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Agripino tenta nomeação de Ivan Junior antes que Fátima volte da China

O Jornal Agora RN revelou que o presidente estadual do União Brasil José Agripino Maia corre contra o tempo para garantir a nomeação do ex-prefeito Ivan Junior (União Brasil) como superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Rio Grande do Norte.

O objetivo é garantir a nomeação antes que a governadora Fátima Bezerra (PT) volte da China.

Agripino, antipetista histórico, estaria indicado um ex-candidato a vice-governador na chapa bolsonarista de Fábio Dantas (SD) e Rogério Marinho (PL).

Além disso, circula nas redes sociais vídeos em que Ivan ataca o PT, o presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff, inclusive recorrendo a informações falsas.

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Cotado para cargo na Codevasf, Ivan Junior já atacou Lula

Segundo o Portal Agora RN o presidente estadual do União Brasil José Agripino Maia estaria próximo de indicar o ex-prefeito de Assu Ivan Junior para comandar a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Rio Grande do Norte.

Ivan é antipetista de carteirinha, foi candidato a vice-governador na chapa bolsonaristas liderado pelo senador Rogério Marinho (PL) nas eleições do ano passado.

Nas redes sociais resgataram uma entrevista do ano passado à rádio Princesa do Vale, em Assú, Ivan descascou o PT acusando Lula de ter dado uma guinada à extrema-esquerda (com Alckmin de vice?), dizendo que os erros processuais não eram suficientes para inocentar o atual presidente e que as pedaladas fiscais prejudicaram as prefeituras na gestão de Dilma Rousseff (informação falsa).

Notícia corrigida às 8h50. Na versão original dava conta que Ivan estava cotado para comandar a Codevasf em nível nacional.

Confira o vídeo:

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Empresa potiguar lidera ranking de vitórias em licitações da Codevasf, aponta reportagem sobre contratos indícios de cartel

A empreiteira potiguar CLPT foi a campeã em licitações vencidas na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a empresa é suspeita de fazer parte de um esquema de cartel conforme indicou reportagem sobre os contratos assinados pelo presidente Lula (PT) fruto de concorrências realizadas ainda na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

A reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que Lula manteve as indicações do centrão para a estatal, que teve o nome envolvido em vários negócios suspeitos nos quatro anos.

A CLPT tem como sócio-administrador Mario Lino de Mendonça Neto. Ele foi candidato a vice-prefeito da cidade de Upanema (RN) pelo MDB, nas eleições de 2020.

São R$ 144 milhões em contratos.

Um dos casos abordados pela reportagem é a licitação vencida para realizar obras em Minas Gerais, Estado que tem mais de 200 empreiteiras. Somente quatro entraram na disputa, inclusive oferecendo descontos maiores, por meio de pregão eletrônico. A CLPT levou a melhor mesmo oferecendo o menor desconto (1%), porque nenhuma das outras concorrentes efetivou os descontos na prática.

Esse tipo de ocorrência é considerado indício de cartel conforme os manuais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Os contratos de pregões suspeitos da gestão de Bolsonaro foram assinados nos primeiros dias da gestão de Lula.

Leia a reportagem completa AQUI.

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MP investiga desfile de Allyson com veículos da Codevasf

Cláudio Palheta

O Ministério Público do RN (MPRN) está investigando o desfile realizado pelo prefeito Allyson Bezerra (SDD) com veículos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) pelas ruas de Mossoró durante a campanha eleitoral deste ano.

Em outubro o prefeito exibiu 14 veículos entregues pela Codevasf pelas ruas da cidade. Allyson gravou vídeo agradecendo ao senador eleito Rogério Marinho (PL) e ao presidente Bolsonaro.

O jornalista Bruno Barreto, editor do Blog do Barreto, recebeu intimação do MPRN hoje (21) para informar às autoridades, em até dez dias, quem gravou e enviou o vídeo da carreata, que foi republicado em seu twitter em 20 de outubro. De acordo com o MP, a investigação está ocorrendo na esfera eleitoral.

Por meio de suas redes sociais, Bruno adiantou que não conhece o autor do vídeo e que teve acesso ao material por meio de um grupo do aplicativo whatsapp.

“Acabei de receber uma intimação do Ministério Público para informar quem gravou e enviou para mim o vídeo em que o prefeito Allyson Bezerra desfilou com veículos da Codevasf. Adianto aqui que não sei quem gravou e que peguei de um grupo no zap”, afirmou pelo twitter.

O jornalista ainda lembrou que mesmo que soubesse quem é o real autor da gravação, não divulgaria, em respeito ao sigilo da fonte jornalística.

“Ainda que soubesse quem fez a gravação ou tivesse recebido no privado não revelaria evocando o artigo 5° da constituição que me garante o sigilo da fonte. Considero irrelevante saber quem gravou o vídeo para as investigações. Mas é bom saber que o caso está sendo apurado”, concluiu.

Confira o vídeo da carreata 

 

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Mossoró e mais duas cidades do RN estão no top 10 das mais atendidas pelo “tratoraço”

A reportagem da Folha de S. Paulo sobre o abuso da máquina pública por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) nestas eleições revelou que Mossoró, Caicó e Assu estão entre as cidades que mais receberam equipamentos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Mossoró é a terceira cidade do país mais atendida.

A estatal foi aparelhada politicamente durante o período em que o senador eleito Rogério Marinho (PL) era ministro do desenvolvimento regional.

 

A reportagem lembra que há quatro anos Rogério ficou na suplência de deputado federal e agora se elegeu senador.

Em outro trecho, a reportagem lembra do desfile de veículos doados pela Covasf feito pelo prefeito Allyson Bezerra (SD) – saiba mais AQUI – e destaca que o caso está sendo investigado como abuso de poder político para favorecer Rogério em denúncia formulada pelo segundo colocado nas eleições para o Senado Carlos Eduardo Alves (PDT).

“De acordo o levantamento do adversário, 110 prefeitos que apoiaram Marinho receberam repasses do governo federal que totalizaram R$ 482 milhões”, diz o texto.

Vale lembrar que Mossoró foi um centro de distribuição dos equipamentos que ficaram guardados em um pátio da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

A Codevasf é alvo de investigações pelo esquema conhecido como “tratoraço” que teria superfaturado a compra de equipamentos agrícolas.

Confira a reportagem AQUI.

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Carreata de Allyson com veículos da Codevasf vira assunto nacional e símbolo do uso da máquina na campanha de Bolsonaro

Uma reportagem da Folha de S. Paulo trouxe o prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (SD) como símbolo da exploração da máquina pública feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) nestas eleições.

Segundo a reportagem, foram liberados R$ 100 mil em verbas e benefícios por hora no período eleitoral. Ao todo já R$ 247 milhões em mais de 100 mil itens distribuídos desde julho.

É aí que a história de Allyson entra para exemplificar o uso da máquina federal. “Na semana passada, nas ruas centrais de Mossoró (RN), uma carreata com veículos ganhos da estatal chegou a ser realizada com participação do prefeito do município, Alysson Bezerra (Solidariedade)”, relembra.

O prefeito exibiu (ver vídeo abaixo) 14 veículos entregues pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Allyson gravou vídeo agradecendo ao senador eleito Rogério Marinho (PL) e ao presidente Bolsonaro.

 

A reportagem lembra ainda que o prefeito é citado nas investigações sobre o abuso de poder político e econômico de Marinho nestas eleições. “Bezerra é um dos citados em investigações da Justiça Eleitoral contra Marinho sob suspeita de abuso de poder político e econômico, nas quais há relatos de que prefeitos passaram a apoiá-lo após repasses da Codevasf e do ministério que ele comandava”, afirma.

O material traz também áudios de políticos que revelam pressão sobre funcionários públicos para favorecer o ex-ministro e Bolsonaro.

O prefeito tem dito publicamente que está neutro para evitar bater de frente com o grosso do eleitorado que deu uma vitória ao ex-presidente Lula (PT) na cidade com 61,06% dos votos válidos.

Desde o ano passado a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) serviu de local para guardar equipamentos. Uma das fotos usadas na reportagem abordam esse tema.

Leia a reportagem completa AQUI.

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Neutro? Allyson faz desfile para promover governo Bolsonaro em Mossoró

O prefeito Allyson Bezerra (SD) interrompeu o sempre movimentado trânsito do Centro de Mossoró para fazer um desfile de caçambas e caminhões doados para a Prefeitura de Mossoró via Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Confira no vídeo abaixo:

https://twitter.com/Barreto269/status/1583135536717647872

Nos stories do Instagram o prefeito contou que foram 14 equipamentos sendo dois tratores, dois caminhões, quatro caçambas, cinco carros-pipas e uma retroescavadeira. “Maquinário para a zona rural de Mossoró. São 14 equipamentos que chegaram agora para somar para o homem do campo de Mossoró”, disse. “São equipamento que chegam para a gente ajudar o homem do campo”, frisou.

Allyson aproveitou para agradecer ao senador eleito Rogério Marinho (PL) e ao presidente candidato a reeleição Jair Bolsonaro (PL) pelo envio dos equipamentos. “Queremos agradecer a Covasf e ao então ministro Rogério Marinho que nos recebeu em Brasília e escutou o nosso apelo e graças a Deus fez acontecer e tornar realidade. Agradecer ao presidente Bolsonaro por essa entrega para a nossa Zona Rural”, declarou.

Allyson ainda anunciou a criação da Gerência de Infraestrutura Rural.

Contexto

O desfile realizado por Allyson em pleno pico de movimentação no Centro de Mossoró acontece no contexto da disputa eleitoral do segundo turno e das pressões para que declare apoio ao presidente que tenta a reeleição. Oficialmente ele se diz neutro, mas ficou bem claro qual o lado dele.

O Blog do Barreto consultou três advogados. Um descartou crime eleitoral por não se tratar de uma eleição municipal. Um cravou que seria crime eleitoral e o terceiro avaliou que o ato dá margem para uma investigação de abuso de poder político por se tratar de uma parceria com o Governo Federal.

A entrega de equipamentos com esse tipo de desfile não é comum.

Tratoraço

A Codevasf é alvo de investigações pelo esquema conhecido como “Tratoraço” que trata da distribuição de equipamentos agrícolas superfaturados. O caso estourou quando Rogério Marinho ainda era ministro do desenvolvimento regional.

O volume de recursos atinge um total de R$ 3 bilhões em todo o Brasil e há casos de equipamentos que chegam a 259% acima dos valores de referência.

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Rogério tem nome citado em reportagem sobre cartel do asfalto que fraudou R$ 1 bilhão em obras do Governo Bolsonaro

A Folha de S. Paulo traz reportagem sobre o cartel do asfalto que fraudou R$ 1 bilhão em licitações no Governo Federal tendo a frente o Ministério do Desenvolvimento Regional que na maior parte da atual gestão foi comandado pelo hoje senador eleito Rogério Marinho (PL).

A matéria mostra que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem contado com a ajuda do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira, um indicado do atual mandatário nacional, que na função de relator do caso tem blindado o avanço das investigações.

O caso mostra que as obras são tocadas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, que contratou a Engefort através de licitações consideradas suspeitas.

Confira a reportagem:

Cartel do asfalto fraudou licitações de R$ 1 bilhão no governo Bolsonaro, aponta TCU

 

Por Flávio Ferreira

Mateus Vargas

Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) revela indícios da ação de um cartel de empresas de pavimentação em fraudes a licitações da estatal Codevasf que somam mais de R$ 1 bilhão no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

A investigação da área técnica do TCU foi motivada por uma série de reportagens da Folha e constatou que um grupo de empresas agiu em conluio em licitações tanto na sede da Codevasf, em Brasília, como nas suas superintendências regionais, “representando um risco à própria gestão” da empresa pública.

O levantamento afirma que a construtora Engefort é a principal beneficiada do suposto esquema, vencendo editais com indícios de fraude que somam R$ 892,8 milhões.

Como revelou a Folha, a empreiteira maranhense dominou as licitações da estatal em 2021 e em parte delas usou a empresa de fachada Del, o que foi confirmado pelos técnicos do tribunal.

Para realizar o pente-fino, o TCU adotou como base um guia de combate a cartéis usado pelo Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Com isso, diz ter encontrado evidências de que as ações do cartel do asfalto envolveram propostas de fachada e combinação de rodízio entre as empresas.

A auditoria apurou que houve expressivo aumento do volume licitado, tanto em lotes como em recursos, mas ao mesmo tempo ocorreu redução da concorrência e uma diminuição abrupta do desconto médio nas licitações entre 2019 e 2021.

As situações mais graves foram detectadas no ano passado. Nas 50 licitações que venceu em 2021, a Engefort deu em média um desconto de apenas 1%, o que foge do padrão de mercados em que há competitividade normal.

Considerando todas as licitações realizadas pela Codevasf desde o primeiro ano do atual governo, o desconto médio despencou de 24,5% para 5,32% em três anos.

Mesmo admitindo a gravidade da situação, o ministro do TCU relator do caso, Jorge Oliveira, contrariou o parecer da área técnica do tribunal e não suspendeu o início de novas obras ligadas às licitações sob suspeita. Oliveira chegou ao TCU por indicação de Bolsonaro, de quem é amigo.

A Codevasf já é alvo de investigação da Polícia Federal, que diz ter encontrado indícios de corrupção na superintendência do Maranhão, com pagamento de R$ 250 mil a um gerente que foi alvo de operação no mês passado.

Também há duas semanas a Folha flagrou a Codevasf instalando cisternas às vésperas da eleição em residências marcadas com adesivos de propaganda do deputado federal Elmar Nascimento, líder da União Brasil na Câmara dos Deputados, após intermediação de um vereador aliado em Juazeiro (BA). Isso, segundo especialistas, configura uma situação de compra de votos.

Elmar foi responsável pela indicação do atual presidente da Codevasf, Marcelo Andrade Moreira Pinto.

A Codevasf é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), que na maior parte do período investigado pelo TCU era comandado por Rogério Marinho (PL-RN). Neste mês Marinho assumiu a coordenação de campanha de Bolsonaro no Rio Grande do Norte após ser eleito senador pelo estado no último dia 2.

As publicações da Folha sobre as manobras licitatórias da Codevasf e a participação de empresa de fachada nas concorrências vencidas pela Engefort chamaram a atenção da área técnica do TCU, que resolveu analisar todas as disputas realizadas entre 2018 e 2021 pela Codevasf, somando cerca de R$ 4 bilhões.

“Diante de tais notícias, em abril de 2022, avaliou-se, no âmbito da SeinfraOperações, a existência de indícios de fraude à licitação nos certames de pavimentação”, segundo a auditoria.

O trabalho foi realizado por duas áreas de fiscalização do TCU, a SeinfraOperações e a SeinfraUrbana, que esquadrinharam cada lance dado pelas empresas nas licitações e detalharam como foi a conduta combinada das firmas.

As licitações de asfaltamento da Codevasf são feitas de maneira online e por meio de uma forma simplificada chamada pregão eletrônico.

Os técnicos da corte apontaram que o esquema de conluio visto em 63 pregões da Codevasf, que totalizaram R$ 1,13 bilhão, teve como objetivo viabilizar vitórias principalmente da Engefort.

Segundo o relatório, 27 empresas participaram dessas licitações “apenas a cobrir a participação dessa empresa líder [Engefort], compondo o número de participantes dos certames a fim de dar aparência de concorrência”, enquanto outras sete firmas entraram nas disputas “em troca de garantir a vitória em algumas poucas oportunidades”.

Assim, ao todo 35 empresas são consideradas suspeitas de participarem do cartel e compõem um “grupo de risco” na avaliação dos técnicos.

O levantamento da corte ainda afirma que a atuação da construtora Del, revelada pela Folha em abril, servia para dar a aparência de que há concorrência nos editais.

“A ausência de funcionários, as estreitas relações com a Engefort, empresa que sempre participa das mesmas licitações, e a recusa em enviar propostas sempre que convocada, indicam que a Construtora Del é utilizada para auxiliar a viabilidade de licitações”, de acordo com os auditores.

Os exames técnicos detalham, por exemplo, as fraudes do cartel em licitações em Minas Gerais e na Bahia.

“Nas licitações de Montes Claros [MG] verificam-se indícios de divisão de lotes, onde a Engefort venceu seus lotes com descontos quase sempre inferiores a 1% e outra(s) empresa(s) que participou da disputa se sagrou vencedora de um ou dois outros lotes, sempre com desconto também muito baixo”, segundo a auditoria.

Já em concorrências em Bom Jesus da Lapa (BA), “a Engefort se sagrou campeã de todos os lotes com descontos entre 0,6% e 1,5%, embora em todos os casos houvesse pelo menos outras três ou quatro empresas participando dos certames”.

Em sessão do TCU de quarta-feira (5), o ministro Oliveira disse que o suposto esquema consiste na “elaboração de propostas fictícias, a supressão de propostas e a combinação de rodízio entre as empresas”.

Em seu voto escrito, ele reconheceu que “as questões trazidas pela equipe de fiscalização possuem inegável relevância e materialidade e merecem receber atenção”.

Ainda assim, disse não estar convencido de que há elementos necessários para impedir novos contratos.

“Existem indícios da existência de conluio, mas não tenho a convicção de que esses elementos serão suficientes para demonstrar a existência de fraude em todos os certames listados e, menos ainda, da necessidade de paralisação ou mesmo anulação dos contratos”, afirmou Oliveira.

Ex-policial militar do Distrito Federal, Oliveira trabalhou com Bolsonaro na Câmara dos Deputados e foi ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Indicado em outubro de 2020 pelo presidente ao TCU, o ministro tem articulado em favor de projetos de interesse do governo.

CODEVASF E ENGEFORT DIZEM CUMPRIR LEI E QUE NÃO FORAM NOTIFICADAS

Procurada pela Folha, a Codevasf afirma que “os procedimentos licitatórios da instituição são realizados de acordo com leis aplicáveis, por meio do portal de compras do governo federal, e são abertos à livre participação de empresas de todo o país”.

A estatal relata que ainda não foi notificada sobre a investigação do TCU e “a competência para conduzir investigações do gênero pertence a órgãos de fiscalização e controle, com os quais a companhia mantém postura de cooperação permanente”.

A empresa Engefort nega que tenha liderado um cartel para fraudar licitações da Codevasf.

“Em todos os processos licitatórios que a Engefort participou e foi vencedora, o fez de forma regular, preenchendo os requisitos previstos no edital e cumprindo a lei, repudiando veementemente quaisquer alegações de indícios formação de cartel, conluio e fraude nos certames”, afirma.

A construtora diz que desconhece o processo do TCU e que não foi citada para responder a questionamentos, “razão pela qual se abstêm de se manifestar sobre informações até então desconhecidas”.

A empresa diz que não está respondendo a processo quanto aos contratos e não compactua com irregularidades.

Procurado, o TCU disse que a manifestação da corte sobre o tema já foi dada “por meio do acórdão aprovado em plenário e fundamentado pelo voto do ministro relator”.

Veja-trechos-da-auditoria-do-tcu-sobre-licitacoes-da-codevasf

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Foro de Moscow

Foro de Moscow 12 set 2022 – A Codevasf a serviço de Rogério Marinho

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Mossoró é destaque em reportagem da Folha sobre uso da Codevasf para agradar aliados de Bolsonaro. Rogério é um dos alvos

Há um ano o Blog do Barreto mostrou que um terreno da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) se tornou local para guardar tratores e equipamentos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Hoje a Folha de S. Paulo tratou o assunto como tema de uma reportagem sobre o ‘toma lá dá cá’ do presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca de apoio político nestas eleições.

A reportagem explica que os equipamentos foram comparados graças a manobras na lei e visam ajudar aliados de Bolsonaro. “À disposição do governo e seus aliados, está até um catálogo de produtos elaborado pela Codevasf para que os políticos possam escolher como vão agradar seus correligionários”, diz a reportagem.

Na UFERSA estão há meses parados 26 caminhões, sete tratores e dois arados de terrenos.

O ex-ministro do desenvolvimento regional Rogério Marinho (PL), candidato ao Senado, entrou na história por ter sido ele o criador do escritório regional da Codevasf. A reportagem lembra que as ações do bolsonarista são alvo de denúncia formulada pelo ex-prefeito do Natal Carlos Eduardo Alves (PDT).

“O demandado [Marinho] fez uso de toda a estrutura do governo federal, em especial do Ministério do Desenvolvimento Regional e da Codevasf para em concedendo favores, os cobrar no período eleitoral”, diz a ação.

Máquinas agrícolas estão guardadas na UFERSA (Foto: Jair Molina Jr.)

O prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (SD) é citado na reportagem como um dos aliados beneficiados pelas manobras do Governo Federal em um post de agradecimento a Marinho.

À Folha de S. Paulo Rogério negou as irregularidades e atribuiu a adversários a veiculação de informações falsas que “não resistem à apuração minimamente cuidadosa”. A Codevasf também negou irregularidades.

Confira a reportagem na íntegra:

Bolsonaro manobra entregas no ‘toma lá, dá cá’ eleitoral e acumula veículos para doação

Flávio Ferreira

Artur Rodrigues

SÃO PAULO

 

Longas fileiras com dezenas de caminhões e tratores parados em um terreno impressionam quem passa pelo campus da Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), em Mossoró (RN).

Os bens foram comprados pela Codevasf, estatal entregue por Jair Bolsonaro (PL) ao centrão, e devem chegar a seus aliados políticos.

Graças a uma operação casada da gestão Bolsonaro para executar manobras na lei e em doações oficiais, esses produtos poderão ser distribuídos em pleno período eleitoral, driblando a legislação que impedia a prática do toma-lá-dá-cá com fins políticos.

Veículos e máquinas agrícolas armazenados em terreno

O malabarismo buscou tirar, pelo menos no papel, a gratuidade das distribuições de bens pelo governo. Ao deixarem de ser de graça, supostamente passaram a estar em conformidade com a lei.

Para esse fim, a documentação das doações passou a estabelecer que associações ou entidades beneficiadas devem pagar ou fazer algo em troca, como entregar polpa de frutas a instituições sociais ou 5 kg de carne a uma escola.

A Codevasf nega que a medida configure uma tentativa de burlar a lei. Há casos em que é exigido o pagamento de 1% do valor do veículo, máquina ou equipamento.

A estratégia busca permitir à Codevasf despejar nos redutos políticos dezenas de milhões de reais nos anos de eleições. Contratos de compras para doação pela estatal totalizaram quase R$ 600 milhões desde 2021.

À disposição do governo e seus aliados, está até um catálogo de produtos elaborado pela Codevasf para que os políticos possam escolher como vão agradar seus correligionários.

Tratores da Codevasf estão parados na UFERSA (Foto: Jair Molina Jr.)

No campo legal, a manobra do governo começou com um projeto de lei de iniciativa do Planalto, na Câmara dos Deputados, que tinha como tema o orçamento federal de 2022.

Em sua tramitação, a proposta legislativa acabou ganhando um artigo que não tinha relação com seu assunto original, artifício que é chamado de “jabuti” no meio político.

Aprovado, o texto emplacou a orientação de que a doação oficial de bens em ano eleitoral é permitida desde que acompanhada de encargos impostos aos beneficiados.

O “jabuti” foi proposto pelo deputado federal Carlos Gaguim (União-TO), ex-vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, e passou a compor a lei federal 14.435 de 2022, que entrou em vigor em agosto.

Após a sanção de Bolsonaro, o partido Rede Sustentabilidade apresentou ação ao STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir que o artigo seja considerado inconstitucional.

De acordo com a legenda, além configurar um “jabuti”, o novo texto viola a regra de que as leis eleitorais só podem ser alteradas no ano anterior aos pleitos.

“Trata-se, a rigor, de um benefício indevido dado a quem está de plantão no poder, que poderá se utilizar da máquina pública para fazer doações com caráter puramente eleitoreiro”, segundo a petição.

A Folha examinou papéis de distribuição da Codevasf, tecnicamente chamados de “termos de doação”. Muitos não escondem que novas cláusulas foram incluídas para driblar a lei eleitoral.

No Piauí, por exemplo, os termos de doação da superintendência local são expressos e citam que, “em decorrência do ano eleitoral, estabelece-se como encargo para a doação a realização de um curso de associativismo/cooperativismo com o mínimo de oito horas aula”.

Na Paraíba, a Codevasf entregou a uma cooperativa um veículo pesado pá carregadeira no valor de R$ 470 mil, e, no papel, pediu como “contrapartida” a doação de polpa de frutas a instituições sociais equivalente a 1% do valor do equipamento.

Enquanto as manobras são formalizadas em âmbito nacional, os veículos da Codevasf estão há meses no campus da Ufersa, aguardando para envio a cidades do RN.

No fim de agosto, havia 31 caminhões, sete tratores e dois arados no terreno do campus cedido à Codevasf. Segundo indicam folhas de papel coladas nos veículos, foram entregues há cerca de três meses. Na quinta-feira (8), eram 26 caminhões.

A regional do Rio Grande do Norte da Codevasf foi criada na gestão atual, em reduto de Rogério Marinho (PL), ex-titular do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Marinho, que assumiu em 2020, deixou a pasta em março para concorrer ao Senado.

Um de seus adversários políticos, Carlos Eduardo Alves (PDT), também candidato a senador, já pediu à Justiça Eleitoral uma investigação sobre um suposto abuso de poder político do ex-ministro ligado às doações da Codevasf.

“O demandado [Marinho] fez uso de toda a estrutura do governo federal, em especial do Ministério do Desenvolvimento Regional e da Codevasf para em concedendo favores, os cobrar no período eleitoral”, segundo a petição.

Em rede social, o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (Solidariedade), aliado de Marinho, comemora a chegada de veículos. “Agradecemos ao ministro Rogério Marinho pela atuação junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional e Codevasf para o atendimento das nossas solicitações junto à pasta”, escreveu.

Conforme a Folha revelou, na esteira da explosão de gastos com as chamadas emendas de relator, os valores com doações de veículos e maquinário pela Codevasf saltaram de R$ 178 milhões, em 2020, para R$ 487 milhões, em 2021, aumento de 173%. Só nos primeiros cinco meses de 2022, o montante chegou a R$ 100 milhões.

Procurada pela Folha, a Secretaria-Geral da Presidência afirmou que “a alteração foi aprovada pelo Congresso e não há inconstitucionalidade no dispositivo”.

A Codevasf nega que as mudanças nos termos de doação configuraram uma medida para burlar a lei.

Segundo a estatal, “em atenção à lei eleitoral, que veda a doação gratuita de bens em anos de eleição, termos de doação firmados pela Companhia em 2022 estabelecem encargos aos beneficiários”.

A empresa afirma ainda que os termos observam a lei, independentemente dos períodos em que são firmados, que as entregas ocorrem no âmbito de projetos de desenvolvimento regional e são feitas manutenções periódicas nos bens armazenados em pátio.

“Os bens serão entregues aos beneficiários assim que os processos formais de transferência forem concluídos. Esses processos envolvem análises de adequação técnica, conformidade legal e conveniência socioeconômica”, completa.

Rogério Marinho nega ter interferência na estrutura da Codevasf e afirma que seu estado não foi favorecido. “Entre 2019 e 2021, foram adquiridos 16.186 equipamentos para doação pela Codevasf aos 14 estados da área de atuação da empresa. O RN aparece apenas na 10ª posição no ranking de estados destinatários das doações”, segundo nota do advogado do deputado, Felipe Cortez.

Marinho afirma que informações falsas foram divulgadas com intuito político e as acusações “não resistem à apuração minimamente cuidadosa”.

Procurado pela reportagem, o deputado Carlos Gaguim não se manifestou.