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Reitora quer campus da Ufersa em cidade com 5,7 mil habitantes

Nesta terça-feira, 21, às 14h, o Conselho de Administração (CONSAD) da Universidade Federal Rural do Semi-Arido (UFERSA) discute a aprovação de um campus na cidade de Serra de São Bento.

A reitora Ludmilla Carvalho Serafim quem está colocando a proposta em votação.

A ideia é criar um curso de agronomia e turismo sendo que este último já existe no Campus da UFRN em Currais Novos, que fica a 136 quilômetros de Serra de São Bento.

A proposta tem causado estranhamento na comunidade ufersiana por se tratar de uma cidade de apenas 5.870 habitantes, quando o comum é a implantação de campi universitários em cidades de maior porte, como Nova Cruz que fica na mesma região e tem 37.554 habitantes.

Nova Cruz, por sinal, já tem campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Outro ponto estranho é o fato de Serra de São Bento ser localizada na região Agreste, uma zona de influência da UFRN.

Nota do Blog: custo a acreditar que isso tenha a ver com os planos do ministro Rogério Marinho, que tem deixado alguns tratores na UFERSA antes de distribuir para os municípios. Mas a título de curiosidade dou-lhe um informação: a distância de Nova Cruz, cidade polo da região e Monte das Gameleiras (onde Rogério tem um empreendimento imobiliário beneficiado por emenda federal) é de 35,9 km (48 minutos de carro, segundo o Google) já Serra de São Bento fica a apenas 12,2 km (18 minutos, segundo o Google). Certamente a obra seria atraente para professores universitários que estariam perto do trabalho ainda que em cidades diferentes.

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Governadora inaugura escultura de Paulo Freire e avisa: “Vamos fazer do RN um território livre do analfabetismo”

Neste domingo (19), data do centenário de nascimento de Paulo Freire, patrono da Educação brasileira, o Governo do Rio Grande do Norte inaugurou um monumento em homenagem ao educador Paulo Freire.

O monumento pode ser visto por quem passar pelo quilômetro 180 da BR 304, no lado esquerdo da rodovia no sentido Natal-Angicos, à sombra do pico do Cabugi,

O Governo contribuiu para eternizar a presença histórica do pernambucano no estado, quando há 58 anos o educador alfabetizou 300 adultos – entre homens e mulheres do campo, no episódio conhecido nacionalmente e internacionalmente como “As 40 Horas de Angicos”.

“Não estamos homenageando uma pessoa qualquer. Estamos falando de uma pessoa que tem mais de 40 títulos de doutor honoris causa. Um intelectual traduzido para mais de 20 idiomas e que se tornou o terceiro pensador mais citado do mundo em universidades da área de humanas”, declarou a chefe do Executivo estadual, na solenidade de inauguração da obra do escultor Guaraci Gabriel, que consolida as celebrações em torno do centenário de Paulo Freire, no Rio Grande do Norte, exatamente na cidade que há quase 60 anos foi cenário do revolucionário projeto de educação desenvolvido no célebre estilo freireano.

Na ocasião, Fátima agradeceu a Guaraci pela homenagem e declarou que uma das melhores formas de homenagear Paulo Freire é reafirmando o compromisso do Governo do Estado com a Educação. Ela citou o Programa Nova Escola Potiguar (PNEP), que receberá o maior volume de recursos já anunciado por um governo estadual, cerca de R$ 400 milhões, e que tem entre as principais premissas a meta de superar a marca de 400 mil analfabetos no território potiguar. “Em 2019, primeiro ano de nosso governo, vim a Angicos lançar o programa de superação do analfabetismo. Escolhemos esta cidade por reconhecer que foi aqui onde tudo começou. Paulo Freire nos inspirará com o seu legado na luta por uma educação enquanto direito de cidadania”, justificou.

A governadora do Rio Grande do Norte considerou lamentável que um pensador brasileiro da magnitude de Paulo Freire não tenha merecido um registro sequer por parte do Governo Federal no seu centenário. E tão grave quanto, completou ela, é o ataque que se faz à sua obra que não é de hoje. “Em 2016, quis o destino que, como parlamentar, eu tivesse no Senado para liderar o movimento que impediu que Paulo Freire fosse ‘desomenageado’. Um absurdo sem tamanho: queriam retirar dele o título de patrono da educação. Não permitimos”, lembrou ela. A proposta que tornou o educador pernambucano patrono da educação brasileira é de autoria da deputada Luiza Erundina e foi sancionado pela presidenta Dilma.

Paulo Freire também foi vítima da ditadura militar. Em 1964 chegou a ficar 72 dias preso e acabou exilado na Bolívia e, posteriormente, no Chile. “A essência do crime que ele foi absurdamente punido foi essa: ensinar ao povo pobre e oprimido não apenas aprender a ler e a escrever, mas compreender o mundo e lutar por seus direitos”, enfatizou Fátima. “Nós não podemos permitir que a história se repita como farsa ou tragédia. Ao contrário, nossa geração tem o dever histórico, ético e politico de zelar pela memória e legado de Paulo Freire. Pelo quanto esse legado nos inspira a lutar por um mundo mais inclusivo, com paz, com justiça social e com educação de qualidade para todos e todas”, finalizou a governadora.

Quarenta Horas de Angicos

Coordenada pela Fundação José Augusto, a celebração pela passagem do centenário do Paulo Freire, que culminou com a inauguração da escultura “Quarenta Horas de Angicos”, teve início na tarde de domingo na Casa de Cultura da cidade, onde foi inaugurada uma sala em homenagem ao educador, além da exposição itinerante em homenagem à ex-governadora Wilma de Faria.

O evento contou com a presença de alunos e alunas da turma de Paulo Freire, como foi o caso de seu Paulo Alves de Souza, 79, conhecido como Paulo da Carroça, que tinha 22 anos quando foi alfabetizado. “Deus levou muitos de nós, mas ainda tem uns 15 daquela época. Eu e meus companheiros estamos muito felizes e esse é um momento de gratidão por vocês se lembrarem de nós. Foi uma diferença maravilhosa em nossas vidas”, disse ele.

A passagem pelos 100 anos do nascimento de Paulo Freire, na cidade de Angicos, contou com a participação do vice-governador Antenor Roberto; do secretário Getúlio Marques (Educação), da secretária Íris Oliveira (Assistência Social), dos secretários Jaime Calado (Sedec) e Fernando Mineiro (Gestão de Projetos e Relações Institucionais), da secretária adjunta Márcia Gurgel (Educação), do subsecretário Marcos Lael (Educação), da secretária adjunta Socorro Batista (Gabinete Civil); além do presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, e do diretor Fábio Lima (FJA), da diretora da AGN, Márcia Maia, do diretor do DER-RN, Manoel Marques; do controlador geral Pedro Lopes, e do diretor da Fapern, Gilton Sampaio.

Entre os parlamentares, marcaram presença a senadora Zenaide Maia; o ex-deputado federal Henrique Alves, filho do ex-ministro Aluízio Alves, então governador do RN na época da realização do projeto “As 40 Horas de Angicos”; o deputado Francisco do PT (autor da Lei 10.592/21, que institui o ano de 2021 o Freire-Ano da Educação Potiguar); a deputada estadual Isolda Dantas; a vereadora Divaneide Basílio e o vereador Pedro Gorki, ambos de Natal, e representantes das entidades estudantis, como APES e UMES, e das entidades de classe SINTE-RN, Sinasefe e CUT-RN.

Também estavam presentes o reitor do IFRN, José Arnóbio Araújo, e o representante da UFERSA, Samuel Oliveira.

Escultura

A escultura, que mede 12 metros de altura e 7 metros de largura, foi instalada no terreno da Fazenda Serra Talhada, localizada no Km 180, da BR 304, em Angicos. Na obra, consta a imagem do educador pernambucano, o numeral “40” e as frases: “Paulo Freire – Patrono da Educação Brasileira” e “Tudo Começou em Angicos-RN”. Para a confecção da obra foram utilizadas 3,5 toneladas em materiais de ferro.

A festividade cultural ao pé do pico do Cabugi contou com participação da cantora Cida lobo e do saxofonista Joedson do Sax, e encerrou com recital do poeta Antônio Francisco.

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Paulo Freire, presente. Hoje e sempre

Paulo Freire completa 100 anos hoje (Foto: reprodução)

Por Jean Paul Prates*

Na última quinta-feira (16), uma liminar da Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou que a União “abstenha-se de praticar qualquer ato institucional atentatório à dignidade do Professor Paulo Freire na condição de Patrono da Educação Brasileira”, em uma ação movida pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos.

O simples fato de que se precise recorrer à Justiça para impedir o vilipêndio da memória de Paulo Freire descreve, em linhas traçadas a navalha, a escuridão do beco para onde o atual governo insiste em tanger o Brasil.

Um beco, aliás, onde se cantam odes ao espectro infame de um torturador, enquanto se ultraja o que de melhor foi gestado por esta nação.

Mas essas trevas não são o Brasil que nos legou Paulo Freire — e Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Florestan Fernandes.

Paulo Freire, cujo centenário comemoramos neste domingo (19), é um dos gigantes que o Brasil deu ao mundo. Um gênio da raça reconhecido no planeta inteiro por sua formulação teórica e sua prática na arte do ensino.

Sua “Pedagogia do Oprimido”, escrita em 1968, é o terceiro livro mais citado em trabalhos acadêmicos sobre ciências sociais em todo o mundo. Seu método de ensino é adotado em diversos países.

Esse nosso Paulo Freire é detentor de nada menos do que 35 títulos de Doutor Honoris Causa concedidos por prestigiadas instituições, mundo afora. Um deles lhe foi conferido pela quase mitológica Universidade de Bolonha, prestes a completar 1.000 anos de atividade, a mais antiga do Ocidente.

Paulo Freire é também o Patrono da Educação no Brasil, título definido em lei em 2012 e que as criaturas da sombras querem revogar, por meio de iniciativas legislativas que não vão prosperar.

Mas, afinal, qual é o “pecado” que faz os amantes da escuridão investirem contra esse patrimônio radiante que é o legado de Paulo Freire?

O que torna a Pedagogia de Paulo Freire tão revolucionária, tão desafiadora e tão necessária é uma constatação simples: “Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo”, afirmava o professor.

É uma pedagogia na qual cabe a quem ensina reconhecer, acolher e respeitar o saber de quem aprende. Sim, porque não existe um “saber” único, absoluto e intocável. Existem, isso sim, os saberes de cada um — de cada povo, de cada comunidade, de cada indivíduo.

E é o conjunto dos saberes — plurais, diversos, contraditórios, inelutavelmente incompletos e tão vocacionados a se complementarem — que constituem o sopro que anima essa instigante aventura que é caminhada humana sobre a terra.

Mas perceber que um trabalhador rural conseguiria soletrar e reconhecer a representação escrita de “enxada” antes de ler e escrever “colarinho” assustou e ainda assusta a elite e os aspirantes a fidalgos.

Promover um aprendizado atento ao conjunto de referências que cada um já carrega consigo empalidece o processo de mera transmissão de conhecimento de cima para baixo.

A pedagogia de Paulo Freire começou a ser formulada no início dos anos 1960. Um exemplo inaugural de sua prática vem de Angicos, no meu Rio Grande do Norte, onde ele trabalhou na alfabetização de adultos em 1963, com imenso sucesso.

Essa caminhada libertadora foi abortada pelo Golpe Militar de 1964 e Paulo Freire chegou a ser preso pelo crime de ensinar gente a escrever e a ler criticamente — não só textos, mas o mundo a seu redor.

Hoje, novamente, essa concepção libertadora e essa aposta no empoderamento estão de novo na mira do obscurantismo. Não adianta: a Educação maiúscula que tem Paulo Freire como seu patrono é um sol que sempre vai vencer a treva e sempre vai aquecer os corações e mentes vocacionados à liberdade e à felicidade que habitam o peito e a mente da maioria dos brasileiros.

Paulo Freire, presente. Hoje e sempre.

*É senador pelo PT/RN.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

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Governo do RN inaugura escultura em homenagem ao centenário de Paulo Freire

Paulo Freire fez história no RN (Foto: reprodução)

Para celebrar o centenário de Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira e um dos mais notáveis pensadores da história da Pedagogia, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte inaugura neste domingo (19), a partir das 17h, a escultura Quarenta horas de Angicos, do artista visual Guaraci Gabriel.  A obra monumental, que mede 12 metros de altura e 7 metros de largura, será instalada no terreno da Fazenda Serra Talhada de propriedade do empresário Daniel Pereira, localizada no Km 180, da BR 304, em Angicos.

A programação da homenagem terá exibição de vídeos com depoimentos sobre a obra de Paulo Freire, além da participação do poeta potiguar Antônio Francisco, da cantora Cida Lobo e do saxofonista Joedson Sax, que interpretará as canções Royal Cinema e Imagine (que simboliza a paz preconizada pela pedagogia de Paulo Freire).

Situada na região Central do estado, a cidade para instalação da escultura foi definida por ter sido o mesmo local onde Paulo Freire desenvolveu o inovador projeto educacional de alfabetização para 380 trabalhadores, que ficou conhecido como Quarenta horas de Angicos.

SERVIÇO

O QUE: Inauguração da escultura As Quarenta Horas de Angicos, em homenagem a Paulo Freire.

ONDE: Fazenda Serra Talhada de propriedade do empresário Daniel Pereira, localizada no Km 180, da BR 304, Angicos-RN. (a fazenda fica no lado esquerdo da BR 304 -sentido Natal – Angicos, depois de Lages, antes de angicos (empresa cabugi britagem), da BR dá pra ver o espaço.

QUANDO: domingo (19), 17h.

Programação de Inauguração da estátua em homenagem a Paulo Freire

16:00h – Amâncio Sobrinho

16:10h – Antônio Francisco

16:30h – Cida Lobo

16:45h – Joedson (Saxofone)

17:00h – Fala do Presidente da FJA

17:10h – Fala do Sec. de Educação

17:20h – Fala da Governadora Fátima

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Governo convoca 519 professores temporários

Mais de 500 professores são convocados (Foto: reprodução)

A rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte vai receber mais 519 professores temporários para atuarem nas 16 diretorias regionais da Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer. A convocação dos novos profissionais foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (14).

Nessa convocação, 500 atuarão nas disciplinas da base comum curricular, 10 no eixo tecnológico da educação profissional e nove atuarão na educação do campo. Com essa nova chamada, serão 1.897 professores já convocados na gestão da professora Fátima Bezerra. Já os educadores efetivos convocados, desde 2019, somam 2.191.

“A melhor maneira de renovar a esperança é investir na educação, e este segue sendo um dos pilares do nosso governo”, disse a governadora e professora Fátima Bezerra.

Os candidatos terão vinte dias, a partir da data de publicação, para se apresentarem nas sedes das Diretorias Regionais de Educação e de Cultura para onde foram convocados. Os educadores deverão levar toda a documentação e exames obrigatórios para assunção do cargo. Os itens exigidos estão descritos nas convocações publicadas no DOE.

Os nomeados desenvolverão suas atividades nas disciplinas de Artes, Biologia, Educação Física, Ensino Religioso, Filosofia, Física, Geografia, História, Língua Espanhola, Língua Inglesa, Língua Portuguesa, Matemática, Pedagogia (Anos Iniciais e Educação Especial), Química e Sociologia.

Do eixo tecnológico, serão convocados educadores dos cursos de Administração/Recursos Humanos, Edificações, Manutenção e Suporte em Informática, Meio Ambiente, Nutrição e Dietética, Segurança do Trabalho e Sistemas de Energia Renovável.

Confira a lista de convocados AQUI.

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Pesquisa sobre Adolescentes do RN aponta que 54,6% dos estudantes com idade entre 13 e 17 anos já experimentaram álcool

Foto: cedida

Nas regiões Nordeste e Norte, a parcela de estudantes adolescentes que já usaram, pelo menos uma vez, algum tipo de droga é menor do que em outras regiões do Brasil. A realidade da região também está refletida no Rio Grande do Norte de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2019.

A proporção dos adolescentes que, alguma vez na vida, fumaram cigarro é de 15% no RN ou 20,7 mil. O percentual é menor que a média do Brasil (22,6%). Todas as unidades da federação do Sudeste, Norte e Centro-oeste possuem percentuais maiores que o RN. O estado potiguar está no mesmo nível dos demais estados da região, com exceção de Pernambuco cujo percentual é de 19,9%. Juntos, os nove estados do Nordeste (16,6%) têm a menor proporção de estudantes adolescentes que já fumaram entre as regiões do Brasil.

Álcool

Quando se trata de bebida alcoólica, 54,6% dos escolares potiguares, de 13 a 17 anos, já experimentaram. Em números absolutos, são cerca de 100 mil adolescentes. A proporção está no mesmo nível da região Nordeste (56,5%). No Brasil (63,3%), a parcela de estudantes adolescentes é superior a do Norte, Nordeste e Rio Grande do Norte. A média brasileira é fortemente influenciada pelas regiões Sul (72,6%), Sudeste (66,7%) e Centro-oeste (66,1%).

Drogas ilícitas

O cenário regional é semelhante quando se trata de drogas não permitidas por lei (maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança-perfume, ecstasy, oxy etc). No Rio Grande do Norte, 9,3% dos escolares usaram drogas ilícitas alguma vez na vida, o que equivale a 17,5 mil estudantes de 13 a 17 anos de idade.

A região Nordeste (7,9%) e Norte (9,3%) apresentam menores proporções que Sul (16,7%), Sudeste (16,2%) e Centro-oeste (14,7%). Em todo o Brasil (13%), 1,5 milhão de estudantes adolescentes já experimentaram drogas ilícitas.

Saúde reprodutiva

Das estudantes adolescentes potiguares que tiveram relação sexual, 6,8% engravidaram. Esse número representa 1,6 mil escolares entre 13 e 17 anos. A proporção do RN é menor do que a média do Nordeste (10,9%) e está no mesmo nível do Brasil (7,9%).

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Escola privada tira nome “militar” após consultar juristas

 

No dia 27 de agosto (ver AQUI) o Blog do Barreto publicou notícia em tom de alerta para a ilegalidade do uso da palavra “militar” por uma escola privada que está sendo lançada em Mossoró.

Usando o professor de direito Ítalo Rebouças como fonte, informamos que o uso da palavra “militar” em estabelecimento privado é ilegal, além de ferir o próprio decreto presidencial que criou as escolas cívico-militares no ensino público.

A escola privada ainda tentou acusar a abordagem de ser “ideológica” quando na verdade o tempo mostrou que ela era jurídica tanto que a instituição agora se apresenta apenas como cívica sem incluir o “militar”.

“Procuramos o Ministério Público e os advogados que nós consultamos foram claros: ‘não é questão de estar certo ou errado, mas de que lá na frente acontecer algum tipo de problema’. Para evitar algum tipo de problema com a gente tinha que fazer uma pequena alteração”, frisou o professor Ronaldo Fabrízio, responsável pelo setor de marketing do projeto.

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Estudo aponta que 33,5% dos estudantes do RN entre 13 e 17 anos não tinham pia ou sabão para lavar as mãos antes da pandemia começar

Foto: cedida

No Rio Grande do Norte, 33,5% dos estudantes, de 13 a 17 anos de idade, não tinham pia ou sabão para lavar as mãos em 2019. Isso corresponde a 63 mil estudantes de um total de 188 mil nesta faixa de idade. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019  do IBGE.

Ao considerar apenas as escolas públicas potiguares, o percentual é maior: 39,7% dos escolares não tinham como lavar as mãos na instituição adequadamente. Em números absolutos, são 62 mil adolescentes. A pesquisa estima que o estado tinha um total de 156 mil estudantes, de 13 a 17 anos, na rede pública de ensino. Nas escolas particulares, 2,8% dos escolares não tinham pia ou sabão para higienizar as mãos, o que representa cerca de 900 pessoas num total de 31 mil.

A média do Brasil (38,5%) e Nordeste (39,6%) estão estatisticamente no mesmo nível do Rio Grande do Norte quando se trata do total de estudantes que frequentam escolas sem condições de oferecer essa medida básica de higiene pessoal.

Segundo a pesquisa, “a importância da disponibilização da estrutura necessária à lavagem de mãos na escola é dupla: por ser um ambiente de aprendizagem para hábitos saudáveis e pela própria prevenção de transmissão de doenças entre os alunos”. O levantamento também considerou lavatório e sabonete como substitutos de pia e sabão respectivamente.

Natal

Na capital norte-rio-grandense, 32,6% dos estudantes de 13 a 17 anos não tinham pia ou sabão para lavar as mãos. A cidade também apresenta ampla diferença entre escolas públicas (49%) e privadas (2,9%) sem esses itens básicos. Na comparação com as demais capitais no acesso geral a esses itens de higiene, Natal está estatisticamente no mesmo nível das demais, menos Porto Velho (4,1%).

Fonte: IBGE

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Pesquisa do IBGE aponta quase 18% das estudantes entre 13 e 17 anos já sofreram abuso sexual

Foto: cedida

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que no Rio Grande do Norte, 17,8% das estudantes, de 13 a 17 anos, já foram tocadas, manipuladas, beijadas ou tiveram partes do seu corpo expostas contra a sua vontade. Esse percentual corresponde a 16,8 mil meninas. Entre os meninos, a proporção é de cerca de 10%, o que significa 9,2 mil estudantes.

Quando se considera apenas a rede escolar, os estudantes de escolas particulares sofreram mais abusos: 17,4% nas particulares e 13,2% nas escolas públicas. Esse número inclui meninas e meninos.

A situação do Rio Grande do Norte está no mesmo nível estatístico do Nordeste e Brasil, inclusive ao analisar o tipo de rede escolar e a diferença por gênero.

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Educação, um pilar da Independência

Por Jean Paul Prates*

Ao longo da nossa história pós-1500, o Brasil tem sido recorrentemente confrontado com uma tomada de decisão: queremos ser um país altivo e autônomo, que dialoga de igual para igual com a comunidade das nações, ou vamos nos acocorar na condição de país-vassalo?

Soberania se constrói com muitos elementos — controle de ativos estratégicos, política externa independente, aparato de dissuasão, valorização da cultura e da identidade nacionais.

Mas é fundamental que nunca percamos de vista o papel fundamental da Educação na emancipação do nosso povo, como elemento indissociável da consolidação da independência.

Pensar o Brasil, formular um projeto nacional, não é tarefa para meia dúzia. É atribuição de cada habitante desse território. A reflexão que a Educação organiza e aprofunda é essencial para nos capacitar para essa responsabilidade.

A Educação também nos afasta da sina de ser um país-estoque de mão de obra barata, mal remunerada, precarizada, desumanizada na briga de foice pelo sustento diários — o ultraliberalismo e a insensibilidade do atual governo quer cevar esse cenário, mas é preciso resistir.

Desde 1500, há um Brasil que tenta se construir como nação esquivando-se do atropelo da rapina colonial, do comércio de carne humana, da megaexploração do trabalho para proveito de poucos.

Nossas feições, nesses cinco séculos, pode ser resumida em uma imagem: ricos exportando commodities e comprando luxos. Foi assim no ciclo da cana, no ciclo do ouro, no ciclo do café. Mas ainda é assim agora, no Século 21 do agrobusiness de maquinário tão sofisticado.

Esse é o enredo do país-vassalo.

O enredo de um país confiscado pelas elites, onde há dinheiro público para construir estradas e portos para escoar a soja, mas onde as estradas que servem aos assentamentos da agricultura familiar — a plantadora de comida — estão caindo aos pedaços.

Onde o povo brasileiro é tratado como “plano B do consumo”: a prioridade é exportar. O que sobrar, vende-se aqui dentro — basta lembrar da disparada do preço do arroz, no ano passado, quando o produto faltou aos brasileiros porque estava com o preço valorizado no exterior.

Um país onde a submissão aos preços internacionais pulveriza o orçamento doméstico, com a disparada dos preços do gás de cozinha e da gasolina, situação inconcebível em um Brasil autossuficiente em petróleo e dono de um respeitável parque de refinarias —que o governo Bolsonaro está aos poucos torrando a preço de banana.

O que falta nessa lista para fechar o círculo da transformação do Brasil em um país-vassalo? Falta estrangular a educação pública, acabando com a vinculação das verbas no Orçamento Público. Ou seja, extinguir a obrigação legal de destinação de um percentual mínimo para financiar esse pilar da nossa independência.

Mas o Brasil não é uma feitoria. Somos povo, culturas e aspirações. Contamos com a Educação para sustentar nosso projeto de futuro.

Na última sexta-feira (3) o Senado realizou uma sessão temática para debater o Sistema Nacional de Educação, mecanismo que será importante para integrar as múltiplas jurisdições, campos de ação e de gestão pública desse setor.

É muito salutar que o Senado tenha construído um espaço para debatermos os tema, ainda mais nesse momento de crise, quando o desalento com o presente sempre nos coloca em risco de parar de enxergar o futuro.

E para projetar o futuro, temos uma base sólida, que é a nossa Constituição Federal, que consagra de maneira claríssima a decisão nacional de contar com uma Educação pública gratuita, laica, acessível e universalizada. Uma Educação transformadora nos planos social, humano e econômico.

Portanto, é preciso defender o patamar que já alcançamos no financiamento da Educação pública e avançar na conquista de mais recursos. Não podemos retroceder um milímetro. Defender a vinculação das verbas para a Educação é tarefa prioritária para quem quer um Brasil independente.

*É senador pelo PT/RN.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.