Visita de ministro evidencia desdém a bancada federal do RN e uso da máquina pública para palanque de Fábio Faria e Marinho

Fábio Faria e Rogério marinho recepcionam ministro em evento que excluiu autoridades (Foto: redes sociais)

Ontem o ministro Tarcísio Freitas visitou Natal onde inaugurou a 1ª etapa do Complexo Viário do Gancho de Igapó. Ele esteve acompanhado dos colegas potiguares Rogério Marinho (desenvolvimento regional) e Fábio Faria (comunicações).

Chamou a atenção do meio político além do já tradicional desprezo à governadora Fátima Bezerra (PT) por parte do Governo Federal, uma indelicadeza institucional, diga-se de passagem, a exclusão da maioria esmagadora da bancada federal do Estado.

Nenhum senador presente. Dos oito deputados somente General Girão (PSL), Walter Alves (MDB), Beto Rosado (PP) e João Maia (PL) estava presentes. Eis um fato que mostra o desdém que o Governo Bolsonaro trata os parlamentares do Rio Grande do Norte.

Eventos desta natureza costumavam reunir todos os membros da bancada federal independente do viés político.

Outro aspecto da visita que saltou aos olhos foi a estratégia de montagem de palanque para 2022. Com a governadora e os demais membros da bancada federal excluídos, o espaço ficou para Rogério Marinho (sem partido) e Fábio Faria (PSD) brilharem.

Marinho anunciou R$ 29,8 milhões para as barragens de Oiticica e Passagem das Traíras. Já Fábio inaugurou, de forma inusitada, um ponto de internet na Reta Tabajara.

A promoção de ambos parece despretensiosa, mas a exclusão dos membros da bancada federal da agenda tem foco nas eleições de 2022.

Daí o abraço na política menor.

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MP Eleitoral investiga candidaturas laranjas em disputa proporcional

A denúncia de candidaturas laranjas de mulheres com o objetivo de burlar a regra de cota de gênero não deverá se limitar apenas a disputa entre partidos.

O Ministério Público Eleitoral com atuação em Mossoró está realizando uma série de oitivas com candidatas suspeitas de figurarem na disputa apenas para cumprimento da formalidade.

Os depoimentos estão sendo realizados e caso o parquet entenda que há indícios fortes de burla da lei também fará denúncia.

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Eleição em Mossoró está judicializada

A eleição de 2020 não terminou com a decisão do eleitor no dia 15 de novembro. Na verdade estão se desenhando batalhas jurídicas que prometem agitar o noticiário político em 2021.

Uma sigla deve entrar no vocabulário mossoroense com muita força no alvorecer do ano que vem: AIJE que significa Ação de Investigação Judicial Eleitoral.

São muitos processos que vamos ter em curso. A ainda prefeita Rosalba Ciarlini (PP) é alvo de quatros AIJEs, sendo que uma delas transcorre em segredo de justiça.

O prefeito eleito Allyson Bezerra (SD) que assume dia 1° de janeiro, que conviveu com as comparações com o ex-prefeito Francisco José Junior (PSD) durante as eleições, vai ter que lutar nos tribunais para não ser a versão 2020 do que Cláudia Regina foi em 2012. Ele responde a três AIJEs.

Mas a judicialização não para por aqui. Pelo menos sete vereadores estão com problemas que podem lhe trazer dores de cabeça por. São 15 AIJEs que denunciam candidaturas laranjas de mulheres para preencher a cota de gênero.

Se todas as ações prosperarem Pablo Aires (PSB), Naldo Feitosa (PSC), Lamarque (PSC), Gideon Ismaias (Cidadania), Edson Carlos (Cidadania), Omar Nogueira (Patriotas) e Raério Araújo (PSD) podem perder os respectivos mandatos.

Outras AIJEs podem surgir. Investigações estão em curso. A política mossoroense vai ferver mesmo sem eleição.

Confira na imagem abaixo o que é uma AIJE:

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Liminar negada garante diplomação de vereador eleito por partido questionado por candidaturas laranjas

A juíza Giulliana Silveira de Souza da 33ª Zona Eleitoral negou pedido de liminar formulada pelo suplente de vereador Marrom (DC) para impedir que o vereador eleito Pablo Aires (PSB) seja diplomado hoje.

O pedido tem como base a denúncia de que o PSB tenha recorrido a candidaturas laranjas para completar a cota de gênero.

A juíza entendeu que o caso ainda precisa ser melhor apurado e que seria temeroso reverter uma decisão das urnas na atual conjuntura.

Diz a juíza:

Não há, portanto, plausibilidade jurídica para a concessão da medida de urgência almejada, dada a sua manifesta desproporcionalidade, sobretudo para o momento, e tendo em vista os riscos que traria para a estabilidade democrática e das instituições. É de se esclarecer, na oportunidade, que, nada obstante, em eventualmente restando-se comprovada, após a devida apuração dos fatos e o exercício do contraditório e da ampla defesa, a prática dos supostos atos fraudulentos narrados na inicial, atentatórios que são à soberana vontade do eleitorado e à igualdade de oportunidades que deve vigorar no pleito, deverão os diplomas a serem expedidos na tarde de hoje, em sendo o caso, vir a serem cassados e, com isso, os respectivos mandatos desconstituídos, procedendo-se, então, ao novo cálculo dos quocientes eleitoral e partidário, conforme pretendido pelo autor.

Esse é um precedente que se repetirá em relação a pedidos semelhantes envolvendo as chapas do PSD, PSC, Cidadania e Patriotas.

Nota do Blog: a decisão da juíza é irretocável.

Leia a decisão AQUI

Saiba mais em:

Nova formação da Câmara Municipal de Mossoró pode ter alteração de até sete vereadores. Entenda o caso

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Nova formação da Câmara Municipal de Mossoró pode ter alteração de até sete vereadores. Entenda o caso

Câmara Municipal pode ter reviravolta na composição (Foto: reprodução)

A cota de gênero prevê que pelo menos 30% das candidaturas proporcionais sejam formadas por um mulheres se a maioria for de homens e vice e versa. Na prática é uma medida que visa estimular a participação feminina na política, esta dominada pelo sexo masculino.

Ainda assim, a regra não atinge o efeito esperado é se torna um problema na formação de nominatas para as disputas proporcionais.

Quem organiza a chapa acaba sendo obrigado a improvisar e é aí que a regra é burlada com candidatas laranjas que muitas vezes são colocadas apenas para dar uma satisfação à Justiça Eleitoral e garantir o registro das chapas.

Em Mossoró pelo menos sete vereadores correm risco de perder os mandatos conquistados nas eleições de 15 de novembro sob a suspeita de que as suas chapas teriam contado com candidaturas laranjas para cumprir a formalidade da cota de gênero.

São 15 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) movidas pelo advogado Luiz Lira a serviço dos vereadores não reeleitos Aline Couto (PSDB) e Tony Cabelos (PP) e do suplente Marrom Lanches (DC).

As ações envolvem cinco partidos e sete eleitos a saber: Edson Carlos (Cidadania), Gideon Ismaias (Cidadania), Raério Araújo (PSD), Omar Nogueira (Patriota), Pablo Aires (PSB), Naldo Feitosa (PSC) e  Lamarque (PSC).

Caso todas as ações prosperem ficariam com cadeiras na Câmara Municipal: Marrom (DC), Tony Cabelos (PP), Ozaniel Mesquita (DEM), Pluvia Oliveira (PT), Aline Couto (PSDB), Alex do Frango (PV) e Victor Carneiro (SD).

A lista acima está pela ordem. Se só uma ação prosperar a vaga é de Marrom, se duas derem resultado a vaga é de Marrom e Tony e assim por diante.

As ações tramitam na 33ª Zona Eleitoral.

Entenda no que se baseia a denúncia de candidaturas laranjas feita contra cinco partidos

O Blog do Barreto conferiu as denúncias feitas contra os cinco partidos e vai explicar uma por uma de forma topicalizada.

Cidadania: a investigação se baseia no uso do nome da candidata Ana Íris que obteve apenas cinco votos. Ela obteve apenas cinco votos. A investigação constatou que ela parca campanha nas redes sociais sem realizar pedido de voto e recebeu apenas R$ 490 do Fundo Eleitoral. O dinheiro foi usado para contratar o próprio filho para ajudar na divulgação da campanha. “Desse modo, é de clareza ímpar que o CIDADANIA fraudou a cota de gênero e com o deliberado intuito de viabilizar mais candidaturas masculinas, registrou candidaturas fictícias do sexo feminino, devendo esta Justiça Especializada atuar de forma severa para cassar os votos dados à todas as candidaturas do partido Investigado, dando um exemplo as demais siglas, devendo a cota de gênero ser utilizada como uma verdadeira forma de participação e garantia da isonomia no preenchimento das vagas no legislativo”, argumenta a denúncia.

Patriota: a denúncia envolvendo o Patriotas cita como exemplos de candidatas laranjas Teresa Cristina da Costa Alves, Maria Aparecida Santiago, Elineide Bandeira Dantas, Gênia Claudia da Silva, Maria Irani Felix de Souza, Edineide Silva Da Luz e Claudia Maria De Oliveira Fonseca. Juntas elas somaram 45 votos e não receberam um centavo do Fundo Eleitoral. Em comum a denúncia aponta que as candidatas do Patriotas estiveram ausentes na campanha o que indica que foram colocadas no sistema apenas para cumprir uma obrigação da legislação.

PSB: na ação contra o PSB, a AIJE indica que as candidaturas de Francisca das Chagas Evaristo da Silva e Luciene Felipe da Silva. A pesquisa apontou que elas não foram candidatas de fato por não fazerem campanha e cada uma recebeu R$ 555,55 de fundo partido. Juntas receberam 20 votos. “Veja-se que as candidatas investigadas como “laranjas” receberam a mesma quantia de recursos, sendo que nenhuma delas chegou a receber recursos de nenhuma outra fonte, nem mesmo de doações de amigos e familiares, e suas despesas são padronizadas nos valores e empresas contratadas, nada mais havendo”, argumenta a denúncia.

PSC: a denúncia contra a chapa do PSC aponta a existência de oito candidatas laranjas a saber: Mariza Sousa da Silva Figueiredo, Lidiane Michele Pereira da Silva, Fernanda Dulce de Castro Caldas, Karoline Inácio dos Santos Lima, Conceição Kaline Lima Silva, Nadja Micaelle Oliveira de Souza, Fabrícia Dantas da Silva e Jessica Emanoele Vieira da Rocha. De dez candidatas, apenas duas foram efetivamente para disputa. As oito candidaturas questionadas não usaram as redes sociais para pedir votos e juntas somaram 28 votos. Elas receberam R$ 3.750 cada de fundo partidária e tiveram despesas idênticas sempre R$ 3 mil com a S & S Gráfica e Editorial LTDA e R$ 750 com a ART7 Gráfica Digital LTDA. “A ideia nunca foi disputar o pleito eleitoral em si, mas somente para preenchimento da cota de gênero e, com isso possibilitando a participação do partido Investigado nas eleições proporcionais”, diz a denúncia. Outro dado no mínimo curioso é que a mãe de Conceição Kaline Lima Silva, Maria de Fátima Lima, foi candidata pelo MDB com o nome de urna “Fátima Tubaroa, recebendo 19 sufrágios. “Curiosamente a mãe da investigada também possuiu votação inexpressiva no pleito eleitoral”, reforça a denúncia.

PSD: a AIJE apontou como candidaturas laranjas no PSD de Bárbara Silva de Souza, Catarina Maria da Silva e Daniela Francisca da Silva. Juntas elas somaram 18 votos. Bárbara e Catarina receberam R$ 3.500 de Fundo Eleitoral e Daniela R$ 6.200. Mas nenhuma chegou a ter despesas de campanha nem sequer pediram votos nas redes sociais. “Como se sabe, as redes sociais seriam uma forma de demonstrar aos seus eleitores suas propostas, divulgação de campanha e, obviamente, de realizar pedido de votos”, alega a denúncia.

O conjunto das denúncias aponta em comum a caracterização das candidaturas como laranjas a partir das seguintes observações:

  1. a) Ausência de gasto com material de propaganda ou serviço;
  2. b) Inexistência de propaganda eleitoral;
  3. c) Ausência na participação efetiva da candidata em prol de sua candidatura;
  4. d) Votação zerada e/ou inexpressiva;

Além de:

  • não realizaram qualquer ato de campanha;
  • não produziram material eleitoral;
  • não distribuíram santinhos para panfletagem;
  • não distribuíram adesivos para bens particulares e veículos;
  • não veicularam anúncios em jornais;
  • não utilizaram de bandeiras ou mesas com distribuição de materiais de campanha;
  • não registraram qualquer pedido de realização de propaganda de rua junto ao juízo zonal;
  • não participaram de reuniões políticas;
  • não realizaram “live” com debate político/eleitoral;
  • não realizaram caminhadas, carreatas e passeatas;
  • não utilizaram de carro de som;
  • não produziram jingle;
  • e não pediram votos.

 

Denúncia cita matéria do Blog do Barreto

As 15 denúncias assinadas pelo advogado Luiz Lira cita matéria do Blog do Barreto que mostra que quase 80% dos candidatos que tiveram entre 1 e 10 votos eram mulheres. Um desempenho desproporcional à quantidade de candidaturas femininas.

Na matéria Confira a lista de candidatos que tiveram entre 1 e 10 votos para vereador em Mossoró. Quase 80% são mulheres mostramos que “das 40 candidaturas que tiveram entre 1 e 10 votos, 31 são de mulheres. Isso corresponde a 77,5% do total. Para se ter ideia da desproporcionalidade destes números estamos numa cidade onde 53,6% do eleitorado é feminino. Apesar disso só 34% das candidaturas eram de mulheres e apenas  três foram eleitas para a Câmara Municipal”.

Confira a matéria completa AQUI

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Em áudio vazado, Francisco José Junior admite vaidade como fator para fracasso administrativo e celebra vitória de Allyson: “alma lavada”

Ex-prefeito comenta resultado eleitoral (Foto: arquivo)

Um dos protagonistas do processo eleitoral de 2020 em Mossoró, o ex-prefeito Francisco José Junior quebrou o silêncio em um grupo de Whtasapp.

Ele comentou o processo eleitoral em Mossoró celebrando a derrota da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e admitindo ter na vaidade um pecado em sua gestão.

Outro ponto comentado diz respeito à permanência excessiva de rosalbistas na gestão.

Nota do Blog: esse áudio foi gravado alguns dias após o Blog do Barreto ter apontado dois erros cometidos pelo ex-prefeito que não poderia ser repetidos por Allyson Bezerra. Ambos eram a vaidade e a manutenção de rosalbistas na gestão. Leia AQUI.

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Eleições potiguares: calmaria em Natal e o declínio dos Rosado em Mossoró

Álvaro Dias (PSDB), atual prefeito de Natal (RN) e reeleito em 2020 (Imagem: Reprodução/Facebook)

Por Alan Lacerda*

A referência à calmaria no título é irônica, na medida em que denota o desinteresse do eleitorado natalense por novidades na gestão municipal. Pela segunda vez consecutiva, um prefeito é reeleito no primeiro turno sem ter realmente uma marca estruturante de gestão. Também pela segunda vez a vitória ocorre no primeiro turno, com relativa facilidade. Até os percentuais em votos válidos dos três candidatos (incluindo o titular no cargo) que obtiveram mais de 10% dos votos válidos foram parecidos com os da disputa de 2016 (ver tabela abaixo).

Não há anomalia entre o resultado eleitoral e a popularidade do ocupante do cargo. O prefeito Álvaro Dias (PSDB), o vice eleito em 2016 que assumiu o cargo em 2018, após a saída do titular para a disputa de governador, gozava de elevada taxa de aprovação (no indicador binário aprova/desaprova) do eleitorado, chegando a 66% na pesquisa Seta divulgada em 2 de novembro. O mesmo deu-se na competição de 2016 com Carlos Eduardo Alves (PDT), seu antecessor e integrante da família política Alves.

Há dois legados políticos, todavia, cujos efeitos não podem ser mensurados diretamente, que precisam ser mencionados aqui. A desastrosa gestão de Micarla de Sousa (PV), que apareceu como novidade em 2008 com uma campanha eficiente que a levou a vencer a atual governadora Fátima Bezerra (PT), então deputada federal, já no primeiro turno. No comentário político, é comum a constatação de que o eleitorado da capital potiguar tornou-se cauteloso a partir de então – o que pôde se verificar com o retorno de Carlos Eduardo à Prefeitura no pleito de 2012. Ele já havia ocupado o posto entre 2002 e 2008.

O segundo legado é o da fraqueza da oposição municipal, que não consegue estabelecer um contraponto persistente aos prefeitos na Câmara Municipal e no debate público. Os candidatos só aparecem como oposição estritamente municipal no ano da eleição, reforçando a já referida cautela do eleitor, que decide contra eles. Tais fatores são basicamente locais, não podendo ser atribuídos seja ao contexto potiguar seja ao nacional.

1 - Elaboração própria - Elaboração própria
Candidatos a prefeitura de Natal em 2016 e 2020 Imagem: Elaboração própria

É possível detectar duas diferenças importantes entre as duas competições. Primeiro, houve maior dispersão no número de candidatos a prefeito neste ano, com o lançamento de dez aspirantes. Isso em nada dificultou, porém, a tarefa do prefeito em relação ao seu antecessor. Segundo, um candidato da direita radical atingiu o limiar de 10% dos votos, na figura de Sergio Leocadio (PSL), um delegado da Polícia Civil – ele concorreu, inclusive, pelo mesmo partido ao qual já pertenceu o presidente Jair Bolsonaro. O senador Jean-Paul Prates (PT) apenas amealhou alguns pontos a mais do que o seu correligionário, o hoje secretário estadual Fernando Mineiro (PT).

A fisionomia da campanha na capital foi marcadamente diferente dos eventos congêneres no interior. O uso de máscaras pelos políticos e por parte dos seus apoiadores parece ter sido maior em Natal, assim como foram menores o entusiasmo e as aglomerações nas ruas produzidos pela corrida eleitoral. Mesmo disputas pouco acirradas geraram maior interesse no interior potiguar.

Por fim, é bom registrar que a força ampliada do prefeito Álvaro Dias não significa necessariamente que ele está livre para a disputa de governador em 2022. Como parte do acerto entre PDT e PSDB, o ex-prefeito Carlos Alves, que cogita disputar novamente o pleito de governador, indicou como vice-prefeita Aila Cortez, pedetista e parente de sua esposa. Uma eventual saída de Dias implicaria o retorno do PDT à titularidade do cargo.

Disputa eleitoral em Mossoró segue padrão interiorano

Em contraste, a campanha na segunda maior cidade do estado, Mossoró (uma eleição ainda de maioria simples) seguiu o referido padrão interiorano, sendo bastante disputada entre a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), uma integrante da família política Rosado, e o deputado estadual Allyson Bezerra (SD). A “Rosa”, como é conhecida no vocabulário político local, não havia perdido nenhuma eleição para a Prefeitura da cidade desde 1996, tendo apoiado candidaturas vitoriosas em 2004, 2008 e 2012. Nos demais pleitos, 1996, 2000 e 2016, ela própria logrou a vitória. Seu primeiro triunfo foi em 1988.

Em termos táticos, o objetivo central de Rosalba tinha que ser dividir o voto da oposição, em virtude do fato de sua avaliação positiva, a soma de ótimo e bom nas pesquisas, ser medíocre, variando entre 30% e 35% na maioria das sondagens. Bezerra, no entanto, tornou-se rapidamente o único candidato competitivo da oposição durante a campanha, canibalizando votos que poderiam ir para outros nomes oposicionistas.

A rigor, o pleito adquiriu uma polarização similar à observada em disputas de segundo turno, com a baixa avaliação da gestão sendo o limitador central do crescimento da prefeita. No fim, Allyson Bezerra obteve mais de 65 mil votos (47,52%), contra pouco mais de 59 mil (42,96%) da atual gestora. A derrota de Rosalba pode vir a marcar um declínio dos Rosado, que já chegaram a eleger dois governadores do estado, incluindo ela própria.

Finalmente, cumpre falar sobre eventuais efeitos da disputa sobre o âmbito estadual e a eleição de 2022. Espelhando de certa forma o resultado nacional do partido, o PT potiguar também teve desempenho insatisfatório no que toca às eleições de prefeito. A agremiação lançou candidatos em 26 dos 167 municípios do RN, tendo sido vitoriosa em apenas três cidades; um caso ainda está sub judice.

O resultado pode gerar certa perplexidade, dado o fato de que a atual governadora é uma petista. No entanto, Fátima Bezerra tem seu próprio ciclo político, que culminará com a tentativa de reeleição em 2022. Ela enfrentou queda generalizada de popularidade neste ano, em função da reforma previdenciária estadual e das medidas restritivas contra a pandemia. Fátima parece focada na área da segurança pública, com a contratação de mais de mil policiais militares, e na quitação de duas folhas salariais deixadas pelo governo anterior. É fato também que sua popularidade começa a melhorar em vários municípios. Na minha avaliação, não é possível inferir dos resultados das disputas municipais uma fraqueza eleitoral da gestora em 2022.

*É professor associado da UFRN e doutor em Ciência Política pelo (antigo) Iuperj. Texto extraído do UOL.

Esse texto foi elaborado no âmbito do projeto Observatório das Eleições de 2020, que conta com a participação de grupos de pesquisa de várias universidades brasileiras e busca contribuir com o debate público por meio de análises e divulgação de dados. Para mais informações, ver: www.observatoriodaseleicoes.com.br

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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O mapa da mina

São Paulo – Eleitores votam no segundo turno das eleições para prefeito na Escola Municipal de Ensino Fundamental Celso Leite Ribeiro Filho, na Bela Vista (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Por Bruno Carazza*

Fechadas as urnas em todo o Brasil (com exceção de Macapá, cuja eleição foi adiada por causa do apagão), é hora de contabilizar vencedores e perdedores, tentando extrair sinais que possam iluminar o caminho da política rumo a 2022.

Diversos rankings podem ser traçados. Em termos de número de prefeituras, o 2º turno não trouxe nenhuma novidade em relação ao que já havia sido definido há duas semanas. O MDB manteve a sua histórica liderança, seguido pelos dois principais representantes do Centrão (PP e PSD) – PSDB e DEM completam o “top five”. Nessa métrica, o que conta é a capilaridade, e aqui a centro-direita vai muito melhor que a esquerda, cujos partidos melhor colocados foram o PDT (em 7º lugar), PSB (8º) e PT (na 11ª posição).

Do ponto de vista regional, entre os partidos que mais foram penalizados em 2018, na esteira da Operação Lava-Jato, vemos o PT cada vez mais reduzido ao Nordeste (seus melhores desempenhos relativos foram no Piauí, no Ceará e na Bahia) e ao seu enclave acreano. Já os tucanos do PSDB mantêm seus domínios em São Paulo e no Mato Grosso do Sul – chamando a atenção o fraco desempenho do partido no RS, onde o governador Eduardo Leite só conseguiu garantir 5% das prefeituras.

Embora tenha mantido seu tradicional posto de dono do maior número de municípios no Brasil, o MDB se vê cada vez mais reduzido aos seus clãs, com domínio forte no Pará dos Barbalhos (43% das prefeituras), na Alagoas dos Calheiros (37%), no Rio Grande do Sul de Eliseu Padilha (28%) e do Norte dos Alves (23%), além do Amazonas de Eduardo Braga (22%). Mas nem tudo são flores: com exceção da vitória de Sebastião Melo em Porto Alegre, o MDB perdeu em todas as capitais desses Estados.

E já que estamos falando de feudos políticos, eles também estão presentes no campo das esquerdas. Partidos fortemente personalistas, em que famílias influenciam as eleições por décadas, ainda têm grande dificuldade de ampliar seus domínios Brasil afora, como é o caso do PSB da família Arraes, ainda encastelado em Pernambuco (onde venceu quase um terço das disputas municipais, inclusive no Recife, onde o bisneto João Campos venceu a neta Marília) e os irmãos Gomes do PDT, que apesar de terem ganhado 40% das prefeituras no Ceará, ainda têm baixa penetração em outros Estados (exceção feita ao Maranhão).

Na tão comentada centro-direita, vemos o DEM se posicionando muito bem no cinturão da soja, obtendo os seus melhores resultados em Goiás (25% dos municípios do Estado), Mato Grosso do Sul (19%), Mato Grosso (17%), Tocantins (19%) e Rondônia (16%). Já o Progressistas (antigo PP) e o PSD de Kassab tiveram seu melhor desempenho não apenas no Nordeste (principalmente no Piauí, Bahia, Alagoas e Sergipe), mas também no Sul, com o primeiro se dando bem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto os pessedistas destacaram-se no Paraná.

Muito se disse que a onda de renovação na política brasileira perdeu força, mas os números indicam que 16% dos municípios brasileiros escolheram prefeitos que nunca haviam disputado uma eleição antes – a maioria empresários, produtores rurais, advogados e médicos. E aqui também se nota como as legendas mais à direita do espectro político continuam conseguindo atrair mais novatos com viabilidade eleitoral, numa tendência já observada em 2018, quando Bolsonaro chegou ao poder. Entre os partidos que conseguiram emplacar neófitos nas prefeituras, destacam-se o MDB (104), PP (93), PSD (92), DEM (69) e PSDB (64), com os partidos mais à esquerda vindo bem atrás, com PDT (57, em 7º lugar), PSB (39, 9º lugar) e PT (23, no 12º lugar).

Mais do que atrair candidatos novatos com boas chances de estrear com vitória, os partidos da centro-direita também se notabilizaram por conseguir “roubar” políticos de outras legendas. Mergulhando nos dados sobre vinculação partidária dos prefeitos vencedores em 2020, é possível verificar que entre os dez partidos com o maior número de prefeituras, o Republicanos foi o campeão na atração de candidatos de outras legendas – nada menos que 56% dos novos prefeitos disputaram sua última eleição por outro partido. DEM e PSD também tiveram em torno da metade dos candidatos vencedores no pleito atual foram captados em hostes adversárias, principalmente MDB e PSDB.

Se levarmos em conta a população que passará a ser governada a partir de primeiro de janeiro nos municípios, a vitória de Bruno Covas sobre Guilherme Boulos na cidade mais populosa do Brasil garantiu aos tucanos a maior fatia do “mercado eleitoral” deste ano, com mais de 16% dos brasileiros. Num patamar abaixo, na faixa de 11% a 12% vêm, pela ordem, MDB, DEM e PSD.

O resultado do segundo turno jogou uma ducha de água fria nas pretensões dos partidos de esquerda de sair da disputa com algumas vitórias importantes. É verdade que houve o que comemorar, como a vitória do cirista Sarto e do psolista Edmilson Rodrigues sobre candidatos bolsonarista em Fortaleza e Belém, respectivamente. Mas as derrotas de Boulos, Manuela d’Ávila e Marília Arraes acrescentam um gosto amargo a um indigesto resultado das esquerdas neste ano.

Tudo somado, subtraído, dividido e multiplicado, o que podemos extrair de todos esses números? Em primeiro lugar, ainda que Bolsonaro não tenha lançado o seu próprio partido, o fato de que os poucos candidatos que ele apoiou terem sido derrotados pode indicar um arrefecimento do bolsonarismo enquanto movimento. Por outro lado, para quem não deseja vê-lo no Palácio do Planalto a partir de 2023, uma inclinação para a centro-direita parece ser um caminho muito mais seguro do que uma guinada à esquerda.

Os resultados deixam muito claro que se consolidou no Sul, São Paulo e Centro-Oeste uma forte resistência ao PT e a seus antigos partidos satélites. Por outro lado, o avanço dos partidos de Centrão no Nordeste sinalizam que o último bastião do petismo pode ter caído.

De eleição para eleição, todas as atenções a partir de agora se colocam sobre as articulações dos partidos da centro-direita. As composições em torno das escolhas para as mesas diretoras da Câmara e do Senado podem ser um boa prévia do que pode acontecer até 2022.

*É mestre em economia, doutor em direito e autor de “Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro”.

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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Agripino reaparece

Agripino volta ao noticiário (Foto: arquivo)

Após dois anos sumido do noticiário o ex-senador José Agripino, presidente estadual do DEM, reaparece no noticiário. Ele concedeu uma entrevista ao Agora RN em que falou sobre o cenário político no Rio Grande do Norte e no Brasil.

Agripino até fez algumas análises interessantes. Classificou o Governo do Bolsonaro como “errático” e indicou distanciamento do presidente. Reconheceu o esforço da governadora Fátima Bezerra (PT) para colocar a folha de pagamento em dia, mas fez uma crítica justa acerca da falta de obras.

Por outro lado, se empolgou com o crescimento nacional do DEM e delirou dizendo que isso se reproduziu no Rio Grande do Norte.

Engano.

O DEM fez 16 prefeitos em 2016 e 17 em 2020. Sem contar que perdeu a estratégica Pau dos Ferros e teve péssimo desempenho em Mossoró, além de sequer ter lançado uma chapa de vereador em Natal.

Agripino pregou a moderação e sugeriu que o DEM pode se alinhar com a centro-esquerda e defendeu mais uma vez uma aliança oligárquica de Alves e Maias no RN.

O ex-senador foi poupado na entrevista. Não foi instigado a falar sobre a nova derrota dos oligarcas do Estado e não explicou a sua “despercebida” ausência no processo eleitoral de 2020.

Agripino tenta ressurgir no debate público com nova roupagem, mas no fundo é o mesmo oligarca de sempre.

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