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Beto Rosado indica emenda que beneficia projeto da própria tia

Por Mirela Lopes

Agência Saiba Mais

O deputado federal Beto Rosado (Progressistas – RN), destinou para este ano de 2021 uma emenda no valor de R$ 500 mil para a Sociedade dos Amigos da Pinacoteca Potiguar (SAPP). A instituição é ligada a sua tia, Isaura Rosado, e não possui sede física, apesar de estar localizada na Praça Sete de Setembro, no bairro da Cidade Alta, centro de Natal.

Na justificativa do projeto, o deputado argumentou que a Sociedade tem como alvo as “Comunidades quilombolas; População rural; Mestres, praticantes, brincantes e grupos culturais populares, mulheres; Pessoas com deficiência; Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – LGBT; e Grupos assentados de reforma agrária; Estudantes de Instituições públicas de ensino” e que “a Sociedade Amigos da Pinacoteca a partir da convivência com o mundo artístico e seus profissionais, tem constatado a ausência ou inexistência de alguns profissionais, para exercer atividades subsidiárias ao mercado de arte como: fotografia, edição de vídeos, figurinos, maquiagem artística, DJ, coreógrafo, projetos, dança, etc. A partir desta constatação compreendemos que podemos qualificar jovens e adultos para suprir essa demanda de mão de obra. Sem dúvida uma forma interessante de inclusão”.

O valor de R$ 500 mil, segundo a emenda, seria para a operacionalização do projeto “Arte que Inclui”, através de oficinas, apresentações de quadrilhas juninas e festival, voltado para a promoção da acessibilidade cultural e inclusão de pessoas com deficiência, no município de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte e cidade de origem dos Rosado.

A Sociedade dos Amigos da Pinacoteca Potiguar terá até 29 de janeiro de 2023 para prestar contas da utilização do repasse. A instituição, de caráter privado, foi fundada em 27 de março de 2014 e tem Iaperi Soares de Araújo como sócio e administrador. No entanto, na página da instituição, é possível observar a participação ativa de Isaura.

Isaura Rosado já ocupou vários cargos na área de cultura. Ela dirigiu a Fundação José Augusto, que pertence ao Governo do Estado, durante os governos de Wilma de Faria, Rosalba Ciarlini e de Robinson Faria, de onde saiu em março de 2018, justamente, para trabalhar na campanha do sobrinho, Beto Rosado. A Agência Saiba Mais tentou contato com Isaura Rosado, mas não obteve retorno.

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Rosalba começa a pagar fatura por apoio de Sandra a Beto

Pedro Almeida agora é secretário

Já foi publicada no Jornal Oficial de Mossoró (JOM) a nomeação do professor aposentado Pedro Almeida Duarte para o cargo de secretário municipal de administração.

A presença dele no cargo fez parte das negociações entre o rosalbismo e o sandrismo para que a vereadora Sandra Rosado (PSDB) retirasse a postulação a Câmara dos Deputados para apoiar a reeleição do deputado federal Beto Rosado (PP).

Pedro Almeida é um longevo e leal membro do grupo de Sandra Rosado.

Já foi secretário estadual de educação e agricultura respectivamente nos governos de Garibaldi Filho e Wilma de Faria.

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O pacto oligárquico

Vitórias de Carlos Eduardo e Rosalba em 2016 deram um fôlego aos oligarcas
Vitórias de Carlos Eduardo e Rosalba em 2016 deram um fôlego aos oligarcas

As ultratradicionais oligarquias Alves, Rosado e Maia estão juntos e misturados, isso tudo meio a contragosto, diga-se. Ontem (ver AQUI) se confirmou a aliança que faltava para fechar o cenário político no Rio Grande do Norte em 2018.

A prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP) indicou o filho Cadu como vice de Carlos Eduardo Alves (PDT). O acordo só foi selado quando se entenderam a respeito da reeleição do sobrinho afim dela, Beto Rosado.

Tudo resolvido em família.

Acordo feito e incluindo no mesmo balaio o senador José Agripino (DEM) deslocado para a Câmara dos Deputados tirando momentaneamente o filho Felipe Maia da política. O líder demista fez um “sacrifício” por ele mesmo para se manter na política. Tudo para Carlos Eduardo não prejudicar seu projeto de chegar ao Governo do Estado e garantir as reeleições dos primos Garibaldi e Walter Alves.

As famílias se entenderam.

Se fosse há 20 anos e com alguns ajustes envolvendo personagens já falecidos ou aposentados da política essa aliança seria imbatível. Mas naqueles tempos as oligarquias eram mais fortes divididas em Alves x Maias cada uma com o suporte dos Rosado torados em duas bandas. Praticamente todos estão juntos para sobreviver politicamente.

Nas décadas de 2000 e 2010 os oligarcas do Rio Grande do Norte começaram a perder força. Primeiro permitiram uma terceira via vitoriosa saindo de dentro de suas entranhas. Refiro-me a Wilma de Faria que derrotou Alves e Maia após circular por esses dois grupos e ela mesma tendo uma origem oligarca.

Em 2006, Alves e Maia se uniram para derrota-la, mas Wilma vence. Em 2010, o voto casado colou e as oligarquias deram o último suspiro reelegende Garibaldi e Agripino e levando uma Rosado, Rosalba, ao Governo depois de 60 anos.

Em 2014, Rosalba é jogada no escanteio da política e se junta a Robinson Faria (outrora vice dissidente) e ao PT. Numa aliança reduzida e com a então governadora dando apoio velado derrotam Alves e Maia para Governo e Senado.

O recado do eleitor estava dado e as vitórias em Natal e Mossoró deram uma ilusão de poderio as oligarquias. Mas as pesquisas em 2018 mostram um cenário desalentador aos três grupos familiares.

Carlos Eduardo não decola nas pesquisas, Rosalba é mal avaliada em Mossoró e Garibaldi nunca iniciou uma campanha tão enfraquecido. Para completar a situação, José Agripino sequer teve condições de tentar a reeleição ao Senado.

O ano de 2018 pode ser o último suspiro das oligarquias em nível estadual, sacrificando talvez o seu quadro tecnicamente mais qualificado, Carlos Eduardo.

O pacto oligárquico tem tempo e meios para virar o jogo em 2018, mas também pode se afogar num mar de repulsa popular que eles parecem não perceber.

Teremos este ano um colapso das oligarquias? É possível que sim.