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Análise

Os Rosados novamente divididos

Sandra Rosado /Larissa Rosado de um lado, Rosalba Ciarlini/Beto Rosado no outro. As dobradinhas para deputado estadual e federal respectivamente estão desenhadas nas eleições deste ano.

Os Rosados estão oficialmente divididos novamente.

Se nos anos 1980 eles se dividiram dentre outros fatores porque estavam fortes demais (quem quiser ler o livro Os Rosados Divididos, aviso que tenho apenas oito exemplares) agora a nova divisão se dá no pior momento do clã político/familiar.

Há 40 anos faltava espaço para tanta gente, agora é para sobreviver a partir do que restou. A política mossoroense está num momento de inflexão e poucos se dão conta deste processo.

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Beto Rosado indica emenda que beneficia projeto da própria tia

Por Mirela Lopes

Agência Saiba Mais

O deputado federal Beto Rosado (Progressistas – RN), destinou para este ano de 2021 uma emenda no valor de R$ 500 mil para a Sociedade dos Amigos da Pinacoteca Potiguar (SAPP). A instituição é ligada a sua tia, Isaura Rosado, e não possui sede física, apesar de estar localizada na Praça Sete de Setembro, no bairro da Cidade Alta, centro de Natal.

Na justificativa do projeto, o deputado argumentou que a Sociedade tem como alvo as “Comunidades quilombolas; População rural; Mestres, praticantes, brincantes e grupos culturais populares, mulheres; Pessoas com deficiência; Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – LGBT; e Grupos assentados de reforma agrária; Estudantes de Instituições públicas de ensino” e que “a Sociedade Amigos da Pinacoteca a partir da convivência com o mundo artístico e seus profissionais, tem constatado a ausência ou inexistência de alguns profissionais, para exercer atividades subsidiárias ao mercado de arte como: fotografia, edição de vídeos, figurinos, maquiagem artística, DJ, coreógrafo, projetos, dança, etc. A partir desta constatação compreendemos que podemos qualificar jovens e adultos para suprir essa demanda de mão de obra. Sem dúvida uma forma interessante de inclusão”.

O valor de R$ 500 mil, segundo a emenda, seria para a operacionalização do projeto “Arte que Inclui”, através de oficinas, apresentações de quadrilhas juninas e festival, voltado para a promoção da acessibilidade cultural e inclusão de pessoas com deficiência, no município de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte e cidade de origem dos Rosado.

A Sociedade dos Amigos da Pinacoteca Potiguar terá até 29 de janeiro de 2023 para prestar contas da utilização do repasse. A instituição, de caráter privado, foi fundada em 27 de março de 2014 e tem Iaperi Soares de Araújo como sócio e administrador. No entanto, na página da instituição, é possível observar a participação ativa de Isaura.

Isaura Rosado já ocupou vários cargos na área de cultura. Ela dirigiu a Fundação José Augusto, que pertence ao Governo do Estado, durante os governos de Wilma de Faria, Rosalba Ciarlini e de Robinson Faria, de onde saiu em março de 2018, justamente, para trabalhar na campanha do sobrinho, Beto Rosado. A Agência Saiba Mais tentou contato com Isaura Rosado, mas não obteve retorno.

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Rosalba começa a pagar fatura por apoio de Sandra a Beto

Pedro Almeida agora é secretário

Já foi publicada no Jornal Oficial de Mossoró (JOM) a nomeação do professor aposentado Pedro Almeida Duarte para o cargo de secretário municipal de administração.

A presença dele no cargo fez parte das negociações entre o rosalbismo e o sandrismo para que a vereadora Sandra Rosado (PSDB) retirasse a postulação a Câmara dos Deputados para apoiar a reeleição do deputado federal Beto Rosado (PP).

Pedro Almeida é um longevo e leal membro do grupo de Sandra Rosado.

Já foi secretário estadual de educação e agricultura respectivamente nos governos de Garibaldi Filho e Wilma de Faria.

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O pacto oligárquico

Vitórias de Carlos Eduardo e Rosalba em 2016 deram um fôlego aos oligarcas
Vitórias de Carlos Eduardo e Rosalba em 2016 deram um fôlego aos oligarcas

As ultratradicionais oligarquias Alves, Rosado e Maia estão juntos e misturados, isso tudo meio a contragosto, diga-se. Ontem (ver AQUI) se confirmou a aliança que faltava para fechar o cenário político no Rio Grande do Norte em 2018.

A prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP) indicou o filho Cadu como vice de Carlos Eduardo Alves (PDT). O acordo só foi selado quando se entenderam a respeito da reeleição do sobrinho afim dela, Beto Rosado.

Tudo resolvido em família.

Acordo feito e incluindo no mesmo balaio o senador José Agripino (DEM) deslocado para a Câmara dos Deputados tirando momentaneamente o filho Felipe Maia da política. O líder demista fez um “sacrifício” por ele mesmo para se manter na política. Tudo para Carlos Eduardo não prejudicar seu projeto de chegar ao Governo do Estado e garantir as reeleições dos primos Garibaldi e Walter Alves.

As famílias se entenderam.

Se fosse há 20 anos e com alguns ajustes envolvendo personagens já falecidos ou aposentados da política essa aliança seria imbatível. Mas naqueles tempos as oligarquias eram mais fortes divididas em Alves x Maias cada uma com o suporte dos Rosado torados em duas bandas. Praticamente todos estão juntos para sobreviver politicamente.

Nas décadas de 2000 e 2010 os oligarcas do Rio Grande do Norte começaram a perder força. Primeiro permitiram uma terceira via vitoriosa saindo de dentro de suas entranhas. Refiro-me a Wilma de Faria que derrotou Alves e Maia após circular por esses dois grupos e ela mesma tendo uma origem oligarca.

Em 2006, Alves e Maia se uniram para derrota-la, mas Wilma vence. Em 2010, o voto casado colou e as oligarquias deram o último suspiro reelegende Garibaldi e Agripino e levando uma Rosado, Rosalba, ao Governo depois de 60 anos.

Em 2014, Rosalba é jogada no escanteio da política e se junta a Robinson Faria (outrora vice dissidente) e ao PT. Numa aliança reduzida e com a então governadora dando apoio velado derrotam Alves e Maia para Governo e Senado.

O recado do eleitor estava dado e as vitórias em Natal e Mossoró deram uma ilusão de poderio as oligarquias. Mas as pesquisas em 2018 mostram um cenário desalentador aos três grupos familiares.

Carlos Eduardo não decola nas pesquisas, Rosalba é mal avaliada em Mossoró e Garibaldi nunca iniciou uma campanha tão enfraquecido. Para completar a situação, José Agripino sequer teve condições de tentar a reeleição ao Senado.

O ano de 2018 pode ser o último suspiro das oligarquias em nível estadual, sacrificando talvez o seu quadro tecnicamente mais qualificado, Carlos Eduardo.

O pacto oligárquico tem tempo e meios para virar o jogo em 2018, mas também pode se afogar num mar de repulsa popular que eles parecem não perceber.

Teremos este ano um colapso das oligarquias? É possível que sim.