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Médica antivax e defensora de remédios ineficazes contra a covid já está em campanha para deputada federal

Famosa por fazer uma pregação de que a invermectina (medicamento para tratamento contra piolhos e vermes) servia para o tratamento contra a covid-19 (o que é comprovadamente ineficaz), a médica Roberta Lacerda se tornou uma das estrelas da propaganda partidária do PL exibida em TV aberta.

Recentemente ela teve a conta no Twitter excluída por conta de uma pregação contra as vacinas baseadas em informações falsas que violaram as regras da rede social.

Roberta é pré-candidata a deputada federal e tem forte apelo entre o público bolsonarista. Não por acaso ela escolheu o partido do presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Mais uma punição: Youtube remove três vídeos de médica potiguar por violação diretrizes da plataforma

O Youtube removeu num espaço de 36 dias três vídeos da médica Roberta Lacerda, famosa nas redes sociais por questionar a eficácia da vacina e por pregar que um remédio usado para tratamento contra vermes e piolhos é eficiente contra a covid-19.

As punições foram reveladas pelo jornalista Guilherme Felitti da Novelo Data.

Os três vídeos são:

DRA. ROBERTA LACERDA CONVIDA PARA AUDIÊNCIA PÚBLICA: OBRIGATORIEDADE DO PASSAPORTE SANITÁRIO” (https://www.youtube.com/watch?v=Br7T8_0Oe-A)

 

“Dra. Roberta Lacerda e Dr. Eduardo Leite – Aprenda a diagnosticar os sinais de alarme da Covid”. (https://www.youtube.com/watch?v=8SL9EIOyH_w)

 

“Dra. ROBERTA LACERDA: SIMPÓSIO SOBRE O PASSAPORTE SANITÁRIO NA ALERJ”. (https://www.youtube.com/watch?v=ixJhAyVpGGU)

Os vídeos foram removidos respectivamente nos dias 12 de fevereiro, 16 de janeiro e 6 de janeiro.

As diretrizes do Youtube proíbem a veiculação de informações falsas, práticas enganosas e desinformações médicas sobre a covid-19.

As regras do Youtube ainda preveem que a remoção de três vídeos em período de 90 dias pode levar a retirada do canal do ar. “Ainda assim, o canal de Lacerda segue no ar. Por quê? Qual a explicação que o @YouTubeBrasil dá?”, questionou Guilherme Felitti no Twitter.

Roberta Lacerda já teve a conta do Twitter suspensa por violação das regras da comunidade por veicular informações falsas sobre o efeito das vacinas contra a covid-19.

Apesar desse histórico ela entrou na Justiça contra essa página para nos obrigar a mudar um texto afirmando que ela não é contra a vacina e que ivermectina cura covid.

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Médica potiguar que ataca vacina e promove uso de remédio para piolho contra a covid está suspensa do Twitter

A médica negacionista Roberta Lacerda está com o perfil suspenso do Twitter. O Bloqueio ocorreu hoje e a plataforma não informou por quanto tempo vai durar.

O Twitter informou que ela violou as regras da rede social dentre as quais a que proíbe a veiculação de informações falsas.

Roberta ficou famosa nacionalmente pela pregação de que a ivermectina, medicação usada para tratar piolho e verme, seria eficaz contra a covid. As agências sanitárias da Europa, Estados Unidos e até a fabricante do medicamento já descartaram a eficácia para a doença de caráter viral.

Ela também seguiu na contramão da ciência se tornando uma crítica das vacinas contra covid.

Outra figura do RN famosa por pregação semelhante é o deputado estadual Albert Dickson (PROS) que chegou a ter vídeos removidos do Youtube.

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Médica que defende “liberdade de expressão” para atacar vacina usa advogado para ameaçar o Blog do Barreto

A médica negacionista Roberta Lacerda enviou através de um advogado uma notificação extrajudicial pedindo retratação pelo texto Vergonha! Médica potiguar convoca protesto contra vacinação de crianças que publicamos no último dia 6 de janeiro.

O texto informa que ela é contra o passaporte da vacina para crianças e propôs um protesto contra a ideia que terminou fracassando por falta de mobilização.

Roberta pede para que eu retifique uma informação já dada dentro da matéria. E deixo bem claro: quem é a favor da vacina e da ciência não se incomoda com a exigência do passaporte vacinal.

A reação é de quem é contra como  Lacerda que passa o dia nas redes sociais pondo a vacinação em dúvida (ver imagem abaixo a título de exemplo).

A médica ainda pede que eu inclua um “estudo” que aponta eficácia da ivermectina (remédio usado para verme e piolho) contra a covid-19.

Esta página segue a ciência e os estudos respeitáveis e jamais publicará qualquer coisa que engane as pessoas e as leve a por suas vidas em risco.

Larcerda que apele ao judiciário.

Será interessante ser processado por esta senhora que vive pregando a liberdade de expressão para defender remédios comprovadamente ineficazes e atacando uma vacina que está salvando vidas. Lógico que isso não vale para quem a critica.

Recebi um prazo, que será ignorado, de 24 horas para fazer as mudanças exigidas e postar e compartilhar na mesma proporção.

Aviso a Lacerda e aos nossos leitores que não cedo a intimidação. Nunca me furtei ao contraditório mesmo de gente negacionista e publicaria tranquilamente um direito de resposta convencional como sempre fiz.

A médica negacionista escolheu o pior caminho. Acionar um advogado para enviar um PDF arrogante e ameaçador quando poderia contratar um assessor de imprensa para redigir uma nota objetiva defendendo sua posição.

É um gerenciamento de crises às avessas.

Não me julgo melhor ou pior do qualquer jornalista por nunca ter respondido a um processo, mas adoraria ser processado por uma pessoa como Roberta Lacerda. Vários advogados já falaram comigo se dispondo a me defender gratuitamente caso ela leve o assunto aos tribunais.

Já estou colhendo provas para minha defesa que será mostrar que ela é sim contra a vacina e terei um rol de testemunhas qualificadas para rebater as teses negacionistas dela no tribunal.

Será um orgulho encarar esse processo. Contarei a meus netos sobre essa época e esse será certamente um dos meus tópicos preferidos.

Roberta Lacerda, a gente se encontra nos tribunais!

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Vergonha! Médica potiguar convoca protesto contra vacinação de crianças

A médica Roberta Lacerda tanto fez que conseguiu. Ela esteve ontem na Câmara dos Deputados convidada pela parlamentar negacionista Bia Kicis (PSL/DF) para fazer pregação contra a vacinação contra covid em crianças.

Lacerda, que ficou famosa nas redes sociais por defender medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19, andou no final do ano propondo um protesto contra o passaporte da vacina para crianças.

Chegou a apresentar a ideia no dia 31 de dezembro. “Às ruas!!! Dia 4 de janeiro!!! Nosso novo dia de luta pela liberdade!!!”, escreveu no Twiter ao comentar a decisão do ministro do STF Ricardo Lewandowski que permitiu a cobrança do passaporte da vacina nas universidades federais.

A ideia flopou e agora ela já defende um outro protesto, desta vez para o dia 7 de janeiro, ás 14h, na  Praça da Sé.

Lacerda segue surfando no negacionismo, arengando com a realidade e apostando em remédio de piolho como solução para covid-19.

Já mostramos que ela opina, mas não tem qualquer produção científica sobre o tema (ver AQUI).

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Roberta Lacerda: a médica que defende que remédio de piolho trata vírus e ataca vacinas que estão salvando vidas

Após virar ícone negacionista ao defende a eficácia do remédio de piolho (ivermectina) contra a covid, a médica infectologista Roberta Lacerda não se deu por vencida mesmo com os números apontando a vitória das vacinas contra a doença.

Enquanto a vacinação fez despencar a ocupação de leitos críticos no Estado, a médica gravou vídeo no final de semana pregando contra o necessário passaporte da vacinação.

A profissional da saúde acha mais importante a liberdade individual do que o salvamento de vidas.

Mas ela não parou nisso. Em agosto ela declarou sem base científica nenhuma que vacinas farão crianças perder 30 anos de expectativa de vida.

Ela também já falou que vacinas contra a covid têm substâncias que magnetizam as pessoas e podem desenvolver Síndrome de Guillain-Barré.

Não me surpreenderia se essa senhora seguisse contrariando os fatos e endossasse a fala absurda do presidente Bolsonaro de que as vacinas estão levando as pessoas a desenvolverem AIDS.

Como no RN o Conselho Federal de Medicina abraça esse tipo de desinformação e o Ministério Público está omisso, ela deita e rola sem ser incomodada.

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Roberta Lacerda tem vídeo com pregação sobre “kit covid” removido no Instagram

Roberta Lacerda fez post reclamando ter sofrido censura (Foto: print/redes sociais)

Por Isabela Santos

Agência Saiba Mais

A médica potiguar Roberta Lacerda está acusando o Instagram de censurá-la porque teve um vídeo removido. A infectologista é defensora apaixonada do chamado “kit covid”, medicamentos vendidos como se prevenissem ou ajudassem a curar a covid-19, mas comprovadamente sem eficácia.

O Instagram exclui informações falsas quando denunciadas. A plataforma mantém aberto o canal de denúncias de perfis e posts que mentem sobre saúde, política, temas sociais e outros. A rede já admitiu também que esconde hashtags que propaguem fake news e seu algoritmo reduz o alcance de publicações suspeitas.

“A censura está aí. Apenas 2min depois. Não há mais tempo a perder! 16 de maio 16h vamos nos mobilizar NACIONALMENTE pela LIBERDADE de EXPRESSÃO, de ESCOLHA do PACIENTE, pela AUTONOMIA MÉDICA e pela ABORDAGEM PRECOCE NO SUS”, publicou a médica com print do aviso sobre violar as Diretrizes da Comunidade.

Em março, o Youtube também removeu da web o vídeo de uma entrevista com a infectologista no perfil da rádio 98 FM. O material foi excluído da plataforma por “promover desinformação sobre a covid-19”.

O posicionamento da médica sobre o “tratamento” é político. Adotam essa postura os fãs de do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que negligencia desde o começo a pandemia, ao promover aglomerações, criticar medidas de proteção, inclusive o uso da máscara e recusar compra de vacinas. Também seguindo o ídolo, a potiguar ataca jornalistas.

Roberta é seguidora também de espalhadores de fake news, perfis de pessoas declaradamente negacionistas e adeptas de teorias da conspiração, como o terraplanista e guru do bolsonarismo Olavo de Carvalho e seu discípulo Leandro Ruschel, o ex-ministro Osmar Terra, o comentarista Augusto Nunes e a deputada Carla Zambelli (PSL).

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A médica Roberta Lacerda foi recém apresentada ao jornalismo e não gostou

Por Daniel Menezes*

O ATAQUE E A REAÇÃO

Uma publicação da médica Roberta Lacerda em seu instagram, atacando jornalistas, rendeu uma polêmica nos últimos dias na taba. Conforme a profissional de saúde, jornalistas querem ser médicos, ainda que não tenham estudado tanto quanto, mintam mais e sejam mais caros.

Do Instagram da médica Roberta Lacerda

É irônico que somente agora os jornalistas tenham se levantado contra a médica, que passou meses defendendo tratamentos e medicações rechaçadas por autoridades sanitárias nacionais e internacionais (OMS, FDA, Anvisa, Agência de Saúde Europeia, etc) e pelos principais periódicos acadêmicos da área médica do mundo (Jama, Nature e The Lancet). Infelizmente, pesou mais o ressentimento e o complexo de inferioridade que ela mobilizou contra quem tem formação na área de ciências humanas, do que sua prática sem pé na realidade em plena situação de calamidade de saúde pública. Sua comparação nada diz para quem é bem resolvido e sabe que seu ataque demonstra, na verdade, um sentimento de quem se encontra acuada e parte para o diversionismo.

Para não ir muito longe, em entrevista recente concedida a uma rádio de Natal, defendeu o uso de cloroquina nebulizada contra covid, um tratamento condenado pelo conselho federal de farmácia e pela sociedade de pneumologia e que gerou mortes de pacientes (leia aqui). E ainda culpou a imprensa por, segundo ela, criminalizar a ação.

Mas para compreender como uma médica sem carreira acadêmica, sem pesquisa alguma e com poucos anos de formação desponta como suposta liderança do setor em Natal, atingindo agora outros públicos, é preciso voltar no tempo. Já adianto meu argumento: a profissional foi erguida pelo mau jornalismo praticado durante a pandemia no RN, sem o qual ela teria continuado no caminho soberano do anonimato.

UM POUCO DE CONTEXTO

Essa história começa em Maio de 2020. O Sindicato dos Médicos do RN pressiona pela abertura do comércio, juntamente com associações comerciais, lançando a saída: se a gente aplicar a cloroquina em pacientes com covid, eles não chegarão mais até a UTI. Em seguida, o Conselho Regional de Medicina do RN lança a recomendação 04/2020, que ainda que fale em autonomia médica e consentimento do paciente, sugere o enfrentamento da pandemia com o uso de cloroquina, ivermectina e azitromicina (documento aqui).

A recomendação do CRM/RN nunca foi cancelada e segue em vigor até hoje, apesar de conter em sua bibliografia para sustentar o uso dos fármacos trabalhos do inventor do tratamento com cloroquina e azitromicina contra covid, o médico francês Didier Raoult. Seus estudos já caíram por erros reconhecidos pelo próprio (leia aqui) e pesquisas randomizadas veiculadas na Nature e The Lancert surgiram, demonstrando que a cloroquina é inficaz contra covid. O texto do CRM/RN, no entanto, permanece.

No caso da ivermectina, o CRM defende o remédio a partir da pesquisa in vitro feita na Austrália, ainda que os próprios pesquisadores tenham enfatizado que não seja possível tirar conclusões disso. Recentemente, estudo randomizado foi veiculado no jornal médico Jama, demonstrando que a ivermectina é ineficaz contra covid. Agências de saúde do Brasil e do mundo são contrárias ao uso do vermífugo contra o novo coronavírus e alertam para os riscos. A prefeitura do Natal alega, inclusive, que sua distribuição de cloroquina e ivermectina está amparada pela recomendação do CRM/RN (leia aqui).

A tragédia gerada por essa solução sem pé na ciência é conhecida. Os números não diminuíram. Pelo contrário: alvancaram e tivemos o pico da primeira onda entre os meses de junho e julho. A sensação de falsa proteção que a profilaxia com ivermectina gera tem sido reconhecida como fator importante para levar pessoas a contrair covid-19 (leia aqui). A base de pesquisa LAIS/UFRN mostrou que a maior parte dos pacientes graves internados no RN fez uso de tratamento profilático com ivermectina (leia aqui).

Ainda assim, a farsa serviu como discurso eleitoral para o prefeito Álvaro Dias em busca da reeleição. Sabendo aproveitar a ansiedade da população por um remédio e por uma proteção, alinhou a distribuição de ivermectina, com a busca de eleitores para o seu projeto e a solução para o comércio e representantes da classe médica que queriam abrir tudo. O clientelismo com remédio o catapultou para uma vitória em primeiro turno. A imprensa ligada a ele apoiou firmemente a medida. Todos estão enredados na operação.

UMA JANELA DE OPORTUNIDADE: SAEM MÉDICOS RENOMADOS, SURGEM MÉDICOS IVERMECTINERS

E é aí que médicos locais começam a se destacar. Ajudando a montar a operação ivermectina do prefeito de Natal, profissionais de saúde renomados, pesquisadores com sólidas carreiras acadêmicas e de militância na área desapareceram da cena pública e médicos com uma pegada influencer surgiram. Por exemplo, até então, o professor da UFRN, o Dr. Kleber Luz, era presença constante em debates acadêmicos e na imprensa. Mas foi desaparecido da mídia quando fez duras críticas ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada em uma audiência pública na assembleia legislativa do RN (leia aqui) e depois em nota técnica organizada pelo departamento de infectologia da UFRN.

A imprensa local passou a bombardear a população de Natal com entrevistas e declarações de médicos defensores da ivermectina contra covid-19. Era um verdadeiro massacre de opinião e, principalmente, contra qualquer contraditório. Em qualquer aparição, elogios carentes de base curricular, ataques contra quem dissesse que a coisa não era bem assim e microfones abertos para todo tipo de ilação, teorias conspiratórias e afirmação de que ivermectina e cloroquina funcionavam. Natal seria um exemplo de sucesso para o mundo, ainda que, na prática, tivesse os piores números do RN. Apesar de ocorrer justamente o contrário, críticos da ivermectina contra covid-19 viraram defensores da morte.

A médica Roberta Lacerda aparece dentro desse contexto. Com retórica forte e citando muitos dados e estudos, nunca questionados ou apurados, soube fazer seu nome. Como outros da mesma linha, a profissional ia para entrevistas e recebia tapete vermelho. Citava “estudos” de sites não aceitos pela comunidade acadêmica e ninguém contraditava. Falava sobre casos de fracasso e de sucesso falsos e era aplaudida (leia aqui). Na mesma medida em que as agências de saúde do Brasil e do mundo passaram a condenar o uso da ivermectina e da cloroquina contra covid-19, pelas pesquisas que já haviam avançado para demonstrar a ineficácia de tais medicamentos, ela elevava o tom, falando sobre uma suposta conspiração mundial para vender vacinas e desacreditar remédios baratos. Sempre recebeu das bancadas um endosso completamente desprovido de racionalidade. A médica nunca foi devidamente escrutinada por um jornalismo fincado nos fatos e se acostumou.

A OPERAÇÃO IVERMECTINA TORNA-SE INSUSTENTÁVEL

Mas a eleição de Álvaro passou e a avalanche nacional e internacional de estudos, comunicados, pareceres de cientistas, agências e revistas de prestígio, fabricantes, veiculados mais pela imprensa nacional do que local, tornou a operação ivermectina insustentável. Já faz muito tempo que não há mais dois lados nessa história. Para a existência de duas versões legítimas, são necessárias fontes que sustentem dois pontos de vista e não há mais. É o mundo contra um grupo de médicos que se enclausurou na defesa de um tratamento ineficaz.

A médica e outros têm agora a árdua missão de enfrentar o bom jornalismo e foi essa apresentação que tem feito ela e os profissionais de seu grupo partirem para o ataque. E como é mais difícil deslegtimar agências de saúde, cientistas e revistas acadêmicas prestigiosas, resolveram culpar o carteiro, ou seja, quem leva a notícia. Daí a linha, que não é apenas dela, mas se banalizou entre profissionais de saúde ainda defensores de cloroquina, ivermectina, etc, contra covid-19 – apelar para a autoridade médica – um conto para leigos – e para essa falsa ideia de que jornalistas querem clinicar. O dado concreto – ela e outros perderam essa batalha, só restando essa saída.

O FUTURO

As movimentações da profissional se assemelham muito a do senador Styvenson Valentim. Famoso pela liderança da operação lei seca, teve todo o espaço possível na imprensa para mostrar seu trabalho. Depois que fez o nome, passou a atacar e a cuspir no próprio prato que o alimentou, tecendo um tipo de ligação direta com agora seus eleitores pelas suas redes sociais.

A médica Roberta Lacerda não depende mais da imprensa local que a produziu. A operação ivermectina em Natal já lhe deu o empurrão necessário para tanto. É presença constante em canais nacionais de políticos e influencers de extrema direita, montou um canal no youtube e, com a fama repentina, passou a ministrar cursos patrocinados por cadeias de farmácias ou em espaços de defensores do tratamento precoce pelo país e lá fora, levando o sucesso (sic) da ivermectina e outros remédios em Natal. Não será de admirar que siga pelo mesmo percurso do ex-capitão.

*É sociólogo.

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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Reportagem

Defensora do “tratamento precoce”, Roberta Lacerda não tem produção acadêmica há oito anos

Roberta Lacerda tem produção acadêmica pífia, mas recomenda uso de ivermectina para covid-19

A médica Roberta Lecerda, celebrizada por defender o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19 nas rádios de Natal, não tem produção acadêmica desde 2013 quando ainda estava na residência médica, conforme checamos em seu currículo Lattes.

A profissional de saúde tem garantido a eficácia de medicamentos usados para piolho e vermes, mas o currículo dela não trás qualquer pesquisa sobre o tema.

Ela se graduou em medicina em 2009 e em 2014 fez residência médica se especializando em infectologia. Em 2017 ele concluiu outra especialização n assunto pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), entidade que não recomenda a aplicação de “tratamento precoce” contra a covid-19.

Seu último trabalho acadêmico público foem 2013 juntamente com 11 colegas. O artigo chama-se Importance for Case Finding among Extra-domiciliary Contacts. PLoS Neglected Tropical Diseases (Online).

Ontem a médica entrou em polêmica com os jornalistas ridicularizando-os e afirmando que a categoria não se especializa.

Agora vamos comparar o achismo de Roberta Lecerda que vai contra as conclusões da SIB, Anvisa, FDA, OMS e agências europeias com o trabalho de médica do Hospital do Coração de São Paulo Letícia Kawano que tem produção acadêmica internacional e com participação de estudos sobre a eficiência da ivemerctina e hidroxicloroquina (os currículos acadêmicos das duas pode ser comparado nas fontes consultadas no final da matéria).

Os trabalhos realizados por ela concluíram que os medicamentos não servem para tratar covid-19. “Infelizmente não é verdade. Estudos (e aqui) de boa qualidade metodológica mostram que a hidroxicloroquina não funciona para Covid-19. A hydroxicloroquina também não funcionou na fase hiperprecoce (como profilaxia), ou seja quando a quantidade de vírus é bem baixa, o que indica que é muito pouco provável que funcione quando a replicação viral aumenta, na fase precoce”, escreveu Leítica em artigo (confira o link abaixo em fontes consultadas).

Adicionalmente há riscos, o uso da hidroxicloroquina está associada a maior risco de arritmias (prolongamento do intervalo QTc) e lesão hepática.

A ivermectina não se mostra promissora pois apenas consegue ação sobre o SARS-CoV2 em doses muito altas, ao ponto de ser tóxico para as células”.

A médica explicou que não tem sentido biológico ivermectina ter como tratar covid-19. Confira o vídeo de 31 de março:

Fontes consultadas:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4237550E6

https://scholar.google.com.br/citations?user=-ozXyVsAAAAJ&hl=pt-BR

https://www.leticiakawano.com/post/mitos-e-verdades-na-covid-19-vamos-l%C3%A1

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Para a “Bia Kicis do RN” jornalista só presta quando lhe dá palco para defender medicamentos ineficazes contra covid-19

“Bia Kicis” do RN mostrou desprezo pelo jornalismo (Foto: reprodução)

A “musa do negacionismo”, “Bia Kicis do RN” e médica infectologista Roberta Lacerda que tanta fama ganhou graças a imprensa que lhe deu palco para defender o uso de medicamentos sem comprovação cientifica contra covid-19 não resistiu aos escassos questionamentos na mídia potiguar.

Dizendo falar em nome dos médicos sugeriu que seus pacientes que estão bem informados sobre o assunto se consultem com jornalistas.

Eis a postagem da “musa do negacionismo”:

Se você tem medo de tomar medicamentos prescritos pelo seu médico porque o jornalista disse que não são bons, deixe o médico, cancele o plano de saúde e vá consultar um jornalista ou um radialista. Os jornalistas não aceitam convênios, estudam menos, mentem mais e são mais caros que os médicos. Além disso, quando os clientes morrem, eles não assinam o atestado de óbito nem são responsabilizados em caso de erro de prescrição. E se você quer exercer nos dias de hoje, o caminho mais fácil é fazer jornalismo, o vestibular é muito mais fácil, o curso é mais barato, não precisa fazer pós-graduação, trabalha à distância do paciente (e como já foi dito) não responde criminalmente quando engana, erra ou mata. Pelo jeito, a turma cansou de ser usada ao invés de ser valorizada.

Um espetáculo de arrogância e desrespeito com toda uma categoria profissional que vem dando o gás na pandemia, muitos trabalhando nas ruas, se arriscando e sem pedir qualquer prioridade na vacinação reconhecendo, inclusive, que profissionais de saúde e segurança merecem ser vacinados antes.

Roberta Lacerda, que citou o inexistente livro “Decálogo de Lênin” para dizer que existe uma conspiração global contra o tratamento precoce, não aguentou a pressão e as críticas.

Ficou famosa, seus vídeos (alguns deles retirados do ar) bombaram e não entendeu que tudo tem um ônus. Jornalista não receita medicamentos, mas checa informações e assim descobre que a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda tratamento precoce e que a Anvisa, FDA (Food and Drug Administration) e OMS também negam a eficácia dos medicamentos que Roberta Lacerda recomenda com entusiasmo que rende aplausos de gente desesperada que quer crer numa cura a qualquer custo para voltar à vida normal.

Deve ser frustrante ver as mentiras sendo rebatidas como na Super Interessante deste mês.

Ela afirma que jornalista não se especializa. Vou citar uma especialização: jornalismo científico. Temos profissionais de alto nível que entrevistam cientistas que pesquisam e publicam trabalhos em periódicos importantes. Gente bem diferente de Roberta Lacerda que não tem qualquer produção científica a respeito da eficácia do remédio de verme e piolho contra covid-19.

A postagem de Roberta foi tão absurda que o Conselho Regional de Medicina do RN emitiu nota lhe desautorizando:

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte – CREMERN como autarquia reguladora da medicina, mantém o respeito com todas as profissões, e não compactua com nenhuma forma de agressão contra jornalistas e demais profissionais da comunicação. Os casos de agressões em redes sociais não refletem a postura da instituição que sempre manteve o zelo e o respeito por todos os profissionais da comunicação.

Nossa “Bia Kicis” vai descobrir que a ciência e o jornalismo científico salvam vidas quando informam a população sobre os riscos à saúde e que quem faz pregação negacionista suja as mãos de sangue.

Por fim deixo nota do Sindicato dos Jornalistas sobre a médica:

NOTA

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte lastima a publicação no Instagram da médica Roberta Lacerda, com palavras preconceituosas e difamatórias, que somente destilam ódio e não trazem nenhum conteúdo para a sociedade potiguar.

Ela tenta rebaixar os profissionais da comunicação que tanto contribuem para alertar a sociedade dos males que a pandemia está causando ao nosso País, nos aproximando de 400 mil mortes causadas pela Covid.

Jornalista nenhum prescreve ou dita o que o cidadão deve tomar ou não, mas estuda muito, pesquisa e entrevistas médicos, organizações, instituições de pesquisa nacionais e internacionais, respeitando o contraditório em todo seu conteúdo para informar o que está sendo posto nos meios de comunicação.

A própria médica Roberta Lacerda já usou dos meios de comunicação para defender o seu posicionamento com relação ao tratamento precoce para o COVID 19. Termos um jornalismo livre, independente, sem amarras é importante para sustentarmos um dos pilares da democracia. Sermos cordiais e buscarmos uma política da paz e não agressão também nos torna defensores da democracia.

Não é mais fácil “fazer” jornalismo, não é mais “barato” fazer jornalismo. Cada um responde pelos seus atos dentro de qualquer profissão onde há uma legislação específica para isso, códigos de ética, legislação civil e criminal, todos nós somos iguais perante a Lei. Para finalizar, mente quem escreveu “A resposta dos médicos”.