rio Grande do Norte encontrou na empolgação da militância bolsonarista o oxigênio que tira a campanha dele da UTI eleitoral.

Já Fátima insiste numa tática de “paz e amor” em meio a um ambiente de guerra verbal. Se acordar tarde demais pode ser engolida pela onda bolsonarista que a contragosto deixa de lado a antipatia com os oligarcas para derrotar o inimigo maior: o PT.

Uma autocrítica a campanha de Fátima se faz necessária. Carlos Eduardo torce que isso não ocorra.

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Diálogo no Congresso Nacional pode ser substituído por bullying digital

Por Leonardo Sakamoto

Mais de 12 milhões de desempregados e 64 mil mortes violentas por ano, junto à incapacidade da política em encontrar soluções efetivas (inclusive para depurar a si mesma), alçaram o discurso da mudança ao papel de estrela das eleições. ”Discurso”, ressalte-se, não a mudança em si, porque a análise das propostas por trás dele, não raro, mostram saudades da estrutura social do Brasil Colônia.

Os brasileiros, com isso, decidiram renovar seu parlamento – 243 dos 513 deputados federais nunca ocuparam esse cargo, ou seja, 47,4% do total. Mais da metade dos deputados não se reelegeu. Grandes nomes envolvidos pela operação Lava Jato em casos de corrupção não se reelegeram, outros grandes nomes sim. Os partidos que mais perderam cadeiras foram o PSDB (-25) e MDB (-31), protagonistas do processo de impeachment de Dilma Rousseff e de escândalos. Há bons nomes eleitos pela primeira vez, da esquerda à direita, que prometem melhorar o debate político.

Aumentou de 10% para 15% o números de mulheres eleitas na Câmara dos Deputados, mas seguimos com uma porcentagem inferior à do Níger (17%), país com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo. Ou seja, tudo deve ser visto em seu contexto.

Portanto, vale ressaltar que renovação não significa melhoria. Afinal, ao contrário do que ensina o filósofo Tiririca, pior do que está, ah, sim, fica. Em português claro: no fundo do poço pode ter um alçapão.

É uma ginastica mental tentar imaginar o que será do Congresso Nacional sem parte de seus principais articuladores do centro, centro-direita, que foi defenestrada pela população. A tendência natural do cidadão comum é entender a palavra ”articulador” como ”corrupto”, quando isso não é necessariamente verdade. Bem, é que no caso de muitos dos nobres parlamentares era sim.

Qualquer parlamento do mundo precisa de pessoas que conheçam bem as regras e leis e saibam fazer política, ou seja, dialogar muito, costurar saídas, levar um grupo a ceder aqui, o outro ceder ali e dialoguem com posições polarizadas A democracia é o cumprimento das decisões da maioria, desde que respeitada a dignidade da minoria. Ignorar isso no parlamento não apenas esgarça instituições, como pavimenta o caminho para um Estado autoritário. Este blog conversou com três deputados eleitos de diferentes partidos e colorações ideológicas para discutir esse cenário.

No Brasil de Michel Temer, tivemos um ensaio da quebra. Pautas do empresariado que deu suporte ao impeachment (Reforma Trabalhista e Lei da Terceirização Ampla) e do mercado (Emenda do Teto dos Gastos) foram enfiadas goela abaixo na Câmara e no Senado, sem o devido debate e sem possibilidade de tornar as mudanças mais palatáveis à população mais vulnerável. Mas, ainda assim, havia um mínimo de diálogo em muito articulado por nomes fortes do Congresso.

Sem articuladores que topem fazer pontes e não tenham preguiça de fazer política, abre-se a possibilidade da minoria viver em obstrução ou, a depender do presidente da Câmara que vier a ser eleito, dos regimentos da Câmara e do Senado serem rasgados todos os dias. O Supremo Tribunal Federal seria chamado, a todo o momento, para mediar a relação entre base governo e oposição –  o que seria péssimo.

E o que acontecerá se o diálogo for substituído por coação digital contínua? A pressão popular é e sempre foi legítima para influenciar no processo parlamentar, apesar da truculência com movimentos populares, como no dia 24 de maio de 2017, quando o governo despejou porrada, bomba e bala de borracha na Esplanada dos Ministérios. Abaixo-assinados e mensagens a parlamentares em nome de pautas importantes fazem parte das ferramentas do cidadão.

Mas qual será a reação se alguns deputados federais, senadores ou mesmo o chefe do Poder Executivo acharem que podem jogar seus seguidores para ameaçar parlamentares a cada nova proposta de seu interesse em trâmite no Congresso, usando WhatsApp e redes sociais? Aliás, não apenas seguidores, como também consultorias contratadas para entregar esse serviço, disparando dezena de milhares de mensagens por dia, que fazem parte desse ecossistema. O que acontece se alguém decidir exercer seu mandato usando o medo digital como arma?

A propaganda teve um papel fundamental para manter o controle do partido nazista sobre a Alemanha após sua ascensão ao poder por via eleitoral. Oitenta anos depois, a máquina de manipulação do debate público montada por Donald Trump em sua administração ajuda no suporte ao governo por parte de seus eleitores, anulando a influência de investigações e denúncias por parte da imprensa. Não somos nem a Alemanha da década de 1930, nem os Estados Unidos de hoje, com suas instituições em que freios e contrapesos funcionam melhor. O resultado, por aqui, é imprevisível.

Fala-se muito de um suposto aumento do poder das bancadas ruralista, do fundamentalismo religioso e corporativa de agentes da segurança pública – o chamado BBB, boi, bíblia e bala. É cedo, porém para afirmar que Jair Bolsonaro, se vier a ser eleito, conseguirá ignorar a negociação com os partidos tradicionais (e suas demandas) e tratar diretamente com as bancadas. Primeiro, por que não se sabe ainda o tamanho dessas bancadas – exceção à de segurança pública, as outras devem cair. Segundo, essas bancadas perderam nomes fortes, que sabiam operar no Congresso, especialmente a ruralista.

Claro que nomes são substituíveis. O deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) e o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), relatores da Reforma Trabalhista, não se reelegeram. Marinho teve grandes doações eleitorais de donos de megaempresas, mesmo assim, naufragou. Enquanto isso, Ronaldo Nogueira (PTB-RS), ex-ministro do Trabalho, que apoiou a reforma e ficou marcado por aprovar uma portaria que enfraquecia o combate ao trabalho escravo, dificultando a libertação de trabalhadores, também não se reelegeu à Câmara. Fizeram o serviço ao empresariado, mas outros ocuparão seus lugares. O mesmo não se pode dizer de parlamentares que estava há muito tempo e faziam essas pontes.

Não eram grandes articuladores. Apenas as pessoas úteis na hora certa.

Contudo, falar para seguidores nas redes sociais é bem diferente de liderar articulações no Congresso Nacional.

Em entrevista a Carla Jiménez, do El País, o professor Fernando Limongi, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e do Núcleo de Instituições Políticas e Eleições, lembrou que muita gente não exerce força porque não sabe ou não gosta de conversar e fazer política. ”O que fez do Eduardo Cunha aquela pessoa imensamente poderosa? A capacidade de conhecer aquilo, como aquilo funciona. O cara era uma máquina. Sabe tudo, tinha controle sobre absolutamente tudo, com três celulares. Não é coisa para amador. Tem um voluntarismo bobo que tomou conta da juventude e empresários. De que tudo com boa vontade se resolve… as pessoas entram em conflito.”

O Congresso Nacional é o local para que conflitos sejam resolvidos dentro de regras, onde saídas são costuradas, evitando assim que diferentes grupos sociais entrem em embate direto no resto do país. Nosso parlamento é uma tragédia que não funciona bem, mas nem por isso é justificativa para ser subvertido – ruim com ele, pior sem. Se o diálogo for interditado pela falta de articulação ou por conta do medo e da perseguição, haverá descontentamento dos grupos cujos representantes forem ignorados no parlamento. E, dependendo de quem estiver nos governos federal e estaduais, diante dos protestos consequentes, virá pesada repressão do poder público. Isso é óbvio para quem sabe fazer política, mas obscuro para quem prefere o atalho do assédio, do bullying, da ameaça.

Para muitos analistas, seria difícil aparecer uma legislatura tão complicada quanto esta que termina no começo do ano. A experiência, essa sábia senhora, pede, contudo, que se espere até o 2019 antes de avaliações tão cheias de certeza.

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Falta água e sabão à ‘frente democrática’ do PT

Por Josias de Souza

 

Numa entrevista de porta de cadeia, o grão-petista Jaques Wagner insinuou nesta quinta-feira (11) que todos os atores políticos comprometidos com a democracia têm a obrigação de aderir voluntariamente à “frente democrática” pró-Haddad. “A responsabilidade com o país nessa esquina da história brasileira é de voluntariado”, declarou Wagner. “Não acho que ninguém tenha que ser convidado. Quem tem responsabilidade tem que vir para dentro de uma plataforma democrática.”

A formulação de Jaques Wagner é tola e desonesta. Flerta com a tolice porque carrega nas entrelinhas a mensagem segundo a qual o PT faz ao país o favor de liderar uma cruzada anti-Bolsonaro. Roça a desonestidade porque o orador bem sabe que seu partido tornou-se um pedaço do problema, não da solução.

Ainda não se formou defronte do comitê de campanha de Fernando Haddad nenhuma fila de lideranças políticas ávidas por aderir à “frente democrática” do PT. Ao contrário. Ciro Gomes voou para a Europa. Marina Silva trancou-se em suas mágoas. Fernando Henrique Cardoso observa a movimentação de esguelha. Todos já foram vítimas de cotoveladas de Lula e do petismo.

Novo coordenador político do comitê de campanha de Haddad, Wagner encontrou os repórteres depois de conversar com Lula na cadeia. Era portador de um recado do presidiário. Ele mandara dizer que o PT, “com seus acertos e com seus erros”, sempre respeitou a democracia e as instituições. Conversa fiada.

A teoria da conspiração contra Lula, a “alma mais honesta desse país”, joga água no moinho antidemocrático do desrespeito às decisões judiciais e da fantasia de uma imprensa venal a serviço de uma elite invisível. As coisas seriam mais simples se pessoas como Lula, Wagner e Haddad admitissem que o PT operou como caixa registradora de propinas e que a cúpula partidária foi parar na cadeia porque cometeu crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Em vez de autocrítica, Wagner despejou sobre os microfones autoelogios: “Continuo dizendo que o que a gente fez pela democracia brasileira e pelo povo é infinitamente maior do que os erros, que são públicos e eu não preciso relatar.” Os petistas têm dificuldades para chamar seus crimes pelo nome. Preferem classificar de “erros”, eufemismo para roubalheira.

Além de engordar patrimônios individuais, o mensalão e o petrolão não foram senão atentados contra a democracia, mecanismos de compra de apoio congressual com verbas surrupiadas do Estado. Quem acompanhou o processo de julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, no ano passado, pôde perceber no voto do ministro Herman Benjamin que o mandato de 2014 foi comprado com verbas sujas da Odebrecht. Ao enterrar as ações por 4 votos contra 3, o TSE apenas piorou o soneto.

Com um pano de fundo assim, tão enodoado, a formação de uma frente anti-Bolsonaro encabeçada por Haddad seria vista como uma tentativa de enxaguar a roupa suja do petismo. Salvar-se-ia não a democracia, mas o PT. O petismo parece não ter percebido o que está se passando. Bolsonaro só chegou à antessala do gabinete presidencial porque representa os interesses da maior força política existente hoje no Brasil: o antipetismo. Falta água e sabão à proposta de “frente democrática” do PT.

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UM OLHO NO GATO E OUTRO NO PEIXE

Por Francisco Carlos

Embora rejeite rótulos e patrulhamento ideológico, me declaro defensor da liberal democracia, do livre mercado e do meio-ambiente. Repudio a xenofobia, o racismo, a homofobia, a tortura, o preconceito religioso e de classe. Denuncio o maniqueísmo ideológico e condeno a forma majoritária de fazer campanha político-eleitoral. Defendo a liberdade política, científica e religiosa, como princípios para garantir igualdade de direitos e de oportunidades.

Em relação à eleição neste ano de 2018, rechaço as estratégias político-eleitorais dos dois principais candidatos à presidência da república e seus seguidores, que buscam demonizar adversários e construir cenários de medo, tensão e divisão entre os brasileiros. Com isso, esperam garantir plateia e eleitores. Apesar disso, o Brasil não está na iminência de uma guerra civil, nem se tornará o que cada candidato afirma, caso seu oponente seja eleito.

Partidos constroem discursos para representar e garantir espaços de apoio na sociedade, um pedaço (partido) da sociedade, que lhe garanta sustentação para alcançar o poder e mantê-lo. Para isso, esperam que o resultado da sua pregação seja expresso na forma de votos favoráveis.

Os partidos, por meio dos candidatos e da fé dos seus seguidores, procuram convencer os eleitores pela negação e desconstrução do oponente, em detrimento da valorização de ideias e propostas. Os candidatos buscam obter apoio social projetando características negativas no adversário, em detrimento da valorização da qualidade e viabilidade da sua agenda política, econômica, social e ambiental.

O candidato Jair Bolsonaro e seus seguidores propagam que, caso Fernando Haddad seja eleito, ocorreria uma fragilização da família e dos bons costumes cristãos, com disseminação da ideologia de gênero e do aborto, aconteceria uma ruína da economia devido ao viés estatizante e o crescente déficit público, ocorreria o avanço da violência, consequência da liberação do consumo de drogas, leniência com a bandidagem e a declarada libertação de 350 mil condenados a pequenas penas. Além disso, o Brasil passaria a ser governado por dirigentes corruptos, que levariam o país a uma ditadura socialista e ao caos social semelhante ao que ocorre na Venezuela.

O candidato Haddad e seus seguidores, por sua vez, propagam que uma eventual eleição de Bolsonaro, submeteria o país a uma ditadura fascista, na qual gays e negros seriam perseguidos e discriminados. Os pobres perderiam seus direitos, os trabalhadores seriam espoliados e as mulheres sofreriam ainda mais sob o jugo machista, diminuindo seu status humano e social. Além disso, a violência social cresceria porque o candidato defende a liberalização do porte de armas e apresenta um viés belicoso, propenso a soluções não democráticas.

De algum modo, os dois candidatos oferecem elementos que facilitam a adoção desses discursos. Contudo, afirmo que essa retórica está substancialmente equivocada e maculada pelo objetivo de poder ou, no mínimo, pela necessidade de garantir a fidelização de militantes políticos. As campanhas eleitorais não deveriam ser pautadas pela propaganda negativa e a rotulação dos adversários com adjetivos depreciativos.

Infelizmente, milhões de brasileiros reproduzem discursos construídos para servir a estratégias de poder, como verdades a qual todos devem se converter. Neologismos pejorativos são construídos para rotular e depreciar as qualidades do oponente: Eleitor de Haddad é petralha ou esquerdoparta, ou seja: esquerdista doentio, ativista gay, corrupto e/ou defensor de corruptos. Eleitor de Bolsonaro é bolsomínio ou facista, a saber: misógino, homofóbico e racista com tendências ditatoriais. Quem não assimila a propaganda politica automaticamente perde o respeito, sem direito a um cordial cumprimento.

Refuto esse maniqueísmo. Denuncio a insensatez e não aceito incentivar ou fazer parte desse tipo de política e alerto: minha posição é apenas uma entre outras possíveis. Acredito ser a melhor postura, mas não a defendo como uma verdade universal.

Acredito que não há santos ou demônios em nosso escopo político-partidário. Observando de perto, o mais santo guarda um tridente debaixo da túnica e o demônio projetado no outro, tem uma auréola. A política não é a luta do bem contra o mal, é um embate ideológico de verdades relativas, dinâmicas e passageiras. O que se quer, é alcançar e manter posições sociais.

A política sempre expressa verdades limitadas e provisórias, razão pela qual não é prudente assumir fervorosa e irremovível defesa de posições político-partidárias. Como não é um dogma, a política é fluída, sujeita a lentas alterações ou radicais mudanças de posição. Em condições democráticas, é um ambiente no qual se expressa o antagonismo de ideias e visões conflitantes sobre o mundo ideal.

A cada eleição, as imagens projetadas sofrem alterações, se invertem ou se misturam. Neste ano, partidos e candidatos rotulados de golpistas devido ao impeachment de Dilma Rousseff, apoiam ou são prazerosamente apoiados pelos golpeados, em nome de convenientes arranjos de curto prazo para obtenção de poder político. Com isso, o adversário que personifica o mal, recebe uma benção redentora.

Neste enredo, há os ideólogos e os propagadores de discursos e plataformas políticas. Os ideólogos elaboram estratégias e discursos, sempre sabem o que fazem e o que querem. Os propagadores estão divididos entre os disseminadores conscientes e os ignorantes. Alguns conhecem os equívocos e limitações do discurso, enquanto outros, movidos pela boa fé, não conseguem perceber o maniqueísmo ao qual estão sujeitados.

O Brasil não está dividido entre fascistas e comunistas, ou mesmo entre maquiavélicos ideólogos e alienada massa de manobra. Há outras divisões e alternativas. Embora o tema não esteja esgotado, está lançado o apelo em favor da moderação, da parcimônia e do equilíbrio e fica uma exortação: defenda firmemente suas crenças, sempre considerando a possibilidade do erro e o que pode aprender com seus oponentes. Escolha seu candidato, com um olho no gato e outro no peixe.

*É professor da UERN e vereador pelo PP em Mossoró/RN.

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Confronto do Antipetismo x antioligarquia transforma segundo turno no RN em campanha de exclusão

Fátima e Carlos Eduardo representam projetos desgastados

Dois candidatos que representam as espécies políticas mais desgastadas da política atualmente: o petista e o oligarca estão na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte neste segundo turno. Será uma campanha de exclusão.

Fátima Bezerra (PT) flertou com a vitória no primeiro turno, mas terminou tendo 46,17% dos votos válidos e terá que enfrentar Carlos Eduardo Alves (PDT) no próximo dia 28.

Fátima montou um palanque pequeno com PHS e PC do B, colocando em risco seu êxito eleitoral para garantir espaços importantes na disputa proporcional. De uma forma ou de outra deu certo. A chapa dela elegeu Zenaide Maia (PHS) para o Senado e conquistou três vagas (sendo duas do PT) para a Assembleia e duas para a Câmara Federal.

Mas contra Fátima pesa a filiação partidária. O PT se lambuzou na lama da corrupção nos últimos anos despertando a ira popular. No entanto, é um partido em processo de recuperação política impulsionado pelos eleitores nordestinos, mas sempre sob desconfiança pelo passado recente muito embora Fátima Bezerra tenha passado ilesa no mensalão e petrolão.

Na outra ponta Carlos Eduardo, um legítimo representante da política tradicional. Membro da oligarquia Alves ele carrega consigo o peso de uma chapa distópica que reuniu as famílias Alves, Maia e Rosado desgastadas demais junto aos eleitores do Rio Grande do Norte.

Apesar dos 32,45 % de votos válidos, ele chega ao segundo turno cercado de aliados derrotados como José Agripino Maia (DEM), Garibaldi Alves Filho (MDB), Beto Rosado (PP) e Larissa Rosado (PSDB). Só um deputado federal foi eleito e a bancada da Assembleia Legislativa ficou aquém do esperado.

Carlos não é propriamente um político imune a escândalos nem sua família. Ele carrega um peso escondido representado na figura do ex-ministro Henrique Alves, seu primo.

A eleição do dia 28 será um plebiscito para saber quem é mais rejeitado no Rio Grande do Norte o petismo ou as oligarquias.

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Bolsonaro vira tábua de salvação para o rosalbismo

Rosalbismo cola em movimentação política de Bolsonaro em Mossoró

Arrasado pelo resultado das urnas no domingo o rosalbismo encontrou na popularidade de Jair Bolsonaro (PSL) em Mossoró uma tábua de salvação no segundo turno das eleições.

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não conseguiu eleger nenhum de seus aliados no domingo. O presidenciável mais votado em Mossoró foi Bolsonaro que não tinha o apoio explícito dela (conforme me informei a prefeita votou em Ciro) embora muitos dos militantes rosalbistas estivessem alinhados com o candidato do PSL. Ele teve 44.402 votos.

Mesmo com apoio de Rosalba e o voto útil de antipetistas, Carlos Eduardo terminou derrotado na capital do Oeste com 37.243 votos. Foram 9.391 sufrágios a menos que Fátima Bezerra (PT) que pouco fez campanha no segundo maior colégio eleitoral do RN e ainda teve que administrar problemas internos no diretório local de seu partido.

Já Rosalba se dedicou pessoalmente em todas as movimentações políticas em favor de Carlos Eduardo e do filho Kadu.

Não precisa nem falar das votações pífias de Antônio Jácome (PODE) e Garibaldi Alves Filho (MDB) em Mossoró. Eles contavam com o apoio da prefeita.

Para virar o jogo, Rosalba colou no bolsonarismo. Ontem o candidato a vice-governador Kadu Ciarlini (PP) esteve presente numa movimentação política do PSL em Mossoró. Quem estava a frente das ações era o deputado federal eleito General Girão, ex-auxiliar da “Rosa” no Governo e Prefeitura de Mossoró.

Um dos grandes problemas para o rosalbismo é a ausência de renovação da militância. Os jovens se distanciaram do seu esquema político, mas se entusiasmam com Bolsonaro e suas ideias ultraconservadoras. A mistura é um reforço para um grupo político tradicional tentar colar sua imagem em movimentações populares e o principal: atribuir para si um eventual crescimento de Carlos Eduardo e Bolsonaro dentro dos limites de Mossoró.

Será como colocar uma peneira para tapar o sol que ilumina o desastre político de domingo.

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