Os requisitos para ganhar uma eleição são diferentes dos requisitos para fazer um bom governo. A política antiga já nos mostrou isso por A + B.
Na eleição, o candidato faz uma pesquisa, descobre o que as pessoas pensam, contrata um marqueteiro e produz discursos e peças publicitárias que se encaixam perfeitamente nos dados que os pesquisadores puxaram nas ruas.
Promessas e frases de efeito para ganhar votos.
O problema é o que vem depois da eleição: a gestão.
A gestão de um governo está cada vez mais difícil no RN. Nos últimos oito anos, a cadeira de governador se tornou uma cadeira elétrica.
A obrigação de governar, de controlar a máquina pública, é cada vez mais complexa. Uma tabulação enorme de perdas e ganhos que requer boa vontade intelectual, foco no conceito macro, rédea curta no conceito micro, equipe técnica qualificada, e grandeza de espírito para enfrentar o deserto que sempre vem logo após as decisões mais incompreendidas.
Na gestão, de pouco adianta o discurso da campanha, as promessas ao vento, a música de autoajuda e o marketing eleitoral bonito e bem acabado.
Os dois últimos Governos que tivemos, Rosalba e Robinson, foram exemplos de que os requisitos para ganhar a eleição são diferentes daqueles necessários para fazer um bom governo. Aclamados nas urnas, desastrados na gestão.
Agora, começando 2019, temos um governo novo. Que ganhou a eleição com um apelo eleitoral baseado em critérios que estão longe, muito longe mesmo, daqueles que o momento histórico-administrativo exige para o Estado. A máquina está repleta de custos, seca de recursos e se tornou espólio de um segmento do eleitorado que foi treinado para pensar que o Estado sempre vai prover todos os sonhos e desejos dos indivíduos.
Vamos torcer para que o conteúdo utilizado para ganhar a eleição seja posto de lado e o novo grupo governamental adote medidas de gestão, suportando todos os dramas de seus efeitos colaterais.
Na intimidade do gabinete, após três semanas da posse, aqueles mais afinados com a realidade já perceberam que os requisitos para ganhar uma eleição são diferentes dos requisitos para fazer um bom governo.
*É mestre em Políticas Públicas. Deputado Estadual.
Se engana feio quem acha que empresário quer só ter lucro e ganhar dinheiro. Quem convive com empreendedores sabe que sempre, sempre, o principal objetivo é construir sonhos, novos negócios, novos desafios. Ganhar dinheiro é a consequência de um trabalho bem feito. Não se colhe o que não se planta.
O bom empreendedor sabe enxergar como ninguém as oportunidades que uma crise gera.
Sabe o que é o desafio de viver em um ambiente hostil (especialmente o provocado pela burocracia estatal).
Sabe usar bem seus recursos humanos, evitar desperdício e, principalmente, colocar as despesas dentro da receita.
E é exatamente isso o que mais a máquina pública potiguar precisa neste momento: EMPREENDEDORES! Pois, só superando a abismo fiscal em que nos encontramos, o Estado poderá fazer seu papel principal: diminuir as desigualdades.
No atual formato, o Estado só produz o contrário, ilhas de altos salários e desperdício no setor público, enquanto uma parcela gigante da população não tem acesso aos serviços básicos.
Os técnicos da burocracia governamental, por mais sábios, capazes e preparados que sejam, precisam se comunicar com quem está fora da Máquina Estatal, com outra visão de mundo.
Por isso, é muito importante, neste momento, que o novo Governo do Estado chame os empreendedores e pergunte: O que eles acham que poderia ser modernizado na máquina pública? aonde estão os principais gargalos? O que o Estado pode e deve fazer para os empreendedores acelerarem nossa economia?
Confesso que senti falta de empresários na equipe da Governadora Fátima Bezerra, pessoas que pensem “fora da caixa” do atual sistema
Empresário não deve ser tratado como demônio. Ao contrário. Os empregos estão nas empresas. Nas organizações de empreendedores que transformam ideias em rotinas econômicas que geram cadeias de empregos. Precisamos dos empreendedores de volta.
O novo Governo do RN precisa chamar os empreendedores. Urgente!
Não foram boas as primeiras medidas do Governo Fátima.
Elas confirmaram o temor que a gente já tinha: falta de um projeto com sequência lógica de ataque ao que é mais desesperador, aliado a mecanismos de substituição dos defeitos do alicerce que provocam esse desespero.
Os salários atrasados representam o telhado velho que já não protege mais da chuva. O desespero.
A fórmula atual da previdência representa o alicerce quebrado, que não sustenta mais as paredes.
Fátima criou um sofisma para dizer que tem a fórmula para cessar o desespero, e criar a retórica de que os salários estarão em dia dentro da gestão dela. Mas não tocou no assunto mais grave, o alicerce, que é a previdência.
Não adianta só trocar as telhas. Sem o alicerce, elas vão cair e a chuva vai continuar molhando.
Fátima disse que vai pagar janeiro de 2019 e, quando puder, pagar o restante da folha que está faltando aos servidores: Décimo de 2017, Salários de novembro e dezembro de 2018, e Décimo de 2018.
A história do RN, então, na narrativa do novo governo, fica dessa forma: AF (antes de Fátima) e DF (depois de Fátima).
Os problemas de antes não eram dela. Então, os salários de quem trabalhou até dezembro de 2018 não são problemas do novo Governo Fátima. Pertencem a uma era AF. Fátima surgiu agora.DF. Depois de Fátima. E, neste período DF, não haverá desespero. Ao contrário. Haverá ANTECIPAÇÃO DE SALÁRIO.
O Sofisma é o argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.
Ainda dá tempo. O Governo está só começando. Mas, agora, além da questão fiscal, será preciso recuperar outra coisa na relação entre a sociedade e o novo Governo, a CONFIANÇA.
O AF e o DF não cola. É uma fórmula antiga. Da política antiga.
Kelps Lima é mestre em Gestão Pública. Deputado Estadual.
Eliezer Girão e Kelps Lima podem puxar uma nova alternativa de poder no RN
As oligarquias acumulam derrotas acachapantes nas duas últimas eleições em nível de Rio Grande do Norte. A partir de 2019 não ocuparão nenhuma das três vagas do Senado nem os cargos de Governador e vice-governador.
É um fato inédito.
Mas isso não significa que elas deixaram de ser uma alternativa de poder. No entanto, as respostas nas urnas em 2018 foram mais duras que há quatro anos e o comando da oposição pode se perder nos próximos quatro anos.
Nas eleições de 2014, formaram um chapão para enfrentar Robinson Faria (PSD) em aliança com o PT/PC do B. A derrota foi humilhante.
A má gestão de Robinson não tornou os grupos tradicionais automaticamente uma alternativa de poder ao governador. Esse espaço ficou com a senadora Fátima Bezerra (PT) que liderou de ponta a ponta o processo eleitoral este ano. A petista, frise-se, rompeu com Robinson em outubro de 2015, logo no primeiro ano da gestão. Desde então ela se posicionou a frente dos oligarcas como alternativa de poder.
Em 2018, como em 2014, os grupos tradicionais para forças políticas que não estavam (ao menos oficialmente) no governo adversário empurrando-se para a condição de “alternativa da alternativa”.
Nas eleições de 2018, diferentemente de 2014, foi aberta uma nova fronteira eleitoral no Rio Grande do Norte com nomes de fora da elite política, eleitos sem grandes estruturas, e com um discurso renovador e moralizante em sintonia com a nova direita nacional.
Assim o general Eliezer Girão (PSL) se elegeu deputado federal. Para Assembleia Legislativa nomes como Coronel Azevedo (PSL) e Allyson Bezerra (SD) também se elegeram sem o apadrinhamento dos nomes tradicionais da política.
Trata-se de um grupo político novo que foi organizado no Rio Grande do Norte sob a liderança do deputado estadual Kelps Lima (SD) – que não necessariamente lidera os nomes do PSL – que procurou se apartar das oligarquias e fazer carreira política em voo solo, mas usando a estrutura partidária que possui para formatar novas lideranças no Estado.
O surgimento dessas novas lideranças no campo da direita dependerá do desempenho destes mandatos, mas é certo que atuarão de forma independente sem alinhamento com os oligarcas nem com a nova governadora. O foco será se tornar uma alternativa de poder no futuro.
Se isso acontecer ocuparão um espaço junto ao eleitorado conservador que é patrimônio eleitoral das famílias Alves, Maia (entenda-se agripinismo) e Rosado.
O candidato ao Governo deste grupo foi Brenno Queiroga (SD) que ficou em quarto lugar com 106.345 votos, um desempenho surpreendente para a candidatura de um ex-prefeito de uma cidade pequena do Alto Oeste Potiguar. Esse movimento tende a partir das três maiores cidades do Rio Grande do Norte (Natal, Parnamirim e Mossoró) onde Brenno surpreendeu ficando em terceiro lugar, à frente do governador Robinson Faria. Foram nessas cidades que os candidatos do PSL e Solidariedade tiveram seus melhores desempenhos na disputa proporcional.
Mesmo que Fátima Bezerra venha a fazer um bom Governo, esses grupos têm chances de ocuparem um vácuo como alternativa de poder. Mesmo ela governando bem a nova direita que surge pode, por exemplo, reforçar o discurso de que o RN se afundou em décadas de atrasos por causa das oligarquias e eles podem fazer mais.
Se o Governo dela não for bom eles ainda terão na manga o discurso “nem PT, nem oligarquia”. Tudo vai depender de como irão direcionar os mandatos a partir de 2019.
A Eliezer Girão há um plus chamado Jair Bolsonaro (PSL). O futuro deputado federal será o homem forte do presidente eleito dentro do Rio Grande do Norte. O desempenho do novo inquilino do Palácio do Planalto será fundamental para o general da reserva se postar como um nome forte para voos mais altos no Rio Grande do Norte.
Se a nova direita se manter coesa e tiver uma ação articulada nos próximos quatro anos pode se tornar uma alternativa de poder empurrando as oligarquias definitivamente para o passado.
Styvenson: atuação avulsa
Styvenson
O capitão Styvenson Valentim (REDE) é uma incógnita em relação a essa perspectiva de nova direita. Ele não se alinha ao grupo articulado por Kelps e faz questão de frisar que não tem ideologia e que é neutro. É preciso aguardar um pouco mais para saber por onde o senador mais votado em 2018 no RN vai se encaixar.
Até aqui o militar tem tido um comportamento exótico em relação à política. Tem apostado numa atuação avulsa sem proximidade com grupos políticos. Só o tempo dirá se ele terá apetite para tentar se colocar como alternativa de poder para cargos executivos.
Mas é inegável que o senador eleito é muito mais popular no eleitorado conservador do Rio Grande do Norte.
O partido Solidariedade vai acionar a Justiça para tentar impedir que o IBOPE divulgue uma pesquisa da Tribuna do Norte que omitiu o nome de Breno Queiroga do questionário de pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte.
Para o partido, a omissão do nome de Breno é um equívoco que macula a qualidade da pesquisa.
“O IBOPE é um instituto respeitado e a omissão do nome do pré-candidato de um partido com relevância estadual, como é o Solidariedade, afeta o resultado final do questionário. Breno será o primeiro pré-candidato com a candidatura homologada em Convenção, na próxima sexta, 20, e o Solidariedade lançará mais de 45 candidatos aos mais diversos cargos na eleição deste ano. Breno viajou a inúmeras cidades nos últimos 15 dias, construindo seu nome numa parcela significativa da opinião pública”, explica o presidente estadual do Solidariedade, deputado estadual Kelps Lima.
Wilma é exemplo de construção de trajetória até chegar ao Governo
Se o eleitor potiguar quer o “novo” porque nomes com tanto tempo na política são os favoritos para o Governo do Estado? Muitas perguntas se abrem, explicações de todos os tipos surgem.
Enxergo dois fatores como primordiais: história e bandeira de luta. Não é mero acaso que nenhum candidato pintou com alternativa viável aos nomes de Fátima Bezerra (PT) e Carlos Eduardo Alves (PDT), que hoje polarizam a disputa pelo Governo.
Isso não acaso, repito. Há uma lógica recorrente nas eleições que balizam este comentário.
Fátima Bezerra está disputando eleições desde 1994. Foi deputada estadual duas vezes, disputou a Prefeitura de Natal quatro vezes, foi eleita deputada federal em três oportunidades e hoje é senadora.
Carlos Eduardo Alves foi prefeito de Natal quatro vezes, deputado estadual outras quatro vezes e disputou o Governo do Estado em 2010.
Para furar um cerco deste tamanho é preciso ter uma bandeira de luta, uma marca registrada. Quem se apresenta como alternativa até aqui não conseguiu ir além de bons discursos, como o deputado estadual Kelps Lima (SD). Faltou algo que pegue na veia junto ao povão.
Desde a redemocratização ninguém chegou ao Governo do Estado sem ter um passado político, talvez a única exceção seja Geraldo Melo cujo o único mandato antes de vencer em 1986 tinha sido o de vice-governador. Mas é preciso lembrar que do outro lado estava um João Faustino, a época, também sem um passado consistente. Estava apenas no segundo mandato de deputado federal.
Mas vejam os casos seguintes. Antes de ser eleito em 1990, José Agripino tinha sido prefeito de Natal, governador e senador. Em 1994 (reeleito em 1998) Garibaldi Alves Filho fora prefeito de Natal, deputado estadual por quatro mandatos e senador antes de chegar ao governo. Em 2002 (reeleita em 2006), Wilma de Faria (PSB) fora prefeita de Natal três vezes, deputada federal e disputou o Governo do Estado em 1994. Em 2010, Rosalba Ciarlini tinha sido prefeita de Mossoró três vezes e eleita senadora quatro anos antes.
O atual governador Robinson Faria (PSD) é um caso que mostra a necessidade de um certo lastro histórico antes de chegar ao Governo. Em 2006, ele sonhou com o Senado, mas não se viabilizou. Em 2010 quis ser governador, mas terminou vice de Rosalba. Robinson exerceu seis mandatos de deputado estadual, foi presidente da Assembleia Legislativa por oito anos e vice-governador. Só com após enriquecer o currículo ele realizou ao sonho de ser governador em 2014 quando conseguiu derrotar o poderoso palanque de Henrique Alves.
O eleitor pode até sonhar com o novo, mas ao se deparar com a história das alternativas prefere dar mais um tempo para elas e apostar nos nomes mais calejados.
Quando pintou como nome ao Governo do Estado muita gente viu em Kelps Lima (SD) uma alternativa aos projetos da senadora Fátima Bezerra (PT) e do ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT).
A meta era chegar a algo em torno de 10 a 15% nas intenções de voto nas pesquisas para consolidar a candidatura. Este operário da informação acreditou que seria possível com base nas pesquisas qualitativas que apontaram para isso. Kelps tinha, ou tem, o perfil perfeito para furar a polarização montada: faz oposição ao governador Robison Faria (PSD), não é aliado de Fátima Bezerra (PT) nem tem vínculos com as oligarquias familiares. Mas ele não conseguiu embalar no vácuo existente.
Até aqui, Kelps oscila no patamar dos 5% de intenção de voto nas últimas pesquisas.
Na outra ponta, era previsível que a jogada arriscada do vice-governador Fábio Dantas (PSB) não iria dar em muita coisa. Ele trocou de partido, largou Robinson de última hora e se alinhou ao PSDB esperando ser catapultado pela força do tucanato local.
Fábio Dantas está sendo fragilizado antes mesmo das convenções chegarem. Com 0,71% ele não consegue chegar a um dígito nas pesquisas.
Se quiser continuar na eleição, o neossocialista vai precisar encaixar-se em uma outra vaga nas eleições. Já Kelps tem a reeleição praticamente garantida como “plano B”.
Para o Governo do Estado os dois não emplacaram até aqui. Só um fato novo os coloca em um nível de competitividade razoável.
A pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Certus divulgada ontem pelo Blog do BG indicou que o cenário eleitoral no Rio Grande do Norte caminha para uma polarização entre a senadora Fátima Bezerra (PT) e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT).
Como nas sondagens dos outros institutos, a petista segue liderando as intenções de votos com 25,60%, o que lhe garante vaga num eventual segundo turno. Em segundo aparece Carlos Eduardo com 14,54%.
O terceiro colocado é o ex-senador Geraldo Melo (PSDB) que já avisou que não é candidato ao governo, mas insistentemente é colocado como postulante ao Governo. Ele tem 7,66%.
Outros nomes que colocam como candidatos ao Governo se mostram inviáveis até aqui. O governador Robinson Faria tem 5.04% seguido pelo deputado estadual Kelps Lima (SD) com 4,68%. O professor Carlos Alberto (PSOL) aparece na frente do vice-governador Fábio Dantas (PSB).
A situação do governador é delicada, além da baixíssima intenção de voto ele ainda é o campeão da rejeição com 39,65%.
O cenário é claramente de polarização entre Fátima e Carlos Eduardo. Segundo a sondagem 58,65% dos eleitores já apontam preferência por algum candidato, restando 41,35% do eleitorado para ser conquistado ao longo dos próximos meses.
Interior x Grande Natal
Um dado curioso da pesquisa é o desempenho de Carlos Eduardo na Grande Natal onde lidera com 23,38% contra 17,10% da principal adversária. Já nas demais regiões Fátima fica na frente do ex-prefeito no Médio Oeste (região de Mossoró) ele o derrota por 29,49% x 8,29% e no Alto Oeste (“Tromba do Elefante) ele vence com a maior folga: 36,36% x 5,19%.