Categorias
Matéria

Decisão do PDT dificulta associação de Carlos Eduardo a Lula no RN

Na convenção do PDT que homologou a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à Presidência da República foi aprovada uma resolução que proíbe pedetistas de fazerem propaganda ao lado de candidatos que não tenham sido aprovados na convenção nacional.

Os candidatos do PDT estão proibidos de omitir a candidatura presidencial de Ciro nos Estados.

A decisão repercute no Rio Grande do Norte onde o ex-prefeito do Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) é candidato ao Senado com o apoio do PT e adoraria colar sua imagem na popularidade do ex-presidente Lula no Estado.

Bom para o deputado federal Rafael Motta (PSB) que seguirá dizendo que é o único candidato ao Senado que apoia Lula.

 

Categorias
Análise

Carlos Eduardo tenta se equilibrar para sobreviver politicamente

Num dia o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) esteve em Fortaleza onde reforçou o compromisso com a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes a presidente da República.

No outro, ele estava ao lado do ex-presidente Lula (PT) em Natal num evento cercado de petistas.

Ciro bate duramente em Lula. Lula sugere que Ciro tome calmante. A treta entre PDT e PT respinga no Rio Grande do Norte.

Carlos está sendo visto como um “penetra” na chapa petista, apesar de todo o apoio recebido da governadora Fátima Bezerra (PT) e pelo senador Jean Paul Prates (PT). O pedetista conseguiu tirar uma foto com Lula e já garantiu votar nele no segundo turno.

O pedetista vai ter que se equilibrar muito para sobreviver politicamente nas urnas no dia 2 de outubro.

Categorias
Matéria

“Estamos com Ciro no Rio Grande do Norte”, afirma Carlos Eduardo Alves em evento do PDT

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) discursou em Fortaleza no evento “O PDT sabe fazer” reforçando o apoio ao ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato a presidente do partido. “Estamos com Ciro no Rio Grande do Norte”, frisou.

Carlos não poupou de elogios. “Ciro tem demonstrado obstinação, é um dos poucos políticos do Brasil que estuda, que fala sempre com fundamentação e propriedade”, disse. “Ciro honra todos nós trabalhistas, pedetista”, completou.

Carlos Eduardo Alves já deixou claro que vota em Ciro, mas terá o apoio do PT nas eleições deste ano quando integrará a chapa da governadora Fátima Bezerra (PT) na condição de candidato ao Senado.

A situação dele é delicada porque preside a Comissão Provisório do PDT no Rio Grande do Norte cujo prazo de validade se vence este mês. Não condições de bater de frente com o partido.

Em paralelo a isso, Carlos sofre concorrência do deputado federal Rafael Motta (PSB), declaradamente apoiador de Lula.

Categorias
Foro de Moscow

A treta entre Ciro e Gregório Duvivier – quem levou a melhor?

Categorias
Matéria

Jaime Calado cobra voto de Carlos Eduardo em Lula

Em entrevista a 96 FM de Natal o ex-secretário do desenvolvimento econômico Jaime Calado (Republicanos) cobrou coerência ao ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) que vota em Ciro Gomes (PDT) para presidente e não declara apoio a Lula (PT) na corrida presidencial.

“O inconveniente de Carlos Eduardo e eu disse a governadora. O eleitor de Lula vai se sentir incomodado. Como você quer o voto de Lula e você vai para um palanque dizer que não vota em Lula? Isso incomoda sim”, questionou.

Jaime revelou que chegou a sugerir que Carlos fosse para um partido aliado de Lula. “Eu disse: ‘Governadora diga a Carlos Eduardo que venha para um partido que apoia o presidente Lula’. Como você quer o voto de Lula e não vota em Lula?”, questionou.

Jaime defende a candidatura do deputado federal Rafael Motta (PSB) ao Senado e falou que é uma queixa antiga dos dois aliados. “Eu lá atrás fui procurado por Rafael que tinha a mesma queixa que nós do PROS (partido de Jaime na época) tínhamos. Raimundo Alves (chefe de gabinete civil) na época deu uma entrevista e não citou nem o PROS, nem o PSB nem o Partido Verde. Era como se não existisse. Eu vi que ele tinha razão e fomos a governadora e propomos: ‘é legítimo a senhora atrair outras forças, política se faz somando mesmo e é importante que sejam atendidos os aliados. Nós nos sentiríamos atendidos se o PSB fosse convidado para o Senado ou o PROS para vice’. A proposta inicial era pedir as duas coisas, mas reconhecemos que não temos força para isso”, declarou.

O ex-secretário alertou que o impasse atual poderia acontecer. “Eu disse: ‘vai aparecer alguém que ninguém está esperando que vai dizer ‘‘meu candidato é Lula’’”. Uma boa parte dos eleitores vai migrar para este candidato e pode ‘descompletar’ a eleição dele e botar Rogério Marinho sentado lá no Senado”, destacou acrescentando que teria aceitado Carlos Eduardo no PROS.

Carlos Eduardo

Ontem em conversa na 98 FM de Natal, Carlos Eduardo reforçou que vota em Ciro, mas que Lula vindo ao Rio Grande do Norte vai recepcioná-lo no aeroporto e se abster de participar de atos de campanha.

Categorias
Análise

Carlos Eduardo é um político em crise de identidade

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) é um político a meu ver vivendo uma crise de identidade. Veja só: ele não é cirista o suficiente para agradar os ciristas nem um aliado de corpo e alma do PT o suficiente para agradar os petistas.

Resultado: ele está isolado, sem militância nas redes sociais e se tornou um “bode na sala” do governismo estadual.

A chave do problema é o apoio declarado ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na corrida presidencial mesmo sendo o candidato de Lula ao Senado no RN.

A conta pode fechar para Carlos Eduardo, mas não fecha na base do PT que preferia votar no senador Jean Paul Prates (PT), mas aceita votar no deputado federal Rafael Motta (PSB) como “plano B”.

Motta por sinal esteve no lançamento da pré-candidatura de Lula com direito a fotos com petistas do RN fazendo o “L” e tietagem sob o ex-presidente. Já Carlos ficou no RN lambendo as feridas da treta que arranjou com os prefeitos. Uma semana antes ele esteve em um evento do PDT com a presença de Ciro, mas sem foto oficial com o presidenciável.

O líder nas pesquisas ao Senado está fragilizado na base. A saída é sair desse chove não molha que o deixa indefeso e a porta se abre com uma declaração de voto em Lula.

Categorias
Matéria

Carlos Eduardo afirma que PT vai aceitar que ele apoie Ciro. Aliança deve ser formalizada ainda este mês

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) declarou ao Foro de Moscow que a governadora Fátima Bezerra (PT) recebeu sinal verde para formalizar alianças com partidos que possuem outros candidatos a presidente.

A decisão afeta diretamente a situação dele no Rio Grande do Norte por ser um apoiador do ex-ministro Ciro Gomes.

“Essa situação (aliança com apoiador de Ciro) a governadora Fátima já conversou cm a direção nacional do PT e a direção nacional deu sinal positivo de que não há incompatibilidade de alianças com quem tem candidatos a presidente diferente”, frisou.

Confira o trecho da entrevista:

Em outro momento da entrevista, Carlos Eduardo disse que a aliança deve ser formalizada ainda este mês. “Creio que este mês poderemos anunciar a chapa majoritária”, disse.

Assista a entrevista na íntegra a partir dos 24 minutos.

Categorias
Análise

Aliado de Fátima, Carlos Eduardo apoiará Ciro buscando o eleitor de Lula no interior do RN

Uma pergunta que ninguém tem feito, mas é válida: como Carlos Eduardo Alves (PDT) vai se virar sendo apoiador da candidatura de Ciro Gomes (PDT) a presidência estando em um palanque lulista?

Sim. É preciso pensar nisso.

A força da governadora Fátima Bezerra (PT) e do ex-presidente Lula (PT) é no interior do Rio Grande do Norte onde Alves vai precisar arrumar os votos necessários para se eleger senador.

Vai chegar em um eleitorado lulista sendo do partido de Ciro que disputa a presidência com Lula?

A alegação de que no Ceará isso funciona não cola. A aliança PT/Ciro está consolidada por lá há mais de uma década.

Aqui não.

O voto casado pode abandonar o noivo no altar por falta de compatibilidade política.

Olho nisso.

Categorias
Matéria

“É um erro Ciro criticar Lula”, diz Carlos Eduardo

Na entrevista ao Foro de Moscow nesta segunda-feira o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) disse discordar da postura do ex-ministro Ciro Gomes que tem centrado ataques ao ex-presidente Lula.

“Eu acho que estamos no campo de oposição ao Governo Federal”, frisou. Carlos Eduardo reforçou que Ciro deveria focar na capacidade intelectual dele para conquistar o eleitorado. “Se ele ficar com os seus projetos vai ganhar muito mais”, argumentou.

Confira:

Veja a entrevista completa:

Categorias
Artigo

Por que Ciro Gomes aposta no antipetismo?

Ciro aposta no antipetismo (FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL)

Por Glenn Greenwald*

Ao longo dos últimos seis meses, uma questão tem confundido a esquerda: o que Ciro Gomes está fazendo? Isso não significa necessariamente que discordem de suas declarações, apesar de frequentemente discordarem, mas que não entendem a lógica de sua estratégia. Não é necessário concordar com a estratégia de Ciro para entendê-la.

Para se falar das ações de Ciro devemos começar pela questão principal: Ciro Gomes quer ser presidente do Brasil. Não duvido que ele creia sinceramente ser a opção mais qualificada para superar tanto as crises estruturais de longa data quanto as novas patologias herdadas do bolsonarismo. Ele acredita que governaria o Brasil melhor do que Lula, Bolsonaro ou qualquer outro.

Ciro foi um prefeito e um governador popular e de prestígio, além de ter ocupado uma cadeira no Congresso. Foi ministro, advogado constitucionalista, professor universitário, pesquisador visitante em Harvard e autor de três livros sobre política, e comandou uma empresa no setor privado.

Parece claro que ele ainda alimenta uma última ambição: ser presidente. Não é uma ambição surpreendente para alguém que foi eleito deputado estadual aos 26 anos de idade, prefeito de uma capital aos 32 e governador aos 33. E que respira política desde então. Para alguém com essa trajetória, a Presidência é apenas o próximo destino, e todo o esforço dos últimos anos é nesse sentido.

Mas existe um obstáculo no caminho de Ciro rumo à Presidência: Lula. E, para Ciro, Lula não é apenas o maior obstáculo para o sucesso em 2022, mas é também quem o impediu de realizar essa ambição até hoje.

Na primeira candidatura de Ciro à Presidência, em 1998, ele disputou o voto anti-FHC com Lula e acabou em terceiro. Em 2002, viu Lula aglutinar a esquerda e ficou em quarto. Em 2010, depois de servir ao governo Lula em vários cargos importantes, acreditava, com bons motivos, que teria o apoio do então presidente, mas foi preterido por Dilma Rousseff. Em 2018, mesmo preso, Lula bloqueou mais uma vez o caminho de Ciro ao apoiar não o seu nome, mas o de Fernando Haddad, amargando mais uma vez o terceiro lugar.

Quando se ouvem as entrevistas de Ciro ao longo dos anos, não é difícil entender a sua visão dos últimos 20 anos: apesar de ter apoiado Lula e até mesmo o PT e criticado ferozmente o impeachment de Dilma em um momento em que essa não era uma posição popular, ele viu suas aspirações presidenciais repetidamente sabotadas. E tanto em 2010 quanto em 2018 foi preterido por candidatos que, na sua visão, eram bem menos experientes e capazes do que ele e, no caso de 2018, com menos chances de vitória.

É, portanto, perfeitamente racional que Ciro conclua que, se quer realmente ser presidente, não pode contar com o PT. Na verdade, é o oposto: ele tem de encontrar uma maneira de superar, ultrapassar ou derrotar o PT. Ele aprendeu a lição de que o Partido dos Trabalhadores não será o veículo que vai levá-lo à Presidência. Ao contrário, é um obstáculo.

Em outras palavras, Ciro não chegará à Presidência apoiando ou apoiado pelo PT ou Lula. Especialmente agora que a candidatura de Lula em 2022 está cada vez mais certa. Assim, quanto mais próximo Ciro estiver do PT, mais distante estará a sua vitória.

A esquerda ainda se surpreende com a retórica anti-PT de Ciro, cada vez mais intensa. Mas que outra escolha ele tem, se quer vencer? Por que Ciro se convenceria de que ele não deve alienar petistas? Por definição, eles não votarão nele, mesmo que gostem dele. Os petistas não votarão em Ciro. Ponto final.

As pesquisas, e o senso comum, sugerem que será muito difícil evitar um segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Isso se torna ainda menos provável se houver mais de um candidato se apresentando como terceira via. Essa alternativa só será viável se ela unir o antibolsonarismo de centro-direita e o antipetismo de centro-esquerda. Chave nessa equação são os chamados “centristas pró-democracia” que assinaram um manifesto recentemente, entre eles João Doria, Luiz Henrique Mandetta, Luciano Huck e Eduardo Leite.

Ciro tem um argumento convincente de que é o melhor nome para unir esse campo: todos os outros estão por demais à direita (tendo, inclusive, votado em Bolsonaro) para ser capazes de aglutinar votos da centro-esquerda, ao passo que Ciro pode alcançar esse eleitorado. Mas, se quer alcançar o eleitorado de centro-direita, Ciro precisa se distanciar de Lula e do PT, mesmo que para isso precise se recusar a reconhecer o fato de que Lula seria melhor do que Bolsonaro.

Independentemente de todo o resto, com Lula no páreo, Ciro não tem nenhuma chance de atrair o voto do PT e de seus aliados, não importa o que diga ou faça. É muito difícil imaginar um cenário em que a estratégia de se colocar como o nome de unidade do “Centrão” funcione e lhe dê a vitória, mas, diante da conjuntura, esta é a sua única opção.

*É jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer. Texto extraído da Revista Carta Capital.